Aos
finais de semana, sempre que possível, Teru ia visitar seus pais em
Newport, e desta feita, levou Kuramoto, que adorou os bonsai do
Senhor Myamoto e os Ikebanas da Mama Hideo, fazendo inúmeras e
belíssimas aquarelas.
E a
grande pérola negra resolvera dar um auxilio ao amigo de Teru.
Ikebana
Fora
visitar os bonsais e ikebanas da família Sekito, um grande comerciante
de quadros e artes da Califórnia e vendo as aquarelas impecáveis de
Kuramoto, arrematou todas de imediato, se interessando profundamente
pelo jovem artista japonês, comentando:
─
Interessante é que quando chegamos a Newport, alguma coisa me dizia
que deveríamos vir conhecer as belas peças da família Sekito, e mais
que isto acabamos descobrindo um talentoso e extraordinário artista,
muito estranho fato!!!
A grande
pérola negra em seu saquinho, segredara alguma coisa a Teru, que
passara a entender todo aquele mistério que o comerciante colocava.
Teru
comentara com seu Pai , o desagradável incidente ocorrido no ginásio
do College, onde o Professor acabara por ser dispensado da escola.
─
Meu filho, os americanos ainda tem muito que aprender, são
materialistas ao extremo, imediatistas, não possuem paciência alguma,
irão aprender só com muito tempo, que não são os donos do mundo, e
isto será muito difícil para eles.
─
Existem muitos cidadãos honrados, honestos e íntegros, porém ainda
existe uma maioria, tipo este professor, e seu aluno, que acabam
prejudicando ao pais.
─
Estes são racistas, violentos, sem escrúpulos, e acabam provocando
reações negativas contra seu pais e sua gente.
O sensei
ficara ainda mais orgulhoso de seu filho quando soube que ele estava
dando aulas de Judô aos colegas de College.
Naquela
época, o Judô era totalmente desconhecido e Teru fora introduzindo a
arte e a filosofia do Judô entre os americanos. Quando chegava a época
dos exames de faixa, convidava seu pai para examinar seus alunos,
fazia competições, e o sensei Myamoto, estava satisfeito com o modo
disciplinar correto, e a postura dos alunos de Teru, que transmitia os
ensinamentos, tal e qual como aprendera.
Teru
fora convidado pela direção do College para ser o professor daquele
novo esporte, mudara o comportamento agressivo dos anteriores da luta
greco-romana, em contrapartida, não pagava mais o College e
ainda recebera algumas outras vantagens, como morar nos alojamentos
dos professores e privar das utilidades do campus.
Tal fato
em muito beneficiou a sua vida, podendo com os recursos economizados
adquirir mais livros, ter seu próprio automóvel e as coisas iam se
tornando mais fáceis para ele.
Os
tempos de College chegavam a seu final, agora iría definitivamente
ingressar na universidade, para se graduar arquiteto. Se formara no
College com distinção, e seu bom amigo Kuramoto da mesma forma. Agora
já não mais o rapaz franzino e magricela, o Judô o havia transformado,
havia ganho corpo estava forte já era 2° dan e assistente de Teru.
Kuramoto,
começava a fazer sucesso com sua arte, suas aquarelas se tornaram
muito conhecidas e procuradas, a fase das lojas de moldura mudaram
desde que conhecera o comerciante de arte na casa da família Sekito.
Alugara
uma bela residência em La Jolla, de frente para o mar num local
chamado “Wind’n Sea”, onde na garagem montara a academia para Teru,
que cada vez e mais alunos tinha.
LA JOLLA
Aquela
impressão de japoneses traiçoeiros, e outras invencionices, ia
chegando a seu final, e nascia entre eles e seus alunos um sentimento
forte de amizade e todos notavam ser Teru e Kuramoto, homens honrados,
leais e sérios, e por tanto passaram a ser muito admirados.
Seus
vizinhos em La Jolla, os tratavam bem, e as crianças do bairro
começavam a freqüentar aquela garagem, o que por conseqüência
angariavam bons amigos na vizinhança, que notavam as crianças estarem
mais calmas, obedientes e respeitadoras.
Aquilo
agradara muito a Teru e Kuramoto, e a grande pérola negra, que via os
seu amigos felizes e alegres, contudo Kuramoto ainda não sabia dos
poderes da pérola negra e nem da existência dela.
Por
muitas vezes, perguntara a Teru o que tinha dentro o saquinho, e a
resposta era sempre a mesma , tratar-se de um amuleto de família.
Numa
destas tardes de verão, quando terminara a classe de Judô das
crianças, em frente a garagem pararam 4 carros da Polícia e Kuramoto
ficou logo apreensivo:
─
Pronto Teru lá vem encrenca, estava tudo bom demais!!!
─
Fique calmo Kura san, isto é coisa boa que vem para nós!!!
Dos
carros da Polícia saltaram entre os oficiais, o Chefe da Polícia de
San Diego e o pai de um de seus alunos, seu vizinho, que logo se
adiantou ao grupo.
─
Como vai Mestre Teru, hoje trouxemos nosso Chefe de Polícia e seu
satff para conhecê-lo e conversarmos.
─
Excelente Mister Steeve, nos sentimos honrados com tão ilustres
presenças, sejam bem-vindos a nossa humilde academia, a aula das
crianças já terminou e poderemos fazer uma demonstração das técnicas
do Judô para o Senhor Chefe de Polícia e seus oficiais.
─
Perfeito Mestre Teru , íamos justamente perdi-lhe este favor.
Kuramoto,
fora apanhar cadeiras, providenciar refrescos de frutas para os recém
chegados, enquanto Teru lentamente fora fazendo uma explanação, sobre
o Judô, sua Filosofia, modo de preparar o cidadão para a sociedade,
tornando-o uma pessoa pacata, educada, observadora das leis,
etc.
E junto
com Kuramoto e seus alunos americanos mais graduados, apresentava as
técnicas de Judô, notadamente aquelas que estariam intimamente ligadas
ao exercício da profissão de Policial, defesa pessoal, desarmar o
oponente, neutralizar a sua ação, imobilizá-lo, entre outras.
Técnicas
rápidas, de golpes traumáticos, menções as técnicas de “Hoda Koruzu”...
uma técnica mortal, conhecida no Japão como “a morte de mãos limpas”
que só era desenvolvida para faixas preta acima de 5° Dan.
O Chefe
de Polícia ficara muito bem impressionado, tudo o que imaginara para
sua força passava frente a seus olhos, e vendo universitários
americanos sérios, tranqüilos, aquilo o impressionara e o convencera
definitivamente, que devia implantar o mais rápido possível o Judô em
sua forca Policial.
─
Mestre Terumitsu, foi um grande prazer conhecê-lo e muita sorte para o
departamento de Polícia de San Diego, gostaria se possível de
recebê-lo amanha em meu escritório para conversarmos . O Oficial
Steeve, acertará os detalhes que melhor lhe convierem e se encaixarem
as suas conveniências.
Todos se
retiraram satisfeitos e impressionados com o Judô e sua maneira
educada e respeitosa, além de cortes dos japoneses os receberem.
Kuramoto
estava eufórico, os mais velhos alunos também, e todos cumprimentavam
ao Mestre Teru, que como sempre não demonstrava qualquer reação, só
poderia notar sua reação de satisfação aqueles que tivessem a
faculdade de ler os olhos. Porém, todos sabiam que ele em breve seria
o Professor de Judô da forca Policial da cidade.
O
oficial, pai de Natan, um jovem de seus 12 anos, que era o pimenta do
bairro, após alguns meses de Judô, se modificara totalmente, e seu pai ficara impressionado com aquele fato, e comentara com o chefe, que
tinha problemas de muitas agressões a civis, no seu departamento, os
Policiais estavam se tornando muito violentos.
E Steeve,
comentava com mestre Teru:
─
Mestre Teru, desculpe por ter trazido o Chefe e seus oficiais sem
avisá-lo, achamos melhor desta forma, a fim de que eles vissem que não
havia nada preparado, encenações e cenários produzidos. Queriam ver o
Judô, que meu Natan gostou e está se dedicando.
─
Ainda bem Mister Steeve, quando todos os carros começaram a parar e
sair tantos Policiais, até comentamos com Mestre Teru, lá vem
encrenca!!!
─
Todos riram muito da observação de Kuramoto, e ficara acertada que
pela manhã do dia seguinte, Steeve viria apanhar Mestre Teru para
conversar com o Chefe de Polícia em seu escritório.
Nesta
noite, tendo terminado os treinos e após o jantar especial, que Teru
introduzira e Kuramoto seguia a risca, os alimentos eram diferenciados
em cada fase do dia, balanceados em função dos elementos positivos e
negativos, sempre mantendo o equilíbrio alimento./.corpo,
de tal sorte que a digestão fosse de forma suave e sem cansar o
organismo nesta tarefa, Teru se encontrava em seu quarto e calmamente
conversava com sua pérola negra, passeando com ela entre seus dedos,
como há muitos anos o fazia.
Kuramoto
vendo Teru falar, pensara ser com ele e abrindo a porta do quarto
para responder-lhe deparou com a grande pérola negra entre os dedos de Teru.
─
TERU, ISTO É UMA PEROLA NEGRA, E A MAIOR QUE JÁ VI EM TODA MINHA
VIDA, NUNCA VI NADA IGUAL!!! DEVE VALER UMA FORTUNA!!!
─
Bem Kura san, este é o meu talismã, todavia você conheceu só o aspecto
físico da grande pérola negra, agora irá conhecer a parte que
realmente é notável e inacreditável, que vale mais que qualquer
fortuna do mundo, não tem preço!!!
Foi
quando pela primeira vez a pérola negra mentalizara Kuramoto, a
segunda pessoa que partilhava desta notável e invulgar experiência.
Kuramoto
ficara deslumbrado, sua sensibilidade de artista, ao invés de deixá-lo
assustado, o tornou maravilhado.
─
Posso pegar na grande pérola Teru???
─
Claro Kura san!!!
E posou
suavemente a grande pérola negra na palma da mão direita de seu
amigo.
Kuramoto
sentia uma sensação estranha. Como se uma enorme força se apossasse
dele, uma sensação de calma, e podia ouvir os mínimos sons ainda que
bem distantes, era como se tivesse todos os seus sentidos derrepente
aguçados.
─
Teru é inacreditável, sinto-me uma pessoa totalmente diferente leve e
forte , calma e ágil, meus sentidos nunca foram tão explorados como
agora, e quando ela mentaliza palpita em nossas mãos, como se uma
força de inestimável valor nos fosse transmitida!!!
─
Kura san, estes são os poderes extraordinários que a Grande Pérola
Negra nos oferta, por isto não se deve olhar para ela e pensar em
custos, pois ela está muito acima disto!!!
─
Alem disto, continuava em sua explanação Teru, o grande fator maior de
nossa amiga, é que ela tem o poder de nos ajudar de fazer as coisas
boas acontecerem para nos. Se você teve a sorte de encontrar o
comerciante de arte na casa de meus pais , deve a ela, que o induziu a
nos visitar. Hoje a vinda dos Policiais aqui, ocorreu o mesmo fato, um
processo de indução que aconteceu e teve seu inicio com o menino Natan,
não foi só o Judô que o acalmou, este foi um aspecto de todo o
processo.
Nesta
noite Kuramoto san não dormira ficara ouvindo e conhecendo toda a
história da Grande Pérola Negra, por ela mesma narrada e quando
notara, os primeiros raios de sol já adentravam a seu quarto e a
impressão que tinha era que haviam se passado poucos minutos e não se
sentia cansado ou com a mínima aparência de quem havia passado a noite
em claro.
─
É,
pelo visto os meus amigos não dormiram!!! Observava Teru.
─
E
Kura san agora já deve estar inteirado de toda nossa historia aos seu
mínimos detalhes, e já com certeza teve inúmeras idéias novas para
suas aquarelas!!!
─
Incrível Teru san, como você percebeu, este detalhe!!! Realmente esta
nossa amiga é algo incapaz de se definir, e só tenho que agradecer a
você, e muito, por ter me concedido a honra de privar deste seu
incrível segredo, que me faz compreender agora diversos momentos que
vivemos e que acreditava ter você super poderes, advindos da sua
técnica extraordinária no Judô.
Kura san,
inicialmente, gostaria de colocar a você, que fatalmente iría acabar
conhecendo a pérola negra, porem ela é que determinou o momento e não
este seu amigo. Outro fato, é que o meu crescimento na arte e
filosofia no Judô, teve seu respaldo exatamente nos poderes de nossa
amiga que sempre nos iluminou o caminho para que ele se tornasse cada
vez e mais, suave.
Às
08:30 h, Steeve chegara para apanhar Teru, e partiram rumo a
“downtown” onde se localiza San Diego Police Departament, na D Street.
Saindo
de La Jolla, tomaram a La Jolla Blvd, Pacific Beach, entrando na
Garnet Street depois seguindo para a Haiwey 5, quando chegavam a
downtown. Teru pensara quantas vezes fizera este mesmo caminho para o
College, e reparava como San Diego era uma bela cidade, calma, fácil
de se locomover e admirada por todos quanto a conheceram.
Teru se
encantara por San Diego logo nos primeiros dias e portanto optara por
permanecer nesta pacata cidade onde acabara por ter bons amigos, e
agora seria provavelmente instrutor de Judô da força Policial da
cidade, seu sonho entretanto era um dia poder ver seus pais morando em
San Diego.
No
prédio do Departamento de Polícia, o Chefe , satisfeito, recebia o
Mestre Terumitsu, apresentava aos oficiais e iam visitando todo o
local e suas instalações.
Teru,
ficara preocupado, pois não encontrara nenhum local adequado para
montar definitivamente um Dojo. Seria aquele sistema de sempre armar
os tatames, que ficariam eternamente separando-se na juntas, podendo
gerar acidentes, afora o fato de colocados diretamente sobre o piso,
se tornaria muito duro para prática de quedas.
Quando
terminaram a visita, se dirigiram ao Gabinete do Chefe que começou a
expor a Mestre Terumitsu, sua proposta.
─
Mestre Terumitsu, o senhor já deve ter percebido que nossas
instalações não tem um local adequado para a prática do Judô, assim
nossa proposta para o senhor é a seguinte:
─
Arranje um bom local para montar uma academia completa para o Judô,
com o que há de melhor, faça um levantamento geral dos custos
necessários, o Departamento, construirá tudo, supervisionado pelo
Senhor. O importante é que seja o que há de melhor, pense em tudo e
não se preocupe com os custos.
─
Nossos oficias treinarão diariamente em horários pelo senhor
estabelecidos e quando de sua ausência com seus instrutores. Fora
destes horários a academia é sua que poderá ter suas classes normais,
se algum de nossos oficiais quiser participar extra, será por sua
conta e tratado como aluno normal.
─
No decurso de 5 anos, a academia será integralmente sua sem nenhum
ressarcimento de sua parte a nosso Departamento. Depois que este
contrato tiver seu termino, outro será feito e o Senhor recebendo a
devida remuneração pelas aulas ministradas a força Policial de San
Diego.
Escola de Polícia
Teru
estava exultante, porém de sua forma peculiar não transparecia
qualquer expressão a respeito de sua alegria, era como de costume
aquela montanha fria, a geleira de sempre, frio e sem demonstrar
qualquer reação.
─
Senhor Chefe, será muita honra para este humilde mestre, ensinar o
autêntico Judô aos oficiais da Polícia de San Diego, sua proposta é
muito justa e generosa e a aceitamos honrados!!!
O Chefe
ficou desconcertado, pensara inicialmente que Mestre Terumitsu não
tivesse gostado da proposta e o que mais o causara surpresa é que não
colocara o Mestre Japonês, qualquer número, ou mesmo contraproposta.
Isto o deixou muito confiante em Mestre Terumitsu, e mais que tal,
fizera dele um grande admirador do novo professor da sua força.
─
Mestre Terumitsu, é muito fácil e rápido fazer negócio com o Senhor,
já vimos que estamos tratando com um homem sério, e pode ter absoluta
certeza que tudo que o Senhor necessitar deste Departamento terá.
─
O
oficial Steeve será nosso elemento de ligação, e fará tudo que
necessitar, só pediria que nos desse uma estimativa de tempo para
iniciarmos nossas atividades em conjunto.
─
Senhor Chefe, amanhã entregaremos ao oficial Steeve todos os
elementos, detalhes e pormenores do que necessitamos, e acredito que
no máximo em 3 meses estaremos inaugurando a nova academia.
E
estendendo sua mão para o chefe de Polícia complementou:
─
Neste aperto de mão esta selado nosso contrato, todo o resto serão
meras formalidades burocráticas!!!
Quando o
Chefe apertou a mão de Teru sentiu uma força estranha ser a ele
transmitida e pode notar nos olhos do Mestre Japonês um leve sorriso.
Ele que não tinha o hábito de olhar as pessoas sentiu uma estranha
sensação e colocou rindo para Teru:
─ Mestre Terumitsu, não tenho duvida
alguma, após este aperto de mãos, que o senhor é um homem notável,
diria até extraordinário. E virando-se para o oficial Steeve
complementou.
─
Meu amigo Steeve, já sei perfeitamente o que você está pensando. Nunca
fui de olhar as pessoas, e muito menos de chamá-lo de amigo. Ao
apertar a mão de Mestre Teru, conheci a filosofia do Judô e ai está o
grande segredo desta arte, que com toda certeza fará com nossos
Policiais o que fez com seu chefe!!!
O
oficial Steeve, estava pasmo, como seu chefe sabia o que estava
pensando, e que estranhas palavras proferiu que nunca foi de seu
feitio???
A partir
daquele dia o Chefe de Polícia de San Diego se tornara uma outra
pessoa, passando a ser admirado pelos seus comandados de forma que
nunca antes pensara.
No dia
seguinte Teru, já tinha todo o levantamento do que seria necessário
para montar uma excelente academia, totalmente completa, só faltaria
agora achar um bom terreno para a sua construção.
Acabou
descobrindo um ótimo terreno, justo como havia pensado, muito bem
localizado na esquina da Garnet St. com a Cass St. O oficial Steeve,
tomaria todas as providencias para aquisição e em uma semana poderia
já estar iniciando os trabalhos de sua construção. E Teru sentira
plenamente a participação da grande pérola negra levando avante todo o
sucesso do empreendimento.
Yukata
A
campainha da casa de Kuramoto e Teru, soava de forma estridente, o
que sempre incomodara a seu ocupantes. Kuramoto vestindo um sério mas
belo e elegante “Yukata”, kimono normalmente utilizado para se estar a
vontade em casa, atendia a porta.
Uma
elegante e bela dama, aparentando seu 35 anos, se apresentou:
─
Suponho que seja o Senhor Kuramoto, meu nome é Bárbara Stwart, recebi
seu endereço, através de Mister Adams, negociador de arte em L.A.,
aqui está o seu cartão, podemos conversar, mais a vontade em sua
varanda, pois aqui fora está um pouco quente???
Kuramoto
estava assustado pela beleza da dama, que até se esquecera de obedecer
aos princípios mais básicos da etiqueta japonesa.
─
Muito prazer em conhecê-la Miss Bárbara, tenha a bondade de adentrar a
nossa humilde residência que infelizmente não está a altura de tão
bela dama!!! Dizia isto com a tradicional reverência nipônica.
A
senhora gostara do jeito simples e elegante do artista que já conhecia
suas peças, e ficara muito encantada, com sua maneira fina e polida, o
que caracterizava ser um homem muito educado, não aqueles pintores
extravagantes e cheios de maneiras descabidas e de chamar a atenção
para si próprio, mais até que a sua arte.
A casa
em Wind’n Sea, tinha uma visão privilegiada para o Oceano Pacifico, e
sua decoração era um misto de japonesa com a descontração
californiana, o que encantou muito à visitante, que se deliciava, com
o ambiente, enquanto Kuramoto lia a mensagem de Mr. Adams no verso de
seu cartão de visitas.
|
“Caro Kuramoto, apresento Mrs. Bárbara Stwart, profunda
admiradora e conhecedora de arte, que se apaixonou por
suas aquarelas, adquirindo todas as que possuía. Se tornou
incansável enquanto não tivesse seu adress, não tive outra
opção que não encaminhá-la a você, sabendo com toda
certeza que com tal gesto, estarei perdendo seus belos
trabalhos”
Adams |
|
Kuramoto
sorriu, com o teor da mensagem aposta ao cartão, se lembrando de Mr.
Adams e da pérola negra e iniciou sua conversa com a bela visitante;
─
Miss Bárbara, em que pode ser útil este seu humilde servo???
Bárbara
se encantara com a elegância das palavras do artista, e completou:
─
Kuramoto, deixe de lado estes protocolos, me chame tão somente de
Bárbara, como deve ser o trato entre bons amigos, que com toda certeza
seremos.
─
Tudo bem , Bárbara, mas o que poderei fazer por tão bela dama???
─
Bem, agora ficou muito melhor!!!
Dizia
isto pegando suavemente nas mãos de Kuramoto, que o deixou totalmente
desconcertado.
Aquarela
─
O
fato Kuramoto é que vim aqui para lhe propor ser sua “marchand”,
apreciei em muito suas aquarelas, e acredito que possivelmente bem
trabalhadas, você poderá vir a ser um dos melhores pintores de
aguadas. E gostaria de investir neste seu talento!!!
─
Perfeitamente, só que não há conheço e você só viu algumas aquarelas
minhas!!!
─
Engano seu amigo,
conheço sua vida melhor que você possa imaginar, desde que chegou a
América, até hoje, seu College, seus trabalhos que vendia aos moldureiros em San Diego, o casal Myamoto em Newport que alias foram
muito gentis, me vendendo alguns dos belos bonsais e ikebanas e os que pintou para eles. Enfim, as referencias todas e as peças que
arrematamos totalmente de Mr. Adams. Acabamos fazendo uma troca, ele
me deu seu endereço e arranjei negócios para ele por toda sua vida.
Kuramoto
se encontrava perplexo, só as 25 aquarelas que fizera para os Myamoto
já eram muito, e ela ainda dizia ter adquirido todos os bonsais e
ikebanas deles, deveriam estar bem financeiramente, sua nova amiga
era muito rica.
Tentando
respirar um pouco, chegou até a sala varanda de frente para o mar,
quando notou Teru e Steeve se despedindo e Teru surpreso com aquele
Rolls Royce prateado parado a sua porta.
Ao
chegar a sala Teru, ainda desconfiado, colocou para Kuramoto:
─
Kuramoto san, recebendo visitas importantes!!!
─
Kuramoto rindo, se dirigiu a Bárbara:
─
Bárbara, tenho o prazer de apresentá-la a meu grande amigo Mestre
Terumitsu.
─
Muito honrado senhora!!!
─
Muito prazer Professor, exatamente como o Senhor e Senhora Myamoto o
retrataram!!!
─
A
madame conheceu meus honrados pais??? E a quanto tempo é amiga de
Kuramoto san que nunca me falou a respeito???
─
Bem, Professor, seus pais conheci há cerca de dois dias atrás, quanto
a Kuramoto, para ser-lhe bem franca, nos conhecemos tem uns 20
minutos, bem, ele a mim, pois na verdade já o conheço, acredito, pelos
menos uns 6 meses.
Teru,
notara que Miss Bárbara era inteligente, sagaz, esperta, se fosse
Judoca, no mínimo seria 3° Dan, e encontrara alguém que sabia ler os
olhos, isto o agradara!!!
Foi
quando Bárbara colocou para Teru!!!
─
Também apreciei muito o senhor, Professor!!!
Teru,
que não era muito de seu jeito, com um leve sorriso de canto da boca
balançou a cabeça.
Kuramoto
pela vez primeira via aquele jeito facial de Teru, pois sempre era
aquela montanha de gelo. E se Teru assim o fizera é porque vira em
Bárbara algo muito especial.
Já eram
cerca de 11:30 h e Bárbara fez um convite aos amigos:
─
Bem amigos, a hora do almoço se aproxima, sendo assim, convido-os a
almoçarem comigo, e por favor Kuramoto, não troque nada em seus
trajes, que é como está que gostaria de apresentá-lo aos meus amigos
em San Diego. Professor Teru, não me leve a mal, porém acredito que um
paletó lhe cairia bem, sem necessidade de gravata, óbvio.
Teru
retornava ao living trajando um sério e elegante blazer enquanto Kuramoto conversava animadamente com Bárbara, já mostrando seus
últimos trabalhos, marinhas retratadas em Pacific Beach, La Jolla, e
outras belas imagens de San Diego.
Marinha
─
Ótimo Kuramoto, excelente, já estão todos comprados, depois do almoço
acertamos os negócios, pois não é muito salutar fazê-los antes do
alimento!!! Assim se manifestava Bárbara rindo ligeiramente.
Teru
pensava, é incrível como esta dama guarda sem saber os princípios
básicos do Judô, assuntos sérios, que envolvem pensar, raciocínio e
tensão, devem ser tratados com o organismo preparado e calmo, forte e
não debilitado e nunca a noite que o tempo de relaxar o corpo e a
mente.
Notara
ainda que seu amigo Kuramoto estava fascinado por Bárbara e podia ler
nos olhos dela que a inteligente dama o sabia disto.
Se
prepararam para sair e se dirigiram ao belo automóvel, que os amigos
novos de Miss Bárbara notaram, se tratar de um escritório ambulante,
com um belíssimo bar para seus convidados.
Limusine
Rolls Royce
─
Bem, disse Bárbara, não vou oferecer drinks porque suponho que
esportistas como vocês não devem apreciá-los!!!─
─
Perfeito Bárbara, colocara Kuramoto, nos não temos este habito e
inclusive Mestre Teru, sempre nos chama atenção para este fato de que
o álcool retarda os pensamentos e dificulta a se tomar decisões
sensatas.
─
Muito bem colocado Kuramoto, o Professor está correto, além do mais o
álcool nos envelhece muito mais depressa, o que nos mulheres temos
verdadeira aversão a este pensamento. E virando para o motorista deu a
ordem, Charles, rumo direto ao almoço!!!
Kuramoto
ficara intrigado, Bárbara não dissera, qual seria o restaurante nada a
seu motorista, contudo estava preocupado com seus trajes, ainda que
muito elegante era um Yukata, e na América não gostavam muito de que
os usassem em restaurantes.
Teru
percebendo as duvidas de seu amigo, de imediato se manifestou:
─
Kura san, você é um artista e com Miss Bárbara, ninguém obstará sua
entrada em local nenhum em San Diego, e talvez até neste pais!!!
Bárbara
soltara um boa risada e complementara o dito de Teru:
─
Professor, sua perspicácia é notável, e devo cumprimentá-lo por ler
meu pensamento, quanto as preocupações de nosso artista, claro que
Kura san, como o chama, não deve se preocupar com estas pequenas
coisas.
Ela
agora tinha absoluta certeza que Mestre Teru era exatamente igual a
seu pai, muito quieto, porém uma águia, via e percebia tudo a sua
volta, e quanto a Kuramoto, era realmente um artista!!!
Ao
chegarem ao restaurante um dos mais famosos e conhecidos em La Jolla ,
com uma bela vista para La Jolla Cove, as cavernas marinhas de La
Jolla, centro turístico dos mais conhecidos do local, o porteiro abria
a porta da bela limusine Rolls Royce e cumprimentava Miss Bárbara,
com a intimidade de que se trata de uma assídua freqüentadora da
casa.
─
Boa tarde Miss Bárbara, sua mesa já se encontra reservada e a inteira
disposição para a Senhora e seus ilustres convidados, uma honra para
nosso restaurante recebê-los!!!
─
Obrigado Gregory!!! Fora a resposta da dama.
Ao
adentrarem ao salão de imediato o Maitre se acercara do recém chegado
grupo.
─..Boa
tarde Miss Bárbara, sua mesa como solicitado já está evidentemente
preparada e esperamos esteja a seu agrado e de seus ilustres
visitantes!!!
─..Grato
Nelson, a propósito, estamos acompanhando o extraordinário artista
plástico Mr. Kuramoto e seu amigo Mestre Terumitsu e não gostaríamos
de ser importunados.
─..Uma
grande honra para nos recebermos a senhora e seus convidados e com
toda certeza na haverá nenhuma interrupção em sua mesa.
Discretamente a frente, o maitre conduzia o grupo de Miss Bárbara a
melhor mesa do restaurante, onde dois carros de bandejas e dois
garçons extras já estavam a postos para auxiliarem a servir, o que
Teru notou de imediato não serem garçons e sim seguranças.
Acenos
de mãos discretos, comprimentos com delicados movimentos de cabeças,
mostravam ser Bárbara muito conhecida, admirada e respeitada no
local.
Ao
sentarem-se à mesa, antes que se iniciasse qualquer conversa, Teru
determinara o seu jogo e de forma muito franca e aberta como era de
seu estilo, educadamente ponderou com Bárbara.
─..Miss
Bárbara, sua presença neste restaurante e a forma de nos dizer quem é,
foi muito direta e a respeitamos. Se a senhora treinasse Judô, diria
que estaria muito bem qualificada.
─..Nós
dois somos de origem japonesa, estudantes terminando nosso Curso de
Arquitetura, relativamente jovens, financeiramente estamos muitos e a
vários níveis inferiores a seu patamar, todavia não somos tolos.
─..Assim
gostaria de ser muito sincero com a senhora, inicialmente com o que
possuímos , somos muito felizes, em segundo aspecto, Kuramoto será com
toda certeza em poucos anos um notável e famoso artista, desta forma
se nossa amizade for pautada em bases sinceras, sem interesses a
comandá-la, será com toda certeza um prazer tê-la como nossa aliada,
caso contrario, não ser amizade e simplesmente seremos usados, isto
não será nunca possível!!!
Kuramoto,
ficara calado, percebendo que seu amigo tinha, como sempre, muita
razão, e estava vibrando em assistir aquela luta de idéias com
técnicas diferentes.
─
Caro Mestre Teru, isto faz parte de nossa cultura americana,
ostentação é significado de “status”. Ao conhecer o Senhor e Senhora
Myamoto, ouvimos esta mesma colocação, que a responderemos da mesma
forma que o fizemos anteriormente a seus pais.
─
Algo que não sei posicionar como veio a ocorrer, talvez o sexto
sentido feminino que muitos falam, me direcionou a procurar Kuramoto,
que como bem comentou, será inegavelmente um grande artista, e me
apeguei muito a ele e suas obras, assim resolvi investir pesado em seu
nome, e como valorizar a sua arte. Um negocio que se bem administrado
e de forma certa, será um filão de ouro!!!
─ Quanto ao resto não tenho a mínima
intenção de me aproveitar desta situação, e estou sendo muito sincera
com vocês novos amigos.
Kuramoto
gostara da resposta e Teru também, muito objetiva e notara que Bárbara
dissera a verdade e sabia que seu sexto sentido, chamava-se pérola
negra, que jamais permitiria qualquer ato contra seus amigos.
Bárbara
levantando um copo de suco de frutas propôs um brinde:
─
Um brinde a nossa boa amizade e que seja ela a base sempre maior de
nosso relacionamento, comercial ou não!!!
─
A
nossa amizade, brindaram todos !!!
O almoço
transcorrera num clima de franca amizade e sobretudo simpatia. Bárbara
era envolvente, conversava animadamente, e percebera que kuramoto
tinha muita cultura artística, era um homem fino e educado, e Teru
percebera que a bela dama seria para Kuramoto algo mais que uma simples “marchand”.
Kuramoto
com seus quase 30 anos, era bem apessoado, e percebeu estar sendo
muito admirado por sua “patroness”!!!
Ao
terminar o almoço, ainda sentados admirando a bela paisagem marítima,
olhada por todos, Bárbara comentou:
─
Belo local, um dia será muito famoso, contudo é hora de tratarmos de
nossos negócios.
─
Kuramoto, estou com 15 marinhas suas da área de San Diego, ao custo de
10 mil dólares cada, são 150 mil dólares, que serão daqui a pouco
depositados em sua conta no Bank of América, na agencia da Garnet.
─
Estamos assim acertados???
─
Mas Bárbara, isto é muito por uma aquarela!!!
Engano
seu Kuramoto, daqui há um ano serão vendidas a 20 mil dólares ou mais,
só não gostaria e que quando isto ocorresse você não se lembrasse mais
de mim!!!
─
Fique tranqüila quanto a isto Bárbara, tem minha palavra de honra a
frente de meu melhor amigo Teru, como testemunha, que isto jamais
acontecerá. Dizendo isto numa longa reverência japonesa.
Bárbara
gostara de ouvir aquela afirmativa e sorrindo complementou:
─
Acredito em suas palavras Kuramoto. Pode ter certeza disto!!!
─
Bem, agora tenho que deixá-los, os negócios se movimentam
rapidamente, Charles os levará até a sua casa, e nos encontraremos nos
próximos dias, aqui esta meu cartão com todos os números exclusivos e
diretos, para manterem contato se necessitarem de algo.
Kuramoto
e Teru rapidamente se levantaram e cumprimentaram Bárbara a maneira
tradicional japonesa, que rindo apertou a mão de Kuramoto suavemente
dizendo:
─
Esta maneira de vocês japoneses cumprimentarem me fascina, é algo
muito elegante!!!
─
Adeus bons amigos foi algo formidável, nesta correria em que vivemos,
ter almoçado com tão calmas e simpáticas figuras.
─
Adeus Bárbara, diziam Kuramoto e Teru, muito honrados estamos pelo seu
simpático convite para almoçarmos juntos, esperamos que da próxima vez
o possamos fazer ao estilo japonês!!!
─
Com toda certeza amigos , ficaria imensamente encantada!!!
Aos
saírem do restaurante os amigos comentavam em japonês:
─
Kura san, Miss Bárbara é uma mulher notável e muito especial, qualquer
mínimo detalhe é por ela de imediato percebido, estudado e analisado,
não me surpreende ser sempre vitoriosa em seus negócios!!!
─
é
verdade Teru san, no entanto nós sabemos o nome de seu sexto
sentido!!!
E rindo
se encaminharam para a bela limusine que já se encontrava a
disposição.
Charles,
enquanto dirigia, de retorno a residência de seus passageiros,
amavelmente e recatado, colocara algumas frases aos amigos de Miss
Bárbara. E em chegando a seu destino ao descerem entregou a Kuramoto o
Recibo Bancário.
─
Mr. Kuramoto, aqui está o recibo do deposito efetivado em sua conta no
Bank of América, como solicitou-nos Miss Bárbara.
Ao
agradecerem, os amigos perceberam que alem de motorista Charles fazia
também as vezes de secretario de Bárbara.
E
subindo as escadas para adentrarem a sua casa, comentavam:
─..Hoje
foi um dia cheio em Kuramoto!!
─..É
verdade, e me conte como foi no Departamento de Polícia???
Teru
narrara todos os acontecimentos, o acerto com o Chefe de Polícia, a
descoberta do terreno na Garnet, e todos os detalhes do que estava
planejando .
─
Ótimo Teru, ótimo!!! Enquanto assim exclamava o telefone começou a
tocar.
Teru ao
atender notou ser a voz simpática e conhecida de sua mãe Hideo, como
sempre rápida, demonstrando não ser muito afeta a falar no telefone.
─
Meu Teru, seu pai gostaria de ter uma conversa com você neste fim de
semana, se não for lhe atrapalhar.
─
Pode ficar tranqüila mama san, que sábado pela manha estaremos juntos,
pois também temos uma boas novidades para conversarmos com vocês.
─
Sayonara!!!
─
Sayonara!!!
Meu
amigo Teru enquanto você falava com Mama Hideo, tive uma idéia. De
hoje em diante minhas aquarelas passarão a ter outra assinatura, e
mostrou o esboço de um ideograma japonês onde vinha escrito, PEROLA
NEGRA!!!
Ikebana
─
Notável Kura san, nossa amiga agora se tornou até pintora famosa!!!
─
Sim, Teru san, acabei nem contando uma grande novidade para você, e o
telefonema de sua casa me fez lembrar. Bárbara adquiriu grande parte
dos bonsais e ikebanas de seus pais alem de algumas aquarelas que
tínhamos feito especialmente para eles, quando estivemos lá da ultima
vez.
─
Então está ai a explicação de eles necessitarem de conversar conosco,
pois gostariam de contar esta novidade.
─
E
você Teru san, o que achou de Bárbara, ela é muito bonita e parece
muito jovem???
─
É verdade Kura san, e pelo visto se agradou muito mais de seu artista
de que a sua arte, e tenho para mim que o artista também se agradou
muito dela!!!
Kuramoto
ficou um pouco sem graça, meio encabulado com apreciação do amigo, e
rindo disse:
─
É
verdade, Teru san, trata-se de uma bela dama!!!
─
Hipon!!!
─
Rindo, colocava Teru.
Teru e
Kuramoto, como acertado, ao final de semana foram visitar a seus pais
em Newport, e conversaram demoradamente, ficando resolvido que no
terreno onde se instalaria a academia, construiriam a suas expensas
nos fundos uma casa, onde todos poderiam morar juntos. Concordaram com
a idéia de Teru, que durante a construção eles ficariam morando
provisoriamente na casa em La Jolla, e seu pais poderia auxiliá-los na
construção da academia e nos detalhes japoneses, pois era seu projeto
montar uma academia exatamente igual as japonesas e obedecendo a mesma
arquitetura e seus belíssimos detalhes.