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Às 18 horas o estaleiro estava vazio, só com os vigias, e iniciei minha conversa com as madeiras: ─ E então amigas, como é que vocês estão? O mogno foi logo respondendo: ─ Estou péssimo. Era feliz na minha floresta, já estive em três serrarias e, agora, nem sei mais qual será o meu destino, em cada local vai ficando uma parte de mim, nem sei mais! O carvalho triste comentava quase chorando: ─ Qual será o nosso fim? O cedro e o teack complementavam. ─ Não muito melhor, do que estamos! E, por fim, falava o pinho canadense. ─ Comigo ainda foi pior, não sei nem o que estou fazendo aqui. Estava no meu friozinho gostoso, de repente me cortaram, me colocaram num navio americano e vim parar neste calor terrível. Estou totalmente perdido! ─ Calma amigos, eu também já passei por isto, e estou aqui justamente para conversar com vocês, como fizeram comigo. ─ Você é que teve sorte, virou um lindo barquinho, todo bem tratado, vi como limpavam você e davam polimento nos seus metais e por três homens! ─ disse o cedro. ─ É mas vocês terão a mesma sorte que eu, e ainda mais, eu diria! ─ Como é, ficar igual ou melhor que você, explica isto direitinho? ─ perguntaram todos. ─ Bem eu sou o “Pequeno Guardian”... ─ Isto nós já vimos escrito na sua popa! ─ disse o carvalho. E o teack ficou bravo. ─ Todo mundo calado! É do nosso futuro que ele está falando seu carvalho! Eu rindo, me lembrei do martelo e disse: ─ Tudo bem, seu teack é mau de família! Bem continuando... ─ Ué, você conhece minha família é? ─ Pô seu carvalho. Assim não vai dar certo, ou a gente ouve o “Pequeno Guardian”, ou então vamos conversar! ─ disse o mogno. Bem, seu carvalho, tenho um grande amigo, o martelo, que é igualzinho ao senhor, sempre falando demais, mas é um bom amigo. Agora o senhor fica escutando um pouquinho está combinado? ─ Combinado “Pequeno Guardian”, não vou dizer nada! E virando-se para os outros disse: ─ Estão vendo seus grosseirões, como uma pessoa educada fala! ─ Bem, como dizia, vocês serão transformados num belíssimo veleiro, o mais forte e bonito. O mestre que irá trabalhar em vocês é um dos melhores do mundo. E contei toda a história minha, com vovô, o Phill, da oficina, tudo, tudinho! Todos ficaram alegres e felizes! ─ Tem outro detalhe. O pessoal aqui é muito nosso amigo, conversamos com muita gente. O escocês que me trouxe aqui é um grande amigo; se vocês precisarem de alguma coisa falem com ele, que resolve tudo. Vocês já viram que gostamos de vocês, todas separadas, ventiladas, não estão em contato com a umidade do chão. ─ É até já tínhamos comentado isto, que aqui foi o local em que fomos melhor tratados. ─ Está vendo! O meu local é lá em cima, perto da janela que fica sempre aberta, de propósito para conversar com as ferramentas e dizer o que está acontecendo. Estão todos lá, querendo conhecer vocês! ─ Não acredito. Isto é sonho. Não pode estar acontecendo comigo! ─ falava o pinho canadense. ─ Nada disto, seu pinho, é verdade. Até a rainha da Inglaterra já esteve aqui nos visitando. Até alisou meu verniz! ─ O quê? A minha rainha fez isso? Incrível! Então, contei toda a história do Britânia: o casamento de Phill, a lua de mel e que o Britânia partira ontem. ─ Poxa! ─ disse o pinho do Canadá. Agora pela primeira vez, depois que me cortaram, estou vendo as coisas melhorarem. Nisto passava o vigia Paul e o mogno todo animado foi dizendo: ─ Seu vigia, seu vigia! Eu disse rápido: ─ Calado todo mundo! Seu mogno, não é com todo mundo que se fala. Calado! O vigia Paul correu na nossa direção e começou a fuçar tudo, e não encontrando nada, deu logo os apitos de alerta, no que os outros dois apareceram, rápido, perguntando o que estava acontecendo. ─ Engraçado, alguém me chamou detrás destas madeiras e quando cheguei aqui sumiu; tem alguém por aqui; é melhor ficarmos atentos! E começaram a vistoriar todo o estaleiro. ─ Seu mogno e todos vocês só falem com quem eu disser, e inicialmente só com Phill e John, e com mais ninguém, e só quando estiverem sozinhos, depois aos poucos, vocês irão aprendendo. ─ Tudo bem “Pequeno Guardian” . Faremos como você disse. Conversamos a noite toda. Contei algumas das histórias gozadas de John, que o cedro ria tanto que chegava a chorar, e pela manhã chegava o pessoal e John veio direto ao nosso encontro. ─ Então, meu amiguinho, dizia baixo, conversou com o pessoal, está todo mundo mais alegre e mais calmo agora? ─ Tudo bem John, acho que agora já estão sabendo das coisas. O mogno é que saiu logo chamando Paul, o vigia, e deu a maior confusão! John riu e saiu alisando as madeiras a começar pelo mogno, que dizia: ─ Sai daí Totó, sai daí Totó... E chorava de rir. E John comentou: ─ Já sei, o “Pequeno Guardian” andou contando minhas anedotas! ─ É assim que vivemos aqui, alegres e vocês todos serão muito bem tratados! Nisto vinha chegando o conde, e John disse para todos ficarem calados e continuava alisando cada uma das peças. ─ E aí John, belas peças, hein! ─ Lindas conde, excelentes, perfeitas. Se transformarão num belo veleiro, um dos melhores já construídos! ─ Não tenho a menor dúvida, John, será inesquecível, e fará diversas vezes a volta ao mundo! E começou a alisar o pinho do Canadá. ─ Que beleza de peça. Linda e veio de muito longe, de um lugar frio para o calor dos trópicos. Coitado deve estar estranhando muito! O pinho do Canadá não agüentou e disse:
─ Como é que o senhor sabe conde? O conde se assustou e tirou a mão de cima do pinho, como se tivesse levado um choque, e branco disse a John, que tinha vontade de rir, mas não podia. ─ John! John! John! Alguma coisa está errada! ─ O quê, conde, não vi nenhum podre, nó, ou defeito, é algum bicho? ─ Não John, não é nada disto! ─ dizia o conde, nervoso e assustado. ─ O pinho do Canadá falou comigo! John que estava precisando de um pretexto para rir, aproveitou e ria a valer. ─ É verdade John, não é brincadeira! ─ Conde, agora eu é que estou sem jeito, madeira falar! O senhor dormiu bem à noite, não teve insônia, não está preocupado com os negócios? ─ Não John, tudo bem, mas o pinho do Canadá falou! Ou será que estou ficando caduco, e já estou escutando vozes! E John dizia: ─ Fala comigo também pinho, fala! E nada, tudo silêncio. O pinho estava sem graça com a mancada. O conde ficara calado, pensativo, sabia que não era maluco, mas agora, depois dessa, estava já ficando em dúvida. Phill vinha na direção dos amigos, na mão segurava o martelo de cabo de carvalho. ─ Bom dia amigos, como estamos e reparou no conde quieto, olhando para o pinho fixamente e com a mão no queixo. ─ Bom dia Phill, ótimo dia! ─ disse John. ─ Phill, disse o conde. Estou ficando maluco, acho que vou ter que consultar-me com a Dra. Karen. Estou velho, caduco, sei lá o quê, este pinho falou comigo! Phill, se ria, e dizia ao conde: ─ Conde, tudo é possível. Às vezes nos apegamos tanto às coisas que imaginamos que elas falam, como este martelo, que trago na mão, é um grande amigo. Mas não é o seu caso, que acabou de conhecer o pinho. Quando ele for trabalhado e virar dois belíssimos mastros e duas lindas retrancas do “Windsong” e o senhor já tiver uma grande intimidade, então será bem possível conversarem, por enquanto, vá alisando-o, fazendo amizade com ele, ganhando sua confiança! O conde riu e achou aquela conversa de médico de malucos, e resolveu ficar mais tranqüilo, antes que acabassem pensando que era maluco mesmo. E meio nervoso alisava o pinho, dando tapinhas e Phill dizia: ─ Isto conde, faça intimidade com ele, quem sabe ele volta a falar com o senhor! John não se agüentava mais, ia explodir e Phill percebeu e comentou: ─ Sai daí Totó, sai, sai! E John se escancarava de rir, e o conde se lembrando da anedota e pensando que John ria por isto, ria muito também. John convidara o conde para irem a casinha do “Projeto Windsong”, e saíram abraçados e rindo, cada um de uma coisa diferente. Phill, virando-se para as madeiras comentou: ─ Bem senhores, mogno, cedro, teack, carvalho e pinho do Canadá, eu sou Phill que irei trabalhar com vocês, com o maior carinho. Este é o martelo de cabo de carvalho, uma das peças mais antigas de nossa oficina. Trouxe-o aqui para vocês o conhecerem. Deixarei ele algum tempo aqui, pois tem muita coisa a dizer, como fez o “Pequeno Guardian”. E seu pinho, sei que tudo é muito estranho para o senhor, calor, saudade de casa etc...Mas é melhor ir aprendendo a segurar a língua, caso contrário, vai assustar as pessoas que vão dizer que o estaleiro é mal assombrado e será o maior problema! ─ Pode deixar Phill, eu trato deste assunto com o pinho! ─ disse o martelo. As madeiras ficaram atentas quando o martelo começou a falar. ─ Phill é o melhor mestre por estas ilhas e conhecido mundialmente por seus trabalhos, além de ser herói de guerra e Sir. Vocês irão gostar muito daqui, e nós trataremos vocês com muito carinho, como fizemos com o “Pequeno Guardian”, que construímos com vovô, que passou todos seus conhecimentos para Phill. ─ É “Pequeno Guardian”, nos contou, disse o carvalho, e seu cabo é muito bonito. ─ Obrigado, primo. Foi trabalho do vovô. E já fui segurado até pela rainha da Inglaterra, que me usou muito bem. Claro que dei uma ajudinha! ─ Pôxa! Incrível! ─ disse o mogno. Foi a melhor coisa que nos aconteceu virmos para cá! ─ Isto mesmo. Vocês tiveram muita sorte e por isso nada de tristezas. E qualquer coisa falem com Phill, John ou o “Pequeno Guardian” que à noite é mais fácil, é só prestarem atenção para os vigias não escutarem. E seu pinho, aqui todo o cuidado tem que ser tomado, se não, será muita complicação, se não fosse John e Phill contornarem a situação, ia ser o maior problema com o conde. ─ Eu sei. ─ falou o pinho. A maior mancada, prometo que não vai mais acontecer! ─ Ótimo, então estamos combinados! ─ Combinados seu martelo. Combinados. ─ disseram todos! Phill, retornando, apanhou o martelo, alisou as madeiras, dizendo: ─ Vocês ficarão muito bem, faremos um excelente trabalho, fiquem calmos! E foi subindo as escadas para o escritório, onde já estava no meu local, e me deu aquela tradicional piscadinha de olho. E as madeiras começaram a conversar. O carvalho estava maravilhado e dizia: ─ Se ficar igual ao cabo do primo, já tô rindo a toa! O mogno falava, respondendo: ─ É, acho seu carvalho, que pelo tudo que escutamos, ficaremos muito bonitos! ─ É pessoal, dizia o pinho, eu já comecei bem, sendo alisado por um conde! E o teack dizia: ─ E quase complica nossa vida! ─ É mesmo, mas podem ficar tranqüilas que não irá se repetir! E todos rindo, agora alegres, diziam: Combinado, seu pinho, isto acontece! O martelo voltando à oficina, conversava com os amigos sobre as madeiras. E a dona bancada comentava: ─ É, estou ansiosa para conhecer este parente lá do Canadá que dizem ser muito bonito e forte! ─ É dona bancada, mas o seu martelo disse que fala demais! Comentou o formão: ─ Tudo bem, é compreensível. Como eu, quando cheguei a Londres, via Rússia, muito frio que já estava acostumada, sem muita gente, de repente cidade grande, muito úmido, isto assusta. Não pode é repetir. Senão acontece como minha prima, que virou uma belíssima mansão e de tanto falar na hora errada, virou casa mal assombrada. E botaram “o impronunciável” e virou cinza! ─ Que coisa horrível! Quanta tristeza, vamos mudar de conversa! ─ dizia o grande serrote. Margarida ficou encantada em ver Nanú. Desde o fim da guerra, nunca mais se haviam encontrado. Conversava com o conde e John quando ele chegou com Phill! ─ Nanú, Nanú! Meu gigante querido que bom vê-lo! ─ Irmã Margarida, cada vez mais linda como a flor do seu nome! ─ Não se esqueceu, hein! Nanú sempre a tratara desta forma. E todos gostaram da sensibilidade e gentileza dele com Margarida. ─ Nanú, dizia Phill, este é meu sogro, o Conde Andy. Muito prazer, conde! Nanú perguntava por Darling, que só vira na chegada, e Phill comentava: ─ Irmão, de manhã, Darling fica no estaleiro e à tarde sai com a condessa mostrando a cidade, fazendo amizades, e conhecendo nossos amigos na ilha. Mas, ela já estará chegando, está já começando o fim da tarde e o início da noite. O dia passara muito rápido e um ventinho diferente soprava. Phill e Nanú foram até à praia. Olharam para o horizonte e Phill dizia: ─ Irmão Nanú, lá vem o inimigo, e forte este ano, veio mais cedo. ─ É irmão, Phill. Amanhã chegará, no fim da noite nos visitará, e bom tomarmos nossas providências, e ficarei com irmã Margarida, que é melhor para ela. E começaram a preparar tudo. Darling chegara com a condessa, enquanto Phill voltava da praia e comentou com os amigos: ─ O vento forte amanhã estará na ilha. Esta noite e amanhã serão de muito trabalho. Nanú ficará com Margarida, na casa do vovô, e amanhã todo mundo cedo no estaleiro. E todos se retiraram, preocupados, e o conde comentava com John: ─ Como é que Phill sabe destas coisas? ─ Experiência de mar, conde, ele vive nestas ilhas desde menino! Pela manhã cedo todos estavam no estaleiro, me colocaram na carreta, me fixando no chão com cabos de aço, em local próprio. Quando isto ocorria, já sabia, o vento forte vem aí. Todo mundo prendendo as coisas. A lancha do estaleiro indo para sua carreta também, janelas fechadas e trancadas com suas sobre madeiras sendo colocadas. E Larry e o pessoal do estaleiro comandados por Phill obedeciam rigorosamente às suas ordens. Nanú com John e o conde foram avisar a toda ilha. O almirante inicialmente achara estranho pois o rádio não dissera. Porém, Phill e Nanú, falando mudavam as coisas. Eles sabiam de tempo melhor que qualquer rádio, e começara a tomar todas as providências também. Depois do meio dia as rádios começaram a avisar. Em nossa ilha tudo já estava preparado, quando chegara notícia e todos foram para as suas casas. Phill conversava com Darling. ─ Querida, você irá assistir o que é a força da natureza e será muito importante para seu futuro saber como são as coisas quando o furacão chega. Irei explicando a você tudo. E abrindo a carta náutica da ilha, continuou a comentar. Ele virá por aqui, pelo sul, e ficará algum tempo sobre nós, por causa da nossa topografia, e depois segue seu rumo. Darling estava preocupada, pois conhecia histórias do que os furacões faziam nas ilhas. A noite começara com uma chuva fina e o vento soprando mais forte, vindo do sul. Às 2:00 horas da manhã estava fortíssimo. Os coqueiros largando suas folhas e se dobravam muito. Alguns caíam. Nosso estaleiro era localizado do lado norte da ilha, onde se encontrava nossa baía. A parte sul já era castigada fortemente e, por isto, naquele lado não havia casas, só as plantações de bananas e coqueiros. O vento agora vinha com tudo. Eu estava firme, amarrado no chão, e com a capa que John fizera me cobrindo. As madeiras todas arrumadas, cobertas com lonas e presas por fortes correntes. E o furacão começara a passar pela ilha, tudo balançava. As coisas se mexiam. E assim durou toda noite, o dia seguinte também. A chuva era muito forte, molhando tudo. As árvores caíam, e a água descia forte a montanha, que deixava a nossa linda baía com uma cor marrom.
Por fora das barreiras de corais, as ondas eram muito grandes. O mar estava com muita raiva, e vinha com muita força contra os corais, fazendo espumas que iam muito alto, parecia que as ondas queriam destruir os corais. Nestas ocasiões, tudo ficava diferente na ilha. A alegria dava lugar ao medo. A beleza se transformava em feiúra, e o mar calmo ficava com raiva. Tudo era cinza escuro, sem vida. Aquilo era terrível. Eu não gostava nada. Nanú viera até a casa de Phill, vestia um pequeno pareô curto e viera convidar o amigo para irem à praia. Phill colocara um pareô curto também, enquanto Darling vestia uma longa capa impermeável, e com uma força tremenda do vento conseguiram chegar ao que havia de resto da nossa praínha, pois o mar violento havia tomado grande parte para ele. Os três se sentaram na areia. O forte vento, agora misturado com areia, vinha contra eles e ficaram olhando o horizonte, quase preto e o mar revoltado querendo tudo destruir. Era já fim de tarde e nada diferenciava as horas do dia. Ficaram ali sentados, muitas horas. Quando retornaram a suas casas, já escuro, Darling, apesar do grande esforço, achou a experiência interessante e pedia explicações a Phill. ─ Darling, os polinésios têm suas tradições, principalmente, voltados para as coisas do mar. Nestas ocasiões, as forças da natureza são muito poderosas, é quando se deve conviver com elas. O que fizemos na praia foi conviver com o furacão, analisá-lo, ver como vem, as variações do mar, sua ondulação, distâncias entre as ondas, suas séries, enfim, perceber cada detalhe e guardando na memória, tudo isto é estudo, conhecimento que moldam um bom navegador polinésio. ─ Phill, tudo isto é fantástico, e dizer que achamos conhecer tudo! No fim do terceiro dia, as coisas começaram a mudar: o vento foi diminuindo, a chuva parou, mas o céu continuava cinza. Não havia sol em nenhum lugar. À noite, o céu começou a limpar e amanheceu o quarto dia com muito sol, céu sem nuvens e vento nenhum. Tudo parado. Era sempre assim, depois do vento forte ficavam uns três dias de calmaria. Agora, todo mundo saía de suas casas e ia ver os estragos do vento forte. Eram para arrumar tudo, consertar o que havia sido quebrado, retirar árvores e coqueiros caídos, e ver quais as casas que precisavam de reparos, onde o costume local era todos ajudarem na reforma da casa atingida, e cabia aos donos oferecerem sucos e comidas leves para os vizinhos que ajudassem. Em quatro dias estava tudo pronto e nossa ilha voltara à normalidade. O fato mais desagradável ocorrera no Palace. A varanda do segundo andar havia sofrido muito e Phill enviou Mestre Adams, com seu pessoal, para refazer tudo. Em uma semana o serviço terminou e ficar perfeito, melhor do que era antes. E o Palace, com sua bela fachada, não perdera sua linha. John e Nanú se instalaram definitivamente na nova casa. A antiga oficina do vovô, agora, a casa do projeto “Windsong”, ficara ótima, toda branca com janelas, portas e o telhado verde. A varanda igual a de Phill e da casa do vovô, levantada do chão três degraus, e a casa com mais um degrau em relação à varanda. Assim, o piso da casa era seco, sem umidade. O interior todo em branco, verde e detalhes em verniz. O mezanino e sua escada semelhante à de navio davam um toque gostoso à sala, tornando o ambiente muito simpático. A casinha ficara ótima. Margarida fizera pessoalmente as cortinas, lençóis e roupas de cama e mesa, que ganhou um toque elegante e muito aconchegante. O mobiliário foi aproveitado do estaleiro e pintado de branco. Phill, nos dias de vento forte, entalhara uma bela peça de mogno com o nome “Oficina do Vovô”, pintada de verde e as letras em baixo relevo de dourado. Foi colocada em cima do telhado da varanda, acima da janela de ventilação do mezanino, o que deu um toque muito especial à casa. O vento forte atrasara o início dos serviços do “Windsong” e agora teriam que recuperar o tempo perdido. No princípio da semana o trabalho começou e pesado. Larry e Nanú comandavam o estaleiro, cortando cavernas e preparando a estrutura. Phill e John, no mezanino da casinha nova, trabalhavam no projeto dos detalhes finais: seu interior, divisões, portas, mobiliário fixo, móveis, etc... O “Windsong” ficaria depois de pronto com sessenta e cinco pés, quase vinte e dois metros, muito grande, com a seguinte distribuição interna: cabine de popa, para Phill e Darling, sala de refeições e cozinha, sala de estar e biblioteca, dois camarotes de cada bordo, a oficina e o paiol de velas, a proa, confortavelmente, acomodações para dez pessoas. O projeto final, já pronto, demonstrava ser o “Windsong”, quando terminado, um veleiro e dos melhores, com um formidável conforto e linhas clássicas impecáveis. Pela manhã Larry e Nanú ficavam na carpintaria. John e Phill nos desenhos e detalhes. A parte da tarde era para se reunirem e fazerem avaliação do progresso dos serviços, análise e sugestões. Nessas reuniões, Darling participava ativamente, dando sugestões sobre as divisões internas e materiais de acabamento, que facilitassem a manutenção interna do “Windsong”. Os espaços e seus aproveitamentos num veleiro de cruzeiro são fundamentais e todos deviam estar atento a isto. O “Windsong” já começava a tomar forma e todos iam ficando surpresos com a beleza de suas linhas. Nanú se deliciava com a construção do “Windsong”. John já estava prático com as ferramentas que o ajudavam a fazer um excelente serviço e Phill ria muito, enquanto ensinava como manejá-las. John estava se tornando um mestre. Quando pegava o formão, de forma incorreta, logo ouvia a observação: ─ John, olha o sentido da fibra do mogno! Que dizia: ai! Ai! Ai! Ele ria e consertava a posição do formão de acordo com a fibra do mogno. Larry acompanhava toda a programação, e analisando os tempos e os prazos. Já se passavam três meses e as coisas iam saindo melhores do que como projetadas. O conde estava exultante. Todos os dias supervisionava a construção nos seus mínimos detalhes e sempre alisava o pinho do Canadá, que aos poucos se tornavam dois lindos mastros e duas belas retrancas. Num destes dias estando sozinho, não havendo ninguém por perto, se dirigiu ao pinho do Canadá. ─ Tudo bem seu pinho, eu não sou maluco e sei que o senhor falou comigo. Agora que já temos intimidade, acompanhei todo seu trabalho até virar este belo mastro principal, fale comigo! No íntimo estava achando aquilo meio esquisito, mas queria pagar para ver. ─ Tudo bem seu conde. ─ disse o mastro principal. Falo com o senhor. Agora não vai saindo por aí berrando e dizendo que falei, porque das duas, uma: ou o senhor será chamado de maluco, ou o estaleiro de mal assombrado e aí adeus “Windsong”! O conde ficou branco. E passando o susto começou a rir baixinho, não dando suas tradicionais e espalhafatosas gargalhadas. E baixinho disse ao mastro: ─ Tudo bem, seu mastro, não falo com ninguém, mas vamos conversar sempre, combinado? ─ Tudo bem conde, combinado! Às vezes falar comigo o senhor pode não frente de todos, só que não vou poder responder, mas o senhor saberá que estou ouvindo. Aliás, eu e todas as madeiras, lógico, porque não só eu falo, óbvio! ─ Faz sentido, lógico, e vou falar com todos vocês! John vinha, neste exato momento, convidar o conde para o conhaque de fim de tarde quando percebeu tudo: ─ Então conde, como estão as coisas? E que belo mastaréu, virou o nosso pinho do Canadá, que quando chegou estava cheio de preocupações, triste e perdido, e agora está com cara de feliz, satisfeito! O conde não dizia nada, se mantinha calado. John continuou com aquela estranha conversa e alisando o mastro disse: ─ Então seu mastro, fez um bom amigo hoje, hein? ─ É John. Acabamos fazendo a vontade do conde! ─ disse o grande mastro. E o conde perguntou surpreso: ─ John você fala com o mastro também? ─ Sim conde, desde que cheguei aqui no estaleiro e não é só com ele, mas com todas as madeiras também. ─ E por que não me disse nada e deixou até pensar que estava ficando maluco? ─ Na primeira vez, o senhor ficou todo nervoso, agora não, o senhor está natural. Não assustou a ninguém! ─ O mastro me disse logo, para não sair gritando por aí! E todo mundo fala? ─ perguntava, surpreso ainda, o conde. ─ Claro conde. E o senhor irá descobrir coisas extraordinárias, e agora venha comigo que vou apresentá-lo ao melhor amigo de todos, nosso protetor, o responsável pelo sucesso de todos nós, o “Pequeno Guardian”! ─ O barquinho de Phill, ele também, incrível! ─ Meu amigo conde, o senhor hoje será um abençoado, venha comigo! E completou: só tem um negócio conde, não comente nada com ninguém, muito poucas pessoas neste estaleiro sabem deste fato, e pelas respostas o senhor saberá quem são. ─ Lógico, que Phill, Darling e Dona Rebeca fazem parte deste seleto grupo! ─ Até minha filha e nunca me disse nada! ─ São as regras conde, tudo a seu tempo! Tudo a seu tempo! John subiu as escadas, acompanhado pelo conde. Entrou no escritório, passou pela sala de Dona Rebeca e chegou à oficina. Chegando à minha janela comentou comigo: ─ “Pequeno Guardian”, hoje temos um visitante diferente que já conversou com o mastro do “Windsong” e está ciente do nosso relacionamento. E, então, falei com o conde pela primeira vez: ─ Bem vindo ao nosso grupo, conde. Um grupo onde as pessoas são amigas, são muito mais iguais que diferentes, um grupo de verdadeiros amigos, uns sempre ajudando e cuidando bem dos outros! ─ Muito prazer, “Pequeno Guardian”, sempre o achei lindo, e agora não tenho palavras para elogiá-lo ainda mais! ─ Obrigado conde, muito obrigado! ─ Bem pessoal, este é nosso bom amigo Conde de Westerfield. Como é que dizemos? E toda oficina, numa só vez, se dirigiu ao conde: ─ Hurra! Hurra! Hurra ao conde! Ele estava, como nunca na vida, surpreso, risonho, alegre, feliz, tinha conhecido um novo mundo. ─ E o martelo, lógico ele sempre, falou para o conde: ─ Como vai conde? Eu sou nobre também, o “Sir martelo”. O senhor se lembra quando a rainha me pegou e cravou certinho o prego no mogno? Agora o senhor está sabendo o porquê da perícia real, é que dei uma ajudinha! ─ É verdade “sir martelo” estou lembrando do fato! E pegou nas mãos. O grande serrote comentou: ─ Pronto, lá vai o martelo ficar mudo de novo! ─ Já sabia. Lá vem o serrote pegar no meu cabo novamente. E todos quase caíam de tanto rir. O conde falou com a bancada, com o formão, com o torno, com a lamparina, com o grande serrote e todos gostaram muito dele. John, com o conde sentado a sua frente, foi contando a história de tudo. Mestre Estevão, Mestre Phill, a construção do “Pequeno Guardian”, o estaleiro, tudo com apartes de todos e terminou com sua verdadeira história, ser ele marujo do Britânia. John, meu melhor amigo de toda vida. Agora entendo muitas coisas e o admiro cada vez mais. Você é um artista notável e, além de tudo, um homem leal, amigo dos que o estimam, caráter impecável, você é e sempre será para mim um almirante, um nobre, e será como passarei a chamá-lo daqui em diante, de Almirante John! E continuava abraçando muito o amigo. ─ Assim o senhor me deixa encabulado conde! ─ dizia isto vermelho. ─ Encabulado estou eu meu amigo, pela honra de ter sua amizade. Você provou a todos que não se precisa ser nobre, ter títulos. Vejo neste estaleiro, desde que cheguei, a maneira honesta, amiga, sincera e leal, com que você trata a todos. Fala comigo e com os marujos da mesma forma e, por tal, é admirado e respeitado por todos! ─ Hurra! Hurra! Hurra ao conde e ao John! As ferramentas, eu, todos nós estávamos admirados com as palavras do conde que espelhavam a verdade.
─ Só pediria um favor ao senhor, ainda não comente com ninguém! ─ Claro meu amigo, claro. Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo, não é mesmo? Todos nós ríamos muito. O conde já sabia nossa senha, e como proceder doravante. Despedindo-se alegremente, de todos, dirigiram-se à casa de Phill, onde todos já preocupados aguardavam os amigos para o tradicional conhaque do fim de tarde. Chegando, o conde ria muito, feliz da vida, falava muito com todos e Darling comentou: ─ Papai, o senhor está muito contente! Phill ficou meio surpreso, pois sabia da amizade deles, mas esta afirmativa soara meio estranha e perguntou, provocando mais dados para seu conhecimento: ─ Então conde, o senhor e John descobriram algo novo? ─ Meu filho, dizia o conde, abraçando John: Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo! Phill não se conteve, levantando e rindo muito, abraçava o sogro e John. Darling surpresa, olhando para o Phill recebeu aquela piscadinha de olho, tão nossa característica e partiu para o pai abraçando-o e beijando-o. ─ Papai o senhor é formidável! ─ Devo tudo ao meu almirante, Sir John! A condessa, Margarida, Larry e Nanú, não entendiam nada e a condessa, com a curiosidade feminina, disse: ─ Não sabia que Mister John era almirante e sir também, uma surpresa, porque nunca o vi nomeado no livro da corte. O conde solenemente retrucou: ─ Senhora condessa. Estes títulos não são privilégios da coroa. Quando temos grande admiração por alguém, não importam, posições e títulos. Mister John está muito acima, mas muito mesmo, destas coisas de nós, simples mortais, envolvidos com nossos graus de nobreza. Ele, como poucos, possui o maior dos títulos, o do caráter. Por isto, resolvo de hoje em diante chamá-lo de almirante, que a nobreza e o almirantado gostem ou não, ele é meu amigo, o admiro, e chamo-o como achar da melhor forma! Phill e Darling perceberam ter o conde conhecido a verdadeira personalidade de John, e ficaram maravilhados com a lição dada pelo velho nobre. A condessa compreendeu, de imediato, a mensagem do marido, levantando-se deu um simpático beijo na bochecha de John, que ficava vermelho como um pimentão, enquanto ela dizia: ─ Almirante John, se meu marido o chama assim é porque o senhor merece bem o título, ele nunca erra e conhece bem os homens, e por minha vez o tratarei da mesma forma, meu bom filho John! Nanú, que sabia dos fatos, ligando uma coisa à outra, compreendeu o que o conde dissera, e rindo para Phill completou: ─ É irmão Phill, se o conde disse que John é almirante e sir, quem somos nós, simples capitães, para não fazê-lo! Margarida e Larry não fizeram por menos, se levantaram e disseram, como se tivessem combinado: ─ Um brinde ao nosso almirante, Sir John! E John pensava: quanto vale ser íntegro, honesto, tratar igual a todos, sem distinções. Este é o prêmio que todos sonham ter, eu o recebi, tudo por causa de um barquinho, que me ajudou e me ensinou muito. John completou: ─ Façamos o seguinte: brindemos a Mestre Estevão, sua oficina, ao “Pequeno Guardian e a Mestre Phill, responsável por minha presença entre vocês! Todos brindavam alegremente, porém Larry, Margarida e a condessa não sabiam exatamente o sentido daquele brinde. E Phill complementou com uma famosa afirmativa de Sir Paul, um ilustre nobre: ─ “Entre as pessoas e suas coisas de estimação, há uma relação muito estreita e ao mesmo tempo tão poética, que os torna muito mais parecidos que diferentes”. ─ Grande, muito bom Phill! ─ disse o conde. Sir Phill sabe das coisas! Os meses foram-se passando muito rápido. Quando não se olha à toda hora o relógio e se trabalha com afinco e dedicação, o tempo é rapidamente vencido, sem se perceber. O conde, quando os últimos funcionários do estaleiro saíam, “vistoriava o serviço”, ou melhor, ia conversar com o “Windsong”, o “Pequeno Guardian” e as ferramentas. Adorava ouvir as histórias antigas da bancada. Ele e John, que eram inseparáveis. Num destes fins de tarde, Nanú chegando viu o conde e John conversando na oficina, e vendo o conde com o martelo na mão, perguntou: ─ Quanto tempo o senhor acha que tem este martelo, conde? ─ Bem Nanú, segundo soube, foi das primeiras ferramentas de Mestre Estevão, quando ainda jovem aprendia o ofício, na Europa! Nanú, agora com o belíssimo martelo de cabo de carvalho entalhado, nas mãos, distraído reparava seus detalhes, quando o martelo não resistindo falou: ─ Nanú, tenho muito tempo! Mais de cento e cinqüenta anos, meu aço é de Guimarães, em Portugal! O gigante polinésio, como todos destas ilhas, era muito supersticioso, deixou o martelo rápido na bancada e disse para John e o conde, que distraídos conversavam e não notaram o fato: ─ John! John! Conde! Conde! O martelo fa..fa...lou! O conde pegando o martelo e o alisando comentou: ─ Nanú, isto é o que acontece quando ficamos muito chegados às coisas, amigos realmente, e virando-se para o martelo: ─ Seu martelo, o senhor tem outro novo amigo, o gigante Nanú! Nanú paralisado, branco, dizia: ─ Conde, como é po...possível? O senhor fa...fala com o marte...lo também? ─ E vo...você John, não está espantado? ─ Amigo, não só falamos com o martelo, como com todas as ferramentas, o “Pequeno Guardian” e o “Windsong”, justo por isto ficamos até mais tarde no estaleiro e para as pessoas não ficarem assustadas como você está agora! ─ O quê! To...todo mundo fa...fala! Phill sabe disto? O grande trabalho agora era fazer Nanú entender que não eram fantasmas e cabia ao John e ao conde esta tarefa. Foi quando da minha janela falei com ele. ─ Nanú, Nanú, venha aqui na janela conversar comigo, que tenho muita coisa para você saber! O conde e John acompanharam Nanú até a mim. Sim, porque do jeito que estava apavorado, não viria nunca sozinho. ─ Olha Nanú, claro que Phill sabe de tudo e não há nada de espantoso, é uma questão de amizade que temos por nossas coisas de estimação. É como crianças com seus brinquedos, sempre estão falando com eles. Há algumas que pegam os brinquedos,quebram, e em pouco tempo, não têm mais. Outras não, acabam de brincar, limpam e guardam seus brinquedos em bons locais, sem entulhar uns sobre os outros. Assim é lógico que os brinquedos, vendo como gostam deles, passam a ter muita amizade com estas crianças, e se apegam muito a elas. Veja, lembre-se de seu tempo de menino, você deve ter tido algum brinquedo do qual muito gostava. Onde está ele agora? ─ Bem, é minha pequena canoa, que não largo nunca, é a minha canoa da sorte, que está lá no meu quarto da velha oficina. ─ Nanú, não é sua canoa só da sorte, você pensa assim porque ela te protege, faz com que as coisas boas aconteçam com você. ─ É, mas ela nunca falou comigo! ─ Bem, isto são outros fatos. Alguns objetos perdem com o tempo a fala, pois não a usam e vão perdendo este dom. Entretanto, continuam estimando as pessoas. No nosso caso, o vovô e Phill sempre conversavam muito conosco, enquanto trabalhavam e deu-se o contrário, ficamos com muita prática na fala. É muito estranho que você, capitão e muito forte, fique assim apavorado. Aquilo pegara Nanú, no seu ponto fraco: ─ Tudo bem, amigos. Então, virei sempre com o conde e John conversar com vocês! Ao que perguntei: ─ E por que você não vem sozinho? ─ Bem, é que ainda não conheço bem a todos e o conde e John me apresentarão. E todos nós ríamos muito e ele também, enquanto eu dizia: ─ Nanú, não tenha medo de nós, somos seus amigos, e só faremos bem a você! ─ Phill me contou que durante a guerra, várias vezes, a lancha de vocês, sem menos esperar, o tirava de situações terríveis! ─ É mesmo, agora me lembro! E achava estranho, Phill falava e alisava muito, mas nunca respondeu nada. ─ É aquilo que te dizia, ela protegia vocês, mas não tivera tempo de desenvolver a fala, logo que ficou pronta foi de imediato para a guerra! ─ Olhe bem, as pessoas vão crescendo e deixando de lado as suas coisas. Você já pensou se cuidassem bem dos brinquedos e de outros objetos que lhes deram tantos momentos de alegria? Isto seria ótimo para nós. Veríamos nossos amigos crescerem, terem suas próprias casas, famílias e nós sempre a seu lado. Foi assim que aconteceu com Phill, Darling e seus amigos, e agora com o “Windsong” rodaremos o mundo. Ele foi tratado sempre com muita atenção e carinho, desenvolvendo bem a fala. Nós estaremos sempre juntos! ─ É agora estou entendendo bem, dizia calmo Nanú. ─ Assim, as crianças crescem com seus brinquedos, um barco pequeno, depois outro maior, até terem seu veleiro de cruzeiro. Nunca se esquecerão de seu primeiro barquinho e guardarão gostosas lembranças, até o dia de saírem cruzando os oceanos! E todos ficaram se lembrando do seu gostoso tempo. Reparei, eles estavam envoltos em suas lembranças do passado. ─ Só tem um detalhe Nanú. Não é com todos que falamos. Temos que ter muita amizade e confiança, por isto é importante você aprender com John e o conde, onde e como falar conosco, para evitarmos estes sustos e histórias de fantasmas ou coisas mal assombradas: Ele perguntou: ─ E com quem vocês falam? ─ Bem, com quase todos, os mais chegados. Phill, Darling, Dona Rebeca, John, o conde e agora você, basicamente a tripulação do “Windsong”, e agora já ele próprio, quase pronto, que começa a falar e muito. ─ E a condessa não fala com vocês não? ─ perguntou Nanú. O conde rindo comentou: ─ Tudo a seu tempo! Tudo a seu tempo! Esta é a nossa senha, e para nós muito importante! E saíram os três amigos: o gigante polinésio, no meio, rindo, feliz e satisfeito e abraçando o conde e John. Nanú, virando-se para Phill, comentou: ─ Meu irmão Phill, hoje tive uma das grandes lições da minha vida que me fez compreender muita coisa da minha infância, juventude, tempos de guerra e até agora. ─ O que foi, o que aconteceu? ─ perguntou Darling. ─ Lady Darling, hoje aprendi que tudo na nossa vida aconteceu a seu tempo, tudo a seu tempo, tudo a seu tempo! E todos entenderam aquela afirmativa e tão bem colocada por Nanú, até a condessa sem saber da senha comentava: ─ É verdade Nanú, é verdade, tudo tem seu tempo! Todos se riram muito e já sabiam que o “Pequeno Guardian”, as ferramentas e agora o “Windsong” haviam ganho mais um bom amigo, o gigante polinésio forte como um touro e dócil como uma criança, característica deste grande povo navegador. O polinésio é como o mar, dócil e bravo quando deseja! Estavam todos reunidos na sala de Phill, quando Dona Rebeca entrou: ─ Capitão, este telex acabou de chegar, é uma notícia que tenho certeza irá agradá-lo! E passou a mensagem para Phill, que lendo, de imediato, respondeu: ─ Ótimo, Dona Rebeca, excelente! A curiosidade de todos ficou aguçada, e antes que as perguntas chovessem, foi logo transmitindo a boa nova: ─ Meus amigos, nossos barcos de pesca estão fazendo o maior sucesso. Os últimos quatro que fizemos agradaram tanto, que companhias pesqueiras acabam de nos solicitar contratos para encomendas de quinze novos barcos para a próxima temporada. ─ Que ótimo Phill, dizia Darling! E todos batiam palmas para Phill, com a excelente notícia.
─ Só mais um detalhe capitão, disse Dona
Rebeca, nós todos do estaleiro gostaríamos que o senhor e seus bons amigos
almoçassem conosco amanhã, pois Dr. Larry tem alguma coisa a dizer. |
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