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E
finalmente chegara o dia de partirem para Rikitea, a grande Pérola Negra
esperava esta hora há muitos anos, um momento de realizar um grande
sonho.
Uma grande
escuna os aguardava, perto do pier em frente ao passe de Hapiti, e
canoas transportavam alimentos mercadorias e pessoas, coisa que levou
quase todo o dia. E ao se iniciarem o aparecimento das primeiras
estrelas do céu, a grande escuna zarpava rumo ao ato de Rikitea, em
Tuamotus.
Iam vendo
as ultimas luzes de Moorea a Papeete desaparecerem no horizonte da noite
sem lua, passavam ao largo de Tetiaroa, um atol recentemente adquirido
por um artista americano, após ter casado com uma linda tahitiana que
contracenou com ele em um filme rodado na Polinésia, e a grande escuna
aproava para Rangiroa o primeiro atol que parariam, seguido de Fakarawa
e finalmente Rikitea onde poucos podiam, lá ter autorização para estar,
e entre eles o Chefe Viritua e sua gente.
Rangiroa o
maior atol das Tuamotus tem uma grande lagoa interna com cerca de 40
milhas náuticas de uma margem não se avista a outra. Agora se iniciava a
construção de um grandioso hotel. Entravam pelo passe Avatoru, maior e
mais calmo, fizeram a descarga do material e no dia seguinte partiram
para Fakarawa, onde o mesmo acontecia, e finalmente rumavam ao último
ponto e objetivo.
Lenka e
Teru estavam impressionados pela cor das águas de Tuamotus, realmente
eram águas incrivelmente límpidas e belas. A impressão que se tinha era
que se estava navegando sobre um límpido e transparente cristal...
podia-se ver nitidamente e em detalhes todo o fundo do mar qual se
estivesse admirando um belíssimo aquário natural.
A viagem
levara exatamente o tempo previsto e ao raiar de um fantástico dia de
sol, já se avistava as planas terras do atol de Rikitea. Adentrando com
suavidade a escuna largou ferros em frente a pequena vila, onde ao lado,
se encontrava a mais famosa fazenda de pérolas negras de toda a
Polinésia.
Os tanes
sopravam conchas gigantes e avisavam a todos da chegada. Teru tirando
sua larga camisa, mergulhou com Lenka tendo a seu pescoço a vibrante
Pérola Negra que revivia o prazer de sentir as águas de onde nascera.
Iam
nadando em direção a praia enquanto o Chefe Viritua compreendia o
significado daquele mergulho, o Mestre estava banhando a grande Pérola
Negra nas suas águas e de imediato, a fim de evitar qualquer problema na chegada deles a terra, determinou a Teiki que colocassem rapidamente
as canoas n’água e acompanhasse o mestre e sua vahine para quando
chegasse a praia estarem juntos, de tal forma que todos vissem tratar-se
de pessoas acompanhadas de Chefe Viritua e sua comitiva.
Durante
toda a viagem desde Moorea, Chefe Viritua garantira a Mestre Teru, que
seriam muito bem recebidos, enquanto apresentados por ele fazendo parte
de sua comitiva, Teru e sua vahine, nadando em direção a praia, mesmo em
companhia de seus tanes não seria a mesma coisa que com sua presença, e
isto o deixava apreensivo.
A grande
Pérola Negra, já havia analisado este fato e mentalizando para Teru e
Lenka foi explanando seu comportamento quando chegassem à praia.
─
Em
lá chegando, me coloque na palma da mão direita de Lenka e segure em
sua mão esquerda e ela repetirá as palavras que mentalizar.
Ao
chegarem a praia com as canoas comandadas por Teiki as suas costas,
ainda um pouco afastados, os locais de imediato partiram em direção
aqueles estranhos que chegavam ao atol e Lenka fez exatamente o que a
grande Pérola Negra dissera e mentalizando repetia suas palavras, no
mais puro e sem sotaque Polinésio de Rikitea:
─
Povo de Rikitea, eu e meu tane trouxemos a grande Pérola Negra!!!
Aquilo
causara um impacto maior que se um vulcão tivesse emergido das águas.
Todos
estavam estáticos enquanto a linda vahine saia das águas segurando e
mostrando a grande Pérola Negra, acompanhado de um musculoso guerreiro.
De imediato todos começaram a bater freneticamente muitas palmas e um tane mais do que ligeiro fora chamar chefe Rikitea para ver o que o
grande TIKI os ofertava.
Enquanto
isto chefe Viritua chegava as pressas a praia a tempo de surpreso ouvir
a bela vahine hawaiana falar no dialeto de Rikitea, que nem ele entendia
tão bem, e mais surpreso se encontrava, em compreender como é que o
Mestre e sua Vahine conheciam tão bem a lenda da Grande Pérola Negra.
Chefe
Rikitea viera rápido e não houve qualquer necessidades de apresentações,
com um gesto típico dos Polinésios, deu as boas vindas aos visitantes e
pegando a mão de Lenka, com a grande Pérola Negra dizia rindo a todos:
─
Nossa deusa a linda vahine, veio nos trazer com seu forte tane a nossa
GRANDE PÉROLA NEGRA!!!
O povo de
Rikitea batia palmas e saudavam os visitantes até pararem no centro da
vila, em frente ao totem, a imagem, a estatua do Grande Tiki de Rikitea,
o protetor do atol.
Grande Tiki
A Pérola
Negra nas mãos de Lenka estava reverenciando seu Tiki, e agradecia a sua
sempre proteção e pela oportunidade de retornar a ver os seu atol,
quando para surpresa de todos soprou um forte vento que fazia a areia em
torno de todos, como uma parede e sem no entanto atingir a qualquer
pessoa, e mentalizando com Teru orientou-o para repetir as suas
palavras em Polinésio.
─
Povo de Rikitea, a grande Pérola Negra agradece ao seu poderoso Tiki,
guardião de Rikitea, a tê-la trazido de retorno as suas origens!!!
Quando
Teru acabara de falar o vento terminara e todos ficaram totalmente
paralisados, os visitantes eram protegidos pelo Grande Tiki de Rikitea,
e todos bateram muitas palmas em quanto o Chefe Viritua e seu pessoal,
espantados olhavam para Mestre Teru, e como ele sabia falar o tahitiano
de Rikitea.
A recepção
a linda Lenka, Teru e a grande Pérola Negra era fantástica, abraços,
beijos, presentes, tudo era alegria, e o Chefe satisfeito, pois recebia
os protetores da grande Pérola Negra que eram enviados do poderoso Tiki.
─
Em
homenagem aos protetores da grande Pérola Negra e a seu retorno a
Rikitea, e a visita de Chefe Viritua e sua comitiva, esta noite faremos
uma grande festa e vamos comemorar este grande acontecimento em nosso
atol!!!
─
Esta festa será inesquecível, é em homenagem a vocês, que terão
surpresas nunca imaginadas!!! Colocava Chefe Viritua para Teru e sua
linda vahine.
Na cabana
de Chefe Rikitea, foram apresentados aos membros de sua família, e o
chefe do atol exultava de alegria por ter o poderoso Tiki traçado o
destino da grande Pérola Negra de forma que ela voltasse a seu atol e
convidava a todos a conhecerem a fazenda de pérolas negras e sua moda de
Rikitea em cultivá-las, o que era inusitado para o Chefe Viritua, que
mesmo sendo Polinésio e por diversas vezes estado lá esta era a primeira
vez que fora convidado.
Cultivo
de pérolas
─
Mestre Teru, este é um fato para nos muito especial pois há muitos anos
que negociamos com Chefe Rikitea, e esta é a primeira vez que pessoas
estranhas irão conhecer a fazenda de pérolas negras de Rikitea.
Ao
entrarem na fazenda logo na administração, em sua parede frontal em
destaque havia uma concha fixada com os dizeres sobre a concha que gerou
a maior pérola negra do mundo.
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Concha Mãe da Grande PÉROLA
NEGRA |
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CONCHA MÃE DA GRANDE PÉROLA
NEGRA
Teru me
tirando do saquinho, me colocava na concha mãe, e a Pérola Negra
assentava as suas origens, um detalhe que deixou Chefe Rikitea muito
emocionado e que via ser Teru um extraordinário conhecedor de toda a
cultura de Rikitea e Polinésia, e falava no Polinésio puro de Rikitea...
─
Grande Pérola Negra estamos muito feliz em estarmos em Rikitea e tê-la
como nosso talismã. Cumprimos nossa promessa desde há muito feita!!!
A grande
Pérola Negra mentalizara Teru e estava surpresa como ele havia dito
aquilo sem que ela mentalizasse primeiro, os chefes e todos estavam
perplexos e Lenka perguntara a Teru como fizera aquilo.
─
Teru, o que foi que falou deixando todos quietos e olhando fixamente
para você, já que a grande Pérola Negra nada mentalizou???
─
Não
sei o que esta acontecendo também Lenka, algo extraordinário esta
ocorrendo e também estou muito surpreso!!!
Porém
Chefe Viritua começara a compreender e falara a Teru:
─
Mestre Teru, o Tiki de Rikitea está promovendo grandes mudanças no
senhor em agradecimento a este seu gesto!!!
Teru
começara a falar correntemente o idioma local e Chefe Rikitea estava
maravilhado, e alardeava para todos:
─
O
tane Teru é nativo de Rikitea, nativo de Rikitea!!!
Teru havia
agora percebido que recebera o dom de falar os idiomas Polinésios e
Lenka astuta, percebera que ele estava recebendo forças muito maiores do
que ele mesmo não imaginava, seu sentido da parte Polinésia a dizia
sobre isto.
Chefe
Rikitea reservara em sua própria cabana aposentos para Teru e Lenka, que
eram cercados de todas as atenções e carinho. Realmente a vinda da
Grande Pérola Negra à Rikitea mudara em muito o comportamento da vila e
dos visitantes, que se sentiam envolvidos num burburinho de surpresas
fantásticas e por vezes inacreditáveis.
CABANA DE CHEFE RIKITEA
Por volta
das 16:00 h começaram as arrumações e os preparativos para o inicio da
grande festa. Tudo esmeradamente arrumado impecavelmente ornamentado com
belíssimos arranjos de flores. Esteiras muito bem trancadas com folhas
de coqueiro secas eram estendidas formando um grande círculo tendo ao
centro a estatua do grande Tiki, e bem a sua frente,se dirigindo para o
mar, pelas finas e brancas areias, um caminho todo cercado de belas
flores.
Nos
coqueiros ao redor do grande circulo tocheiros eram acesos que a noite
iriam iluminar adequadamente todo o ambiente e cercanias.
Lenka
vestia um belo pareô branco com hibiscos pretos estampados, que recebera
de presente da vahine de Chefe Rikitea, para que usasse especialmente
nesta noite e ainda fizera um belo arranjo de arte extraordinária
composto com pérolas negra, o que a deixavam ainda mais bela.
ARRANJO FEITO EM LENKA COM
PÉROLAS NEGRAS
Teru
vestia um belo lava-lava, (pareô masculino) preto com hibiscos
estampados em branco exatamente o oposto de Lenka, e no seu pescoço
pendurado um belo colar trancado com fibras de coco e conchas brancas
tinham como um grande pendant a Pérola Negra em destaque para que todos
vissem sua extraordinária beleza e tamanho.
O som do
tamure começou a dar a chamada para avisar a vila que a festa iría ter
seu inicio, e o grande circulo ia recebendo seus ocupantes.
Teru e
Lenka juntos dividiam a esteira do chefe com sua vahine, logo depois
vinha a esteira de chefe Viritua e sua comitiva. O tamure acelerava seu
ritmo e belas vahines começavam a se apresentar dançando o tamure, que
envolvia a todos num clima mágico, frenético e tendo como par o
enebriante aroma das flores.
As vahines
locais com belas roupas com combinações de branco e preto, com um lindo
chapéu comprido se elevando as estrelas se balançavam em movimentos
inesquecíveis, numa coreografia estupenda completando o cenário da noite
tropical, onde agora a lua iniciava os primeiros dias de seu reinar
como nova.
Teru de
repente levantara-se e pegando Lenka pela mão, sem dizer nada se dirigiu
ao centro das vahines, que de imediato abriram a roda deixando-os ao
centro, e começou a dançar o tamure de forma rápida e acelerada com uma
prática tremenda que deixava surpresos os mais experts dançarinos
locais, Lenka por sua vez bailava o autêntico tamure, de forma idêntica
e similar.
Chefe
Rikitea compreendendo o que estava a ocorrer, se dirigia a estátua do poderoso Tiki e apanhando a lança de guerra passava as mãos de Teru
que em sua dança fazia coreografias de lutas autênticas Polinésias, ao
estilo mais tradicional.
A dança do
Poderoso Tiki, nunca fora antes tão bem interpretada em toda a história
de Rikitea, uma belíssima vahine e seu forte tane, portando a grande
Pérola Negra eram os protagonistas daquela cena fantástica e para sempre
guardada nas memórias de quantos apreciaram aquele espetáculo.
Ao
finalizarem a dança e voltarem aos seus locais eram reverenciados por
todos os presentes como se fossem deuses, e Chefe Viritua batendo fortes
palmas no seu peito chamava a atenção de todos que iría falar como
chefe.
De
imediato, os tambores silenciavam e fortes conchas eram sopradas e o
Chefe do atol de Rikitea falava oficialmente a seu povo:
─
Povo de Rikitea e visitantes, nosso atol foi abençoado por nosso Tiki
através do forte tane Teru e sua linda vahine Lenka, coisa
inacreditáveis estão sucessivamente acontecendo nos demonstrando serem
eles filhos do Grande Tiki de Rikitea, como todos acabamos de assistir a
dança, nunca tão bem interpretada por ninguém em nosso atol inclusive
com a lança sagrada. Todos assistimos ser o próprio poderoso Tiki
dançando usando o corpos de seus protegidos.
─
Desta forma a partir de hoje o tane Teru e sua Vahine Lenka serão por
nos tratados como filhos do Grande Tiki de Rikitea, e neste atol terão
para sempre a sua fare!!!
Todos se
levantavam a maneira mais tradicional da Polinésia batiam palmas nos
peitos enquanto as vahines ao som dos tambores iam se enfileirando e
cada uma colocava um colar de fibras trancadas em Teru e Lenka, que
notarem em cada colar recebido em sua ponta pendia uma bela pérola
negra, e eram dezenas de colares que recebiam.
Eles a
partir daquele momento seriam tratados como filhos do poderoso Tiki e
portanto teriam tanto poder como o Chefe Rikitea.
Chefe
Viritua se levantava solenemente e se dirigia ao casal e fazia sua
especial reverência pois desde o início desconfiava que para este jovem
casal recaiam as bênçãos dos deuses Polinésios.
Tal gesto
demonstrara que eles seriam aceitos em todos os locais da Polinésia e
que anúncios seriam levados a todas as ilhas e povos que vivem na
Polinésia notificando aquele fato para eles envolvido em algo sagrado.
O maior
momento da festa foi quando seria encenada a dança da Grande Pérola
Negra, que Teru e Lenka passaram a entender o porque da encenação da
praia mentalizada pela grande Pérola Negra...
Uma grande
bola negra simbolizando uma pérola era colocada ao centro do circulo e
de dentro dela sai uma bela vahine trajando um pareô todo branco. Seus
cabelos era longos e muito negros e a sua mãos tinha uma grande pérola
negra.
Conta a
lenda, que uma grande pérola negra fora perdida e achada pela Deusa Lua
e nas noites em que brilhava deixava todos verem a grande pérola e
depois a levava de volta ao mar.
Dizem que
uma bela vahine se apaixonou por um jovem tane de uma ilha próxima e que
seu pai não aprovava este casamento, e numa noite de lua a linda vahine
fora colocada por seus pais dentro de uma bola simbolizando uma pérola e
fechada for ofertada a Deusa Lua.
A Deusa da
noite, sentindo pena da bela vahine fizera chegar a grande pérola com
ela dentro a ilha próxima e tendo seu amado aberto a estranha bola
negra notou estar dentro sua bela vahine. Assim em toda a Polinésia até
os dias atuais esta dança é ofertadas aos casais e amantes enamorados.
Dança da Lua
A festa se
encerrara bem tarde da noite e marcara de surpresa ao jovens recém
casados que não esperavam de forma alguma a beleza de recepção que
teriam na Polinésia.
A noite em
quanto todos dormiam a grande Pérola Negra começava a perceber a chegada
do Poderoso Tiki...
|
─
Grande Pérola Negra, seu amigo
nos trouxe você de volta até nos, e demonstrou ter mais amizade a você
que jamais supunha, por tal recebeu não só de mim mais do Deus maior de
todos, o poder de falar todas as línguas da Polinésia, o que ainda nem
ele o sabe deste fato, assim, você ele e sua vahine irão retornar a este
atol e aqui ficarão para sempre e por você e ele estarem sempre juntos
jamais irão separar até que o diga.
─
Esta noite coloquei a semente
da fertilidade na linda vahine que terá seu filho neste atol, e nesta
cabana, ao completarem as luas. Seu filho se chamara RIKITEA, e será o
maior guerreiro da Polinésia!!!
|
Na manhã
seguinte Lenka e Teru ao acordarem ficaram maravilhados por seu aposento
estar cheio de belas flores e o grande Tiki da vila também, o que a
deixou muito surpresa pois não ouvira ninguém durante a noite ir arrumar
as flores em seu quarto.
O Chefe
Rikitea estava exultante pois tivera um sonho em que a bela vahine teria
um filho na ilha e seria chamado de Rikitea como ele, seria o filho dos
deuses. E, explicara a Teru que o sonho era o seu futuro.
Teru não
dissera nada a Lenka porém tinha certeza que a partir daquela noite ela
estaria frutificando a semente de seu primeiro filho.
Como
acertado 4 dias depois a escuna voltara a apanhar o Chefe Viritua e sua
comitiva e todos deixavam o atol Rikitea. Na hora da partida Teru e
Lenka recebiam das mãos de Chefe Rikitea um saquinho trancado de fibras
de casca de coco tendo dentro deles dezenas de lindas pérolas negras de
seu atol e com grande alegria colocava:
─
Estas pérolas são especiais e servirão de suporte para fazer vocês
voltarem definitivamente a Rikitea!!!
─
Obrigado irmão Rikitea por esta generosa oferta, que muito nos
sensibilizou e não tenha duvida que retornaremos no tempo certo para
nosso filho aqui nascer!!!
A canoa se
afastava lentamente da praia e Lenka percebera pelas palavras de Teru
que estaria esperando seu primeiro filho, o que a deixou muito feliz,
enquanto o Chefe Rikitea apontando para a estatua do poderoso Tiki,
falava alto:
─
Antes que se completem as 9 luas vocês aqui em Rikitea, estarão de
volta!!!
E Teru
rindo sabia que o Chefe tinha razão, e Lenka beijava seu querido Teru e
todos na praia riam muito, pois só naquele momento ela entendera estar
levando a semente plantada em Rikitea.
E
retornavam a Moorea carregados de inesquecíveis recordações de uma
diferente lua de mel para sempre a ser lembrada.
O chefe
Viritua conversando com Teru e Lenka apunha:
─ Mestre
Teru, logo vocês estarão retornando, quando os deuses assim o dizem,
acontece e você estará ensinando a todos nós a sua luta!!!
─ É
verdade Chefe quando pisei nas areias daquele atol senti que nossa vida
estará para sempre intimamente a ele ligada!!!
Lenka e Teru ainda
permaneceram em Hapiti duas semanas, quando Teru dera aulas diárias a
Teiki, que melhorara em muito seu Judô, sua postura e técnica.
Lenka aprendera muita coisa
sobre a cultura Polinésia ensinada pela vahine de chefe Viritua da qual
se tornara uma grande amiga e tratada como uma filha.
O tempo de Polinésia chegava
a seu término e retornavam a Papeete e de lá voavam de retorno ao
Hawaii, e à San Diego, onde surpreso ficaram ao verem que o PÉROLA
NEGRA seu veleiro estava completamente terminado e seus últimos
serviços totalmente concluídos.
Veleiro Pérola Negra pronto
Kuramoto ficara feliz por
rever seus amigos e se encontrava muito satisfeito por ver que eles
haviam gostado de seus trabalhos para terminar o belo veleiro. Porém,
ficara exultante com as histórias contadas por Teru sobre Rikitea e a
Polinésia e ainda mais estava ansioso para logo estar lá a fim de
retratar em suas aquarelas aquele paraíso.
O casal Myamoto voltara do
Japão maravilhado, tinham reencontrado os parentes, irmãos, sobrinhos e
familiares, e não cabiam em si de alegria e felicidade. O casal Nakamura
fora incansável e os acompanhara pessoalmente em toda a viagem, e quando
eventualmente não o faziam tinham a presença do eficiente senhor Tanaka,
atendendo-os em tudo.
Com o PÉROLA NEGRA pronto,
iniciaram-se os testes. Teru, Lenka e Kuramoto estavam sempre velejando
juntos enquanto Bárbara se via envolvida com os negócios do Grupo
Nakamura América.
Aos finais de tarde e noite
na academia, Teru iniciava a ensinar a Lenka as técnicas do Judô, que
ela rapidamente assimilava.
Seu projeto era no mês de
outubro partir para o Hawaii, no
Pérola Negra, devendo chegar a Oahu,
nos primeiros dias de novembro e em abril zarpar para Tuamotus, onde
deveria chegar no início de maio, tempos adequados para se fazer esta
travessia.
O velejar se tornara uma
constante em suas vidas, que já conheciam bem e tudo sobre o belo
veleiro. Lenka ficava mais ocupada com as coisas da cabine e Teru e
Kuramoto é quem praticamente tocariam o Pérola Negra.
E, numa bela manhã do inicio
de outubro, o Pérola Negra perfeitamente preparado iniciava sua longa
viagem rumo ao Hawaii, seu destino, a POLINÉSIA.
A travessia transcorrera de
forma inolvidável, tempos perfeitos, dias de sol pleno, e Kuramoto ia
aproveitando para retratar em suas aquarelas, a vida a bordo de um
veleiro. Uma nova fase do artista famoso tinha o seu início, o que o
deixaria com toda certeza mais rico ainda, pois Bárbara já passara a
mídia o press realese e o mundo da arte se encontrava ansioso aguardando
estes novos trabalhos do artista.
Na viagem Kuramoto ficara
inteirado que seu amigo Teru era conhecedor profundo da cultura
Polinésia e ficou impressionado com as belíssimas pérolas negras que
tinham recebidos em Rikitea, que os faziam estarem com mais do que
necessárias reservas para fazerem muitas viagens pelo mundo.
WAIKIKI E SUA MARINA ALAWAI
Em 12 dias chegavam à Alawai
Marina, em Waikiki, eram esperados por parentes e amigos. O casal
Nakamura fora os encontrar ainda à 30 milhas de Honolulu, e podiam
apreciar das delícias do velejar no Pérola Negra.
O Hawaii se preparava para a
temporada das grandes ondas que neste ano prometia em muito.
No cais a
comitiva de recepção era muito grande, Lenka era a primeira de sua
família a velejar os oceanos, sendo por todos os hawaianos muito
cumprimentada, em especial pelo grande navegador Nanoa Thompsom que em
breve iría fazer a travessia até a Polinésia Francesa, na “Hokulea”, uma
canoa construídas aos moldes das antigas e ele estaria navegando ao
sistema Polinésio, somente pelas estrelas e sem instrumentos de qualquer
espécie, um fato que se tornaria legendário no futuro.
O Sr.
Nakamura ficara impressionado com a nova fase das aquarelas de
Kuramoto, mais expressiva, cores mais vibrantes muito mais belas, e
antevia já a possibilidade de promover uma formidável exposição no
Hawaii.
Bárbara
que voara de Mainland para aguardar a chegada de seu artista no Hawaii,
ficara maravilhada e concordava integralmente com seu sócio,
considerando a melhor fase de Kuramoto denominada “A fase da vela”.
Em
novembro o mar crescera muito e as ondas grandes começaram a quebra em
North Shore, e Teru estava ansioso para surfar não em long board, mas
nas pranchas mais rápidas e fazer as manobras mais radicais. E, com os
amigos de Lenka partiram para as 7 milhas do milagre, e num point
chamado “Aligator”, Teru realizava o seu sonho.
Ao longe,
na praia nas mãos de Lenka, a grande Pérola Negra, mentalizava com Teru
e em hawaiano passava as instruções das melhores ondas e quais os
melhores dropes. Teru ia evoluindo seu surf de maneira rápida e
surpreendente o deixando por todos admirados.
Em Lenka
todos já podiam notar sua gravidez e como nestas circunstancias antes de
desabrochar a flor, a beleza feminina explode, inegavelmente o maior
momento da feminilidade e Lenka expandia beleza e felicidade como nunca.
As ondas
rolavam nesta temporada em North Shore como se previa, muito grandes, em
“Back Yard”, em Sunset Beach, na base de 12 a 15 pés.
Foi nesta
oportunidade surfando neste point que Teru conheceu a ante
desportividade dos surfistas, que se colocam quando locais, donos do
mar, se auto-considerando os donos do local e desrespeitando todos
aqueles que vem surfar nos points deles que chamam de “Haoules”.
Teru
estava no mar, aguardando a série, quando uma grande hawaiano local dele
se acercando, dizia para que saísse da água, que ali era seu local e não
queria nenhum “japa” no seu point.
Teru se
mantinha como sempre de seu jeito calmo e frio sem transparecer nenhuma
emoção, a montanha de gelo como diziam seus alunos. E, não dava a mínima
atenção as provocações do surfista, que via naquele japonês, ainda que
muito forte uma boa oportunidade para se afirmar perante os seus amigos
locais.
O hawaiano
tentou com sua prancha se acercar de Teru, e quando achou que era o
momento oportuno, com o bico da sua prancha tentou atingir o surfista
japonês,que para sua surpresa, virara-se rapidamente com um forte golpe
de mão partira integralmente a frente da prancha do hawaiano.
Vendo o
pedaço de sua prancha boiando nas ondas o grande hawaiano local ficara
possesso, porém repara a potência do golpe achou mais conveniente
chamar o “japa” para a praia onde mais facilmente poderia dar o troco.
Teru não
estava gostando de nada daquilo, o tal espírito do bem viver, sempre
decantado pelos surfistas, na pratica era bem diferente e resolvera dar
um fim aquela situação.
Lenka da
praia alertada pela grande Pérola Negra, conversara com seus amigos e
foram aguardar Teru na areia.
Quando
chegando a praia Teru já era aguardado pelo grandalhão, e Lenka temia
pelo coitado, enquanto os locais, fato oposto, temiam pelo forte
japonês, que apesar de sua bela musculatura não seria páreo para o
gigantesco hawaiano.
O hawaiano
partira para Teru firme e decisivo a fim de liquidá-lo, como um touro
bravo, o que deixou Teru esboçando seu meio sorriso gelado, ao ver
aquele hipopótamo desajeitado vindo todo confiante em sua direção. Tanta
infantilidade e desperdício de movimentos.
O gigante
ao pegar o braço de Teru, sentiu um forte puxão e tropeçou em algo muito
duro, indo de cara com muita força na areia com todo o seu avantajado
corpo, o deixando totalmente tonto e com o rosto todo avermelhado, o que
deixara toda a assistência da triste cena, pasma.
O hawaiano
se recompondo, voltava a Teru, e agora ainda mais irado, não controlando
suas emoções, só acreditando na força de seus músculos que não recebiam
o mínimo impulso cerebral e agia tão somente por instintos.
Rápido e
de forma sutil, como é a arte do Judô, Teru se adiantara e aplicando uma
técnica de projeção terminara com o gigante que dormia sem que
percebesse esticado de forma desengonçada na areia.
Foi neste
momento que 3 outros hawaianos cometeram o terrível engano de atacá-lo,
para dar uma lição naquele japonês de uma vez por todas, que não iría
sair da praia desmoralizando os hawaianos.
Teru
percebera os movimentos as suas costas e voltando-se aplicara um chute
lateral no plexo do hawaiano mais cerca que se via colocado fora de
combate definitivamente.
Enquanto
os outros dois hawaianos restantes trocavam em hawaiano palavras como
iriam atacar o japonês. E, para suas surpresas e da assistência, Teru
começou a falar em hawaiano puro:
─
Será que vocês ainda não perceberam que o mar e a praia não tem donos.
Onde esta o espírito do aloha, do bem receber do hawaiano???
Aquilo
deixara os possíveis agressores espantados, como o japonês falava tão
bem o hawaiano!!!
E
rapidamente mais 4 hawaianos se colocaram ao lado dos 2, aumentando o
grupo enquanto um deles dizia para Teru em hawaiano:
─ Chega “japa”,
com todas as sua lutas e hawaiano, irá conhecer outro espírito e não
esta baboseira de aloha!!!
Foi quando
ao lado de Teru se colocou outro hawaiano, que rindo para ele dizia
também em hawaiano:
─
Aloha amigo!!!
─
Se
você irá brigar, não o fará sozinho, Eddie irá com você!!!
Teru
agradeceu, mais não entendeu bem, pois aqueles hawaianos mesmo em número
de 6 não representavam nada para ele. Contudo o simpático gesto daquele
hawaiano em colocar-se a seu lado causara uma imediata parada nos
pseudos agressores, que Teru pode ler em seus olhares, o respeitavam
muito.
Quando as
coisas se encontravam neste estado é que chegaram os policias, todos
hawaianos, e vendo o grande surfista Eddie Aikau, ao lado do japonês, de
imediato acabaram a confusão.
Eddie Aikau
Teru
estendia a mão para cumprimentar Eddie, que dizia em hawaiano puro:
─
Já
é tempo deste pessoal das ilhas entenderem que o mar não é sua
propriedade, ou de ninguém. São surfistas que nem merecem nadar!!!
E
complementava ainda:
─
E
hoje aprenderam uma boa lição que os deixará durante muito tempo
cautelosos em agredir aos outros!!! E se apresentava a Teru:
─
Muito prazer, meu nome é Eddie Aikau!!!
─
Muito prazer Eddie, meu nome é Terumitsu, e todos os meus amigos me
chamam de Teru!!!
─
Muito prazer Teru!!!
Foi quando
Lenka se acercando de Teru o via conversando com Eddie.
─
Olá
Eddie, vejo que já conheceu Teru, meu marido!!!
─
Oi
Lenka, então este é o seu famoso marido???
─
Agora está explicado tudo, e tentava defendê-lo, ia ser a maior
carnificina hawaiana dos últimos tempos!!!
E os
policiais vendo Lenka, e que o japonês era o seu marido, o Mestre
Terumitsu, ficaram surpresos e comentavam entre si:
Não fora
Eddie se colocar ao lado do Mestre Terumitsu, iríamos separar aquela
briga tentando agredir no forasteiro, o que nos faria, além de estarmos
todos quebrados e desmoralizados, ainda envolvidos numa tremenda
encrenca que isto nos sirva de lição para o futuro.
Os
policiais falavam em hawaiano e Teru entendia perfeitamente o que
conversavam, que gentilmente se acercando, colocou para os policiais,
que ficaram sem graça e com cara de quem levara uma bela reprimenda:
─
Os
senhores devem entender que o uniforme que vestem é para dar segurança e
tranqüilidade a sociedade, e não para defender pontos de vistas errados
de seus amigos em North Shore!!!
Lenka e
Eddie comentaram se agregando ao dito de Teru:
─
É
exatamente por este comportamento dos policiais em North Shore que este
local privilegiado, ainda nativo e country, está virando terra de
ninguém!!!
Foi quando
apareceu Kuramoto rindo e comentando:
─
Teru, pessoal, estes hawaianos são malucos, estão até agora sem entender
qual foi o furacão que os pegou, e tão cedo não irão se envolver com
nenhum japonês por estes locais de surf.
Eddie
Aikau, depois Teru viera a tomar conhecimento, era um dos maiores
surfistas locais, já com tanta fama quanto Duke Kahanamoko, e por todos
surfistas considerados um dos “big riders” a dropar as ondas gigantes
de Waimeia.
Teru e
Lenka, apresentaram Kuramoto a Eddie e o convidaram para com eles
jantarem a noite na mansão dos Nakamura em Kahala, e assim ficaram
acertados os recém conhecidos amigos ligados pelo alto espírito de
honradez e lealdade, qualidades maiores dos homens de bem, do mar e do
verdadeiro povo hawaiano.
O fato
ocorrido em Sunset Beach ficara comentado por muitos anos em North Shore
e acabou-se por tornar lenda junto com Eddie Aikau.
Eddie Aikau
A noite
Eddie era recebido pelos amigos e a família Nakamura e tomara
conhecimento que Teru estaria velejando para a Polinésia e acabou se
tornando o grande incentivador de Teru em dropar as ondas gigantes de
Waimeia e “Jawls” em Maui.
─
Teru, onde Eddie for, já sei que você irá também!!!
De onde se
originou a celebre frase conhecida por todos os surfistas do mundo
inteiro:
─
EDDIE WOULD GO!!!
E a
carreira de Teru como um dos grandes surfistas do Hawai havia se
consolidado, dropara Pipeline, Of the Wall, os grandes points, as ondas
gigantes de Waimea e Jalls, na ilha de Maui. Enfim, Lenka cada vez mais
admirava Teru, agora um dos grandes ídolos do surf hawaiano.
A
exposição de Kuramoto, com sua nova série de aquarelas, fora um
extraordinário sucesso, de Mainland, Japão e Europa vieram compradores,
e todos cada vez mais ficavam impressionados. Todas as peças vendidas no
primeiro dia da exposição o que levou ao Grupo Nakamura rever esta
postura de vendas e comerciá-las a fazer realizando leilões, onde
renderiam muito mais comercialmente para o Grupo.
Lenka já
se encontrava bem pesada em sua gravidez, a ficava mais em casa e Teru e
Kuramoto começavam os preparativos para demandarem com o Pérola Negra
rumo as Tuamotus. Teru achara mais conveniente e seguro, Lenka ir para
Rikitea de avião, e seus pais a acompanhariam.
Em março o
casal Nakamura acompanhando Lenka partiam rumo a Papeete, e no inicio de
abril zarpava o Pérola Negra do Hawaii com destino ao atol de Rikitea. E
após 20 dias completando a sua segunda travessia, numa bela manhã de
sábado, no inicio de maio, com as velas enfunadas em uma belíssima
armação o Pérola Negra cruzava o passe de Rikitea e adentrava a sua
grande baia interna jogando sua ancora em frente a sua famosa fazenda de
cultivo de pérolas negras.
A grande
Pérola Negra chegava definitivamente a sua morada e da praia eram
ouvidos em todo o atol os sons característicos das grandes conchas sendo
sopradas.
Canoas
partiam em direção ao Pérola Negra, Kuramoto estava maravilhado e a todo
momento perguntava a Teru alguma coisa sobre Rikitea, desejava conhecer
tudo sobre aquele paraíso. Teru ria muito de seu amigo e sua excitação.
E a festa
a chegada de Teru era uma enorme alegria para todos, o Chefe Rikitea,
seus familiares, todos os tanes e vahines locais, as crianças, enfim era
um grande acontecimento para Rikitea.
Lenka
admirava tudo acompanhada de seus pais e com extrema felicidade beijava
Teru ao chegar a praia, que como sempre, aos olhares preocupados de seus
pais, a levantava como uma pluma do chão, mesmo já estando bem mais
pesada.
A grande
Pérola Negra mentalizara a Teru, que chegara o tempo da Linda Lenka
produzir a sua pérola, e ele ficara eufórico.
Segundo os
Polinésios, e nesta época quando da gravidez que as vahines ficam mais
belas, e Teru confirmava este dito das ilhas, ao olhar Lenka na praia de
finas areias brancas, ela estava belíssima e envolvida por aquele
encantado cenário mais lindo do que nunca se encontrava.
E todos
batiam muitas palmas e cantavam a bela melodia local, A CANÇÃO DA VOLTA
DO GUERREIRO...
E Teru
traduzia a letra a Kuramoto que estava estático perante toda aquela
beleza, todo aquele ambiente, o mar de impecável águas claras, as praias
brancas e de finas areias, o povo dourado pelo sol, tudo o deixava
deslumbrado em sua sensibilidade de artista.
E Teru ia
apresentando seu amigo ao Chefe Rikitea e todo seu povo:
─
Chefe Rikitea este é o artista que fará belíssimos retratos de Rikitea,
seu povo e sua gente!!!
E Kuramoto
em Polinésio, que Teru o havia ensinado durante a viagem saudava a
todos.
─
Yarona!!!
─
Yarona!!!
Nakamura
san, comentava com Teru que o tempo de Lenka estava se aproximando e já
havia acertado tudo com o Taote Jeanville que viria de helicóptero de
Moorea, atendê-la e assisti-la, no que era sempre interrompido pela
vahine do Chefe Rikitea, que não haveria nenhuma necessidade pois o
Grande Tiki é que estaria com Lenka no seu momento.
Em Moorea
Chefe Viritua soubera através do Radio que Taote recebera do Sr.
Nakamura da chegada de Teru, e formara uma grande comitiva para ir até
Rikitea também recepcioná-lo.
Três noite
após a sua chegada, enquanto dormiam, uma forte luz adentrou aos
aposentos de Teru, que de imediato acordou, e um forte perfume de
flores, já seu conhecido, avisava da presença do Grande Tiki. A grande
Pérola Negra de imediato mentalizando Teru avisava da chegada do
Poderoso Tiki de Rikitea enquanto uma grande voz como um trovão se
dirigia a eles em puro idioma Polinésio:
|
─ Filho Teru, e filha Pérola
Negra, esta é a noite da linda vahine Lenka colocar em suas mãos a
linda pérola que produziu, a semente que a nove luas passadas plantamos,
nesta mesma cabana. O belo menino que nascerá se chamará RIKITEA, será
por mim sempre abençoado e serei seu eterno guardião, a grande Pérola
Negra o ajudará desde seu nascimento em tudo e ele se tornara o maior
guerreiro da Polinésia.
|
E tudo
voltara ao normal como se Teru tivesse tido um sonho, e Lenka começava a
chamar por Teru pois iniciava seu momento. Não havia tempo de chamar
Taote e a ninguém e Teru, auxiliado pela grande Pérola Negra que ia
mentalizando todos os passos a serem levados a efeito por ele recebia em
suas mãos uma linda criança.
E, um
lindo menino limpo, forte, era colocado ao lado de Lenka e Teru e a
Grande Pérola Negra eram pura felicidade, tudo acontecera como o
Poderoso Tiki falara e inegavelmente era o grande protetor de seu Filho,
RIKITEA.
E Lenka
emocionada beijava Teru, e acariciava a grande Pérola Negra enquanto
dizia:
─
Aqueles de quem mais gosto estavam comigo juntas na hora do nascimento
de meu menino e Teru, avise a papai e mamãe do nascimento de seu neto!!!
E Teru
chegava a cabana ao lado da dele e dizia em voz bem alta:
─
Nakamura san!!!
─
Nakamura san!!!
─
Seu
neto nasceu!!!
Nakamura
se levantara como um raio acompanhado de Waimeia, abraçando Teru e
correndo para ver Lenka e seu neto.
O Chefe
Rikitea e sua vahine acordaram com o movimento e vindo ao encontro de
Teru recebiam a boa nova, e de imediato soprava a grande concha de sua
cabana a fim de avisar a todo o seu povo da grande noticia.
Tochas
eram acesas e foi quando repararam que a estatua do Poderoso Tiki,
estava toda florida e o chefe dizia a todos:
─
Nasceu outra grande Pérola Negra em nosso atol, o filho de Tane Teru e
vahine Lenka, o Guerreiro Rikitea o abençoado de nosso Tiki!!!
E os
tambores começaram a tocar freneticamente e de forma nunca antes vista,
pois todos sabiam o que aquele menino representaria para a Polinésia!!!
Nakamura
san, Waimeia, Kura san o Chefe Rikitea e sua Vahine admiravam o lindo
menino, de olhos puxados e tez morena como os Polinésios e calmo, muito
calmo.
E pela
manhã aos primeiros raios de sol brilharem na estátua do Poderoso Tiki,
arrodeado por todos os habitantes do atol, Teru levantava seu menino
acima de sua cabeça e falava a todos mostrando RIKITEA.
─
Este é meu filho, de Lenka e deste atol. E conforme dito pelo Poderoso Tiki
seu nome será RIKITEA!!!
Os
tambores eram tocados alucinadamente, as conchas eram sopradas como
nunca as foram e o forte vento se fez novamente presente, ao redor da
estatua do Poderoso Tiki, confirmando ser ele o seu protetor. E, todos
gritavam felizes:
─
Maeva Tamarii Rikitea!!!
─
Maeva Tamarii Rikitea!!!
─
Maeva Tamarii Rikitea!!!
─
(Bem vinda criança Rikitea!!!)
Aos meio
dia pousava Taote de helicóptero enquanto pelo passe adentrava a escuna
trazendo Chefe Viritua e sua comitiva, se combinado por ambos não teria
acontecido tão precisamente.
Taote,
examinara Lenka e o pequeno Rikitea e se mostrando muito surpreso
afirmava:
─
Amigo Teru, minhas felicitações, serviço de profissional e competente,
nem eu faria igual, tudo ótimo e perfeito a maneira Polinésia!!!
─
Viremos sempre e pessoalmente fazer as vacinas!!!
Kuramoto
não se continha de tanta satisfação e através de Taote enviara carta a
Bárbara notificando do grande acontecimento e que ela viesse o mais
rápido que pudesse, e acrescentava uma enorme lista de coisas para que
ela trouxesse para seu sobrinho Rikitea.
Taote se
tornara fã de Kuramoto ao ver suas belas aquarelas já feitas, retratando
as belezas do atol que o novo amigo gentilmente lhe ofertara uma com
bela e gentil dedicatória.
Taote
olhando para a grande Pérola Negra agora pendurada no pequeno pescoço
do recém nascido afirmava:
─
Tudo começou com a maior Pérola Negra do mundo!!!
E Teru
brincava olhando para a aquarela que Taote havia recebido de presente
dizia:
─
Da
próxima vez Taote virá nos visitar em seu próprio Helicóptero!!!
─
Jamais Teru, venderia esta bela aquarela de Kuramoto, meu consultório já
está devidamente e bem montado!!!
E todo se
riam muito se lembrando de como a Grande Pérola Negra havia saído da
Polinésia.
Chefe
Viritua estava feliz conversava muito com Chefe Rikitea sobre o
nascimento de seu sucessor, havia trazido, a maneira Polinésia, muitos
presentes para o pequeno RIKITEA e sabia estar nas mãos daquele menino o
futuro de toda a Polinésia.
E
virando-se para Teru comentara:
─
Irmão Teru, o irmão Rikitea é agora um chefe muito feliz, e não tenho
duvida nenhuma em afirmar, que seu destino e da vahine Lenka, estarão
para sempre ligados a este atol de onde nunca mais sairão!!!
Chefe
Viritua após 5 dias retornara a Moorea, porém Teiki e alguns tanes
ficaram em Rikitea, treinando com Teru, acompanhado de 20 tanes do atol
e se empenhava como nunca havia feito antes para implantar o “Caminho
Suave” entre sua gente.
Bárbara
chegara trazendo com ela as muitas encomendas de Kuramoto, e as coisas
para o lindo sobrinho de quem se apaixonara de forma total.
Ficara
maravilhada com as aquarelas de Kuramoto sobre Rikitea, e com seu sócio
já planejavam uma grande exposição e leilão em Papeete. A escuna
retornaria ainda a Rikitea trazendo a enorme bagagem que no helicóptero
que viera se tornara impossível fazê-lo. Equipamento de radio, um
possante gerador e conversava com Teru para que estes elementos da
civilização não viessem a quebrar o encanto do local.
Nakamura
san, retornara ao Hawai e prometera ao final do ano voltar trazendo com
ele o casal Myamoto para conhecer seu neto, e partia repleto de
fotografias de RIKITEA.
Kuramoto e
Bárbara estavam no paraíso, e iniciaram a construção de 3 enormes
cabanas, a deles, de Nakamura e uma para hospedes, tudo obedecendo
rigorosamente a arquitetura local, somente internamente que detinha os
confortos da civilização. Trabalhava sobre modo em suas aquarela cujos
lucros já colocava a Teru seriam todos aplicados em benfeitorias para o
atol e sua fazenda de pérolas negras.
O pequeno
RIKITEA ia crescendo sempre cercado da atenção de todos do atol, era o
filho de todos, Lenka cada vez mais bela estava sempre ao lado de Teru.
Pequeno
RIKITEA
O fim do
ano chegara e com ele os Nakamura e os Sekito, sendo definitivamente
acertada a exposição-leilão de Kuramoto em Papeete, que prometia ser
algo como nunca antes ocorrera.
Em
Rikitea, o verão chegara, as avos Hideo e Waimea apaixonadas pelo neto,
e Nakamura e Myamoto, em longas passeadas admiravam o lindo atol.
Teru e
Nakamura, começavam a modernizar a fazenda de pérolas negras, e o Grupo
Nakamura Ásia, firmara contrato de exclusividade para a comercialização
de seu produtos com a Rikitea Pérolas, empresa recém fundada para
comercializar as pérolas negras no ato produzidas.
O atol ia
crescendo com uma notável infra-estrutura, capaz de evitar doenças e o
nível de saúde do seu povo se tornara excelente.
Os jovens
guerreiros se tornaram excelentes Judocas e iam se viam conhecidos em
toda a Polinésia.
Teru, e
seus pais viviam em Rikitea, a academia era agora de responsabilidade
dos primeiros alunos que enviavam para Teru os dividendos, e o jovem
Natan era um de seus maiores e melhores professores.
Chefe
Rikitea desde há muito já passara suas atividades para Teru que
administrava a grande fazenda de Pérola negra, conhecida
internacionalmente.
O pequeno
Rikitea crescera, era um menino dourado, protegido pelo Grande e
Poderoso Tiki, adorado por todos e ia se tornando forte como o pai e
belo como sua mãe.
Era
extremamente gentil com todos, amigo das plantas, dos peixes e os
filhotes de tubarão vinham sempre brincar a seus pés, e um grande
tubarão cinza fizera com ele uma fantástica amizade.
RIKITEA
era a quarta pessoa que conhecia os poderes da Grande Pérola Negra e com
ela mentalizando aprendia tudo o necessário para a sua formação. E, não
raro, era visto ao amanhecer ou ao entardecer sentado aos pés da grande
estátua do Poderoso Tiki.
E numa
bela noite de inverno aquela voz de trovão novamente se fazia presente
na cabana de Teru e Lenka:
|
─ Meus filhos Teru e Lenka, está
sendo plantada uma nova semente, que próximo produzirá uma linda pérola,
e RIKITEA daqui há 9 luas ganhará uma irmã e seu nome será, NOA NOA RA
I, (perfume do céu). Será protegida da Lua e das Estrelas.
|
Lenka
ficara maravilhada e Teru se sentira de forma total muito feliz. E, a
Rainha Lua e suas corte de estrelas estendia seu cetro sobre o atol
Rikitea, iluminando a figura de uma linda, belíssima e inesquecível
mulher e por ela abençoada para sempre.
A DEUSA LUA E NOA NOA RA I
E os anos
se passaram, Teru já idoso acompanhava sua Lenka num fim de tarde
dourado pelo sol, espelhando ouro sobre sobre o mar e via um jovem forte
de cabelos ao vento, belo e com a cor de bronze do povo Polinésio,
correr pelas brancas areias. O vento rodava a seu redor, os peixes
pulavam a sua passagem, as flores se abriam e as plantas se tornavam
mais belas, e se notava a áurea dourada do grande guerreiro Polinésio.
E, junto
ao casal já de idade, uma linda mulher, muito mais bela que sua mãe
quando jovem, chamava a seu irmão:
─
RIKITEA!!!
─
RIKITEA!!!
Hoje a
noite é tempo de meu reinar, é noite de Lua!!!
E Teru
pegando nas mãos de Lenka as afagava e mentalizavam com a grande Pérola
Negra no pescoço de RIKITEA:
─
E
tudo teve seu inicio com você nossa grande amiga,
|