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Atravessando o grande Oceano Pacífico, foi que Teru, pela primeira vez
sentira a imensidão deste grande mar, que encerra nele fantásticas
histórias. Cruzar a linha do tempo, o habituar-se novamente ao idioma
japonês, conhecer suas tradições seculares.
Desde que
encontrara com Kuramoto no aeroporto que a partir dai só falara japonês
e gostava de falar daquela forma como seus pais o ensinaram.
Havia lido
muito sobre o Japão, toda a sua vida, e conhecia cada detalhe de sua
notável história. A entrada do Japão na guerra, suas características
militares, até as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, um exemplo
para toda a história da humanidade.
O Japão
pós guerra, se modificara, se tornara uma grande e próspera nação, uma
potência econômica e respeitado por seus produtos de alta qualidade e
tecnologia internacionalmente aprovada.
Após quase
20 horas de vôo, ao cair da tarde, de um belo dia de primavera, pousaram
no recém construído aeroporto de Narita, em Tokyo, e chegavam ao Império
do Sol Nascente.
Aeroporto
de Narita
No
aeroporto, após os tramites legais, o desembaraço de bagagens, etc,
foram encaminhados para o salão de recepções onde Bárbara os aguardava
para uma entrevista de Kuramoto e a imprensa.
Bárbara ao
vê-los de imediato abraçou e beijou Kuramoto, que as câmaras e flahs
registraram de imediato, depois sorrindo cumprimentou risonha Mestre
Teru, a maneira japonesa, e toda a imprensa pode notar que o
acompanhante do grande artista não era uma mero segurança como todos de
inicio pensaram.
Teru
sempre sem exprimir suas reações, estava se divertindo com tudo aquilo,
porém notara o ar de felicidade de Bárbara ao encontrar com Kuramoto, e
notara ainda mais, que seu amigo se transformara num belo homem. Seu
Yukata era impecável com seu ideograma da Pérola Negra em cada manga
muito bem bordado, seu cabelo liso e bem tratado era longo e preso a
altura da nuca por uma bela trabalhada peça de madeira típica de seu
pais de origem.
─..E
então como foram de viagem??? Perguntou Bárbara.
─..Um
pouco cansativa para mim!!!
─..Para
Teru, ele não se afeta muito com isto, tem um autocontrole incrível, que
refaz suas energias constantemente.
─..Teru
san, gostaria que me ensinasse esta técnica, pois estou sempre
precisando refazer minhas energias para promover nosso grande amigo
artista!!!
─..Quando
quiser Bárbara, contudo precisa dispor de algum tempo.
─..Este
é sempre meu maior problema, arranjar tempo para as coisas que desejamos
fazer.
Ao
adentrarem ao grande salão,tudo já estava devidamente em seus locais. A
imprensa sentada em seus lugares preestabelecidos e todos os repórteres
identificados como seus nomes e os periódicos que representavam. O
púlpito com diversos microfones instalados e atrás algumas confortáveis
poltronas onde os três amigos se acomodaram.
O mestre
de cerimônias tomou a palavra e abriu a entrevista primeira de Kuramoto
no Japão, convidando-o ao púlpito.
Kuramoto
agora tarimbado mais experiente, muito solícito e simpático, se mostrava
hábil em suas respostas e sempre dava evasivas quando perguntado sobre
seu relacionamento pessoal com Mrs. Bárbara Stwart. E, numa colocação
muito simpática e no momento adequado, apresentava seu pessoal amigo
Mestre Terumitsu Sekito, 7° dan de judô, seu primeiro amigo na América,
e sem duvida alguma um dos responsáveis pelo seu sucesso junto com Mrs.
Stwart.
Teru fora
saudado por uma calorosa salva de palmas pela imprensa, mormente depois
de terem tomado conhecimento terem sido ele e seu pai, as figuras que
Kuramoto havia se inspirado para criar a serie de aquarelas, “Técnicas
do Judô”, que não estariam a venda na exposição e foram doadas pelo
artista a Kodo kan. Que só por tal fato,de imediato alcançaram um valor
inestimável para compra.
Terminada
a entrevista todos se dirigiram para um especial coquetel oferecido pela
JAL ao artista, que presenteou a famosa Companhia Aérea Japonesa com uma
belíssima aquarela de seu mais moderno avião, o jato 747, sobrevoando o
Monte Fuji.
Os
diretores da JAL, ficaram maravilhados com aquela oferta, que seria um
marketing notável para a empresa, que em contrapartida, anunciava, que o
grande artista Kuramoto seria sempre convidado especial da JAL em suas
viagens.
Bárbara se
deliciava, pela rapidez com que Kuramoto aprendera as nuanças das
técnicas comerciais, e a JAL sabia perfeitamente que aquela aquarela era
exclusiva, fora de série, e valeria uma grande fortuna no mercado de
arte.
Após o
coquetel, os amigos puderam ficar mais a vontade e no percurso do
aeroporto para hotel, Bárbara começou a explicar tudo.
─
Bem
amigos, ficaremos hospedados no apartamento do SR. Nakamura, o
organizador da exposição de Kuramoto aqui em Tokyo. É, o maior
negociador de artes do Japão, mora com sua esposa e a filha no Hawai, e
desde há muito que vem me cercando para fecharmos negócio, quanto aos
quadros de Kuramoto no Japão.
─
Só
agora e que chagamos a bom termo, e assinamos um contrato com ele,
altamente vantajoso para Kuramoto, que poderá deixá-lo com reservas
suficientes para viver bem o resto de seus dias. No entanto terá muito
trabalho pela frente em retratar as imagens do Japão, que são um relax
para nossos olhos!!!
─
A
exposição ocorrerá daqui há quatro dias, a pedido da Câmara de Comercio
de Tokyo, que gostaria antes de prestar uma homenagem a Kuramoto, o que
para nos em termos de publicidade é um fato fantástico, o que levou as
100 pecas expostas já terem sido vendidas em antecipação.
─
Esta vendo Teru san, o japonês franzino do College, acabou se tornando
rico graças a você e sua “amiga”!!!
─
No
que Bárbara de imediato deu outro beijo em Kuramoto, e Teru e Kura san
sabiam que a “amiga” que se referiam não era Bárbara!!!
E Bárbara
virando-se para Teru, comentou:
─
Mestre Teru, eu e Kuramoto desde há muito vivemos juntos, infelizmente
por motivos financeiros, não devemos casar legalmente, pois seria um
desastre. Assim, vivemos bem com nossa intimidade preservada e nossas
finanças também, não estando ao alcance do Tesouro Americano, que viria
em nosso enlace legal um grande ganho para seus cofres.
─
Amigos Bárbara e Kura san, sempre soube disto, desde quando pela
primeira vez almoçamos juntos em La Jolla que percebi que outro não
seria o caminho destinado a vocês!!!
E os
amigos foram chegando a seu destino entre as tumultuadas ruas de Ginza,
com a limusine Toyota do Sr. Nakamura, diminuindo a velocidade e
entrando na garagem de um belo e moderno edifício, onde se situava o
luxuoso apartamento e escritórios do GRUPO NAKAMURA em Tokyo.
Aos serem
abertas as portas da limusine, 4 executivos já os aguardavam e num
impecável inglês cumprimentavam os recém chegados, dando as boas vindas
e os acompanhavam ao elevador.
─
O
Senhor Nakamura já nos aguarda no 22° andar!!!
O elevador
parou exatamente em frente ao grande hall do luxuoso apartamento do Sr
Nakamura, de onde se descortinava uma belíssima visão de Tokyo e seu
Palácio Imperial. Com todo o bairro Ginza a sua esquerda todo iluminada
por seus fantásticos e multicoloridos neons. O passado austero e o
moderno evolutivo do Japão se encontravam em uma única visão!!!
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Palácio Imperial |
Centro de Tokyo |
O Sr.
Nakamura já os aguardava e os cumprimentou ao estilo Japonês, com
exceção de Bárbara a quem estendeu a mão.
Teru e
Kuramoto responderam ao cumprimento a tradicional forma japonesa,
enquanto o anfitrião se dirigia aos recém chegados.
─
É
muita satisfação para nos recebermos tão ilustres e honrados hóspedes
em nossa humilde residência, nosso internacional artista Kuramoto e sua
eficiente patroness, Mrs. Bárbara e o Mestre Terumitsu, o maior difusor
de nosso Judô na América!!!
Dito isto
apresentou aos 4 senhores que os acompanhavam desde a garagem.
─
Estes senhores, Minatoya, Gengo, Yukikasu e Tanaka, sãos os meus homens
de confiança em Tokyo, qualquer dúvida que por ventura possa ocorrer na
estada dos senhores, eles estarão aptos e autorizados a resolver
imediatamente.
Os quatro
apresentados se inclinaram respeitosamente ao grupo, enquanto o Sr.
Nakamura. Continuava:
─
Nos
cartões que estão passando as suas mãos, constam os telefones reservados
de cada um, e nesta pasta que estão entregando aos senhores, está aposta
toda a agenda para a Câmara de Comércio de Tokyo e a Exposição no
Imperial Tokyo Hotel, obedecendo tudo como nos foi solicitado por Mrs.
Stwart, antecipadamente.
Sala de Refeição
Íntima
Imperial Tokyo Hotel
─
Agora os convidamos para uma pequena refeição, tradição de nossa cultura
aos nossos visitantes recém chegados, e depois os deixaremos a vontade,
pois de certo estão cansados da longa viagem.
Suavemente
batendo um pequeno gongo os pratos foram sendo apresentados por 4
taifeiros e 4 belas damas, todos elegantemente vestidos na mais
tradicional forma da moda japonesa.
Sentados
em confortáveis e belas poltronas ocidentais em uma mesa de tampo de
cristal, Teru pode analisar detidamente todo o grupo. O Sr. Nakamura,
baixo, corpo atlético, cabelo grisalho, cortado ao estilo japonês
“escovinha”, bem rente, aparentando seus 60 anos, era inegavelmente o
SHOGUN. Sabia ditar as suas ordens e não era de muito fala. Educado e
cortes, mas nada de subserviência. Notara nitidamente suas maneiras e
comportamento, típicos do Japão tradicional, diria que em tempos idos
teria sido um “samurai” e com toda certeza devia ser descendente destes.
Os demais
4, seus assistentes, tinha um que era o líder, ainda que todos
estivessem ao mesmo nível, aparentemente. Uma técnica muito utilizada
nos negócios japoneses modernos, para não se saber onde e quem está com
a liderança, ensinamentos oriundos do grande Mestre e dos mais famosos
samurais Japoneses de todos os tempos, MYAMOTO MUSASHI, nunca deixar
reconhecer quem é o líder.
Samurai
Teru
achara aquele cenário muito interessante, por traz da evolução altamente
científica e tecnológica do Japão moderno, suas tradições milenares eram
fielmente observadas, notadamente nos aspectos disciplinares e de
organização.
Não tinha
dúvidas alguma que o líder do grupo abaixo do Sr. Nakamura era o Sr.
Tanaka, para ele, simples observar, face aos seus conhecimentos advindos
do Judô, e sabia perfeitamente o Sr. Tanaka ter consciência deste seu
pensar, pois de imediato fora detectada sua liderança por Teru, que
provocou um leve sorriso de olhos do Sr. Nakamura, que percebera ser
Mestre Terumitsu mais que um simples professor graduado de Judô.
Após o
rápido jantar de boas vindas, enquanto os demais membros do grupo
trocavam informações, sobre a programação dos próximos dias, Teru se
acercara ao grande pano de vidro do piso ao teto, de onde descortinava a
visão belíssima de Tokyo a noite, quando sentiu uma presença se
acercando a suas costas. Num movimento nem rápido nem lento, o
necessário para o chegado notar que era esperado, se virou:
─
Mestre Terumitsu, o senhor tem um senso de percepção e análise das
pessoas notável, e me parece muito jovem para seu 7° dan, pois todos que
atingem este nível já estão com mais de 45 a 50 anos.
─
Obrigado pelo elogio Sr. Nakamura, por vezes aprendemos técnicas que se
incorporam de tal forma a nossa personalidade e maneira de ser, que
mesmo não queiramos estamos em constante treinamento. Quanto a minha
idade sei que não a conheço bem, são tempos que passam muito rápido e
outros que demoram a ocorrer, que me confundem, estes tempos de idade
física não se enquadram em meu modo de pensar sobre a idade fruto da
experiência.
O Sr.
Nakamura soltara uma gostosa risada bem ao tipo Shogum, gutural, o que
de imediato chamou a atenção de todos, o que Teru lia nos olhos de seu
interlocutor o fizera propositadamente, entretanto percebeu o Sr.
Nakamura ter apreciado em muito sua resposta, sentindo o faiscar típico
em seus olhos que seriam mais do que simplesmente bons amigos, o que
pensou ser bem estranho, pois nada tinha haver com arte ou negócios.
─
Mestre Terumitsu é um japonês extraordinário, Mrs. Bárbara, e agora
compreendo perfeitamente o que me relatava com referência ao melhor
amigo de Kuramoto san, acabamos de receber dois Hipons, um por querer
ser muito esperto e outro por ser muito fútil!!!
A sua
maneira, o Sr, Nakamura, havia admitido suas falhas, e Teru, com seu
discreto, frio e seco sorriso, notado por Kuramoto e Bárbara mostrara
estar o amigo satisfeito,o que valeu o comentário dela a seu artista:
─..Kura san, nosso amigo Teru,
gostou muito do Sr. Nakamura, pois normalmente nem responderia, e o
nosso anfitrião também gostou muito de nosso amigo, pelo que conheço das
pessoas se iniciou nesta sala uma grande amizade!!!
─..Bem,Bárbara isto é ótimo para nós, o apoio destes dois juntos, quem não
gostaria de tê-los???
Kuramoto
entretanto perceberam as sutilezas das palavras de Bárbara uma ligeira
preocupação, todavia se manteve calado, daria tempo ao desenrolar dos
acontecimentos, pois sabia que nada para ele poderia vir a mudar seu
conceito e promessa feita a ela, quando se conheceram, porém sabia que
Bárbara, negociante e astuta estava era preocupada com outro negociante
e astuto e principalmente sendo ele japonês.
Após mais
alguns minutos de conversa sem fundamento, meramente social, o Sr.
Nakamura desejando boa noite a todos se retirou com seus assistentes,
enquanto dois camareiros, polidamente mostravam aos hospedes seus
aposentos.
Os quartos
eram muito amplos em contrario ao típico japonês, onde todos os espaços
são minuciosamente estudados e usados, principalmente em Tokyo, além do
imenso aposento ainda havia todo o necessário para seus hospedes se
sentirem a vontade.
Diferenciados da sala, os quartos eram decorados tipicamente ao estilo
japonês, os alcochoados diretamente sobre os impecáveis tatames, e a
seus pés, o Yukata de dormir, em seda pura, em tons azul marinho,
impecavelmente dobrado e deixando em destaque o ideograma ricamente
bordado em dourado, do Grupo Nakamura Ásia.
Kuramoto e
Bárbara, desejaram boa noite a Teru, que ficara ainda boa parte da noite
admirando de seus aposentos a cidade de Tokyo, com seu movimento, como
se não parasse para dormir.
Eram já
duas horas da manhã, inacreditável, pensara!!!
Tokyo, é
incrivelmente confusa, aparentemente, lembra em muito a cultura
japonesa, depois que se conhece tudo fica muito claro, porém a primeira
visão se torna muito difícil perceber. A mistura do moderno com o
antigo, as tradições a cada esquina disputando seu espaços com o moderno
e atual, num harmonioso e complicado jogo. O Palácio Imperial, com seus
belos jardins com vários séculos, desde que Edo se tornara a sede do
Shogunato, histórias fantásticas, a trilha de Hokaido, de Kyoto a
antiga capital até Edo, e nos dias atuais, tinha Ginza, o moderno,
Chiba, Minatoku, Koen, tudo era um atrativo fantástico.
Entretanto
perdido em suas lembranças de histórias e o atual percebera que era
tempo de refazer suas energias, pois o dia seguinte seria outro de
conhecer coisas incríveis e carregadas de boas surpresas.
Com sua
pérola negra passeando suavemente entre seus dedos do polegar ao menor,
nas idas e vindas entrou em profundo relaxamento mental e sempre, como
de seu costume, alerta físico, na sua primeira noite de Japão não mudara seus hábitos pelo contrário captava ainda mais os fluidos deste
notável pais de seus ancestrais.
Pela manhã
ao acordarem para o desjejum, Bárbara e Kuramoto, já encontraram Teru
pronto e arrumado a maneira japonesa, com uma belo Yukata, tendo a parte
inferior em seda negra e a superior num marrom também em seda, muito
elegante, o que valeu um comentário alegre de seu amigo artista:
─
Teru, assim as jovens japonesas não irão resistir!!!
Teru dera
seu discreto sorriso enigmático para muitos, porém Kura san sabia ter
seu bom amigo apreciado aquele comentário.
E Bárbara
pensara:
Interessante, nunca vi Teru acompanhado, sempre sozinho e reservado em
seu mundo interior, que deve ser gigantesco. Ele já deve ter uns 35 a 40
anos, aparenta até menos que isto, uma bela imagem masculina, elegante,
muito discreto e polido, capaz de fazer qualquer mulher muito feliz.
Teru
percebera em que Bárbara pensava e analisava este aspecto, que nunca
havia encontrado uma pessoa que pudesse completá-lo...
Nestes
próximos dias os amigos estariam juntos, depois como ficara acertado,
após a exposição, Teru iría conhecer seus parentes em Kyoto e Hakone,
visitar a Kodo Kan, e pesquisar sobre os equipamentos modernos de
navegação.
Kyoto Tower
A
exposição fora um sucesso completo, tendo como abre alas a homenagem
prestada pela Câmara de Comercio do Japão. A alta sociedade, os mais
destacados empresários, todos estiveram presentes. Kuramoto ganhara
status de herói, tendo retornado ao Japão com vencedor.
O Sr.
Nakamura exultante, pois recebera a informação que o artista iría
apresentar 30 peças inéditas, sobre o Japão para a exposição programada
para o Hawaii, dai há duas semanas.
Tudo ia
ocorrendo como o planejado e desejado, e Bárbara muito satisfeita com o
sucesso de Kuramoto em seu pais de origem.
Num destes
dias de pós exposição, dos últimos que os amigos estariam juntos, antes
de Teru viajar para o interior, enquanto Bárbara e o Sr. Nakamura
tratavam dos aspectos financeiros, resolveram com o apoio do Sr. Tanaka
darem uma olhada nas vitrines de Ginza. Numa destas vitrines de uma
belíssima, luxuosa e moderna joalheria, Teru vira algumas pérolas
negras, consideradas de grande porte e não chegavam a 1/10 da pérola
negra e seus custos variavam entre 15 a 20 mil dólares, em função de sua
textura, coloração e procedência.
Teru
estimou por baixo que, o custo de seu talismã estar bem acima de 500 mil
dólares!!! Acertara em cheio pois fora por quanto o Billy Gordo há
muitos anos atrás havia adquirido a grande pérola negra.
Vira
também os eletrônicos, que necessitaria para equipar o PÉROLA NEGRA. E,
anotara tudo com o auxilio do Sr. Tanaka,para quando chegasse a América
providenciar a importação.
Distraidamente Kuramoto conversara com Tanaka, para tudo que Mestre
Terumitsu anotasse fosse passado para ele sem o conhecimento do amigo.
Teru
estava radiante :
─
Kura san, já tenho todos os dados e especificações para equipar o PÉROLA
NEGRA com o que há de mais moderno em termos de equipamentos
eletrônicos!!!
─
Ótimo, Teru san, assim logo estaremos velejando!!!
O amigo
sempre com seu sorriso enigmático, acrescentava:
─ É
bem possível Kura san, bem possível!!!
E chegara
o tempo de cada qual partir para suas atividades pessoais. Kuramoto iría
trabalhar para preparar as obras com vistas a exposição no Hawaii. Seu
método era muito sutil, escolhia os temas, flores, jardins, paisagens,
montanhas, florestas, templos, etc, depois tirava fotos ampliava-as e
trabalhava no seu atelier provisório, que fizera no apartamento do Sr.
Nakamura. Já não era mais possível trabalhar no local, como artista
famoso, era impossível fazê-lo sem ser interrompido constantemente.
Através da
projeção de slides, ou fotos ampliadas por ele mesmo feitas, escolhendo
os melhores ângulos das imagens, com sua visão de artista, trabalhava
descansadamente bem mais a vontade, o que aumentava em muito a sua
produção.
Todavia em
locais mais afastados, se deliciava, fazendo suas aquarelas ar livre,
quando sentia toda a plenitude e o prazer de sua arte, não só inserido
no aspecto comercial e financeiro do que seus quadros representavam.
Inicialmente Teru fora visitar a Kodo Kan, sendo recebido com muita
atenção, respeito e amizade. Levava as belas aquarelas de Kuramoto, que
todos estavam ansiosos para conhecer, face a divulgação que haviam feito
sobre elas a imprensa local.
Vira o
Dojo que a todos os visitantes impressiona, onde cerca de 2500 faixas
pretas de diferentes dan, treinavam, supervisionados por senseis.
Kodo Kan
Conhecera
as salas reservadas onde os senseis eram analisados e a evolução de
suas técnicas. Fora levado a uma sala onde vira uma antiga e amarelada
fotografia de seu pai Sensei Myamoto quando se sagrara campeão japonês
de Judô e depois recebendo a faixa de 6° dan.
Numa sala
reservada e mais ampla fora convidado a treinar fazer um ‘Handori” com
alguns senseis, e sua técnica era indiscutivelmente muito superior,
altamente qualificada. Sensei Terumitsu, tinha a rara faculdade de
treinar de olhos fechados e saber desta maneira as intenções de seu
oponente por simples movimento. Se olhando nos olhos de seu oponente a
coisa se tornava mais simples ainda e todos perceberam que suas técnicas
eram muito e intimamente ligadas a mãe natureza, um aspecto do Judô em
seu início que aos poucos fora sendo não muito praticado. Tinha a
maleabilidade do vento e sua força, o balancear do mar em diversas
direções, o projetar do sol sempre adentrando com firmeza onde e como
sua luz chegasse, tudo complementado com harmônicas e precisas técnicas
de projeção. O seu jogo de chão, onde o objetivo era neutralizar ou dar
final ao oponente, através de chaves, estrangulamentos e imobilizações,
oriundo das antigas forma de jiu-jitsu, tinha uma destreza nunca antes
vista.
Fora por
diversas vezes testado em formas simples de ataque e defesa e
desconcertara seus oponentes pela sensibilidade de conhecer
antecipadamente de onde viriam estes ataques.
Após todas
estas avaliações, recebia com orgulho e honra, o 8°dan na sua faixa
preta, o mais jovem da história de todo o Judô, e levava para Mestre
Myamoto, seu Sensei e pai, o certificado de o 9° dan, pela primeira vez
concedido a um Sensei ausente do Japão.
Fora muito
admirado na Kodo Kan, por sua maneira seria e postura impecável, e mais
que tudo, por ter se tornado o maior difusor do Judô na América,
eliminando em muito aquela forma antipática e grosseira do povo
americano olhar o japonês, este era o maior aspecto que todos admiravam
nele.
Fora
visitar seus parentes, inicialmente a ala paterna em Kyoto, os Sekito,
onde conhecera seus tios, primos e via as fotos e ouvia as histórias de
seus antepassados e todos se dirigiam a ele da forma carinhosa de “
Tsubaki chi juro”(camélia de 40 anos).
Em Kyoto
conhecera seus belos jardins e palácios, o Templo Dourado, o Palácio
Nijo, com sua tábuas de piso que emitiam sons, ao nelas se andar, um
sistema de detectar intrusos no palácio. Vivia pessoalmente a história
do Japão, que tanto lera nos livros.
Pálacio Nijo
Em Hakone
fora conhecer o lado materno da família. Hakone era já montanha e seus
parentes mais ligados a natureza. Via o Monte Fuji, marca maior do
Japão, que desde muito, menino,aprendera a admirar e agora o via
imponente observador de milhares de anos e histórias do Império do Sol
Nascente!!!
Monte Fuji
Seus tios
e primos, já diferentes em maneira de tratar, como sua mãe mais
carinhosos e menos duros que seu pai. Conheceu a história de como seu
pai conheceu sua mãe, fatos de seus parentes na guerra.
Enfim
conhecia a história de suas origens!!!
Tudo
aquilo o deixara maravilhado, e começara a entender muito mais do Japão
e sua cultura do que havia lido nos livros ou escutado de seus pais. Se
tornara um admirador do pais, de seus ancestrais, e pode notar que
inegavelmente estava assegurado um lugar de destaque a este grande país
no cenário das nações desenvolvidas.
Em Tokyo,
Kuramoto solicitara ao Sr. Tanaka cópia de todos os prospectos que Teru
havia selecionando quanto aos equipamentos eletrônicos, e pediu que
providenciasse de imediato suas aquisições, com todas as taxas de
importações, para América, previamente pagas de tal sorte que fosse tudo
colocado na residência de Mestre Terumitsu, e com a observação de que
ele não poderia ter o mínimo conhecimento deste fato.
Afora este
detalhe, Kuramoto assessorado por um elemento do Grupo Nakamura, expert
em náutica, ainda havia adquirido outros equipamentos complementares, de
segurança, apoio, salvatagem, cozinha etc... além de todos os utensílios
de mesa, cama e banho, enfim iría equipar o veleiro Pérola Negra com
tudo basicamente japonês, para seu amigo Teru.
E o tempo
de estada no Japão chegara a seu termino, como sempre acontece,
rapidamente, quando se faz o que se gosta. Era chegada a hora da partida
rumo ao Hawaii, onde ficariam uma semana... o que muito agradava a Teru e
sua Pérola Negra, pois estariam conhecendo o portal da Polinésia.
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