Pela
manhã, partiram novamente pelo mesmo percurso do dia anterior,
passando por Laie, a ponta de Kahuku, e chagavam a North Shore,
conhecida internacionalmente pelos amantes do surf como “As sete
milhas do milagre”.
Lenka ia
explicando a Teru todos estes detalhes, que memorizava cada ponto pois
sabia pela maneira dela expor que gostava muito daquilo.
Finalmente chegavam a Sunset Beach, nesta época do ano muito calma, o
mar espelhado onde Lenka iría apresentá-lo a alguns de seus amigos.
O grupo
bem grande e animado, porém Teru percebeu vibrações de ciúmes de
alguns de seus componentes ao vê-lo acompanhado de Lenka.
─
Olá
amigos, este é Terumitsu, californiano que está nos visitando esta
semana!!!
Sorrisos, alohas, e hellos e o comentário sutil de uma belíssima
hawaiana:
─
Bem, Lenka, agora se explica o seu repentino sumiço, com este
californiano do lado, qualquer uma de nós iría também desaparecer!!!
Todos
riram muito da colocação da amiga, quando um grande hawaiano, que Teru
percebeu não estar gostando de sua presença, comentou:
─
Então este é o seu amigo que tem alicate nas mãos que quebrou o dedo
de Jay em Waikiki, poderia cumprimentá-lo também???
Lenka
percebeu de imediato a provocação e, a fim de evitar aborrecimentos,
respondeu:
─
Este foi um fato que até já esquecemos e nem
vale a pena ser mais comentado!!!
E Teru,
com seu sorriso frio, complementou não haver necessidade daquilo, no
que percebeu ser interpretado de forma errada.
─
Vocês californianos, são todos iguais, quando vem as coisas mais
difíceis se acovardam!!!
Antes
que Teru pudesse dizer qualquer coisa, Lenka de imediato se
manifestou:
─
Você é muito grosseiro Kahone, venho apresentar um amigo e de imediato
parte para agressões!!!
─
Ora Lenka, cale a boca, que já esta falando muito, aqui você não é
filhinha rica de papai, e daqui a pouco seu amiguinho vai se esconder
atrás de você!!!
Teru não
gostou e se aproximou do grandalhão Kahone estendendo-lhe a mão, seu
olhar frio demonstrara aqueles que o conhecessem que o grandalhão iría
levar uma belíssima e inesquecível lição.
─
Aqui está a mão de um californiano covarde e vamos ver se você tem
tanta força em suas mãos como em sua maneira mal educada de falar com
uma dama!!!
As
palavras saíram duras e secas desconcentrando totalmente o hawaiano,
justo como Teru desejava, irrite o oponente a fim de que ele perca o
controle emocional pois sua força será reduzida a 50%.
Ao
iniciarem a apertarem as mãos Teru se concentrou de forma total e
lentamente foi impondo uma força descomunal a mão de seu oponente que
já debilitado emocionalmente foi cedendo e lentamente se curvando e
quando quase ajoelhado, Teru o liberou,
Porém
tinha absoluta certeza que aquele hawaiano estaria utilizando uma luva
de gesso pelos próximos 40 dias, pois fraturara todas as falanges de
sua mão direita.
─
Bem, acredito Lenka, que seu amigo não irá poder apertar mãos nos
próximos 30 dias, e passará a ter respeito maior por você e seus
amigos californianos!!!
O
hawaino não dissera nada sentindo sua mão direita totalmente quebrada
saiu do grupo desconcertado, enquanto Lenka furiosa comentara:
─..Vamos embora Teru, que nosso passeio estava bem melhor!!! E se
dirigindo ao grupo, complementou:
─..Infelizmente face a grosseria de Kahone, não tive tempo de
complementar a apresentação de meu amigo da forma completa... trata-se
de Mestre Terumitsu, 8° dan em Judô, e profundo conhecedor de artes
marciais!!!
─..Vamos Teru san,
que este ambiente está muito desagradável!!!
Teru a
maneira tipicamente japonesa fez uma leve reverência e se dirigindo ao
automóvel partiram do local.
No grupo
a bela hawaiana comentava com os amigos:
─ Kahone
com suas atitudes de “machão”, acredito tenha levado uma inesquecível
lição para todos os seus dedos, e se fosse Lenka não estaria perdendo
seu tempo com amigos tendo aquele “Mestre” a meu lado!!!
No
carro, Lenka percebera que Teru se mostrara mais reservado e o que o
incidente o tinha irritado, porém não dissera palavra sobre o assunto,
o que levou a Lenka sentir-se responsável, e comentou:
─
Lenka, nós não devemos nos sentir responsáveis pelos atos errados de
outros. Em minha vida sempre fui testado, e incidentes deste tipo
sempre ocorreram e tiramos experiência deles para momentos similares
no futuro, em tudo há uma lição a aprendermos, fatos bons o fatos
ruins!!!
─
É
verdade Teru, vamos nos ocupar de coisas mais alegres e aproveitarmos
enquanto estamos juntos!!!
Teru
sentira que ao dizer isto Lenka emitira raios de tristezas sabendo que
com sua partida ela sentiria muito. E, pegando suave em sua mão sem
dizer nada assim se manteve.
Os dias
se passaram muito rápido e Lenka e Teru cada vez mais se envolviam,
cada qual apreciava mais o outro e um minuto de ausência separados o
deixava perturbados.
A
exposição de Kuramoto, coincidira com a inauguração do Sheraton
Princess Kaiulani Hotel, na praia de Waikiki, uma excelente promoção para o
novo hotel, negociada pelo Sr. Nakamura, que mostrou ser o empresário
um homem sagaz e aproveitador de ocasiões. Tudo correra por conta do Sheraton, e Kuramoto vendera todas suas peças apresentadas.
Kuramoto
já experiente, como ocorrera com a JAL, ofertara uma bela aquarela ao
hotel, com uma bela visão de sua arquitetura vista da praia de Waikiki,
tendo ao fundo Diamond Head.
Diamond Head
Em
contrapartida o Grupo Sheraton oferecia a ele sempre que visitasse a
Ilha se alojar na Suite VIP, como convidado de honra.
E
chegara a hora da partida.
Teru
teria que retornar a Califórnia, não havia como retardar sua partida,
a academia, o estaleiro, o Pérola Negra, enfim compromissos que não
podiam ser esquecidos. Por outro lado tinha Lenka que não poderia ser
nunca esquecida, se encontrara em uma situação delicada e sua
experiência de adotar posturas corretas agora funcionava de forma
nunca vista.
A bela
Lenka no percurso ao aeroporto se mostrava quieta, calada, resolvera
ir no carro do pai, pois sabia que o retorno seria terrível, sem a
presença de Teru, e gostaria de encontrar o conforto do bom braço
paterno.
De mãos
dadas a Teru, admirava cada linha de suas firmes e musculosas mãos,
como procurando um simples detalhe que a fizesse recordar, nos
momentos de solidão.
Teru por
sua vez entendia bem o sofrimento de Lenka e aquilo o incomodava
profundamente.
O
trajeto fora feito sem que sentissem e quando deram por si, Teru já
via se despedindo de Lenka. Levantando-a do chão como uma pluma
depositava o tão esperado beijo nos lábios de Lenka que sentia o
absorver daquele contato como um prêmio com muito sacrifício
conquistado, Teru valorizara ao máximo aquele momento para que não
fosse jamais esquecido. Lenka mal sentira o chão quando Teru a
colocara suavemente nele, dizendo:
─
Minha querida Lenka, mais breve que você possa imaginar estaremos
juntos novamente!!!
Lenka
nada dissera e todos perceberam por suas belas e lindas faces rolarem
lágrimas que distorciam a imagem de Teru, enquanto este se afastava e
Lenka se abraçava ao pai.
Hibisco vermelho
Ao olhar
a sua frente Teru vira um lindo hibisco vermelho e sutilmente o
retirando, acertando-o como se fora um “Tsurikem”, exclamara:
─..Lenka!!!
─..Lenka!!!
─..Guarde
esta flor e me entregue quando nos encontrarmos!!!
Ao se
virar, Lenka e todos no aeroporto, que embarcavam naquele momento
viram algo inacreditável!!!
O
hibisco em movimento de rotação suavemente era impulsionado na direção
da mas mãos de Lenka numa distancia superior a 20 metros e suave
pousava no seu colo!!!
O Sr.
Nakamura ficara perplexo e percebera que as lágrimas de Lenka se
desabrochavam num lindo sorriso, como se aquela flor trouxesse seu
Teru de volta.
Lenka
agora pulava e dava insistentes adeus para Teru, que rindo embarcara
no avião. A ultima visão que tivera de sua paixão, até o próximo
encontro seria a daquele maravilhoso sorriso.
Quando
Kuramoto e Bárbara se despediram da porta do avião, dos amigos que
ficaram, perceberam Lenka pular no pescoço do pai e beijá-lo muitas
vezes, no que Bárbara comentou com seu artista:
─
Kura-san, se prepare para termos visitas nos próximos dias, Nakamura
não deixará escapar tão facilmente Teru de sua Lenka!!!
O Sr.
Nakamura prometera a filha que na próxima semana a levaria a
Califórnia pois teria muitos assuntos a tratar por lá, o que levou Lenka
a pular no pescoço de seu pai beijando-o muitas vezes, esta a
cena que os amigos embarcando assistiram e Bárbara, como sua intuição
de águia, bem percebera.
O vôo da
JAL, como sempre tranqüilo e cercado de atenções, e ao anoitecer,
pousavam em L.A., onde Charles já os aguardava.
─..Esta e a grande vantagem dos vôos de Hawaii para Mainland, comentava
Bárbara, é que não temos que encarar novamente a xaropadas
alfandegárias, o Coustoms americano se torna cada vez mais arrogante e
intratável, não tenho a mínima idéia onde isto irá acabar!!!
Charles
como sempre solicito, rápido e eficiente, já havia providenciado o
translado de toda a bagagem para o Rolls Royce e em pouco tempo já
ganhavam a Freeway 405, uma bela e recém inaugurada auto-estrada,
ligando direto L.A. a San Diego, sem a necessidade de se utilizar a
via costeira Pacific 1. Em exatamente uma hora e meia, estavam
estacionando em frente a academia de Teru, sendo aguardados pelo casal
Myamoto.
Abraços,
euforia e perguntas ao receber Teru e os amigos:
─
Então meu filho, o que achou do Japão???
Perguntara a senhora Hideo...
─
Minha honrada mãe, o Japão é inesquecível, conheci nossa família, em
Kyoto e Hakone, visitei a Kodo Kan. E temos muitas novidades para meu
sensei e pai, treinamos com nossos tios e primos tudo foi ótimo!!!
Kuramoto
e Bárbara, conversaram rapidamente com o casal Myamoto enquanto as
malas de Teru eram retiradas por Charles, e despedindo-se, rumaram
cansados para sua bela residência, ao estilo japonês, em La Jolla, na
encosta do Monte Soledad.
Teru
continuava conversando com os pais:
─
Meu pai e minha mãe, a exposição de Kuramoto foi um sucesso tanto no
Japão como no Hawai e no Japão já vimos todos os equipamentos que
necessitamos para o Pérola Negra!!!
─
Que ótimo Teru, e você não perdeu tempo, pois já recebemos, aliás uns 4
dias atrás, todas as suas encomendas, os caixotes estão lá na garagem,
você não acha que exagerou um pouco meu filho!!! Dizia seu pai.
─
Como pai!!!
─
Não comprei nada, exceto lembranças para o senhor e minha mãe, alguns
objetos para a academia e os amigos, acho que deve estar havendo
alguma confusão!!!
─
Bem pai, vamos lá ver estas coisas!!!
─
Não são coisas não Teru, são vários caixotes!!!
Chegando
a garagem, por trás do Dojo e da residência, haviam diversos caixotes.
O Sr. Myamoto passava as mãos do filho toda a documentação, os
“conhecimentos” da carga e uma carta a ele endereçada, com o timbre
do Grupo Nakamura Ásia.
─
Não estou entendendo nada meu pai, a documentação mostra que são todos
os equipamentos eletrônicos que vi para o Pérola Negra, que anotei
para daqui, vendo a nossas disponibilidades, mais a frente comprarmos,
e ainda há muito mais coisas que somente havia pensado.
─
Bem meu filho, tudo deve estar explicado no envelope fechado!!!
E Teru,
abrindo-o começou a sua leitura, cujo escrito era em Kanji, numa
caligrafia impecável, que bem conhecia:
|
Tokyo 29 de maio de 1976
Caro Teru san,
A esta altura você estará
surpreso com tanta coisa, o que é muito natural. Minhas exposições
foram um sucesso, e vendo-o analisando custos, fazendo cálculos, etc,
tomei a liberdade de adquirir tudo que você havia selecionado, e com
o auxílio do Sr. Tanaka, adquirimos bons descontos.
Ainda complementamos sua
lista, adquirimos mais algumas coisas que sabíamos seriam fundamentais
para o Pérola Negra, e aceite esta oferta como retribuição pelo muito
que você sempre fez por mim.
O amigo, irmão e admirador,
Kura san
(Pérola Negra)
|
Teru
ria-se muito e dizia a seus pais :
─
Este Kura san é notável, um formidável amigo, tudo isto meus pais, é
da parte dele, que me viu anotando preços, etc, e com o auxílio de um
japonês, chefe do Grupo Nakamura, em Tokyo, comprou todo o material
necessário para equipar o Pérola Negra!!!
─
Sim meus pais, por falar em Grupo Nakamura, tenho outra notícia muito
importante, encontrei a sua nora!!!
─
O
que!!!
Respondera de imediato a mama Hideo, e complementando ansiosa:
─
Ela é japonesa???
─
É
de Tokyo???
─
De Kyoto ou Hakone???
─
É
bonita???
─
Quantos anos tem???
─
Mama san, de um pouco de tempo a nosso filho, deixe-o falar!!!
Aquilo
sim, fora uma grande surpresa para seus pais.
─
Bem, minha mãe, ela é nissei hawaiana, seu pai é o Sr. Nakamura, o
maior comerciante de artes do Japão e da Ásia para a América. Sua mãe
é hawaiana e residem em uma belíssima mansão em Honolulu. Seu nome é
Lenka e minha mãe, ela é muito linda!!!
─
Oh!!! Meu menino Teru!!! Lenka, perfume de lotus, que lindo nome!!!
O Sr.
Myamoto, muito a seu jeito, se encontrava também contente e comentava
com a esposa:
─
Sra. Hideo, breve teremos netos para alegrar a nossa velhice!!!
─
Sim, por falar em netos tenho que dar dois telefonemas, uma para La
Jolla e outro para o Hawaii!!!
─
Meu filho, coisas de neto??? Assustados perguntavam juntos seus
pais.
─
Não, meus pais, apenas uma forma de lembrar dos meus desejos. Primeiro
não temos que casar???
─
Foi assim que os senhores me ensinaram!!!
E saia
Teru sorrindo direto para o telefone, enquanto o casal Myamoto feliz
comentava um para o outro.
─
Nosso filho se tornou um outro homem nessa viagem!!!
─
É
verdade Hideo, ele nunca esteve tão ansioso!!!
O
telefone da mansão Kuramoto tocava, e o mordomo japonês atendendo de
imediato passava o aparelho ao seu patrão dizendo:
─
Senhor Kuramoto, Mestre Terumitsu na linha!!!
─
Já sabia Hiroshi, quando você fica nervoso, com o telefone na mão sem
saber o que fazer, só pode ser Teru san, aliás já esta um pouco
atrasado para seu jeito!!!
─
Mochi, mochi, Teru san!!! (Alo, alo Teru san)
─
Mochi, mochi, Kura san, domo arigato!!! (alo, alo Kura san, muito
obrigado)
─
Não acreditei no que vi na garagem, muito obrigado Kura san, você
agora e co-proprietário do Pérola Negra!!!
─
Foi um grande prazer e honra para nós Teru san. E, agora você poderá
finalizar mais rápido o Pérola Negra. Como ficaremos em San Diego mais
alguns meses, irei ajudá-lo nos acabamentos finais.
─
Ótimo Kura san, ótimo, combinado, faremos isto juntos!!!
─
Sim, Teru san, já ligou para o Hawai???
─
Vou fazer isto justamente agora quando terminarmos de falar!!!
─
Então já terminamos Teru, boa sorte!!!
─
Amanhã contamos as novidades a vocês, boa noite e mais uma vez muito
obrigado bom amigo!!!
─
Boa noite Teru!!!
Bárbara
que não sabia dos fatos ficou maravilhada com a notícia e a amizade
que Kuramoto sempre teve por Teru, enquanto este dizia a ela de forma
solene.
─
Bárbara se tive todo este sucesso, independente de seu notável apoio,
devo tudo a meu irmão Teru, desde que na América cheguei!!!
─
Sei bem disto, Kura, e fico maravilhada por ver, meu artista predileto
ser acima de tudo um homem muito correto, onde a palavra gratidão
encontra um eco maior!!!
Desligando o telefone Teru comentara com seus pais:
─
Kura san é um bom irmão e amigo, e um homem muito honrado!!!
─
É
verdade Teru, sempre comentamos isto com sua mãe!!!
O
telefone da mansão dos Nakamura tocou duas vezes e fora atendido
solenemente pelo grande mordomo hawaiano;
─
Residência dos Nakamura, com quem temos a honra de falar???
─
É
o Senhor Terumitsu de San Diego, gostaria de ter uma palavra com a
senhorita Lenka, ela se encontra ???
Lenka
não dera tempo de chamá-la quando ouvira o nome Terumitsu fora para o
telefone, mais rápido que um raio.
O Sr.
Nakamura e sua esposa se entreolharam e riram, da rapidez de sua
menina.
─
Alô Teru, como você está, e a viagem, seus pais estão bem???
─
Querida Lenka, estão ótimos e querendo conhecer você!!!
─
Ótimo Teru!!! Na semana que vem, estaremos em San Diego, meu pai tem
assuntos a tratar em L.A., e irei com ele!!!
─
Perfeito Lenka, muito bom que ele venha, e seria também importante que
Waimea viesse junto, pois meu pai irá fazer a eles o pedido oficial de
casamento à sua filha!!!
─
Isto é um pedido de casamento Teru???
─
Claro, querida Lenka, se você o aceitar, lógico!!!
─
Oh Teru!!!
E Lenka
recebera uma forte carga emocional em sua feminilidade e não conteve
suas lágrimas respondendo balbuciando:
─
Cla... claro Teru, ppois te te amo muito!!!
E do
outro lado da linha, em San Diego, Mestre Terumitsu, 8° dan de Judô,
levava mais uma queda bem aplicada com a técnica do coração e dizia
meio sem jeito, na presença dos pais, totalmente paralisados e
surpresos;
─
Eu também, querida Lenka, te amo muito!!!
E as
linhas entre a ilha de Oahu e Mainland silenciaram.
Em
Kahala, Lenka ainda com os olhos molhados pulava de alegria nos braços
de seu pai e toda felicidade dizia ante a curiosidade de sua mãe:
─
Sr. Nakamura, Sra. Waimea, sua filha acaba de ser pedida em
casamento!!!
─
E
a formalização oficial será feita em San Diego na próxima semana pela
Família Myamoto, e mama Waimea, vá se preparando para viajar
conosco!!!
─
Mama Waimea se emocionara, bem ao estilo hawaiano, e dizia entre
soluços a sua querida filha:
─
Minha doce Lenka, que lindo, bem merecia um homem como Teru san,
alguém muito especial para uma pessoa tão especial como você, os
deuses ouviram a minhas preces!!!
─
Minha querida menina, quando vi pela primeira vez Teru san, em Tokyo,
tinha certeza de que seriamos muito bons amigos, mas nunca imaginaria
que o teria como um filho, nada poderia trazer mais alegria a seu pai,
hoje inegavelmente é um dos dias mais notáveis de minha existência!!!
E
virando-se para o grande mordomo Kona, emocionado também por ver sua
menina que acompanhara desde que nascera feliz e com grande alegria,
e o senhor Nakamura solicitava:
─
Bom amigo Kona, traga para nos uma especial champanhe para brindarmos
juntos o pedido de casamento de nossa menina Lenka!!!
E em San
Diego, na Garnet Street, na residência dos Myamoto um fato totalmente
atípico ocorria, o Sr. Myamoto, esposa e filho, sentados na sala
principal de sua residência em frente a uma pequena mesa de charão
preta tendo 3 pequenos cálices, brindavam com Sake, o casamento
próximo de seu único filho Terumitsu Sekito.
Sake
─
A
sua felicidade Terumitsu!!!
─
Banzai!!!
─
Banzai!!!
─
Banzai!!!
Aquele
era um fato muito raro no Clã Myamoto, pois tanto seus pais como seu
filho não bebiam, todavia a tradição estava acima de outros aspectos.
Enquanto
brindavam, Teru ia abrindo suas malas e tirando as lembranças do
Japão, e os presentes de suas famílias para seu pai e sua mãe,
comentando como e onde fora ofertado.
A semana
seguinte seria de muitos afazeres, começar a acertar tudo no Pérola
Negra, ver como iam as coisas no estaleiro, na academia e ainda
aguardar a chegada de Lenka e seus pais.
Kuramoto
e Bárbara, que haviam sido convidados para padrinhos de casamento de
Teru, estavam nas nuvens e ofereciam sua belíssima residência para
hospedar os Nakamura e a celebração do pedido oficial a tradicional forma japonesa.
Na
academia, Teru preparara, sem conhecimento de mestre Myamoto, a
solenidade de entrega de seu 9° Dan.
E na 3a
feira, todos aguardavam a presença de Mestre Myamoto, no fim de
tarde. Os alunos todos de pé na ordem de seus níveis, e Mestre Myamoto
chegara, conhecendo aquela cerimônia assumiu seu local de costume, o
primeiro da fila, o número 1 da academia.
Teru
entrara carregando em uma almofada toda de seda branca, com dobrados
vermelhos em seus cantos, e em cima uma faixa impecavelmente nova,
toda vermelha.
Parando
a frente de seu pai sentou-se da tradicional maneira japonesa, fez 3
reverências muito longas com os braços apoiados no tatame e se dirigiu
a Mestre Myamoto:
─
Sensei Myamoto Sekito, acabamos de retornar do Japão com a incumbência
da direção maior da Kodo kan, em Tokyo de fazer chegar as suas mãos
numa cerimônia solene sua faixa de 9° dan, a primeira concedida a um
mestre fora do Japão.
─
Este humilde mestre que traz esta honrosa incumbência recebeu o °8 dan, e temos ainda, para alunos de nossa academia:
─
7
novos 1° dan.
─
3
novos 2° dan.
─
1
novo 3° dan.
─
1
único 5° dan.
E
chamando os nomeados ia entregando as faixas respectivas e finalizando
colocava no Mestre Myamoto sua faixa toda vermelha, com as inscrições
em cada ponta em escrita Kanji: Sensei Myamoto Sekito, numa
extremidade e na outra, Kodokan – 9° dan
E todos
os alunos saudavam ao velho Mestre, a maneira característica dos
Judocas, em um só tempo:
─
Hei!!!
─
Hei!!!
─
Hei!!!
Aquela
era uma cerimônia impar, que ocorria pela primeira vez em toda
historia do Judô, desde sua fundação por Mestre Gigoro Kano seu
criador e primeiro 10° Dan.
SENSEI GIGORO KANO O 1°
10 DAN DO JUDÔ
Os dias
demoravam a passar e Teru comentara com Kuramoto, enquanto instalavam
os equipamentos no Pérola Negra:
─..Kura
san, nosso sistema de medir tempo é muito interessante, quando estamos
fazendo alguma coisa que nos da prazer e satisfação o tempo passa
muito rápido, e quando fazemos algo que nos desagrada demora muito a
passar, entretanto a situação que mais me surpreende é o fator
ansiedade, quanto mais ansiosos estamos mais lerdo se torna o passar
do tempo. Sensações que sabemos ocorrerem somente em nosso pensar, já
que temos conhecimento, que horas, minutos e segundos são
inalteráveis, todavia, como sempre comentamos, quanto mais se olha
para o relógio, menos ele se movimenta, é assim que me sinto na
expectativa em rever Lenka!!!
─
E
verdade Teru san, mas já estamos no sábado, e 2a feira é
depois de amanhã, nos ocupemos para que o tempo passe mais rápido!!!
Teru já
não mais conseguia conciliar seus tempos e atividades, e acertadamente
se desligara do estaleiro, ficando somente como fonte de renda a
academia, que supria perfeitamente as necessidades da família, e com
mais tempo agora, poderia se dedicar ao termino do Pérola Negra, já
instalado em um píer numa Marina de Point Loma, com todas as
facilidades que necessitava.
Marina de Point Loma
Numa 2a
feira quente de junho, em San Diego, uma buzina tocou forte em frente
a Academia Myamoto e Residência dos Sekito e Teru de Yukata saíra para
feliz encontrar com sua linda Lenka, que ao vê-lo saíra célere ao seu
encontro, sendo admirado, por um lado pelo casal Nakamura e por outro
pelo casal Sekito, que sentiam a felicidades de seus únicos filhos.
Teru se
dirigindo ao automóvel acompanhado de Lenka cumprimentava a maneira
tradicional japonesa, os pais de Lenka:
Muito
prazer em vê-los Nakamura San e Waimea san, por favor sejam bem vindos
a nossa humilde residência!!!
─
Como vai Teru san, grande prazer para nos encontrá-lo novamente, e
como vão as coisas!!! Perguntara Nakamura san...
─
Olá Teru san que prazer em revê-lo, estamos muito felizes por ter a
você como filho!!! Dizia Waimea...
─
Muito trabalho e muita ansiedade para esperar este momento!!!
─
É
verdade Teru san!!! Comentara Waimea, notando Lenka nos últimos dias
estar muito impaciente!!!
E Teru
ficara reparando em sua linda Lenka, enquanto de mãos dadas se
dirigiam ao encontro de seus pais. Ela estava maravilhosa, um belo
vestido amarelo, acompanhando um chapéu de largas abas, da mesma cor,
como sempre seus cabelos negros, macios e sedosos, com a cor bronzeada
de sua pele formavam um estupendo contrate com suas roupas a realçando
ainda mais. Carregava na mão uma sacola, que Teru notara não ter nada
a ver com o conjunto.
E Teru
se dirigindo a seus pais apresentou Lenka:
─
Sr. Myamoto, Sra., Hideo, esta é sua futura filha Lenka!!!
Lenka
tirando da sacola colares lindamente compostos de flores hawaianas,
conhecidos como “Lei”, suavemente colocou ao redor do já idoso casal,
enquanto a maneira japonesa se curvara bastante cumprimentando o casal
com o máximo respeito sendo muito correspondida pelos pais de Teru.
A Sra.
Hideo não conseguindo ficar calada, sorrindo de forma alegre disse:
─
Terumitsu, sua Lenka é muito mais bela do que você nos afirmou!!!
E Lenka
agradecia a Sra. Hideo em japonês:
─
Domo arigato, Haha Hideo!!!
No que a
Sra. Hideo perguntava se ela falava japonês e Lenka confirmava com um
leve movimento positivo de cabeça.
O Sr.
Myamoto em seu idioma pátrio, cumprimentava Lenka e dizia ser uma
honra para ele ter tão linda filha.
E
apresentava seus pais aos pais de Lenka, quando neste exato momento
estacionava no pátio da academia, um belo Rolls Royce prateado e seu
motorista abria a porta para que seus ocupantes saíssem.
─
Chegamos bem na hora!!! Dizia sorrindo Bárbara, enquanto Kuramoto,
rindo se acercava do grupo das duas famílias.
Teru
convidara a todos para conhecer a academia, nesta momento sem
atividades face ao horário, e finalmente em sua residência o Sr.
Nakamura ficara maravilhado com os bonsais e ikebana do casal Myamoto.
E afirmava como conhecedor do ramo:
─
Sr. Myamoto, Sra., Hideo, são trabalhos belíssimos muito difíceis de
serem encontrados até no Japão!!!
No que o
senhor e senhora Myamoto agradeciam a gentil reverência do ilustre
visitante e conhecedor de arte.
Após uma
rodada de refrigerantes e um conhecimento mais intimo dos presentes,
Bárbara e Kuramoto levariam o casal Nakamura para sua residência.
Lenka e Teru iriam almoçar com seus pais, e posteriormente Teru iría
mostra a sua bela Lenka, a cidade de San Diego.
Ficando
assim todos acertados se despediram e a cerimônia de noivado
confirmada para dai a 3 dias ao cair da tarde na mansão de Kuramoto e
Bárbara.