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Dona Rebeca retirando-se, deixou todos curiosos, o que Larry teria a dizer? Pela manhã, antes que o pessoal chegasse, vi de meu lugar chegar um grande caminhão. Larry, Dona Rebeca, Mestre Adams e alguns funcionários providenciando a retirada de um grande caixote, que colocaram em cima de um carrinho, e embrulharam em papel de presente. O que seria aquilo? Bem, pensei, quando Dona Rebeca chegar para o bom dia pergunto a ela. Empurraram o caixote embrulhado, em cima do carrinho, para dentro do refeitório, e Dona Rebeca subia as escadas do escritório no momento em que Phill chegava também. ─ Bom dia Dona Rebeca. Chegou cedo! ─ É capitão, providenciando o almoço! ─ Dona Rebeca, vamos logo adiantar todos os contratos e enviar agora pela manhã, referente aos quinze barcos pesqueiros! ─ Exatamente, capitão. Ontem, ao sair, já deixei tudo separado. Assim, é só enviar as mensagens via telex. Quando Dona Rebeca entrou na oficina com Phill para nos dizer bom dia, fui logo perguntando: ─ Dona Rebeca, que caixote era aquele? ─ Ferramentas para oficina que Dr. Larry estava esperando, e me piscou o olho. Já havia percebido. Phill não podia saber e como ele nem deu importância à pergunta, eu acabei sem saber o que tinha no caixote vestido para presente. Este negócio de vestido me lembrava do natal que vovô me vestira para presente e deu no que deu.
Phill e Dona Rebeca adiantavam os contratos, via telex, e Larry, Nanú, John e o conde acertavam as coisas no “Windsong”. Agora, já na carreira com o casco preparado e se iniciando a casaria. O problema era o motor, estava chegando a hora de ser instalado, e quanto a isto ninguém havia tocado no assunto. John e Nanú estranhando e preocupados, perguntaram a Larry: ─ Larry, e o motor? Acho que nós esquecemos dele! ─ De jeito nenhum amigos, daqui a dois dias iniciaremos sua instalação! ─ Mas Larry, dizia o conde, o que mais faço é checar tudo e nunca vi motor algum no estaleiro! ─ Nem podia conde, chegou hoje, e um pedido entre nós, não comentem nada sobre isto, com ninguém, ok? ─ Tudo bem Larry, se você está pedindo, tudo bem! ─ disseram os amigos. Começava agora o serviço de colocação de metais, vigias, gaiútas, ventiladores, entalhar os mastros. Dentro do “Windsong”, dez carpinteiros trabalhavam ativamente nas divisões internas sob a supervisão de Mestre Adams, enquanto outros funcionários terminavam o sistema hidráulico e agilizavam o sistema elétrico.
Às 12h20min chegavam a condessa, Darling e Margarida ao estaleiro. Margarida, que há muito não ia lá, se surpreendeu como o “Windsong” estava adiantado e exclamou: ─ Como está adiantado o “Windsong”, fizeram um serviço rápido por aqui! ─ É Lady Margarida, dizia o conde, acho que com mais três meses estará tudo pronto, sendo testado. ─ Foi um serviço feito em tempo recorde! ─ dizia Darling satisfeita. Phill e Dona Rebeca vinham se juntando ao grupo recém-chegado e todos se encaminharam para o restaurante. Antes do início do almoço, Larry pediu a Phill se podia dizer umas palavrinhas, no que Phill concordara plenamente. Dirigindo-se ao pequeno púlpito, fez um leve sinal com a mão, e um grande embrulho de presente foi colocado em frente à mesa de Phill. Larry começou a falar: ─ Capitão Phill, Lady Darling, quando do seu casamento todos nós nos perguntávamos: o que os funcionários do estaleiro iriam dar de presente aos bons amigos? E foi a maior dúvida, até que tomamos conhecimento do Projeto “Windsong” e descobrimos algo realmente importante, como todos nós havíamos pensado. E neste momento, em nome de todos que trabalham neste estaleiro, oferecemos a vocês, Capitão e Lady Darling, nosso presente e pediria a Dona Rebeca que os acompanhasse ao embrulho, nos representando, a todos os funcionários! Phill e Darling, juntos com Dona Rebeca, se dirigiram ao grande presente e tirando os papéis, viram um grande caixote com as indicações de seu conteúdo pintadas de preto, para só se tomar conhecimento do seu interior, abrindo-o. Larry já providenciara com Mestre Adams um sistema simples e prático para abrir o caixote, e com uma corda, Dona Rebeca pediu ao Capitão e Lady Darling que a puxassem. E ao fazê-lo, o caixote se desmontou, perfeito, e apareceu um belo motor com uma plaquinha de bronze gravada no seu bloco que dizia: “Ao Capitão Phill e Lady Darling, com felicidades e pleno êxito no “Windsong”, oferecem os funcionários do estaleiro”. O motor era o que tinha de mais moderno na época, um Perkins, 4.107 M, cerca de 60 Hp, e transmissão automática, para Diesel. Phill e Darling ficaram emocionados, até mesmo comovidos com o presente, pois sabiam de seu alto custo e perceberam que os funcionários deviam ter acumulado a quantia durante meses, para comprar o motor. Emocionados, todos os funcionários se levantaram e começaram a bater palmas prolongadamente, acompanhados por todos na mesa de Phill. Phill e Darling se dirigiram ao púlpito e todos se sentaram, quando o Capitão começou a falar. ─ Meus bons amigos e funcionários do estaleiro. Há ocasiões em nossas vidas que recebemos demonstrações de amizade e carinho que espelham e refletem aquilo que durante tempo plantamos. Nunca fui patrão, fui sempre amigo; nunca fui chefe, sempre fui colega; nunca me senti superior e sim igual. Cada qual colhe o que planta e se planei amizade, respeito e atenção, com todos e, principalmente neste estaleiro, que é a nossa casa, a casa de todos nós, agora estou colhendo uma dádiva inesquecível, que me acompanhará com minha esposa e bons amigos, no cruzeiro que faremos pelo mundo. Vocês já provaram inúmeras vezes que o nosso negócio não precisa, obrigatoriamente, de nossa presença para ir em frente e, a partir de hoje, o estaleiro será capitaneado por duas eficientes pessoas e bons amigos. A parte operacional terá como Dr. Larry, diretor. A parte administrativa terá como diretora, Dona Rebeca. Já estava preparando toda a documentação neste sentido, tornando o estaleiro uma sociedade anônima, onde todos os funcionários serão acionistas e donos do negócio e, como meu último ato, participo a todos que, a partir de hoje, terão seus salários aumentados, pois acabei de assinar contrato para a construção de quinze barcos pesqueiros, que estão fazendo grande sucesso, graças ao eficiente trabalho de todos. A sociedade estará assim constituída: Este seu amigo, como diretor presidente. Dr. Larry como diretor técnico operacional. Dona Rebeca na diretoria administrativa e financeira. E um conselho formado por funcionários e meus amigos, Mister John, o Capitão Nanú, o Conde de Westerfield, minha esposa Darling e Dra. Karen, Esta sociedade passará a existir a partir de hoje. Muito obrigado, pelo belo presente. Tenham certeza que todas as vezes que aquele motor funcionar, vocês todos estarão por nós sendo lembrados, onde quer que estejamos. O pessoal não se continha de tanta alegria. O capitão pegara a todos de surpresa. Agora seriam donos do estaleiro, não bastasse isso, ainda tinham aumento. De meu lugar, já estava mais que ansioso para saber o que estava acontecendo, pois sabia que o barulho todo estava ligado ao grande embrulho. Só depois é que, ao final da tarde, no nosso bate-papo, John, o conde e Nanú me contaram o ocorrido em todos os seus detalhes. O que pude notar é que todos os funcionários saíram do refeitório muito contentes. Nesta noite, quando os vigias estavam afastados, escutei alguém me chamando. ─ “Pequeno Guardian! Pequeno Guardian”! Não posso falar muito alto para não assustar os vigias, estou aqui embaixo, o “Windsong”! Era a primeira vez que o “Windsong” falava, e logo comigo, já começara a ser ele próprio. ─ Olá “Windsong”, que bom ouvi-lo. Você está ficando lindo. Como é que estão as coisas por aí? ─ Ótimas. Agora é que estou entendendo como você se sentiu quando estava ficando pronto, é uma sensação maravilhosa, todos trabalhando em mim, com carinho indescritível! ─ Está vendo. Eu não disse, quando ainda era peças de madeira, que você iría ser muito feliz? ─ É verdade, mas amanhã, vão trazê-lo para cima de mim, para tirarem suas medidas e fazerem seu berço no meu convés; pelo que ouvi dizer, será na frente do meu grande mastro, bem junto a janela da oficina. ─ Ótimo, aí estaremos sempre conversando juntos e perto das ferramentas! ─ É, e amanhã iniciam minha pintura do casco. O selador já foi dado. Agora será a tinta venenosa, até a linha d’água, que será azul, e depois todo o meu caso fora d’água será branco. O meu espelho de popa envernizado e verniz nas bordas. O meu convés será em teack encerado, com alguns detalhes da casaria brancos. Na popa, Phill fez uma belíssima placa entalhado com meu nome dourado no fundo branco e ainda terei uma faixa dourada de proa a popa, nos dois bordos, que é a característica dos veleiros clássicos. ─ Poxa! Que beleza “Windsong”, você ficará muito bonito! E as suas velas como é que estão? ─ Bem, pelo que ouvi Larry dizer, com o novo tecido americano, que está trabalhando é uma veleria famosa na Nova Zelândia. Phill fez todos os detalhes, é possível que daqui a três semanas já estejam aqui, que é tempo também de ser instalado meu motor, que eu já sabia seria presente do pessoal do estaleiro. Mas achei melhor não dizer nada. Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo! Acho que daqui a uns quarenta e cinco dias, no máximo, estaremos fazendo as primeiras velejadas de teste. Phill conversando com John e Nanú, aqui no meu convés, disse que, assim que terminar a temporada dos grandes ventos, ele pretende zarpar. ─ Poxa! Então faltam dois meses. E passa rapidinho, uau!!! ─ Bem, é melhor eu me calar agora, que os vigias vêm chegando, mas você conta aí para o pessoal da oficina as novidades. ─ Tudo bem “Windsong”, pode deixar, e você quando for sabendo das novidades vai me contando! ─ Combinado! Mas antes de sair ainda falo com o vigia Paul, fica reparando como ele chega perto de mim, alisa e fica falando comigo. Exatamente como o “Windsong” dissera. O vigia Paul, conversando com os dois parceiros de noite, se aproximou dele e começou a dizer, dando tapinhas no seu casco. ─ E aí barcão, você está ficando grande e bonito. Vi você nascer, desde que suas madeiras chegaram, e agora você é o mais belo veleiro que já vi! E seus parceiros comentavam: ─ É Paul. Amanhã vão começar a pintura. Você já pensou, ele ficará uma beleza depois de pronto. ─ É verdade e com o motor que demos, e você viu só, agora somos donos do estaleiro também. A conversa de todos hoje era esta. Você vê como são as coisas, nós sempre amigos do Capitão, sempre tivemos bons aumentos, nada de greves e coisas assim. Sempre tivemos tudo, nunca vi ninguém reclamar de nada, temos alimentação, Dra. Karen nos dando assistência médica e agora somos donos! ─ Agora, a gente fica se lembrando dos jornais ingleses e americanos, que todo mundo tinha que estar nos sindicatos para defender seus direitos, fazer greves, etc... É, ainda tem patrão que pensa que é rei, e faz tudo contra os seus funcionários. Vê se pode! ─ É, mas sabe o que acontece? O pessoal trabalha azedo, sem motivação e as coisas vão indo sempre de mal a pior, e acabam perdendo tudo indo à falência. No nosso caso não. Tivemos sempre muita atenção, por tudo isso é que para trabalhar aqui todo mundo tinha antes que conversar muito com o Dr. Larry e o Capitão. Só depois de muita conversa é que começávamos a trabalhar. Quando o Capitão começou o estaleiro, ainda com pouca gente, eu fui o primeiro vigia, me lembro, que era muito difícil conseguir emprego aqui. Ele pagava tudo certinho, todas as semanas, e foi crescendo, chegando mais gente e, agora, é este mundão de estaleiro. É como Larry sempre diz, trabalho para nós e nossos filhos, sem problema de emprego! E a nossa ilha crescendo e o estaleiro também, estamos garantidos. Aquela conversa ao pé do “Windsong”, e escutando tudo do meu local, contava toda a história do estaleiro. No começo, me lembro, que dava um duro danado. Margarida ajudando a ele. Depois com a chegada de Mestre Adams, eles foram construindo os escritórios, e aos poucos formos crescendo, fazíamos de tudo aqui. E Phill vendia muitos modelos, aqueles barquinhos lindos que o almirante comprava e enviava para Inglaterra. E acabamos ficando bem. Veio a guerra e nós fazendo as lanchas, cheio de americano no estaleiro e, agora, daqui a dois meses estaremos partindo. Aquilo me deixou um pouco triste, mas afinal iría cruzar o mundo à vela. Resolvi que estava na hora de contar as boas novas para o pessoal da oficina. ─ Hei pessoal. Falei agora com o “Windsong”, pela primeira vez, e ele me contou muitas novidades! E falei tudo que havia me dito. Quem mais gostou foi a lamparina, que Phill dissera ficaria em local de destaque na cabine. Ela não pensava em outra coisa. A bancada de pinho de Riga, preocupadíssima, pois achava que não iría para o “Windsong” pois dizia que era muito pesada e grande, e vivia comentando: ─ Acho que não vai ter espaço para mim! Todos tentavam dizer ao contrário, mas ela não fazia outra coisa senão pensar nisto. O “Windsong” já estava todo pintado e agora iam levando as coisas para decorá-lo internamente: os móveis estofados, que eram gozados, nos pés tinham umas borrachinhas que quando apertadas não saíam do lugar, as cortinas, os equipamentos, geladeira, etc...O motor tinha funcionado perfeitamente e já estava com eixo, leme, tudo, sua instalação fora muito complicada mas estava tudo perfeito. Agora estavam esperando as velas chegarem.
Numa bela manhã de domingo chegaram à oficina Phill, Darling, John, Nanú e o conde. ─ Ué! Hoje é domingo, vocês vão trabalhar também é? Perguntei curioso, porque aos domingos ninguém fazia nada em toda ilha. Aquela coisa ligada à religião. ─ Bem amigos, disse Phill, hoje é o dia que vocês irão para a oficina do “Windsong”, só ficarão aqui o “Pequeno Guardian” e a bancada! No que ela logo saiu dizendo. ─ Eu não falei? Eu não disse? Eu sabia! ─ Que é isto, dona bancada, dizia Phill, a senhora vai também, só que não agora, temos que fazer algumas adaptações nos seus pés, para fixá-la no piso do “Windsong”, e como a senhora pesa muito, deixamos isto para o final. E o “Pequeno Guardian” ainda fica aqui, para não ser arranhado ou sujo, só indo para lá quando tudo estiver pronto. E ainda faz companhia à senhora. E o martelo dizia: ─ Eu não disse? Eu não falei? Eu sabia! E todo mundo quase caiu no chão de tanto rir. E o grande serrote comentava: ─ É, o seu martelo, desta vez, acertou em cheio! E o martelo, rindo, surpreso, comentava: ─ Até que enfim, seu serrote não pegou no meu cabo! ─ Eu também vou! Eu também vou! E a dona bancada estava nas nuvens, era toda felicidade. Eu adorei a idéia, porque negócio de poeira e arranhar meu verniz me deixava todo arrepiado e, sempre à noite, o “Windsong” me contava as novidades e, como Phill dissera, ainda fazia companhia à bancada. E lá foram as ferramentas, felizes para o “Windsong”. Nanú levava o martelo, que ria a valer de tão alegre e feliz. Nanú comentava: ─ E então, seu martelo, casa nova, vida nova, se lembra da primeira vez que falou comigo, fiquei mais branco que papel? ─ É, você achava que eu era fantasma! Ah! Ah! Ah! ─ E você vê como são as coisas. Hoje conversamos, trocamos idéias! E o martelo imitando fantasma fazia: ─ buúúúúiúú!!!! E Nanú ria a não mais poder. E o martelo comentava: ─ É Nanú, mais que todos nós, só um é que tem um poder que ninguém tem, é o “Pequeno Guardian”. Não sei como ele pode, e qual é a força que ele tem, só sei que todos os amigos dele, estão sempre protegidos e as coisas também! ─ Me lembro quando vovô, terminando-o disse: o barquinho se chamará “Guardian”, o “Pequeno Guardian”, o protetor, o guardião, o tiki polinésio, o anjo da guarda, porque protegerá sempre seus amigos. E assim foi sempre. ─ Nós só conseguimos proteger coisas pequenas, não deixar martelar o dedo de ninguém, ajudar o amigo que está nos usando, e essas coisas. Mas o “Pequeno Guardian”, com ele é diferente, ele vai fazendo as coisas acontecerem e seus amigos acabam bem. Olha o caso do John, que o tratou com muito carinho, ele retribuiu direitinho, mais do que pensou, porque John como excelente pessoa facilitou tudo para ele. ─ É isto, então, seu martelo. Eu não sabia disto! E por isso que ele irá ficar em local de destaque no “Windsong”. Phill sabe que ele protegerá bem todos nós. Nanú começara a entender que eu tinha algo diferente e não é muito complicado explicar. Quando as pessoas são boas, corretas, tratam todos com atenção e respeito, elas já vivem com uma força positiva a sua volta, assim, só direciono para elas essa energia boa. Do mesmo modo que aqueles ferrinhos que Phill está sempre brincando, que ele chama de imã, é o mesmo caso, o bom atrai o bom e pronto! Descobri, com o tempo, que posso saber o que está acontecendo com as pessoas longe de mim. Isto é que não sei explicar e, sempre que posso, dou um jeito de ajudar a meus amigos. A transferência de toda oficina tinha sido feita e, à noite, o “Windsong” me chamou: ─ “Pequeno Guardian”? ─ Olá “Windsong”, conta as novidades! ─ O pessoal está babando de felicidade. A lamparina ficou no salão presa numa parede com um modelo especial, que ela está achando gozadíssimo. As ferramentas têm encaixes e ficam firmes e seguras, posso inclinar a vontade que ninguém se move. Estão maravilhadas. E a peça de carvalho em que estão fixas, com entalhes que John fez, é a grande alegria do martelo que não pára de dizer: ─ Meus parentes estão tomando conta de todos! ─ Todos estão aguardando a bancada e dizem que ela ficará no meio da sala e não como aí, encostada na parede. Terá encaixes no chão, que já estão quase prontos. Eu não conheço a oficina daí, mas acho que a minha é mais bonita. Tenho um armário cheio de gavetinhas para todos os tipos de parafusos e manilhas, outros gaveteiros maiores para ferramentas menores. O torno ficou num local especial que ele está adorando e tenho um armário especial, que as gavetas não abrem, e é uma porta secreta, que dá para um fundo falso, onde Phill disse será o meu cofre. Já pensou, até cofre!
─ É “Pequeno Guardian” está tudo ficando pronto rapidinho agora. Esta semana, já soube, chegam as velas e acho que não fica faltando mais nada. As minhas camas já estão prontas e os camarotes lindos. E Nanú e John já virão morar comigo. ─ É, disse, acho que agora Phill vai fazer uma surpresa ao conde. ─ Ué, “Pequeno Guardian” que negócio de surpresa para o conde é este? ─ Tudo a seu tempo! Tudo a seu tempo, “Windsong”! A semana ia ser dos últimos acertos e Phill já achava que mais uns quinze dias poderiam colocar o “Windsong” na água, inclusive já haviam separado um bom local para ele, com escada própria ligando-o ao cais. Ele já estava com ótimas defensas, que evitariam arranhar sua bela pintura. As velas, finalmente, chegaram e o serviço fôra muito bem feito. Era muitos sacos e tinha um belíssimo balão, muito colorido de tons azuis e branco. A oficina ficara vazia, só eu e a bancada. Eu dizia tudo para ela do que acontecia. Ela já estava toda animada, todos os livros de Phill já tinham ido para o “Windsong”, que me dizia ter sua biblioteca ter ficado ótima, tudo arrumado e por assunto com plaquinhas, dizendo o conteúdo dos livros: náutica, manutenção, guias, etc... Praticamente, todo o escritório do Phill já tinha sido levado e o último foi o retrato do vovô e da mamãe de Phill que, segundo soube, iriam ficar em local de destaque na cabine, numa nova moldura de carvalho entalhado por John, que estava trabalhando muito bem. Soube depois que, quando Phill e Darling colocaram os retratos na cabine, eles deram uma mexida, isso deixou o casal meio assustado. Perto da biblioteca havia uma vitrine muito bonita, forrada de veludo azul, onde se encontravam presos a espada de Phill, o colar de cavalheiro e todas as suas medalhas, o capacete de Samurai e seu desenho na parede, o que dava uma belíssima decoração ao local, e mais que isto, mostrava a importância do proprietário do “Windsong”. Na parede do corredor dos camarotes havia um belo e grande mapa mundi, com todos os detalhes onde Phill iría colocar seu trajeto, as datas e os locais que visitaria. Aproveitando que a oficina já estava vazia, Phill chamou o conde para conversarem. ─ Bem, meu sogro, está chegando a nossa hora. ─ É Phill, já conversei com minha esposa, e logo que vocês partirem, nós faremos o mesmo, mas garanto a você que foi a melhor época de minha vida! ─ É, meu sogro, para todos nós também, só que gostaria de pedir mais um favor. ─ Não tem problema Phill, podemos ficar mais algum tempo para ajudar a Dona Rebeca. ─ Não é nada disso conde, é que pediríamos que o senhor colocasse com John esta peça que entalhei e pintei no camarote, suíte de bombordo! E passou para o conde um belíssimo brasão de armas dos Westerfields! E completou: ─ Meu bom amigo e sogro, a idéia foi sua, nos deu quase todo o “Windsong”, nos ajudou muito na construção, o senhor acha que não iría fazer parte de nossa tripulação, só se eu estivesse louco! O conde ficara surpreso, ele tinha alimentado este sonho durante muito tempo, porém achava que seria muito problema, já estava velho e disse ao genro: ─ Phill, meu bom filho, que maravilhoso convite, não sei nem o que dizer! ─ Conde, não há necessidade de dizer nada, se mude para o “Windsong”, pois Darling já providenciou tudo em sua suíte. Suas malas e coisas que o senhor achar não serviriam no cruzeiro leve parra a minha casa. ─ Só tem um problema Phill, eu e a condessa enjoamos um pouco, e como será? ─ Nenhum problema, com uma semana já estarão adaptados. E como primeiro iremos navegar na Polinésia, que tem o mar calmo, facilitará em muito a adaptação. Os dois se abraçaram, demoradamente, como fazem os bons amigos. Eu, do meu local, assistia tudo e estava feliz. Agora sim, nossa tripulação estava completa, todos os nossos amigos estariam juntos. Phill e o conde se encontraram com John e Nanú, e foram todos para a rodada de conhaque do fim de tarde, agora, já no convés do “Windsong”. E Phill contou a novidade a todos e pediu que John colocasse o brasão do conde na porta do seu camarote. ─ Lógico Phill, e fiz uma surpresa para os amigos, quando chegarem ao “Windsong”, olhem as portas de suas cabines. E todos aceleraram o passo para ver o que John havia feito na porta da cabine de Phill. Estava entalhado em carvalho, com pintura branca, azul e dourado o nome: “Sir Philson Sorensen”
Capitão Na porta de Nanú:
“Capitão
Nanú Viritua” Na porta de sua cabine: “John” (e as insígnias do Britânia) Phill ficara maravilhado. John tivera uma ótima idéia e realizara um serviço digno de elogios. Tinha se tornado um mestre formidável. E, agora, com o brasão no camarote do conde, as identificações estavam completas, ficando só a outra suíte, vaga parra possíveis hóspedes. Todos estavam satisfeitos com a participação do conde e esposa no cruzeiro, e John comentou, enquanto fixava o brasão de armas na porta do camarote do conde: ─ Agora, sim, conde, seremos amigos inseparáveis! E ria ao dizer isto. ─ É verdade John, todos nós, somos agora inseparáveis, e vamos viver aventuras inesquecíveis! ─ disse o conde e Nanú complementou: ─ E logo, para começar, na Polinésia, onde tenho muitos amigos, que irão adorar nos receber e o “Windsong”! ─ Ótimo Nanú, disse o conde, pois quero comprar alguns pérolas negras! ─ Nem se preocupe com isto, tudo a seu tempo! E ainda temos a bordo um grande comerciante de pérolas, isto será muito fácil! E todos se riram a valer. Quando voltavam ao convés, já se encontravam lá as damas: Darling, a condessa, Margarida e, agora também, Dona Rebeca estava sempre presente. ─ O conde falou para as damas: ─ Bem, hoje tenho uma grande e boa novidade! E a curiosidade feminina foi ao extremo. ─ Conte-nos papai! ─ dizia eufórica Darling. ─ Bem, Phill nos convidou para fazermos parte da tripulação! ─ Bem papai, esta não é uma novidade, pois nós é que arrumamos todo o seu camarote e, a partir de hoje, vocês já dormem no “Windsong”! Pela manhã cedo, todos, já estavam de pé no convés, o conde e a condessa estavam maravilhados com a dormida, parecia que não dormiam assim há anos, um suave balançar era incrível.
Com o vento fraco, o terral da manhã, testaram todas as velas: a jib, a genoa, a staysail, a stormsail, a grande mestra, a mezena do segundo mastro e, por final, o balão, e ainda havia o jogo de velas só de reserva. Tudo estava perfeito, com reforços e ainda havia material para reparos. Tinham boas velas para os próximos dez anos. O verniz estava na sua última mão, ao todo dez, estava parecendo vidro. As gaiútas do convés, prontas pareciam umas casinhas, e com grades de segurança sobre o grosso vidro, davam iluminação perfeita ao interior da cabine e, quando abertas aumentavam a ventilação, tornando muito agradável o interior do “Windsong”. Os guarda-macebos colocados, com tubos de bronze polidos e cabos de aço forrados, estavam firmes e resistiriam bem ao tempo. O meu berço, bem em frente ao mastro principal, ficara muito bonito e prático. Eu ficaria bem firme e ainda poderia conversar com todo o pessoal da oficina, pois à minha frente, ficava a janela, tipo casinha também, de onde veria meus amigos.
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