|
Teru e
Kuramoto, chegaram ao final do Curso de Arquitetura, e o Mestre
conhecera e fizera uma boa amizade com um estudante de engenharia que se
tornara seu aluno, que possuía um belo veleiro, e aos fins de semana
saiam para velejar pela baia de San Diego onde estavam construindo uma
gigantesca ponte que ligaria o continente a ilha de Coronado, onde
existia uma base da Marinha americana.
Teru
começou a se apaixonar por veleiros, havia encontrado no velejar,
harmonia, disciplina, método, enfim tudo muito semelhante ao Judô. A
calma e a tranqüilidade que desfrutava ao velejar o elevavam a meditar e
ter o descanso necessário para se recompor dos desgastes ocorridos
durante a semana.
Kuramoto
estava sempre acompanhado de Bárbara, tinha ido a Nova York com ela, e
fora muito dificultoso para ele concluir o curso, só o conseguindo face
aos auxílios emprestados por Teru. Como a amiga prometera a ele, já
estava se tornando muito famoso. Seus trabalhos aumentando de valor e
sendo vendidos rapidamente.
Começara a
construção de uma belíssima residência nas montanhas de La Jolla,
totalmente em estilo japonês, onde incluíra no projeto seu próprio
atelier. Já quase não sobrava mais tempo para se dedicar ao Judô e estar
com seu amigo Teru.
A casa de
Teru e a academia ficaram prontas e se tornaram um marco na Garnet
Street. Uma belíssima construção e uma academia notável, com todos os
requisitos necessários, alem de detalhes muito bem sugeridos pelo casal
Myamoto.
Boa sala
de espera, uma ampla e funcional secretaria, vestiários e toaletes
perfeitos em seu detalhes. Um belo jardim japonês interno dividindo os
ambientes, uma sala de aparelhos completa e um grande tatame sendo
ladeado por salas menores para aulas mais reservadas, ao final uma
pequena lanchonete onde serviam sucos de frutas e alguns pratos
japoneses, notadamente sushis e sushimis. No final antes de chegarem a
residência da família uma bem montada lavanderia.
Teru, o
senhor Myamoto e mais 3 primeiros de seus alunos, eram os mestres e
Mestre Terumitsu, havia recebido da Kodo kan em Tokyo, seu 7° dan, em
reconhecimento pela correta difusão do Judô na América, e o número de 25
faixas pretas que já havia formado, inclusive dois já 3° dan, analisados
no próprio Japão, onde os mestres locais ficaram surpreendidos pela
técnica perfeita assimilada.
A Policia
de San Diego, com seus treinos regulares, e o Chefe plenamente
satisfeito com os resultados obtidos por seus policiais. Os prognósticos
se confirmaram na prática, e os oficiais de policia se tornaram mais
calmos, menos agressivos e se tornavam cada vez mais admirados e
respeitados pela população da cidade.
Teru
resolvera fazer um curso de especialização em Arquitetura Naval, o mar e
a vela se tornaram uma grande razão para tal, já nutrindo o sonho de
fazer uma viagem a vela até a Polinésia.
A grande
pérola negra sempre o ajudando e plantando a semente para um dia
retornar a Rikitea, com seu amigo.
Teru
agora, já com 36 anos, Arquiteto Naval, trabalhava num grande e famoso
estaleiro em Point Loma, projetando e fazendo os reparos nos grandes
navios da Marinha Americana.
Kuramoto
se tornara um artista famoso, suas obras eram expostas nas principais
galerias de todo o mundo, quase não permanecia em sua bela e luxuosa
residência em La Jolla. Sempre aparecia muito nas revistas e jornais,
ladeado constantemente por sua especial amiga Bárbara.
Teru sabia
haver neste relacionamento algo mais que simples negócios e amizade, e
sempre que recebia os cartões de seu amigo, havia constantes referências
a pérola negra que chamava de “Nosso Talismã”!!!
A academia
prosperava cada vez mais e agora diversos oficiais da base naval de San
Diego, descobriam o Judô, e Teru, Mestre Myamoto e seu professores
auxiliares eram muito admirados em San Diego.
Fora nesta
época que Teru conhecera em San Diego um estaleiro recém inaugurado que
construía veleiros belíssimos, onde conseguira comprar o projeto para um
veleiro de 47 pés.
Durante a
semana trabalho duro no estaleiro e academia, e aos finais de semana
iniciando a construção de seu próprio veleiro, que em homenagem a sua
grande amiga e protetora viria a se chamar de PÉROLA NEGRA!!!
A sua
grande amiga e talismã, ajudava a Teru o desenvolver da construção do
veleiro que viria a ter seu nome, e que a cada dia vinha tomando mais
forma. Por vezes alguns carpinteiros viam do famoso estaleiro, e
conversavam com Teru, esclarecendo alguns detalhes na construção.
A cidade
de San Diego crescera e sua criminalidade descia a índices muito
baixos, se tornando cidade modelo da costa oeste, em especial da
Califórnia.
E todos os
Departamentos de Policia do Estado, acorriam a San Diego para conhecer
as técnicas implantadas através da academia de Mestre Teru.
O PÉROLA
NEGRA, estava em adiantado estágio de sua construção e em breve estaria
pronto. Teru estudava agora navegação, e tomava conhecimento dos mais
modernos equipamentos lançados no mercado.
As noites
quando recolhido em seu quarto, conversava com a pérola negra, sobre a
Polinésia, que ia lhe contando sobre as fazendas de pérolas negras e
como era seu processo de criação. Ele se encantara e mais livros
adquiria sobre a Polinésia, sua descoberta, exploração, colonização e se
tornava um expert neste paraíso do Oceano Pacífico.
Kuramoto
tinha agora programada uma grande exposição de suas aquarelas no Japão e
escrevia ao amigo, dizendo fazer questão que ele estivesse presente.
Teru, procurava dar uma desculpa, alegando o trabalho na academia, no
estaleiro e o término do PÉROLA NEGRA.
Sem que
Teru tivesse conhecimento, Kuramoto acertara com mestre Myamoto e a
senhora Hideo e enviara a passagem aérea, reservas de hotel e tudo mais.
Cerejeira
O evento
ocorreria no início da primavera quando as cerejeiras começam a florir.
Uma noite
quando do término das aulas na academia, sensei Myamoto e mama Hideo,
chamaram ao escritório Teru, que notara ser a conversa desta vez algo
diferente.
E o sensei
colocou de forma direta como era de seu jeito, sem rodeios.
─
Terumitsu, aqui está a sua passagem para o Japão, para assistir a
exposição de Kura san!!!
─
Já
tomei todas as providencias aqui na academia, e você só terá que acertar
seus termos no estaleiro.
─
Irá
conhecer sua família, seus tios e parentes, irá a Kodo kan, que já o
estão aguardando. Ao todo serão três semanas de Japão e no retorno
Kuramoto reservou uma semana em Waikiki, no Hawai, para estar com você.
─
Kuramoto o estará aguardando daqui a cinco dias, neste horário, marcado
na passagem, no aeroporto de Los Angeles, pois viajarão juntos para o
Japão.
Desta vez
Teru não tinha escapatória, e como era de seu feitio, não emitiu
qualquer reação aquela trama montada por seus pais e amigo. No fundo até
viu uma boa oportunidade de conhecer no Japão, seus familiares e a terra
que sempre ouvira muitas histórias, que fora o berço de seu pai e sua
mãe.
Sentia
neste pensar um enorme orgulho, ainda que fosse cidadão americano.
As cartas
de apresentação de seu filho Teru já estavam prontas pelo sensei Myamoto,
e as recomendações de Mama Hideo davam a impressão de que Teru era um
pequeno menino.
Conseguira
no estaleiro um mês de licença, sem nenhum problema e quanto ao PÉROLA
NEGRA acertara com carpinteiros do famoso estaleiro de veleiros uma
série de detalhes de tal sorte que não sofreria qualquer paralisação o
término de sua construção.
No dia
aprazado, Teru partira para L.A., e resolvera ir direto para o aeroporto
e lá estaria aguardando o amigo, que já faziam alguns meses não se viam.
Fizera o
Chek-in, tudo com a antecedência como era de sua característica, porém
ainda não havia visto Kuramoto.
Aeroporto de Los Angeles
Algum
tempo passou, cerca de uma hora, quando um funcionário da JAL (Japan
Air Lines), o chamou pelos auto falantes:
─
Mestre Terumitsu, favor se apresentar ao balcão da companhia!!!
Ao se
acercar do balcão já o aguardava outro funcionário que o convidara a
acompanhá-lo até a sala VIP do aeroporto. A funcionária que fizera seu Chek-in, estava em apuros com seu superior, pois não havia recebida nenhuma orientação que deveria encaminhar Mestre Terumitsu a Sala VIP.
Teru intimamente se divertia com aquele fato, que tão simples ainda
deixavam as pessoas descontroladas.
Esclarecimento feitos, desculpas apresentadas, Teru achando aquilo sem
nenhuma objetividade e acompanhava o solicito funcionário a Sala VIP,
quando de repente ouviu aquela conhecida voz:
─
Teru san!!!
─
Teru san!!!
Lá estava
correndo a seu encontro o amigo Kuramoto, cercado de flashs e luzes!!!
─
Kura san que bom te ver!!!
─
Como você esta bem Teru san, o mesmo rapaz do College!!!
─
Já
estava preocupado, pois Sensei Myamoto nos infamara que você já devia
estar há algum tempo no aeroporto, e ninguém o encontrava, e havia
determinado que assim que fizesse seu Chek-in, fosse trazido até onde me
encontrasse.
─
Agora me de seu cartão de embarque, pois providenciei nossos locais
juntos, temos muito que conversar e colocar nossas saudades em dia!!!
─ Sim
Kura san, e onde está Bárbara???
─ Bem
você a conhece, primeira exposição no Japão, ela já está lá há uns 30
dias, providenciando tudo a sua maneira.
─ A
parada no retorno de uma semana no Hawai, foi coisa dela, para agradar
um japonês que lá vive e se trata do maior negociador de artes para o
Japão e América, e quer nos recepcionar no Hawaii, fazia questão, etc.
E, cá entre nos, uma semana no Hawai, não faz mal a ninguém, mormente
que Bárbara uniu o útil ao agradável e promovera uma exposição lá
também.
─
Ótimo Kura san, confesso que de início estava meio arredio a idéia de
viajar, porém agora juntos estou até me sentindo bem animado.
─
Sim, Teru san, e como vai nosso Talismã, realmente é algo incrível o que
vem acontecendo comigo e tenho certeza absoluta, tudo tem a ver com
nossa amiga???
─
E
verdade Kura san... ele sempre tem nos dado o melhor dos auxílios e
devemos muito de tudo que nos aconteceu a seu extraordinário poder.
─
Sim
Teru, já ia me esquecendo, em nossa exposição no Japão, há 8 aquarelas
que não estarão a venda, são técnicas de Judô, onde você é o Tori e
sensei Myamoto o Uke, e ainda há uma bem grande de Mestre Gigoro Kano,
uma oferta especial à Kodo Kan, e gostaria que você fosse o portador,
pois sei que estará lá alguns dias segundo me informou sensei Myamoto.
─
É
verdade amigo, iremos conhecer nosso templo e muito oportuna sua oferta
de um 2° Dan famoso no Japão e no mundo!!!
O vôo da
JAL era anunciado e os bons amigos, os primeiros a embarcarem, com
destino ao Japão, o país de suas origens. Um voltando como artista
famosos e vencedor, o outro o maior difusor do Judô na América, iría
conhecer a terra de seus ancestrais de suas origens. A excitação era
enorme nos dois amigos, que como sempre, não aparentavam aquele estado
de espírito.
|