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A GRANDE PÉROLA NEGRA

                                     

 

 

A grande pérola negra havia sido encontrada após mais de 10 anos!!! 

Quando terminara sua tarefa, já ao cair da tarde, em seu quarto cansado da faina do dia o menino colocou a pérola junto com suas bolinhas e vidro, muito coloridas e algumas bem menor que a encontrada o que levou Terumitsu a exclamar: 

Bela bolinha, porém mais leve que as outras, mais ninguém saberá dela, pois realmente é muito bonita!!! 

A diferença entre as bolinhas era gritante o que realmente chamou a atenção de Terumitsu que resolveu ter a bela bolinha preta mais perto de si, como se fora sua bolinha da sorte.

Pela primeira vez alguém tinha a pérola negra com satisfação e não pelo seu valor e isto fez com que algo de extraordinário acontecesse.

Todas as noites após o jantar, o pequeno “Teru”, ia para seu quarto e ficava horas admirando a bela pérola negra sem ter a mínima idéia de seu valor e dedicava a ela uma afeição especial. 

Esta bolinha realmente é bem mais leve que as outras,entretanto quando a pego entre os dedos sinto que fico mais calmo e bem mais forte, pensava Terumitsu. 

E assim nesta noite o grande Tiki, guardião da Polinésia e suas coisas foi ter com a grande pérola negra. 

“Hoje se cumpriu parte do escrito de seu destino grande pérola. Sua mãe não perdeu sua vida para que seu produto fosse tão simplesmente objeto de comercio. Você terá poderes especiais e será não vista por seu valor material porém por suas qualidades mágicas que para os humanos não serão entendidas, achou uma pessoa que gostou de você de forma autentica e este será seu destino, ter seu amigo e dele cuidar até que retorne a Rikitea.” 

A partir daquele momento ganhara vida podia escutar e falar com coisas e pessoas, se quisesse, parte da sabedoria do grande TIKI e seu poderes haviam sidos repassados a pérola, algo notável acontecera.

O Grande TIKI

Comecei a me aperfeiçoar muito ao pequeno Terumitsu, que todas as noites conversava longamente comigo, só que não falava com ele, seria um processo muito lento para que se acostumasse comigo. 

Todavia o pequeno Teru era muito perseguido por outros meninos na escola, que não gostavam dele, o chamavam de traiçoeiro, e coisas que ele não entendia. Havia nascido na América, não sabia nada sobre a guerra, e seu pai e mãe nunca haviam tocado ou conversado sobre este assunto. 

Teru sempre chegava da escola muito machucado, e quando falava comigo, dizia já estar cansado de levar murros, não tinha amigos e sempre sendo ridicularizado e machucado. 

Conversava sempre com sua mãe, Hideo, sobre este assunto, que se sentia muito triste em ver seu menino chegar sempre machucado da escola. 

Numa noite, quando sozinha com seu marido comentou:

Meu marido, você foi professor de Judô no Japão, famoso campeão quando jovem, antes de virmos para a América, recebeu as melhores honrarias que um professor de Judô pode ter em nosso pais, e nosso pequeno Teru tem sido muito castigado pelos outros meninos americanos, acho que é tempo de você ensiná-lo a se defender, a conhecer a arte do Caminho Suave!!! 

O Senhor Myamoto Sekito, calma e pausadamente como sempre fora seu estilo respondeu a esposa: 

Minha flor Hideo, faça um Judogui (kimono de praticar Judô) para nosso Terumitsu, que chegou o tempo de ensinar-lhe o Judô, como meu honrado pai o fez comigo. 

Terumitsu, com 10 anos, iniciou suas aulas com seu pai e Sensei (professor), que com austeridade e perfeição ia transmitindo a seu filho, as técnicas do Judô e sua defesa pessoal. 

Este era o grande momento do dia de Teru, quando ao cair da tarde, seu pai conversava com ele, transmitindo os conceitos básicos e filosóficos do Judô, faziam a severa ginástica e depois iniciavam os treinamentos das técnicas de arte.

QUARTO DE JUDÔ DA FAMÍLIA SEKITO 

Depois do banho, o jantar e o dormir, o meu momento quando me contava tudo sobre a aula, o que aprendera, a técnica que mais gostara, e que seu sensei sempre calado não dizia nada sobre sua evolução, que ele já sentira.

Não raro, nestas conversas monólogos, Teru adormecia tendo-me em suas mãos. 

É minha bolinha negra, já fazem 3 anos que pratico Judô, e não sei o grau de minha evolução, há no Judô um sistemas de graduação de faixas, que tem cores e toda vez que pergunto a meu pai qual a cor de minha faixa ele responde.

Se preocupe mais com os ensinamentos e não com a cor de sua faixa, quando tiver de receber uma faixa, você meu filho Terumitsu Sekito, receberá a preta!!! 

Teru, ficava horas falando comigo que fazia de tudo para responder-lhe, mas sabia que ainda não havia chegado a hora nem o momento certo.

E o tempo foi passando e Teru crescendo. 

Numa fresca tarde de outono, Teru chegara acompanhado de policiais, que queriam conversar com o Senhor Myamoto.

Mister Myamoto, seu filho na escola, quebrou o braço de outro rapaz, e fomos chamados. Percebemos que seu filho agiu em legitima defesa, porém para sua segurança, resolvemos acompanhá-lo até sua residência para evitar represálias. Achamos que o senhor deveria acompanhá-lo amanhã a escola para conversar com a direção. 

O Senhor Myamoto agradeceu a atenção dos policiais, que se retiraram enquanto para Teru dizia que iría conversar a respeito do assunto na hora da aula de Judô. 

Ao horário da aula, fizeram a ginástica, e seu pai fora mais severo naquela tarde, derrubando-o várias vezes com técnicas diferentes das usuais praticadas e como sempre o fez se manteve calado. 

Ao terminar os treinos, sentaram-se na tradicional forma japonesa, e o professor falou ao aluno:

Agora conte-me o ocorrido na escola!!!

Meu sensei, estava no intervalo das aulas, tomando meu refrigerante, sozinho como sempre faço, quando chegaram 4 rapazes mais velhos e começaram a mexer comigo. Me jogavam coisas. Como sempre faço nestes casos, me retiro para um local longe, no campo, debaixo de alguma arvores. Os rapazes me seguiram e pegaram meus livros jogando-os para o alto, um outro tentou me dar um tapa me insultando, e dizendo toda aquelas coisas que falam dos japoneses. 

O maior deles me segurou por traz para os outros me atacarem e tive que me defender. Projetei com um Hippon seoi (técnica de projeção clássica do Judô) o que me segurava, que ao cair no chão o fez sobre o braço, e começou a gritar que o havia matado, que estava morrendo, etc.

Os outros queriam me atacar, porém estavam com receio, e um deles apanhou um taco de basebol e partiu para cima de mim. Novamente me defendendo, tirei o taco de suas mãos, e então não chegaram mais perto de mim, porém estavam com muita raiva e me insultavam continuadamente, foi quando então chegaram os policiais, e pegando minhas coisa espalhadas, me trouxeram para casa.

Meu filho Teru, você agiu bem, correto, o Judô não é uma arma, antes de mais nada é uma arte e suas técnicas de defesa são justo para estes casos extremos. Todavia, evite sempre usá-las, porém é tempo de você achar seu próprio caminho, ande de cabeça sempre erguida, não fuja nunca, faça como em nossos treinos, olhos nos olhos do adversário, seu oponente, e acabarão respeitando-o, amanhã irei levá-lo a escola e falar com a direção. 

Teru ficara satisfeito com as palavras de seu sensei e pai e entendera o porque de todas as diferentes técnicas que ele usara, durante o treino, mostrara que o Judô é muito mais do que simplesmente aprendera até então. E, a partir daquele dia, resolvera que haveria de saber aquelas técnicas todas. 

Pela manhã o Senhor Myamoto, se dirigiu com Teru a escola e quando ao entrar para falar com a direção foi literalmente barrado por uma dupla de americanos avantajados.

Vai parando por aí “japa”, pegue o macaquinho de seu filho e se retire desta escola, ou desta vez apanharão pai e filho, e não vão quebrar mais braços de ninguém por aqui!!! 

O Senhor Myamoto, calmamente perguntou:

  Os senhores trabalham na escola???

Não, somos do grupo de defesa da escola e pegue seu filho e saia daqui.

Pois bem, estava achando mesmo que pessoas com a sua educação jamais poderiam pertencer a uma escola, pois seria um péssimo exemplo a ser dados aos alunos. Vim falar com a direção e pretendo fazê-lo e se os senhores criarem problemas vamos ter que resolvê-los. 

Dizendo isto se adiantou. 

Um dos americanos partiu para o senhor Myamoto, mandando um direto, que se esquivando aproveitou da velocidade de seu agressor e segurando-o pelo pulso o projetou direto na parede com tão somente uma torção de desequilíbrio, onde caiu ficou estatelado!!! 

O outro aproveitando este tempo se acercou por de traz do sensei tentando segurá-lo, porém o mestre fora mais rápido e segurando pelo braço se movimentou por dentro do agressor e rapidamente o tinha com o braço torcido a suas costas e o empurrou em louca disparada a frente, indo se chocar com força no solo. 

Foi quando a direção da escola tomou conhecimento do que estava ocorrendo, porém o Senhor Myamoto e seu filho já adentravam ao escritório, deixando a todos surpresos.

Bom dia!!! Vim com meu filho saber do ocorrido com ele ontem, e pela recepção que recebi, já tiramos nossas conclusões que ele estava com a razão!!! 

O Diretor da escola de voz mansa e pausadamente colocou:

Mister Myamoto, queira por favor aceitar as nossas desculpas pelo ocorrido, tais fatos não se repetirão nesta escola. Os alunos já foram convidados a se retirarem de nossa instituição e, quanto a seus pais já foram tomadas as devidas providencias junto as autoridades policiais locais. Seu filho é um ótimo aluno, aplicado, e respeitador, nunca tivemos nenhum problema com ele, pelo contrário é muito admirado por seu professores ainda que pouco fale. 

A situação fora contornada, e Teru havia conhecido as técnicas de seu sensei e o sabia agora porque tinha o 7° Dan (grau) da faixa preta. 

Como seu pai falara, os rapazes da escola não mais provocariam Teru, que foi se desenvolvendo cada vez e mais no Judô e ganhando um porte atlético perfeito. O menino franzino cedera lugar a um rapaz, musculoso e ágil. 

As noites enquanto agilmente me enrolava em seus dedos, me narrava os acontecimentos de seu dia, e notara que já não mais dava atenção as outras coisas, guardara suas bolinhas de vidro e só conversava comigo, agora com 17 anos, estava quase um homem. 

Numa 6a feira após os treinos, o sensei se dirigiu a Teru: 

Meu filho Terumitsu, hoje você deu uma grande satisfação para a nossa família, recebemos um comunicado da direção da escola, dizendo ter sido o melhor aluno de sua classe, e de toda a escola. Assim, amanhã iremos visitar uns amigos mais ao norte, e leve seu kimono, pois lá você irá dar uns treinos. 

Era ainda escuro quando o aluno e discípulo, filho e pai se despediram da senhora Hideo e lá no meu canto, no quarto de Teru, pedia ao Grande Tiki que ajudasse a meu amigo Teru, pois algo me envolvia de tal forma, que sabia ser esta viagem muito importante para meu querido amigo. 

Foi quando uma grande e forte luz branca, apareceu no quarto de Teru, e se dirigiu a mim com aquela voz de trovão que já anteriormente conhecia: 

Grande pérola negra, agora chegou o seu momento, tem um amigo que gosta de você pelo que é e não pelo que vale. Da mesma forma se apegou muita ao rapaz. Ambos sofreram muito no seu crescer e aprenderam lições que serão muito úteis para seus futuros. Você perdida anos num terreno abandonado, ele sem amigos e rejeitado, agora você terá seu poderes totais, poderá falar com ele sem medos e traumas, ajudá-lo e aos seus amigos, que certamente fará, porém faça tudo com muito cuidado para a ninguém assustar, ai residirá toda a sua grande arte. 

Quando o silêncio voltara ao quarto de Teru, a senhora Hideo abriu a porta comentando: 

Engraçado havia me parecido ter visto a luz do quarto de meu Teru acesa, é, estou ficando mais velha!!! 

Teru e o senhor Myamoto, chegavam a uma cidade mais ao norte, onde outros japoneses já o aguardavam na parada do ônibus. 

Com cumprimentos tradicionais nipônicos, receberam os recém chegados com muito respeito, onde Teru pode perceber seu pai e sensei ser tratado com uma deferência toda especial. 

O senhor Myamoto ofereceu ao chefe do grupo, um pequeno Bonsai que causou muito espanto a todos e Teru sabia tratar-se de uma das peças mais raras de seu pai. 

Já percebera que estas arvorezinhas valiam muito e quanto mais tempo tinham mais belas ficavam e mais valor alcançavam. 

Não sabia com explicar isto, porém comecei a estar vendo tudo que acontecia com meu amigo Teru, mesmo a distancia, o poder que o grande Tiki me dera era muito grande, maior do que supunha. Podia ver e ouvir tudo que faziam e falavam, sentir as preocupações de Teru, e mais que isto podia falar-lhe através de seus pensamentos. 

O mais idoso dos japoneses do grupo, o senhor Zen, dizia: 

Myamoto san, é muita honra tê-lo entre nos, e amanhã será a competição de Judô, que lhe falamos, pedindo que viesse para analisar os exames de passagem de faixas além de nos honrar sendo o juiz principal da competição. Alem disto para nos será algo inusitado para apreciarmos o grau de adiantamento de seu filho Terumitsu.

Ótimo Zen san, após mais de 7 anos e só treinando comigo, será interessante vermos como Teru se comporta numa competição. 

Teru agora já se inteirara do porque de sua viagem, iría participar de uma competição de Judô, da fechada colônia japonesa de Sacramento, onde só japoneses e seus descendentes participariam.

Sábado amanhecera, meio chuvoso, um dia de outono, o frio já chegando a Califórnia e Teru se dirigira com seu pai para o local da competição, iam andando e seu sensei comentava com seu aluno, sobre a competição. 

Terumitsu, quando o sensei o chamava desta forma era um sinal que prestasse muita atenção. Na competição, é onde você irá sentir plenamente o seu Judô, mantenha-se sempre muito calmo, sem excitações, derrota ou vitória não devem ser demonstradas a seus adversários, a face jamais deverá expressar qualquer sentimento seu. Olhe sempre nos olhos de seu oponente, que dirão tudo o que irá fazer, tenha sempre seu corpo ereto, cabeça em pé, jamais se curve e acima de tudo esteja sempre concentrado, não se distraia nem um segundo, pois poderá ser fatal. 

Sim senhor sensei, assim procederei!!! 

Chegando ao grande “DOJO”, local onde se realizaria a competição, muitos Judocas já se encontravam, e Teru ficou sendo o alvo das atenções, sendo analisados por todos detidamente. Na sua grande maioria todos usavam a faixa preta e acharam muito estranho que o filho do Sensei Myamoto Sekito, ainda usasse a faixa branca dos principiantes. 

Havia um Judoca maior que os demais, e todos se acercavam muito dele, que tinha na ponta de sua faixa preta duas pequenas tiras brancas que o qualificava como 2° Dan.