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A TERRA DO SOL NASCENTE

 

 

Atravessando o grande Oceano Pacífico, foi que Teru, pela primeira vez sentira a imensidão deste grande mar, que encerra nele fantásticas histórias. Cruzar a linha do tempo, o habituar-se novamente ao idioma japonês, conhecer suas tradições seculares. 

Desde que encontrara com Kuramoto no aeroporto que a partir dai só falara japonês e gostava de falar daquela forma como seus pais o ensinaram. 

Havia lido muito sobre o Japão, toda a sua vida, e conhecia cada detalhe de sua notável história. A entrada do Japão na guerra, suas características militares, até as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, um exemplo para toda a história da humanidade. 

O Japão pós guerra, se modificara, se tornara uma grande e próspera nação, uma potência econômica e respeitado por seus produtos de alta qualidade e tecnologia internacionalmente aprovada. 

Após quase 20 horas de vôo, ao cair da tarde, de um belo dia de primavera, pousaram no recém construído aeroporto de Narita, em Tokyo, e chegavam ao Império do Sol Nascente.

Aeroporto de Narita 

No aeroporto, após os tramites legais, o desembaraço de bagagens, etc, foram encaminhados para o salão de recepções onde Bárbara os aguardava para uma entrevista de Kuramoto e a imprensa. 

Bárbara ao vê-los de imediato abraçou e beijou Kuramoto, que as câmaras e flahs registraram de imediato, depois sorrindo cumprimentou risonha Mestre Teru, a maneira japonesa, e toda a imprensa pode notar que o acompanhante do grande artista não era uma mero segurança como todos de inicio pensaram. 

Teru sempre sem exprimir suas reações, estava se divertindo com tudo aquilo, porém notara o ar de felicidade de Bárbara ao encontrar com Kuramoto, e notara ainda mais, que seu amigo se transformara num belo homem. Seu Yukata era impecável com seu ideograma da Pérola Negra em cada manga muito bem bordado, seu cabelo liso e bem tratado era longo e preso a altura da nuca por uma bela trabalhada peça de madeira típica de seu pais de origem.  

..E então como foram de viagem??? Perguntou Bárbara.

..Um pouco cansativa para mim!!!

..Para Teru, ele não se afeta muito com isto, tem um autocontrole incrível, que refaz suas energias constantemente. 

..Teru san, gostaria que me ensinasse esta técnica, pois estou sempre precisando refazer minhas energias para promover nosso grande amigo artista!!!

..Quando quiser Bárbara, contudo precisa dispor de algum tempo.

..Este é sempre meu maior problema, arranjar tempo para as coisas que desejamos fazer. 

Ao adentrarem ao grande salão,tudo já estava devidamente em seus locais. A imprensa sentada em seus lugares preestabelecidos e todos os repórteres identificados como seus nomes e os periódicos que representavam. O púlpito com diversos microfones instalados e atrás algumas confortáveis poltronas onde os três amigos se acomodaram. 

O mestre de cerimônias tomou a palavra e abriu a entrevista primeira de Kuramoto no Japão, convidando-o ao púlpito. 

Kuramoto agora tarimbado mais experiente, muito solícito e simpático, se mostrava hábil em suas respostas e sempre dava evasivas quando perguntado sobre seu relacionamento pessoal com Mrs. Bárbara Stwart. E, numa colocação muito simpática e no momento adequado, apresentava seu pessoal amigo Mestre Terumitsu Sekito, 7° dan de judô, seu primeiro amigo na América, e sem duvida alguma um dos responsáveis pelo seu sucesso junto com Mrs. Stwart. 

Teru fora saudado por uma calorosa salva de palmas pela imprensa, mormente depois de terem tomado conhecimento terem sido ele e seu pai, as figuras que Kuramoto havia se inspirado para criar a serie de aquarelas, “Técnicas do Judô”, que não estariam a venda na exposição e foram doadas pelo artista a Kodo kan. Que só por tal fato,de imediato alcançaram um valor inestimável para compra. 

Terminada a entrevista todos se dirigiram para um especial coquetel oferecido pela JAL ao artista, que presenteou a famosa Companhia Aérea Japonesa com uma belíssima aquarela de seu mais moderno avião, o jato 747, sobrevoando o Monte Fuji. 

Os diretores da JAL, ficaram maravilhados com aquela oferta, que seria um marketing notável para a empresa, que em contrapartida, anunciava, que o grande artista Kuramoto seria sempre convidado especial da JAL em suas viagens. 

Bárbara se deliciava, pela rapidez com que Kuramoto aprendera as nuanças das técnicas comerciais, e a JAL sabia perfeitamente que aquela aquarela era exclusiva, fora de série, e valeria uma grande fortuna no mercado de arte. 

Após o coquetel, os amigos puderam ficar mais a vontade e no percurso do aeroporto para hotel, Bárbara começou a explicar tudo. 

Bem amigos, ficaremos hospedados no apartamento do SR. Nakamura, o organizador da exposição de Kuramoto aqui em Tokyo. É, o maior negociador de artes do Japão, mora com sua esposa e a filha no Hawai, e desde há muito que vem me cercando para fecharmos negócio, quanto aos quadros de Kuramoto no Japão.

Só agora e que chagamos a bom termo, e assinamos um contrato com ele, altamente vantajoso para Kuramoto, que poderá deixá-lo com reservas suficientes para viver bem o resto de seus dias. No entanto terá muito trabalho pela frente em retratar as imagens do Japão, que são um relax para nossos olhos!!!

A exposição ocorrerá daqui há quatro dias, a pedido da Câmara de Comercio de Tokyo, que gostaria antes de prestar uma homenagem a Kuramoto, o que para nos em termos de publicidade é um fato fantástico, o que levou as 100 pecas expostas já terem sido vendidas em antecipação. 

Esta vendo Teru san, o japonês franzino do College, acabou se tornando rico graças a você e sua “amiga”!!! 

No que Bárbara de imediato deu outro beijo em Kuramoto, e Teru e Kura san sabiam que a “amiga” que se referiam não era Bárbara!!! 

E Bárbara virando-se para Teru, comentou: 

Mestre Teru, eu e Kuramoto desde há muito vivemos juntos, infelizmente por motivos financeiros, não devemos casar legalmente, pois seria um desastre. Assim, vivemos bem com nossa intimidade preservada e nossas finanças também, não estando ao alcance do Tesouro Americano, que viria em nosso enlace legal um grande ganho para seus cofres. 

Amigos Bárbara e Kura san, sempre soube disto, desde quando pela primeira vez almoçamos juntos em La Jolla que percebi que outro não seria o caminho destinado a vocês!!! 

E os amigos foram chegando a seu destino entre as tumultuadas ruas de Ginza, com a limusine Toyota do Sr. Nakamura, diminuindo a velocidade e entrando na garagem de um belo e moderno edifício, onde se situava o luxuoso apartamento e escritórios do GRUPO NAKAMURA em Tokyo. 

Aos serem abertas as portas da limusine, 4 executivos já os aguardavam e num impecável inglês cumprimentavam os recém chegados, dando as boas vindas e os acompanhavam ao elevador. 

O Senhor Nakamura já nos aguarda no 22° andar!!!

O elevador parou exatamente em frente ao grande hall do luxuoso apartamento do Sr Nakamura, de onde se descortinava uma belíssima visão de Tokyo e seu Palácio Imperial. Com todo o bairro Ginza a sua esquerda todo iluminada por seus fantásticos e multicoloridos neons. O passado austero e o moderno evolutivo do Japão se encontravam em uma única visão!!!


Palácio Imperial

Centro de Tokyo

O Sr. Nakamura já os aguardava e os cumprimentou ao estilo Japonês, com exceção de Bárbara a quem estendeu a mão. 

Teru e Kuramoto responderam ao cumprimento a tradicional forma japonesa, enquanto o anfitrião se dirigia aos recém chegados. 

É muita satisfação para nos recebermos tão ilustres e honrados hóspedes em nossa humilde residência, nosso internacional artista Kuramoto e sua eficiente patroness, Mrs. Bárbara e o Mestre Terumitsu, o maior difusor de nosso Judô na América!!! 

Dito isto apresentou aos 4 senhores que os acompanhavam desde a garagem.

Estes senhores, Minatoya, Gengo, Yukikasu e Tanaka, sãos os meus homens de confiança em Tokyo, qualquer dúvida que por ventura possa ocorrer na estada dos senhores, eles estarão aptos e autorizados a resolver imediatamente. 

Os quatro apresentados se inclinaram respeitosamente ao grupo, enquanto o Sr. Nakamura. Continuava: 

Nos cartões que estão passando as suas mãos, constam os telefones reservados de cada um, e nesta pasta que estão entregando aos senhores, está aposta toda a agenda para a Câmara de Comércio de Tokyo e a Exposição no Imperial Tokyo Hotel, obedecendo tudo como nos foi solicitado por Mrs. Stwart, antecipadamente.  

Sala de Refeição Íntima
Imperial Tokyo Hotel

Agora os convidamos para uma pequena refeição, tradição de nossa cultura aos nossos visitantes recém chegados, e depois os deixaremos a vontade, pois de certo estão cansados da longa viagem. 

Suavemente batendo um pequeno gongo os pratos foram sendo apresentados por 4 taifeiros e 4 belas damas, todos elegantemente vestidos na mais tradicional forma da moda japonesa.  

Sentados em confortáveis e belas poltronas ocidentais em uma mesa de tampo de cristal, Teru pode analisar detidamente todo o grupo. O Sr. Nakamura, baixo, corpo atlético, cabelo grisalho, cortado ao estilo japonês “escovinha”, bem rente, aparentando seus 60 anos, era inegavelmente o SHOGUN. Sabia ditar as suas ordens e não era de muito fala. Educado e cortes, mas nada de subserviência. Notara nitidamente suas maneiras e comportamento, típicos do Japão tradicional, diria que em tempos idos teria sido um “samurai” e com toda certeza devia ser descendente destes. 

Os demais 4, seus assistentes, tinha um que era o líder, ainda que todos estivessem ao mesmo nível, aparentemente. Uma técnica muito utilizada nos negócios japoneses modernos, para não se saber onde e quem está com a liderança, ensinamentos oriundos do grande Mestre e dos mais famosos samurais Japoneses de todos os tempos, MYAMOTO MUSASHI, nunca deixar reconhecer quem é o líder.

Samurai

Teru achara aquele cenário muito interessante, por traz da evolução altamente científica e tecnológica do Japão moderno, suas tradições milenares eram fielmente observadas, notadamente nos aspectos disciplinares e de organização. 

Não tinha dúvidas alguma que o líder do grupo abaixo do Sr. Nakamura era o Sr. Tanaka, para ele, simples observar, face aos seus conhecimentos advindos do Judô, e sabia perfeitamente o Sr. Tanaka ter consciência deste seu pensar, pois de imediato fora detectada sua liderança por Teru, que provocou um leve sorriso de olhos do Sr. Nakamura, que percebera ser Mestre Terumitsu mais que um simples professor graduado de Judô. 

Após o rápido jantar de boas vindas, enquanto os demais membros do grupo trocavam informações, sobre a programação dos próximos dias, Teru se acercara ao grande pano de vidro do piso ao teto, de onde descortinava a visão belíssima de Tokyo a noite, quando sentiu uma presença se acercando a suas costas. Num movimento nem rápido nem lento, o necessário para o chegado notar que era esperado, se virou:

Mestre Terumitsu, o senhor tem um senso de percepção e análise das pessoas notável, e me parece muito jovem para seu 7° dan, pois todos que atingem este nível já estão com mais de 45 a 50 anos.

Obrigado pelo elogio Sr. Nakamura, por vezes aprendemos técnicas que se incorporam de tal forma a nossa personalidade e maneira de ser, que mesmo não queiramos estamos em constante treinamento. Quanto a minha idade sei que não a conheço bem, são tempos que passam muito rápido e outros que demoram a ocorrer, que me confundem, estes tempos de idade física não se enquadram em meu modo de pensar sobre a idade fruto da experiência. 

O Sr. Nakamura soltara uma gostosa risada bem ao tipo Shogum, gutural, o que de imediato chamou a atenção de todos, o que Teru lia nos olhos de seu interlocutor o fizera propositadamente, entretanto percebeu o Sr. Nakamura ter apreciado em muito sua resposta, sentindo o faiscar típico em seus olhos que seriam mais do que simplesmente bons amigos, o que pensou ser bem estranho, pois nada tinha haver com arte ou negócios. 

Mestre Terumitsu é um japonês extraordinário, Mrs. Bárbara, e agora compreendo perfeitamente o que me relatava com referência ao melhor amigo de Kuramoto san, acabamos de receber dois Hipons, um por querer ser muito esperto e outro por ser muito fútil!!! 

A sua maneira, o Sr, Nakamura, havia admitido suas falhas, e Teru, com seu discreto, frio e seco sorriso, notado por Kuramoto e Bárbara mostrara estar o amigo satisfeito,o que valeu o comentário dela a seu artista: 

..Kura san, nosso amigo Teru, gostou muito do Sr. Nakamura, pois normalmente nem responderia, e o nosso anfitrião também gostou muito de nosso amigo, pelo que conheço das pessoas se iniciou nesta sala uma grande amizade!!!

..Bem,Bárbara isto é ótimo para nós, o apoio destes dois juntos, quem não gostaria de tê-los??? 

Kuramoto entretanto perceberam as sutilezas das palavras de Bárbara uma ligeira preocupação, todavia se manteve calado, daria tempo ao desenrolar dos acontecimentos, pois sabia que nada para ele poderia vir a mudar seu conceito e promessa feita a ela, quando se conheceram, porém sabia que Bárbara, negociante e astuta estava era preocupada com outro negociante e astuto e principalmente sendo ele japonês. 

Após mais alguns minutos de conversa sem fundamento, meramente social, o Sr. Nakamura desejando boa noite a todos se retirou com seus assistentes, enquanto dois camareiros, polidamente mostravam aos hospedes seus aposentos. 

Os quartos eram muito amplos em contrario ao típico japonês, onde todos os espaços são minuciosamente estudados e usados, principalmente em Tokyo, além do imenso aposento ainda havia todo o necessário para seus hospedes se sentirem a vontade. 

Diferenciados da sala, os quartos eram decorados tipicamente ao estilo japonês, os alcochoados diretamente sobre os impecáveis tatames, e a seus pés, o Yukata de dormir, em seda pura, em tons azul marinho, impecavelmente dobrado e deixando em destaque o ideograma ricamente bordado em dourado, do Grupo Nakamura Ásia. 

Kuramoto e Bárbara, desejaram boa noite a Teru, que ficara ainda boa parte da noite admirando de seus aposentos a cidade de Tokyo, com seu movimento, como se não parasse para dormir. 

Eram já duas horas da manhã, inacreditável, pensara!!! 

Tokyo, é incrivelmente confusa, aparentemente, lembra em muito a cultura japonesa, depois que se conhece tudo fica muito claro, porém a primeira visão se torna muito difícil perceber. A mistura do moderno com o antigo, as tradições a cada esquina disputando seu espaços com o moderno e atual, num harmonioso e complicado jogo. O Palácio Imperial, com seus belos jardins com vários séculos, desde que Edo se tornara a sede do Shogunato, histórias fantásticas, a trilha de Hokaido, de Kyoto a antiga capital até Edo, e nos dias atuais, tinha Ginza, o moderno, Chiba, Minatoku, Koen, tudo era um atrativo fantástico. 

Entretanto perdido em suas lembranças de histórias e o atual percebera que era tempo de refazer suas energias, pois o dia seguinte seria outro de conhecer coisas incríveis e carregadas de boas surpresas. 

Com sua pérola negra passeando suavemente entre seus dedos do polegar ao menor, nas idas e vindas entrou em profundo relaxamento mental e sempre, como de seu costume, alerta físico, na sua primeira noite de Japão não mudara seus hábitos pelo contrário captava ainda mais os fluidos deste notável pais de seus ancestrais. 

Pela manhã ao acordarem para o desjejum, Bárbara e Kuramoto, já encontraram Teru pronto e arrumado a maneira japonesa, com uma belo Yukata, tendo a parte inferior em seda negra e a superior num marrom também em seda, muito elegante, o que valeu um comentário alegre de seu amigo artista:

Teru, assim as jovens japonesas não irão resistir!!! 

Teru dera seu discreto sorriso enigmático para muitos, porém Kura san sabia ter seu bom amigo apreciado aquele comentário. 

E Bárbara pensara:  

Interessante, nunca vi Teru acompanhado, sempre sozinho e reservado em seu mundo interior, que deve ser gigantesco. Ele já deve ter uns 35 a 40 anos, aparenta até menos que isto, uma bela imagem masculina, elegante, muito discreto e polido, capaz de fazer qualquer mulher muito feliz. 

Teru percebera em que Bárbara pensava e analisava este aspecto, que nunca havia encontrado uma pessoa que pudesse completá-lo... 

Nestes próximos dias os amigos estariam juntos, depois como ficara acertado, após a exposição, Teru iría conhecer seus parentes em Kyoto e Hakone, visitar a Kodo Kan, e pesquisar sobre os equipamentos modernos de navegação.

Kyoto Tower

A exposição fora um sucesso completo, tendo como abre alas a homenagem prestada pela Câmara de Comercio do Japão. A alta sociedade, os mais destacados empresários, todos estiveram presentes. Kuramoto ganhara status de herói, tendo retornado ao Japão com vencedor. 

O Sr. Nakamura exultante, pois recebera a informação que o artista iría apresentar 30 peças inéditas, sobre o Japão para a exposição programada para o Hawaii, dai há duas semanas. 

Tudo ia ocorrendo como o planejado e desejado, e Bárbara muito satisfeita com o sucesso de Kuramoto em seu pais de origem. 

Num destes dias de pós exposição, dos últimos que os amigos estariam juntos, antes de Teru viajar para o interior, enquanto Bárbara e o Sr. Nakamura tratavam dos aspectos financeiros, resolveram com o apoio do Sr. Tanaka darem uma olhada nas vitrines de Ginza. Numa destas vitrines de uma belíssima, luxuosa e moderna joalheria, Teru vira algumas pérolas negras, consideradas de grande porte e não chegavam a 1/10 da pérola negra e seus custos variavam entre 15 a 20 mil dólares, em função de sua textura, coloração e procedência.

Teru estimou por baixo que, o custo de seu talismã estar bem acima de 500 mil dólares!!! Acertara em cheio pois fora por quanto o Billy Gordo há muitos anos atrás havia adquirido a grande pérola negra. 

Vira também os eletrônicos, que necessitaria para equipar o PÉROLA NEGRA. E, anotara tudo com o auxilio do Sr. Tanaka,para quando chegasse a América providenciar a importação. 

Distraidamente Kuramoto conversara com Tanaka, para tudo que Mestre Terumitsu anotasse fosse passado para ele sem o conhecimento do amigo. 

Teru estava radiante : 

Kura san, já tenho todos os dados e especificações para equipar o PÉROLA NEGRA com o que há de mais moderno em termos de equipamentos eletrônicos!!! 

Ótimo, Teru san, assim logo estaremos velejando!!! 

O amigo sempre com seu sorriso enigmático, acrescentava: 

É bem possível Kura san, bem possível!!! 

E chegara o tempo de cada qual partir para suas atividades pessoais. Kuramoto iría trabalhar para preparar as obras com vistas a exposição no Hawaii. Seu método era muito sutil, escolhia os temas, flores, jardins, paisagens, montanhas, florestas, templos, etc, depois tirava fotos ampliava-as e trabalhava no seu atelier provisório, que fizera no apartamento do Sr. Nakamura. Já não era mais possível trabalhar no local, como artista famoso, era impossível fazê-lo sem ser interrompido constantemente. 

Através da projeção de slides, ou fotos ampliadas por ele mesmo feitas, escolhendo os melhores ângulos das imagens, com sua visão de artista, trabalhava descansadamente bem mais a vontade, o que aumentava em muito a sua produção. 

Todavia em locais mais afastados, se deliciava, fazendo suas aquarelas ar livre, quando sentia toda a plenitude e o prazer de sua arte, não só inserido no aspecto comercial e financeiro do que seus quadros representavam. 

Inicialmente Teru fora visitar a Kodo Kan, sendo recebido com muita atenção, respeito e amizade. Levava as belas aquarelas de Kuramoto, que todos estavam ansiosos para conhecer, face a divulgação que haviam feito sobre elas a imprensa local. 

Vira o Dojo que a todos os visitantes impressiona, onde cerca de 2500 faixas pretas de diferentes dan, treinavam, supervisionados por senseis.

 Kodo Kan

Conhecera as salas reservadas onde os senseis eram analisados e a evolução de suas técnicas. Fora levado a uma sala onde vira uma antiga e amarelada fotografia de seu pai Sensei Myamoto quando se sagrara campeão japonês de Judô e depois recebendo a faixa de 6° dan. 

Numa sala reservada e mais ampla fora convidado a treinar fazer um ‘Handori” com alguns senseis, e sua técnica era indiscutivelmente muito superior, altamente qualificada. Sensei Terumitsu, tinha a rara faculdade de treinar de olhos fechados e saber desta maneira as intenções de seu oponente por simples movimento. Se olhando nos olhos de seu oponente a coisa se tornava mais simples ainda e todos perceberam que suas técnicas eram muito e intimamente ligadas a mãe natureza, um aspecto do Judô em seu início que aos poucos fora sendo não muito praticado. Tinha a maleabilidade do vento e sua força, o balancear do mar em diversas direções, o projetar do sol sempre adentrando com firmeza onde e como sua luz chegasse, tudo complementado com harmônicas e precisas técnicas de projeção. O seu jogo de chão, onde o objetivo era neutralizar ou dar final ao oponente, através de chaves, estrangulamentos e imobilizações, oriundo das antigas forma de jiu-jitsu, tinha uma destreza nunca antes vista. 

Fora por diversas vezes testado em formas simples de ataque e defesa e desconcertara seus oponentes pela sensibilidade de conhecer antecipadamente de onde viriam estes ataques. 

Após todas estas avaliações, recebia com orgulho e honra, o 8°dan na sua faixa preta, o mais jovem da história de todo o Judô, e levava para Mestre Myamoto, seu Sensei e pai, o certificado de o 9° dan, pela primeira vez concedido a um Sensei ausente do Japão. 

Fora muito admirado na Kodo Kan, por sua maneira seria e postura impecável, e mais que tudo, por ter se tornado o maior difusor do Judô na América, eliminando em muito aquela forma antipática e grosseira do povo americano olhar o japonês, este era o maior aspecto que todos admiravam nele. 

Fora visitar seus parentes, inicialmente a ala paterna em Kyoto, os Sekito, onde conhecera seus tios, primos e via as fotos e ouvia as histórias de seus antepassados e todos se dirigiam a ele da forma carinhosa de “ Tsubaki chi juro”(camélia de 40 anos).  

Em Kyoto conhecera seus belos jardins e palácios, o Templo Dourado, o Palácio Nijo, com sua tábuas de piso que emitiam sons, ao nelas se andar, um sistema de detectar intrusos no palácio. Vivia pessoalmente a história do Japão, que tanto lera nos livros.

Pálacio Nijo

Em Hakone fora conhecer o lado materno da família. Hakone era já montanha e seus parentes mais ligados a natureza. Via o Monte Fuji, marca maior do Japão, que desde muito, menino,aprendera a admirar e agora o via imponente observador de milhares de anos e histórias do Império do Sol Nascente!!!

Monte Fuji

Seus tios e primos, já diferentes em maneira de tratar, como sua mãe mais carinhosos e menos duros que seu pai. Conheceu a história de como seu pai conheceu sua mãe, fatos de seus parentes na guerra. 

Enfim conhecia a história de suas origens!!! 

Tudo aquilo o deixara maravilhado, e começara a entender muito mais do Japão e sua cultura do que havia lido nos livros ou escutado de seus pais. Se tornara um admirador do pais, de seus ancestrais, e pode notar que inegavelmente estava assegurado um lugar de destaque a este grande país no cenário das nações desenvolvidas. 

Em Tokyo, Kuramoto solicitara ao Sr. Tanaka cópia de todos os prospectos que Teru havia selecionando quanto aos equipamentos eletrônicos, e pediu que providenciasse de imediato suas aquisições, com todas as taxas de importações, para América, previamente pagas de tal sorte que fosse tudo colocado na residência de Mestre Terumitsu, e com a observação de que ele não poderia ter o mínimo conhecimento deste fato. 

Afora este detalhe, Kuramoto assessorado por um elemento do Grupo Nakamura, expert em náutica, ainda havia adquirido outros equipamentos complementares, de segurança, apoio, salvatagem, cozinha etc... além de todos os utensílios de mesa, cama e banho, enfim iría equipar o veleiro Pérola Negra com tudo basicamente japonês, para seu amigo Teru. 

E o tempo de estada no Japão chegara a seu termino, como sempre acontece, rapidamente, quando se faz o que se gosta. Era chegada a hora da partida rumo ao Hawaii, onde ficariam uma semana... o que muito agradava a Teru e sua Pérola Negra, pois estariam conhecendo o portal da Polinésia.