POR DO SOL NO HAWAII
Por
volta da 13:00 h o casal Nakamura, Myamoto, Bárbara e Kuramoto, se
encontravam no aeroporto para as despedidas a Lenka e Teru que
embarcavam para sua Lua de Mel na Polinésia.
Kuramoto
passava as mãos do amigo todos os documentos, reservas de hotel,
cartões bancários, etc, e animadamente conversavam.
─
Teru san, a Polinésia deve ser maravilhosa um local em que breve
estarei, pois há muita coisa que gostaria de retratar.
─
Você o fará Kura san, talvez antes mesmo do que pense.
Às 15:00
h o jato da Hawaian Air Lines, decolava do aeroporto de Honolulu,
rumo a Papeete, a capital da Polinésia Francesa, situada na Ilha
Tahiti. E a grande Pérola Negra retornava a sua Polinésia.
A grande
Pérola não cabia em si de contentamento e se dirigia a Teru, com
aquela força mental que estavam acostumados a utilizarem. Lenka
percebendo Teru estar falando sozinho, o questionou:
─
Querido Teru está pensando em voz alta???
Foi
quando a grande Pérola Negra pela primeira vez mentalizou Lenka.
─..Não Lenka Teru está mentalmente se comunicando comigo!!! Lenka
ouvia pela primeira vez aquela voz suave, com uma sonoridade diferente
que emanava calma e tranqüilidade, uma voz inesquecível de ser ouvida,
que adentrava a seu ser de forma mansa como a calma lagoa do atol de
Rikitea!!!
─..Teru, me ajude, estou ouvindo uma voz linda falando comigo porém não
estou entendendo, estamos quase sozinhos na primeira classe, ninguém
por perto, você também está ouvindo???
─..Querida Lenka você está agora mentalizada na voz da GRANDE PÉROLA
NEGRA!!!
Teru
retirando a grande Pérola Negra de dentro de sua bolsa de couro, a
colocava nas mãos de Lenka como fizera na primeira vez, ela podia
sentir uma vibração diferente uma sensação que nunca havia
experimentado anteriormente e em nenhum momento de sua vida.
De
repente ganhara uma força interior muito intensa, sentia-se muito leve
e os sons todos aos seu redor eram minimizados de tal forma que a
deixavam totalmente concentrada na mentalização da grande pérola negra
em suas mãos.
─..Sou eu mesmo que estou mentalizando com você, linda Lenka, como há
muitos anos o faço com Teru, desde há muito que tenho este dom e agora
estou repetindo com você.
─..Incrível Teru, e nunca ninguém soube disto???
─..Poucas pessoas Lenka, Teru, Kuramoto,
que ajudei-o a se tornar este grande artista hoje conhecido
internacionalmente, e agora você. E, espero que também possamos
mentalizar bastante!!!
Teru se
deliciava com a expressão de surpresa de Lenka, e num gesto que nunca
antes fizera a pérola negra saltara e deslizava pelo colo de Lenka se
encaixando no meio de seu decote entre seus lindos seios.
Lenka
ria muito com aquele pulo, enquanto Teru se encontrava perplexo, pois
era a primeira vez que a pérola negra se auto-movimentava.
─
Como vocês fez isto??? Perguntava Teru.
─
Meu querido amigo Teru, este é um dos poderes me ofertado pelo nosso
grande Tiki, é que até hoje nunca houve necessidade de manifestá-lo,
e agora estou junto ao coração de Lenka ouvindo suas belas batidas. A
grande Pérola Negra retornara as mãos de Lenka que brincava com ela
entre seus dedos, a alisava e se encontrava maravilhada com toda
aquela fantástica e inacreditável surpresa.
─
Agora Lenka você irá se sentir sonolenta e dormirá, quando
mentalizarei toda a minha historia até hoje. E dizendo isto Lenka
começou a sentir-se muito sonolenta,entrando numa espécie de transe
enquanto a grande pérola negra a transportava para o inicio de sua
história.
Quando a
aeromoça passava para oferecer algo sempre encontrava aquele belo
casal de hawaianos dormindo e preferia não incomodá-los, deixando-os
aproveitarem o máximo possível de um bom sono.
Foi com
surpresa que ouviram o anuncio do pouso da aeronave em Papeete, o
tempo passara muito rápido, Lenka se sentiu mais saudável do que
nunca, e experimentava uma sensação nova, sabia de tudo sobre a grande
Pérola Negra como se tivera vivido com ela todos estes anos.
Papeete
A partir
daquele momento Teru iría começar a viver seu futuro, ao lado de Lenka
sua perfeita companheira, as linhas do destino traçadas pelo grande
Tiki, começavam a serem encontradas segundo a sua vontade e desejo.
Resolvidos os tramites legais na chegada de Papeete, sempre muito e
tudo facilitado para os turistas que acorrem as ilhas, o casal se
dirigiu para um novo hotel cerca de Taina, onde se iniciava a
construção de uma Marina.
A noite
na pérgula do hotel, após o jantar começaram a planejar a melhor forma
de irem a Rikitea, o que seria um pouco complicado já que lá não era
permitido a vista de turistas.
O
caminho a ser seguido era o inverso ao feito pela grande Pérola Negra
quando deixara a Polinésia. Via Taote Jeanville e Chefe Viritua, que
os levaria até Rikitea com toda certeza.
O
primeiro passo seria ir para a Ilha de Moorea e encontrar o Taote
Jeanville.
No lobby
do hotel, procuraram os folhetos de Moorea e o concerge gentilmente os
orientava para todos os detalhes, sem que restasse qualquer mínima
sombra de duvidas como poderiam chegar até Mahorepa na ilha de Moorea.
Pela
manha o táxi do hotel os levava para o porto de Papeete, onde num
belíssimo e confortável catamarã de 4 andares rumavam para a ilha de
Moorea, passagem feita com conforto e num formidável ambiente tal e
qual um vasto avião só que muito mais espaçoso. E, no decorrer de 30
minutos atracavam no porto de Moorea, tranqüilamente e sem nenhum
problema.
Durante
a travessia, conversaram com algumas pessoas que moravam em Moorea e
conseguiram todas as direções do consultório do Taote Jeanville por
demais conhecido na ilha.
Chagando
a Moorea de imediato alugaram um táxi, que os levaria ao consultório
do Taote e pegado a direita do porto foram pela estrada litorânea que
contorna toda a belíssima ilha de Moorea, até chegarem quase a Baia de
Cook, onde antes se encontra Mahorepa.
O
motorista habitante de Moorea e lá nascendo, conhecia muito o Taote de
sorte que não havia qualquer problema, e por volta das 11 h estavam
saltando no consultório do destacado médico de Moorea muito admirado e
conhecido por todos.
Adentrando ao consultório, Teru se dirigira a enfermeira, como vindo
da Califórnia com sua esposa para ter uma consulta com o Taote.
A
enfermeira vendo aquele belo casal que havia feito uma longa viagem
para aquela consulta, achando muito estranho, fora muito gentil e
notificara que o Taote havia ido visitar clientes retornando por volta
das 13 horas e este horário já estava marcado para a consulta deles,
e perguntava:
─
Qual o nome que devo colocar Senhor???
─
Por favor, Senhor e Senhora Terumitsu Sekito!!!
E a
eficiente enfermeira anotava no livro de consultas do Taote o horário
aprazado.
Teru
agradecendo saíra com Lenka e a fim de aguardar e passar melhor o
tempo, foram andando margeando a grande Baia de Cook, e adentraram a
uma linda loja de artesanato de corais negros e algumas pérolas
negras, ambiente tipicamente para turistas.
Pulseiras de Corais Negros
Compraram algumas pequenas pulseiras de corais negros com adornos de
prata para oferecer de presentes aos amigos quando retornasse, e após
passado o tempo desejado retornaram ao consultório.
Às exatamente
13 h estavam no consultório sentados na sala de espera, quando não
mais do que 10 minutos chegava o médico, já bem mais velho, com quase
todos os cabelos brancos mais ainda guardava aquele olhar jovial com
seus grande olhos azuis. Reparando no belo casal cumprimentou-os com
um leve aceno de cabeça, não passando para ele desapercebido a beleza
da dama, adentrou a seu gabinete, com a enfermeira em moto continuo o
seguindo.
Em
poucos segundos a enfermeira retornava e convidava o belo e jovem
casal a adentrar ao gabinete.
─..Por favor, o Doutor Jeanville os aguarda, tenham a bondade.
Ao
entrar ao gabinete o médico se adiantava estendendo a mão para
cumprimentar o casal colocava:
─
Boa tarde, Sr. e Sra. Sekito, muito prazer em conhecê-los, uma longa
viagem para fazerem uma consulta a um médico nada famoso!!!
─
Boa tarde dizia Teru, na verdade o que nos traz a seu encontro, é uma
consulta um pouco diferente.
Taote
ficara curioso e convidara ao casal para sentar-se a frente de
seu bereau.
Teru
rindo, colocara a grande Pérola Negra no branco calendário médico
sobre a mesa do Taote e dissera:
─
Este é o assunto de nossa consulta!!!
─
Mister, como adquiriu esta Pérola??? Dizia o Taote perplexo e o
tempo de imediato o transportando para muitos anos passados.
Taote
rindo muito me pagava nas suas mãos como fizeram muitas vezes enquanto
Teru conversava:
─
Taote Jeanville, é uma longa história, que teve seu início a cerca de
30 anos atrás, onde achei-a num terreno em Newport, toda enlameada e
comigo está até hoje.
─
Notável!!! Notável!!! A grande Pérola Negra, dada como perdida na
verdade estava era bem como deveria estar, notável, notável!!!
E Teru
continuava a sua narração e objetivo.
─
Bem Taote, na verdade viemos aqui pedir o seu auxilio, por uma questão
muito pessoal, prometi a mim mesmo, que quando houvesse uma
oportunidade e tivesse condições, gostaria de conhecer o atol Rikitea,
que segundo as pesquisas que fizemos durante anos, é o local de onde
se origina esta grande Pérola Negra. Soubemos também, que é muito
difícil chegarmos lá, já que somos vistos como turistas e lá não tem
acesso, assim gostaríamos de seu auxílio para nos ajudar a levar a
termo esta missão.
─
Mister Teru e Sra., será um grande prazer ajudá-los, e não tenho
dúvida alguma que sei quem irá ajudá-los mais até que este Taote.
Chefe Viritua, um grande amigo, ficara entusiasmado com seu intuito,
em trazer a grande Pérola Negra as suas origens, que tem muito a ver
com a cultura Polinésia, e o senhor e sua esposa serão muito bem
vindos e apreciados pelos Polinésios. Agora me perdoe, o senhor deve
ter tido muitos anos de pesquisa para obter as informações sobre a
grande Pérola Negra???
─
Taote Jeanville, gastei muito tempo e recursos para chegar até
aqui!!! Dizia isto piscando sutilmente para Lenka.
─
O
senhores merecem mais do que ninguém ir a Rikitea. Inicialmente
convido-os a almoçarem em minha casa e depois iremos a vila de Chefe
Viritua, infelizmente a vida de Taote em Moorea me faz sempre fazer
minhas refeições, fora totalmente dos horários normais.
Taote
agora tinha um belo terreno junto a entrada norte da Baia de Cook,
junto ao mar, na parte interna protegido pela tiara de corais que
cercam a ilha de Moorea, como chama os locais o mar interno. Tinha um
conjunto de pequenas cabanas, típicas polinésias, com todo o conforto
ocidental. Na cabana maior, era a sua casa, com uma bela varanda
decorada com diversos apetrechos náuticos antigos, o que chamou muito
a atenção de Teru.
CASA DO TAOTE
Enquanto
almoçavam, ficaram-se conhecendo melhor, Teru se apresentara como
arquiteto naval, havia casado há dois dias com Lenka, sua esposa
hawaiana, e aproveitara sua lua de mel para conhecer a Polinésia e o
atol de Rikitea.
─
Muito interessante Sr. Terumitsu, e devo cumprimentá-lo pelo
casamento, com uma bela dama hawaina, dissera isto rindo, e dando um
suave tapinha nas costas de Teru, no que de imediato com suas mãos de
médico experimentado notou serem costas de um homem muito forte.
─
Cheguei a esta ilha, Mr. Terumitsu e Sra., após velejar todo o
mundo!!! E contava sua história, que o casal maravilhado sorvia cada
detalhe pensando no seu futuro.
No fim
da narrativa, Teru comentara que estava construindo seu veleiro e
tinha a intenção de vir a Polinésia, via Hawaii, no que fora muito
incentivado pelo médico e antigo velejador.
Terminado o almoço partiram para conhecer o Chefe Viritua.
E Teru
fazia uma solicitação ao Taote:
─
Dr.
Jeanville pediria que a partir de agora tivéssemos um tratamento mais
íntimo, para até facilitar nosso relacionamento com Chefe Viritua.
Taote
achara muito inteligente da parte de Teru tal proposição e além disto
ficava mais a vontade já que sempre era mais afeto a tratar as pessoas
informalmente.
Continuando a mesma estrada, contornando a grande Baia de Cook, se
dirigiram para Hapiti, onde se localizava a vila de Chefe Viritua.
Conversavam pelo caminho sobre a boa receptividade de Taote, em que
apunha ter tido com a Pérola Negra uma boa época, e graças a ela pode
montar um bom ambulatório e consultório que até hoje atende bem as
suas totais necessidades, porém confessava que ficara triste ao ter
que negociá-la.
A
chagada de Taote a vila de Chefe Viritua, era sempre motivo de
muito alegria e todos reparavam no casal que vinha com ele,
principalmente a belíssima vahine.
VILA DO CHEFE VIRITUA
─..Yaorana Taote!!! (Bom dia, Taote)
─..Yaorana
Viritua, eaha te huru!!! (Bom dia Viritua como vai!!!)
─..Nehenehe
vahine puti, Taote!!!
(Bela mulher, Taote!!!)
Saltando
do Jeep de Taote este apresentava seus amigos.
─
Chefe Viritua estes são meus amigos, Teru e sua esposa hawaiana Lenka.
─
Yaorana!!! No que Teru e Lenka respondiam ao Chefe:
─
Yaorana!!! Chefe Viritua.
E Taote
discretamente conversava com o Chefe, que o casal seu amigo tinham uma
grande surpresa para ele. A curiosidade da cultura polinésia logo se
fez presente e o Chefe convidou a todos até sua Fare (cabana).
FARE DO CHEFE VIRITUA
Na Fare
do Chefe ficaram a vontade sentando em uma bela esteira trançada com
fibras de palha de coco, enquanto Teru tirava o cordão de couro do
pescoço e Taote comentava:
─
Meu amigo Viritua, irá ver agora algo fantástico com Mr. Teru!!!
Teru
abrindo o saquinho retirava de dentro a grande Pérola Negra e colocava
nas mãos do grande Chefe de Moorea.
─..Oh!!!
Minha grande Pérola Negra!!!
─..Como
é bom vê-la novamente, aqui nas águas de nossa Polinésia!!!
─..Quantas viagens deve ter feito até voltar a suas águas!!!
─..Mr.
Teru, conte-nos como conseguiu a Grande Pérola Negra!!!
E Teru
narrou toda a sua história, só não comentando os poderes
extraordinários da grande Pérola Negra, e que viera até a Polinésia
para conhecer o local de onde sua Pérola viera, e que custara grandes
sacrifícios em pesquisas e outros.
─
Formidável, a grande Pérola Negra só fora comercializada uma vez, e
fora parar nas mãos certas, se tornando um talismã. A melhor coisa que
poderia ter-lhe acontecido e Mr. Teru mostrou ser o merecedor de sua
propriedade!!!
─
Onde o senhor esta hospedado Mr. Teru???
─
Bem, Chefe, no momento não estamos hospedados, pois chegamos ontem a
Papeete e hoje pela manhã nos dirigimos direto para contatar o Taote
Jeanville, assim, teremos que providenciarmos aqui em Moorea um hotel
para ficarmos.
─
Nada disto, o senhor e sua vahine serão hospedes de nossa vila,
ficarão hospedados aqui na nossa Fare, e daqui a quatro dias
zarparemos para Rikitea, estaremos só aguardando passar a lua grande,
quando após seu momento maior as forças da terra se acalmam e iremos
ao encontro de nosso destino.
─
Tenho absoluta certeza que chefe Rikitea ficará muito satisfeito e
feliz de rever a sua grande Pérola Negra, e ainda mais quando souber
que está nas mãos de um só homem a tanto tempo, e que a trouxe para
ver suas águas um dos mais respeitados valores de nossa cultura.
─
O
mais importante é que o senhor a tratou como um talismã dentro do mais
puro pensamento Polinésio e nunca pensou na grande Pérola Negra como
valor ou objeto de negocio!!!
Taote,
feliz pela amizade que se iniciara, pois notou ter o Chefe Viritua
simpatizado muito com Teru e sua linda Vahine, se despedia dos amigos,
desejando a melhor sorte e de forma elegante dizia a Teru.
─
Teru você realmente é um homem de sorte, possui duas lindas pérolas, e
fazia uma reverência à Lenka.
E Teru
brincando respondia:
─..Engano
seu Taote, 3 pérolas, pois o meu veleiro se chama Pérola Negra!!!
─..O
senhor tem um veleiro também, é navegador??? Perguntara o Chefe.
─
Estamos terminando de construí-lo, e quando estiver pronto viremos
direto para a Polinésia
─
Muito bom, Mr. Teru, muito bom, só um homem do mar trata as coisas do
mar como sérias!!!
Devidamente instalados na Fare de Chefe Viritua, Lenka eufórica,
jamais pensara ter sua lua de mel numa típica vila Polinésia!!!
O grande
Chefe ia mostrando a vila a Teru e Lenka, apresentando seu pessoal e
todos ficavam maravilhados com a beleza da vahine havaiana.
Escultura de Tiki no jardim
Tudo era
muito arrumado, os caminhos sempre muito limpos, com jardins e
gramados impecavelmente tratados, esculturas de Tikis, ora em madeira
entalhadas, ora em pedra esculpidas ladeavam os caminho e vez por
outra se encontravam em locais de maior destaque. E, flores, muitas
flores sempre, e o sangue Polinésio de Lenka se exultava com todo
aquele belo complexo de coisas tão diferentes.
Ao
chegarem a praia, alguns tanes lutavam, e Teru resolvera apreciar as
suas técnicas, quando notou, serem de Judô, porém rudimentares, com
muitos defeitos, mas originária inegavelmente do Judô. O fato o
deixou curioso perguntando ao Chefe se aquela luta era originaria da
Polinésia.
─
Não, senhor Teru, isto foi há muito tempo antes da guerra, esteve aqui
na Polinésia um Lorde Japonês, que ensinou a alguns membros da vila, que transmitiram a alguns tanes, e assim vem passando pelas
gerações.
─
Meu filho é um dos melhores lutadores da ilha.
─
E
onde esta seu filho agora???
─
Bem, ele com seu melhor amigo, e seu comandante na guerra, estão agora
em seu grande veleiro fazendo uma viagem ao redor do mundo!!!
|
N. A. Trata-se do
“Windsong” veleiro de Mestre Phill, do livro, O PEQUENO GUARDIAN.
|
─
Muito interessante Chefe, depois precisamos saber mais sobre este fato!!!
─
Teru tinha conhecimento de que um Lorde Japonês, 6° dan de judô, muito
amigo de Mestre Gigoro Kano, resolvera viajar pelo mundo divulgando o
Judô e acabara morrendo na Polinésia... lera esta história em um dos
livros que trouxera da Kodokan sobre a história da difusão do Judô
pelo mundo.
E Lenka
toda sorridente perguntava ao Chefe:
─
Chefe Viritua, o meu marido poderia lutar também com seus tanes???
Teru
achara muito estranho aquele pedido, pois ela sabia que os tanes eram
inexperientes, todavia ao ver em seus olhos notava ela estar
camuflando a real intenção e com um sorriso discreto Teru atendia ao
pedido de sua linda Lenka.
─
Claro vahine Lenka, mas o senhor Teru devera tomar cuidado porque meus
tanes são muito fortes e experientes nesta luta.
E
chamando os tanes, disse estar o visitante interessado em participar
daqueles treinamentos e comentava em Polinésio, que sua vahine ficaria
desiludida em ver seu fraco tane ir muitas vezes ao chão.
Teru
tirara a larga camisa estampada de flores, e com cordão de couro preto
entregara a Lenka, foi quando os tanes e o chefe viram que o visitante
era muito forte, seus músculos perfeitamente definidos o que o fariam
ser possuidor de muita força.
Cumprimentou os surpresos tanes, e o colocaram para lutar com um jovem
de seus 22 anos, a quem Teru já o vendo treinar, não daria nem a faixa
verde.
Ao
tentar segurar Teru, o rapaz sentiu-se desequilibrado e caia no chão,
simplesmente Teru havia administrado a técnica de testar o equilíbrio
do oponente sem necessitar aplicar nenhuma queda. Fez isto umas 4 a 5
vezes, e todos estavam muitos surpresos e espantados, com a facilidade
que desequilibrava o rapaz, que não entendia nada do que estava
ocorrendo, não conseguia nem colocar as mãos no estranho visitante e
já estava no chão.
Colocaram então um outro tane mais forte e maior para lutar com Teru.
O Forte
tane tentava em vão aplicar quedas em Teru que calmamente se esquivava
e deixava seu oponente atônito sem saber onde estava Teru, que estava
achando aquilo muito divertido, tanta força desperdiçada, e após
exausto foi simplesmente ao chão como seu oponente anterior somente
com técnicas de desequilíbrio, o que mostrava a todos não haver
nenhuma diferença deste para o adversário anterior.
Chefe
Viritua e todos os tanes estavam impressionados e resolveram chamar um
tane que só perdia para o filho do chefe sendo considerado um dos
melhores lutadores das ilhas. E um gigante Polinésio com cerca de uns
130 kg de puro músculo.
Lenka
ficara apreensiva. Já se arrependendo daquela história de lutas.
O
gigante Polinésio cumprimentava Teru, e preferiu que o visitante o
atacasse para então aplicar um contra golpe, como Nanu, o filho do
chefe, o havia dito diversas vezes.
Teru
lera facilmente tudo nos olhos do grande Polinésio e resolvera fazer a
sua vontade, procurou a posição de queda, e, como previa, o gigante
aplicava o contragolpe que desviava de forma simples e fácil e
aplicava uma queda perfeita e os 130 kg eram lançados na areia.
Todos
ficaram muito surpresos pois aquilo jamais havia acontecido, nem mesmo
Nanu, conseguia aquele feito tão rapidamente. O gigante se levantando
com sorrisos nos lábios como satisfeito, virava-se para o chefe
dizendo:
─
Chefe
Viritua, não há em nossa vila, em nossas ilhas, em toda a Polinésia,
nem mesmo nosso Nanu, ninguém que possa vencer do Tane Teru, ele
é
mestre e dos mais elevados níveis nesta luta, e está fazendo conosco,
o mesmo que fazemos com nossas crianças, só que com muito respeito.
Acredito com toda certeza ser ele muito superior ao velho japonês que
introduziu esta luta nas ilhas.
E, virando-se para Teru
respeitosamente perguntava:
─ Mestre
qual o seu nível no Judô???
Teru
gentilmente agradecera as verdadeiras palavras do gigante que se
chamava Teiki e comentava:
─
Teiki, sou 8° dan de judô, de kodokan, e gostaria que você me ajudasse
a fazer uma demonstração para os tanes e ao chefe Viritua das corretas
técnicas de projeção do Judô.
─
Será uma honra Mestre Teru!!!
E Teiki,
em tahitiano, falava para todos o que iría acontecer e o Chefe mandava
chamar toda a vila para assistir aquela demonstração.
Teru
explicava a Teiki as técnicas que iría usar, algumas totalmente
desconhecidas dele, que repassava em tahitian a todos na assistência.
E
seguiam-se as apresentações das técnicas. Primeiramente as quedas
básicas, técnicas de projeção, o gigante atacava e Teru
demonstrava-as.
Em
seguida as principais técnicas de Defesa Pessoal, desde a simples
gravata, até um forte abraço por trás.
E
finalmente as técnicas com o atacante munido de pau faca e revolver.
Quando
terminou a demonstração, todos estavam impressionados, nunca haviam
visto nada igual. Teiki agradeceu muito a Mestre Teru, e Chefe Viritua
se aproximava do ilustre visitante comentando:
─ Mestre
Teru, fiquei impressionado, por suas qualidades, seria possível o
senhor repassar algumas destas técnicas para meus tanes???
─
Chefe Viritua, em 4 dias, o tempo que dispomos inicialmente, é coisa
impossível, o que podemos fazer é corrigirmos alguns defeitos de
postura, equilíbrio e outro. Tendo Teiki como aluno, que se
encarregara de transmitir aos demais. Não sei quanto tempo ficaremos
em Rikitea, o que poderá a vir ser demorado. Assim, Teiki, iría
conosco e nas horas livres treinaríamos.
─
Perfeito Mestre Teru, estamos acertados. E em sua homenagem esta noite
faremos uma bela festa na Vila, jamais pensaria que o senhor fosse tão
especial para nós, porém mais uma vez distrai-me, uma pessoa
possuidora deste talismã, tinha que ser especial em todos os aspectos.
Todos
ficavam felizes em ter um grande Mestre daquela luta na vila e Lenka
tranqüila falava para Teru:
─
Pronto querido Teru, resolvemos o nosso problema, os tanes agora não
mais me ficarão olhando tanto, e eliminamos a possibilidade de algum
mais assanhadinho fazer alguma gracinha, todos já sabem que o tane da
linda vahine havaiana e um mestre desta luta, e não há ninguém nas
ilhas capaz de enfrentá-lo!!!
─
Teru ria muito como não era de seu normal feitio, abraçava Lenka e
entendia qual era realmente a sua intenção, que a partir de agora
poderia andar em toda a vila muito a vontade sem ser molestada pelo
contrário, todos a tratando de forma especial!!!
Nos dias
que se seguiram, Teru se dedicava aos ensinamentos a Teiki, que
interessado procurava assimilar ao máximo aquelas aulas, e Lenka,
acompanhada pela vahine do Chefe, aprendera a fazer arranjos
Polinésios bem diferentes dos hawaianos, e utilizando os mesmos
materiais, flores, folhas de coqueiros, fibras de casca de coco
trancadas, etc.