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O cavalheiro, explorador de ricos, o convidou para uma partida, e logo de início, colocou o conde na parede. Mal conseguira jogar. Aquilo o deixou irritado.

O cavalheiro, fingindo-se de surpreso, comentou:

─ Pensei que milorde jogasse melhor.

O conde nada dissera, pagara a partida, alguns xelins, e não gostou nada daquilo.

John entrara no salão desapercebido, enquanto todos viam o conde perder feio. Vestia uma roupa casual, e colocou uma pequena caixa comprida, por trás do balcão do bar, piscando o olho para o barman. Adiantou-se para a mesa do conde, enquanto este pagava ao cavalheiro.

─ Boa noite conde, como estamos?

O conde, de cara fechada, comentou:

─ Acabei de perder para o cavalheiro que joga muito bem, é profissional.

─ Que ótimo conde, sempre sonhei jogar com um profissional.

Sabedor de ser Mister John milionário e, depois daquela resposta, ficou exultante.

─ O senhor joga bilhar também?

─ Só um pouquinho, e meu sonho é jogar com um profissional para aprender novas tacadas. Só que gosto de jogar em libras para tornar tudo mais interessante. Sabe como é, manias de milionário.

─ Ótimo, respondeu o cavalheiro. Ótimo. Vejo que o senhor gosta de jogar! E pensou, hoje é meu dia de sorte, vou depenar este escocês otário.

John pegara o pior taco. Passou giz e virando-se para o cavalheiro disse:

─ Para começar, façamos o seguinte: vinte libras, uma partida. Ao que o cavalheiro respondeu.

─ Claro Mister, muito bom.

A primeira partida John perdera feio. A segunda, terceira, quarta e quinta também. O conde virando-se para John, que já mostrara não saber nada de bilhar, e preocupado com o amigo, para que não perdesse ainda mais, comentou:

─ Meu amigo, não acha que já chega por esta noite, amanhã você tem que acordar cedo.

John piscando o olho para o conde, sem ser notado colocou:

─ Tem razão conde, só jogarei mais esta última partida da noite e proponho ao cavalheiro que façamos a partida final de cem libras, para poder reaver o que perdi.

─ Muito justo Mister, muito justo! ─ respondera o cavalheiro já pensando: hoje é minha noite de sorte, vou ganhar o dinheiro do ano.

E colocou na mão do conde cem libras. A partida era dobrada, na final apostava-se tudo. Os outros presentes vendo aquela barbada, resolveram ganhar algum também, perguntando a John:

─ Mister, podemos apostar também?

─ Claro cavalheiros, dizia John, e dobro todas as suas ofertas! Quando o conde reparou já tinha nas mãos mais de mil libras esterlinas.

Todos se acercaram da mesa e John pediu ao cavalheiro.

─ Bem senhor, como dobrei todas as apostas pelas regras de bilhar, tenho direito a tacada inicial!

─ Lógico Mister, ia mesmo lhe dizer isto.

Só que este taco não está a meu jeito. E se dirigindo ao bar, apanhou seu taco e o montou. Um taco maravilhoso, de ébano e marfim, com detalhes em madrepérola, e com uma precisão notável. Com jogadas de mestre, liquidou a partida, enquanto todos espantados, e o cavalheiro adversário, ficavam boquiabertos, e John disse:

─ Senhores, obrigado pela noite, foi uma das mais gostosas partidas de bilhar que já joguei, mas confesso, não aprendi nenhuma tacada nova!

Era a maior lição que aqueles cavalheiros levavam em suas vidas. E John comentou:

─ Não se aposta em libras esterlinas, quando não se conhece o parceiro, regra número um de qualquer jogo.

O conde estava maravilhado. John, além de ser um mestre no bilhar, dera uma lição à altura naqueles espertinhos.

As mesas, agora, estavam vazias. John sentara no bar, desmontando seu taco especial, na linda caixa, tomando seu conhaque e separando o seu dinheiro, guardou-o e numa mesa vazia fez os montinhos dos que haviam apostado, mostrando ter uma memória fantástica e comentou:

─ Senhores, este é o dinheiro que cada um perdeu, quero devolver. Minha renda não vem de mesas de bilhar, e me sentiria muito mal em levar estas libras, pois seria como tirar algo indevido.

Todos ficaram surpresos, apanhando cada qual o que lhes era cabido, e se dirigiram ao escocês, apertando sua mão e dizendo:

─ Mister John, o senhor é dos mais íntegros cavalheiros que conhecemos, deu-nos uma lição de bilhar, caráter e honestidade. E John respondeu para não dizerem mais nada. Como vencedor da noite, esta rodada de conhaque é por minha conta.

O conde, mais que nunca, passou a admirar ainda mais John e não parava de cumprimentá-lo, dando tapinhas nas costas do amigo. Quando o diretor entrando no salão de bilhar, tomando conhecimento do ocorrido e cumprimentando Mister John disse:

─ Mister John, esta rodada de conhaque é por conta do Palace e estamos admirados com sua nobreza e caráter, é nas mesas de jogo que se conhecem os bons indivíduos.

─ Obrigado por suas palavras, diretor, não fiz outra coisa que devolver o que não era meu, esta é realmente minha noite de sorte, até a rodada de conhaque ganhei!

E todos se riram muito. O escocês, além de grande pessoa, era engraçadíssimo também.

Ao se despedirem, indo para seus aposentos, o conde abraçou fortemente John e deu um fraterno aperto de mãos, dizendo:

─ Meu amigo, já o admirava muito e a partir de agora sou seu fã.

E John rindo, respondeu ao conde:

─ Conde, eu é que tenho uma grande honra e prazer em ser seu amigo.

─ Boa noite e até amanhã.

─ Boa noite John, e obrigado por suas aulas de bilhar francês! ─ disse isto dando sua tradicional gargalhada.

Pela manhã, bem cedo, John fora para o estaleiro. O sol começara a lançar seus primeiros raios, Phill já vinha chegando com Darling.

─ Olá amigos, o dia promete ser de muito sol.

─ Bom dia John, vamos ter um belo dia! ─ diziam Phill e Darling.

─ Bem amigo, ao trabalho disse Phill.

─ Lógico, Phill. “Deus ajuda a quem cedo madruga”.

Subindo a escada todos como soldados, fazendo tudo igual, piscaram para mim, que achei engraçado aquilo, passando pela sala de Dona Rebeca e entrando no “Museu”.

─ Meus amigos, vamos agora relacionar toda a madeira necessária para o “Windsong”. E encomendá-la ainda hoje.

Foi aquela alegria, pois todos sabiam que iriam trabalhar nos detalhes do veleiro com Phill, o grande mestre.

Virando-me para John, perguntei o que havia ocorrido no Palace, à noite.

─ Nada de importante “Pequeno Guardian”. Nada de importante.

Phill, Darling e John relacionaram tudo. O tipo de madeira, mogno, carvalho, cedro, teack, laminados, quantidades, etc... Ficou acertado que os mastros e retrancas fariam de pinho do Canadá, que relacionaram à parte. Eram 8:00 horas quando terminaram tudo e Dona Rebeca, subindo rápido a escada para o escritório e se dirigindo a todos na sala do capitão, percebendo que já se encontravam lá há bastante tempo.

─ Bom dia a todos, madrugaram hein, capitão!

─ Bom dia Dona Receba. ─ disseram todos. E Phill complementava: acabamos de relacionar toda a madeira do “Windsong”, que pediria a senhora passasse o telex. Só gostaria muito é de ter precisos os prazos para chegarem ao estaleiro.

─ Pode estar tranqüilo, capitão, ao redigir os telex, chamarei bem atenção para este assunto, e quanto às empresas serão as mesmas? Os mesmos fornecedores nossos?

─ Sim Dona Rebeca, pois já soube por Larry que temos tudo que precisamos nos nossos tradicionais fornecedores, com exceção do pinho canadense, que acredito que não tenhamos por aqui. Contudo, coloque na relação também, pois pode ser que tenhamos sorte, nunca se sabe!

─ Certo capitão, providenciarei tudo.

Dona Rebeca era rápida, e a máquina do telex já funcionava sem parar: tic! Tic! Tac. Tac. Tac!

─ Bem amigos, irei agora com Darling à vice-governadoria tratar de um assunto referente ao Britânia e retornaremos em seguida. John, por favor, arrume a papelada na minha sala e depois coloque em cima da prancheta na oficina.

Dona Rebeca já passara os telex, e agora era aguardar as respostas e indo à sala do capitão disse a John.

─ Meu amigo John, gostaria de cumprimentá-lo, e estendia sua mão.

─ Por que isto, Rebeca? ─ respondia cumprimentando Dona Rebeca.

─ John gostaria de parabenizá-lo por sua atitude ontem à noite no salão de bilhar do Palace. Não se comenta outro assunto em toda a ilha. A lição que o escocês milionário deu no pessoal do salão de bilhar, nos espertinhos. Me disseram que o senhor é um mestre, o maior jogador de bilhar francês, que já viram.

─ Ora Rebeca, isto é conversa, apenas fiz o que é direito, dar uma lição em alguns espertinhos de plantão.

─ É John, mas você devolveu todo o dinheiro que ganhou.

─ Rebeca, dinheiro que não era meu, não tinha nada a ver comigo e não seria honesto, pois não dissera que sabia jogar.

─ Tudo bem John, mas eles queriam era depená-lo.

─ Certo, Rebeca, mas não poderia agir da mesma forma.

Foi, então, que nós da oficina ficamos sabendo. Eu fora logo dizendo:

─ Coisa sem importância, hein John? Coisa sem importância! Você é um sujeito muito bom, até demais!

E todos começaram a elogiar John. A bancada que estava calada todo o tempo comentou:

─ John, já vi muita gente perder muito dinheiro em mesa de bilhar e sinuca e o que você fez somente quem tem muito caráter o faz, pois sempre dizemos “é na mesa de jogo que se conhece um homem correto”.

E todo mundo ficou calado, porque quando a bancada falava ela sabia o que dizia, sabia das coisas, era a mais antiga de todos.

─ Obrigado, amiga bancada, mas sou mesmo é bom amigo de vocês!

E todos ficamos orgulhosos, amigos assim todos gostam de ter.

Phill chegara a vice-governadoria e no caminho muitas pessoas o cumprimentavam dizendo:

─ Sir Phill, seu amigo Mister John é um dos melhores homens que já tivemos em nossa Ilha!

Phill não entendia nada, ria agradecendo as gentis palavras dirigidas a John e estava surpreso. Que negócio estranho era esse, comentava com Darling, que também não entendia nada.

Entrando no prédio de tradicional arquitetura colonial inglesa, foi logo saudado pelo sentinela, à maneira militar, fuzil no ombro, em frente e retornando a posição inicial.

Chegando ao salão, foi logo saudado pelo oficial de dia.

─ Bom dia Sir Philson, deseja falar com o almirante?

─ Se possível, capitão, se ele não estiver ocupado.

─ Um momento, Sir Philson. Aguarde, por favor, na ante-sala do almirante. E saindo para falar com o vice-governador, pensava: o almirante jamais ficará ocupado para receber Sir Philson.

Em segundos o capitão retornava e conduzia Sir Philson e Lady Darling ao gabinete do Almirante Smith.

─ Bom dia Phill, Milady.

─ Bom dia Smith, como estão as coisas? Darling, ao cumprimentar o almirante, notou serem muito amigos.

─ Ótimas Phill, ótimas. O Britânia parte hoje e pelo que soube você é o ídolo de todos no Iate Real. Aliás, como sempre. Mas, a que devo a honra de sua visita?

─ Smith, disse Phill, tenho um pedido de amigo a fazer. E retirando a carta do Britânia, passou às mãos do almirante dizendo: o assunto desta carta que você entenderá ao ler, gostaria que ficasse tão somente de nosso conhecimento.

─ Meu bom amigo, enquanto for o responsável por esta ilha, um pedido seu é uma ordem para mim. E começou a ler a correspondência oficial. E à medida que ia lendo seu conteúdo, ria e quando terminou a leitura, ria às gargalhadas.

O almirante ainda sorrindo dizia a Phill:

─ Meu bom Phill, seu amigo íntimo, que agora já sei de quem se trata, estava até meio sem jeito de você não ter vindo logo me apresentá-lo, é uma figura notável, é o comentário de toda ilha nesta manhã. Meu ajudante de ordens, quando foi me apanhar pela manhã, veio no trajeto para cá me contando a incrível história que todo mundo comenta, da noite passada no salão de bilhar do Palace!

Phill não entendia nada, que história era essa, e o almirante prosseguia.

─ Claro que este assunto ficará somente entre nós, mormente agora, não há como ser de outra forma, já que o escocês e o Conde de Westerfield são íntimos, olhe a primeira página do jornal de hoje.

E Phill e Darling, olhavam surpresos no jornal uma grande foto do conde abraçando John, e segredando algo no ouvido de John, com o comentário do jornal:

“Bons amigos trocando informações secretas”.

Phill ria muito, enquanto o almirante resolvia o pedido de Phill da melhor maneira.

Façamos o seguinte Phill: na carta do Britânia, coloco meu conhecimento e o de acordo, com minha chancela e o no passaporte de John, dou meu visto pessoalmente, com a data de entrada na ilha, como cidadão inglês normal, no dia da sua baixa.

Ótimo Smith. Melhor não poderia ser. Tirando de sua pasta o passaporte de John, o almirante carimbou e assinou tudo pessoalmente, dizendo a Phill:

─ Agora é que Mister John será importante de fato, seu visto no passaporte é assinado pessoalmente por mim, está oficializada a nova vida deste nobre escocês.

Phill, surpreso com o “nobre”, perguntou ao amigo:

─ Smith, me conta esta história, que todos comentam. Quando no estaleiro fizeram esta pergunta a respeito do fato, ele apenas respondeu que era coisa sem importância.

─ Está vendo Phill, por isto o chamei de “nobre”. Ele realmente é um cavalheiro. Seu amigo está dando a todos nós lições inesquecíveis!

E o almirante narrou-lhes, nos mínimos detalhes, os acontecimentos da noite anterior, no salão de bilhar do Palace, e terminou dizendo.

─ Quem for um pouquinho consciente, que não chame Mister John para jogar bilhar a dinheiro!

Phill e Darling não diziam nada, estavam boquiabertos, aquilo era notável e John considerara coisa sem importância.

─ Smith, disse Phill, enquanto Darling ainda se encontrava admirada com o relato. Mister John, meu íntimo amigo, milionário escocês, é precisamente o que colocou, um nobre!

─ Eu não disse Phill, eu não disse! Não vejo a hora de conhecê-lo!

Phill, levantando-se, agradeceu muito a seu amigo e almirante, toda a atenção e se despediram, quando o almirante comentou:

─ E não se esqueça Phill, o Britânia parte hoje às 16:00 horas.

─ Obrigado amigo, e mais uma vez obrigado por tudo.

E saíram, passando pelos oficiais se despedindo, enquanto eles comentavam:

─ É ótimo quando Sir Philson vem nos visitar, o almirante fica de bom humor o resto do dia.

Phill e Darling atravessaram rápido a avenida e logo chegaram ao estaleiro e quando no escritório perguntaram à Dona Rebeca:

─ Dona Rebeca, onde está John?

─ Acho que ele foi ver os serviços da velha oficina, ou está com Dona Margarida. Ele gosta muito de conversar com ela e, por sua vez, ela também. Aliás, o capitão já soube do comentário de toda a ilha sobre o salão de bilhar do Palace?

─ É justo por isto que desejo encontrar John. Ele merece o meu abraço.

─ Pensei que o senhor já o soubesse, pois estavam bem cedo juntos.

─ Dona Rebeca, a senhora não irá acreditar. Quando o “Pequeno Guardian” perguntou a ele, pela manhã, pois escutara durante a noite o vigia comentar algo, ele respondeu simplesmente ser coisa sem importância. O que me foi contado agora pelo Almirante Smith é incrível, como este escocês é fenomenal!

─ Bem, vou com Darling até a velha oficina e já retorno. Alguma resposta de telex?

─ Ainda não, capitão, creio que só na parte da tarde teremos respostas.

─ Ótimo e, por favor, reserve nossa mesa no refeitório, pois o conde e John almoçarão conosco. A condessa ficará no hotel, preparando tudo com Darling para o jantar, e a senhora será acompanhada por Mister John.

─ Obrigado, capitão, será um grande prazer.

Quando iam saindo do estaleiro, vinha o conde chegando e sozinho.

─ Bom dia meus filhos, belo dia não?

─ Bom dia conde. Bom dia papai. Belíssimo dia.

─ E então, Phill já viu os jornais? disse rindo.

─ Sim, conde. O Almirante Smith me mostrou. Bela foto, o senhor está ótimo e muito íntimo de John.

─ Ele é notável, Phill. Você já deve saber do ocorrido ontem no Palace.

─ Conde, o próprio almirante me contou. E soube agora, estive lá cumprimentando-o e carimbando nossos passaportes. Disse-me que ficara orgulhoso em carimbar o passaporte de John e, pelo que pude notar, é grande admirador seu. Ele é um bom amigo, desde quando nos conhecemos durante a guerra.

─ E onde está nosso amigo?

─ Estamos indo ao seu encontro papai. E Phill complementou: Ele deve estar na velha oficina, ou com Margarida.

─ Bem, então vamos lá. ─ disse o conde.

Chegando à velha oficina do vovô, John estava com roupa de trabalho e dando orientações a Mestre Adams sobre as obras. Margarida, sentada numa cadeira perto, com um grande guarda-sol, observava tudo atenta.

─ Olá amigos! ─ disse John ao ver o grupo chegando.

O conde logo se adiantou e deu-lhe aquele abração, dizendo:

─ Meu parceiro, inseparável de bilhar, como você está?

─ Ótimo, parceiro, ótimo. Conde, gostaria de apresentá-lo a meu amigos Mestre Adams e seu pessoal.

O conde esquecendo-se de nobres e plebeus, sorrindo, cumprimentava o mestre, seus oficiais e assistentes.

─ John, disse, Phill, quero cumprimentá-lo pela “coisa sem importância”, do salão de bilhar do Palace, ontem à noite!

─ Phill, meu bom amigo, continuo achando o ocorrido “coisa sem importância”!

─ John, estas “coisas sem importância” é que estão fazendo com que seja admirado em toda a ilha. A propósito, aqui está seu passaporte com o visto do vice-governador, que está querendo muito ser apresentado a você.

John ficara agradecido e, ao mesmo tempo, preocupado, sem demonstrar nenhum sinal.

─ Meu amigo, disse o conde. E o almirante poderá conhecê-lo esta noite, pois convidei-o para nosso jantar, e já fui adiantando que será em sua homenagem!

─ Conde, assim o senhor está me deixando sem jeito. E estava vermelho como um tomate. O conde completou; você já está John, já está! E todos riam muito.

Margarida aproveitara e agradecia o amável convite para o jantar feito pela condessa e pedia desculpas por não comparecer, pois desde há muito tempo, já não saía mais à noite, o que a cansava muito, o conde compreendera e brincou:

─ Então, faremos um almoço!

─ Qualquer dia desses conde! Qualquer dias desses!

─ Por falar em almoço, pessoal é a nossa hora! ─ disse Phill, vamos para o estaleiro!

─ Margarida, também vem conosco? ─ perguntou Phill.

─ Querido Phill. Estou ótima aqui e preferia assim ficar, se você não se importasse.

─ Está bem, minha amiga, se você assim o deseja, e deu-lhe o beijo na testa, sua marca registrada, no que Darling fez o mesmo e John comentou:

─ Obrigado meus amigos! Me lembra isto uma brincadeira de criança “o que seu mestre fizer, faremos todos”.

E o conde completou:

─ Bem, se Mestre Phill o fez! E deu seu beijo também na testa de Margarida, dizendo:

─ Obrigado por tudo.

Ela se emocionou com aquelas palavras e se calou.

Phill percebendo, convidou a todos para irem ao refeitório, sabendo que Margarida, muito simples e sentimental, sentira muito aquele agrado do conde e, mais ainda, suas palavras, um agradecimento a Mestre Estevão e a ela por tudo que fizeram por Phill.

No refeitório todos já os aguardavam e se levantaram. Quando voltaram a seus lugares, Phill com aceno de mão cumprimentava a seus funcionários, agradecendo a atenção, coisa tradicional naquele refeitório e que seria sempre repetida. Os funcionários do estaleiro eram orgulhosos do seu chefe.

─ Capitão, comentou Dona Rebeca, já recebemos a primeira resposta dos telex. Veio mais rápido do que pensei, de nosso fornecedor do Tahiti, tem todo o material e nos fez uma oferta, de ignorar os seus preços, por acaso mais altos de algum concorrente, se compramos tudo com eles. E estamos com muita sorte, eles têm o “pinho do Canadá”, e já pedi que reservassem.

─ Dona Rebeca, muito boa notícia, vamos aguardar os preços dos demais e no fim do expediente fechamos o pedido com o Tahiti! Sim Dona Rebeca, o Britânia zarpa às 16:00 horas e gostaria que todos do estaleiro estivessem no pátio, enquanto, pessoalmente, hastearei em nosso mastaréu a bandeira real e as sirenes devem ser tocadas.

─ Pode ficar tranqüilo capitão, tudo será providenciado como solicitou.

O conde estava admirado, seu genro era um detalhista em tudo.

O almoço transcorrera da melhor forma possível, e John acertou com Rebeca que estaria às 20:45 horas em sua residência para apanhá-la, para o jantar do conde.

Os telex, como Phill e Dona Rebeca previam, acabaram todos chegando às 15 horas. E a decisão rápida fora tomada e o material estaria todo pronto no pátio do estaleiro em dez dias. Acompanhava a confirmação do pedido ao Tahiti, informações sobre a carta de crédito da rainha e o pagamento a ser feito na entrega do material, pela vice-governadoria da ilha. Phill, à noite, passaria para o almirante todos os detalhes da transação e a documentação da rainha.

Dona Rebeca se retirou para providenciar a resposta ao Tahiti. Phill abrindo seu cofre, por detrás de uma frente de armário perfeita, colocou a carta do Britânia, referente a John e tirou o envelope real, com a carta de crédito de Sua Majestade.

Darling e John comentaram, surpresos com a estratégica posição do cofre.

─ Phill, jurava que isto era um armário gaveteiro! Esplêndida idéia!

─ É um gaveteiro, só não abrem duas gavetas, e para evitar suspeitas, nestas gavetas têm etiquetas, dizendo que no interior, se encontram amostras de madeira.

─ Muito bem projetado, dizia John. Grande idéia! E Darling pedia.

─ Faça uma assim também no “Windsong”, Phill.

─ Capitão, disse Dona Rebeca, entrando na sala. São 15:45h, todos os funcionários já estão no pátio e o Britânia já está com seus motores funcionando. À propósito, o telex do Tahiti, referente à compra da madeira, já foi transmitido!

─ Bem, então, vamos para o pátio! Colocara Phill.

Às 16 horas, as âncoras do Britânia subiram e o Iate Real dava seus tradicionais apitos, avisando de sua partida. No estaleiro, as sirenes começaram a soar, enquanto Sir Phill hasteava a bandeira real inglesa. Na cabine de comando, o capitão emocionado dizia a seu imediato:

─ Meu amigo, deixamos nesta ilha, muito de nós e levaremos muitas saudades. Veja a homenagem que Phill nos presta. Mande todos se perfilarem e, pela primeira vez em sua história, o Britânia tocará suas sirenes em resposta àqueles bons amigos! E Capitão Phill foi dos melhores homens que conhecemos nestas nossas viagens! Os oficiais e a tripulação do Britânia batiam continência para a bandeira real, enquanto suas fortes e estridentes sirenes soavam três vezes e, na vice-governadoria, os canhões davam as onze salva de tiros, como determina o protocolo inglês.

John ficara surpreso, pois nunca vira soar as sirenes do Britânia, aquilo era inédito, e a tristeza se apossou dele. O Britânia partia e com ele dez anos de histórias de sua vida. O escocês se emocionou, e se lembrou de mim, do “Pequeno Guardian”, e me mirou com os olhos cheios d’água, distorcendo a minha imagem. E John pensou. agora sei como o “grande mogno” se sentiu ao deixar sua floresta. É realmente saudoso, mas como ele, minha vida mudou e muito. Emocionado, à maneira militar, se perfilou e bateu continência ao Britânia, o que visto por alguns causou muita estranheza, e Larry comentou sutilmente com a Dra. Karen:

─ John não é só milionário, nobre, ele é militar também, não me surpreenderia, se fosse herói de guerra também.

Phill e Darling perceberam a postura de John e sua emoção. Phill se adiantando falou ao amigo:

─ John, por favor, me ajude a dobrar o pavilhão real.

Ele já havia feito aquilo, centenas de vezes no Britânia, com um conhecimento profundo, do dobrar impecavelmente bandeiras, e começou a fazê-lo de maneira irrepreensível, com Phill, que destreinado tinha dificuldades de acompanhá-lo.

O conde via seu amigo muito emocionado e, surpreso, pensava: meu bom John, é mais que milionário escocês, conhece a corte e bem o protocolo naval inglês, inclusive a dobra do pavilhão real, que é dificílima. Acho que ele é oficial, como Phill, daí sua grande amizade, e deve ter servido no Comando Naval, pois só lá se aprende isto.

O Britânia zarpara. Todos voltavam às suas ocupações, quando o conde se chegando aos amigos disse:

─ Phill, John é oficial inglês, não tenho a menor dúvida disto, ele também esteve na guerra com você?

─ Conde, apesar de nossa grande amizade, este assunto emociona muito a ele, e por isso peço não falemos a respeito.

─ O conde, dirigindo-se para seu querido amigo, o abraçou como a um filho, dizendo:

─ Meu bom amigo, jamais tocarei nesse assunto, farei como Phill, nunca o comentarei!

John abraçava o conde e agradecia aquela atenção. Dra. Karen comentou com Larry:

─ John também é herói de guerra, e lá na Europa, onde o negócio na Inglaterra fora feio.

O respeito, aliado à admiração, era a partir de agora muito maior pelo escocês.

Ao terminar a cerimônia, John preferiu retornar ao Palace, com o que Phill concordou plenamente. O conde aproveitou a “carona” e ficaram todos de se encontrar à noite no jantar oferecido pelos Westerfield.

E do meu local, pensava: John, o marujo, o escocês, o milionário, o amigo estava transformando tudo e todos, era querido por seus amigos, pelo pessoal do estaleiro, e pela cidade admirado. Meu amigo realmente tinha muito direito a que o ajudasse, como vovô dizia: era um homem íntegro.

Às 20:45h, John estava na casa de Rebeca para apanhá-la, e se dirigirem ao jantar do conde. O jantar era a rigor, e Rebeca ficara surpresa com a elegância de John, que vestia um belíssimo dinner jack, com uma gravata azul marinho, como detalhe e os botões do peito e as abotoaduras, lindas e grandes pérolas negras e Dona Rebeca comentou:

─ John você está impecável, é um lorde inglês!

Ele, rindo, dizia:

─ Escocês, Rebeca, escocês e apontava para o pequeno monograma em dourado sobre um pequeno tecido quadriculado de vermelho com verde, que dizia sua procedência.

─ E você uma rainha, Rebeca, muito elegante! No que ela comentava sorrindo:

─ Dia de festa, John! Dia de festa!

O relógio da matriz iniciava suas badaladas das 21 horas, quando John e Rebeca entraram no salão de festas do Palace. Na porta, o conde e a condessa recebiam alegres e com prazer seus convidados.

O conde, vendo John e Dona Rebeca, se adiantou e, com aquele jeitão de homem grande, saudava os amigos, elogiando muito o elegante e impecável “jack” que o amigo trajava. E a condessa não tirava os olhos das belíssimas e grandes pérolas negras, detalhe maior de seu vestir.

Phill e Darling chegavam, acompanhados pelo Almirante Smith, seu ajudante de ordens com a esposa. O vice-governador era viúvo.

Dentro do salão, Phill pediu licença ao almirante e se dirigindo onde estava John e Dona Rebeca, com simpatia os trouxe a seu grupo e se dirigindo ao vice-governador:

─ Almirante Smith, apresento-lhe meu amigo escocês, Mister John, que amavelmente Sua Excelência deu o visto em seu passaporte, pela manhã!

─ Mister John, é um prazer imenso conhecê-lo, como amigo de Sir Philson, do Conde de Westerfield e de nossa ilha, já que o fato do salão de bilhar, o tornou a pessoa mais comentada desta ilha, por sua nobreza e integridade!

John surpreso, estava sem ação, quando o almirante estendia sua mão para cumprimentá-lo, envolvida por aquele punho de veludo azul, com todos os dobrões dourados do uniforme. Ele ficou pensando, enquanto cumprimentava o Almirante Smith: acho que é das poucas vezes na história da Real Marinha Inglesa que um marujo aperta a mão de um almirante e respondeu:

─ Muito prazer, excelência. É para mim uma grande honra conhecer a figura primeira desta ilha, e suas gentis referências a meu respeito, agradeço sinceramente.

Contudo, apenas agi, como faria qualquer súdito fiel a nossa rainha.

O almirante riu e ficou pensando. Este marujo, seu bom senso e a forma de dizer as coisas é, como Phill colocou, notável. Ele está muito mais para almirante que para marujo, e tem as mãos fortes de um gigante, e com a cabeça astuta de uma raposa.

─ Mister John, qualquer dia vamos jogar uma partida de bilhar, como amigos, lógico!

─ Ótima idéia excelência, faríamos uma bela dupla, com o conde e Sir Phill.

─ Excelente, Mister John, excelente idéia.

O conde e a esposa se dirigindo ao grupo, depois de receber os convidados, comentou:

─ Então almirante, vejo que já conheceu nosso estimado John.

─ Perfeitamente, senhor conde, já tive este prazer e honra.

─ Ótimo, almirante, Mister John foi das melhores coisas que me aconteceram nos últimos anos!

E como de seu hábito, dava seus tapinhas nas costas de John, e todos riam muito.

Phill e Darling pensavam como o conde: John também fora algo formidável em suas vidas, seria uma figura muito importante na tripulação do “Windsong”.

O conde convidou todos a se sentarem à grande mesa.

O comentário, agora, era o veleiro de Phill, o “Windsong”, que se iniciaria a construção.

Tudo transcorrera no melhor clima de amizade.

Os anfitriões, sempre rindo e satisfeitos, agradavam a todos.

Ao encerrar a última parte do jantar, o conde levantou-se e ofereceu um brinde a Phill e John, bons filhos que ganhara do destino.

Phill, com seu jeito calmo e simpático, agradeceu o brinde em seu nome e de John, como este o havia pedido, enaltecendo as qualidades do amigo e a gentileza do conde e a grande alegria de estar naquele jantar, o marco inicial da construção do “Windsong”, veleiro com o qual faria a volta ao mundo.

O diretor do Palace convidava a todos para se dirigirem à sala anexa ao salão, onde serviria os licores e charutos, oferecidos pelo Palace.

E todos se divertiam muito com John que mostrara uma agilidade estupenda com os dedos, fazendo diversos truques. Escondia o cigarro numa mão, que aparecia na outra. E o fato mais engraçado foi quando tirava xelins das orelhas de Dona Rebeca, que ria a não mais poder. Ele era um excelente mágico e sussurrava nos ouvidos de Phill:

─ Meu amigo essa é a grande vantagem de ser marujo, aprendemos a fazer coisas para encantar a nobreza!

A condessa, maravilhada com as pérolas negras de John perguntava ao amigo como poderia adquirir algumas: Darling, abrindo uma pequena bolsa, retirando uma caixinha azul de veludo deu a sua mãe, comentando:

─ Mamãe, não há necessidade de preocuparmos John. Este é um pequeno presente, meu e de Phill para a senhora.

E a condessa abrindo a caixinha viu quatro belíssimas pérolas negras.

─ Oh! Minha querida filha, muito obrigado! E a abraçou, beijando sua única filha.

O conde não perdeu tempo e disse:

─ Bem são quatro pérolas, duas suas e duas minhas que farei umas belíssimas abotoaduras iguais às de John! E a condessa prontamente falou:

`─ Nada disso, Andy, o presente é meu!

─ Não se preocupe papai, suas abotoaduras e botões, estão sendo feitos, e logo o senhor os terá, só que não deu tempo para o ourives fazer para hoje.

─ Obrigado, querida Darling, você sempre a mesma amada filha! ─ disse beijando Darling com muito carinho.

Todos, sentados confortavelmente nas belas poltronas de couro do Palace, saboreavam os licores e os havanas, enquanto conversavam animadamente sobre o “Projeto Windsong”.

E o almirante dizia:

─ Phill, já estamos acertados. Assim que as madeiras chegarem, o pagamento é comigo. Providenciarei, amanhã mesmo, o empenho do valor correspondente que ficará à disposição da empresa fornecedora do Tahiti e, brincando, acrescentou: presente da rainha é sagrado.

A noite ia chegando a seu final. Todos foram se retirando, agradecendo ao conde e esposa o agradável jantar. Larry e a Dra. Karen, vizinhos de Dona Rebeca se encarregaram de levá-la, e John ainda ficara conversando até um pouco mais com o conde, que com licores e charutos, se perdia no cinza da fumaça, narrando histórias de sua vida ao amigo, aumentando ainda mais sua amizade, quando por volta das 2:00 horas da manhã, o sono se fez presente e resolveram fazer parceria com o recém chegado.

Os tempos de festa, reuniões e conhecimento chegavam a seu término. Iniciava-se agora o tempo de trabalho, tempo de meter mãos à obra, o tempo de construir o “Windsong”.

 

Phill enviara mensagem a Nanú, comunicando que chegara a hora da sua vinda para nossa ilha. Seu irmão polinésio notificava que em uma semana estaria no estaleiro, coincidindo com a chegada do carregamento das madeiras do Tahiti e seria bem possível que ele chegasse no mesmo navio.

No estaleiro tudo já estava preparado. Os moldes das cavernas prontos, todos os detalhes desenhados e muito estudados. A forração do convés em teack, toda desenhada e o interior com o projeto pronto. O serviço todo programado por Larry, com seus tempos definidos: em dois meses o casco estaria montado. As previsões eram as melhores possíveis, o que deixava a todos muito animados.

Os quatro barcos pesqueiros já estavam sendo construídos em ritmo acelerado e a previsão para concluí-los era para breve. O pessoal do estaleiro estava ansioso para trabalhar no “Windsong”.

Larry e Dona Rebeca já haviam encomendado o motor do “Windsong”, o presente de casamento de Phill e Darling, pelo pessoal do estaleiro. Um motor Perkins 4107, M. Diesel, último modelo, e com assistência técnica em todos os locais por onde passariam.

A reforma da antiga oficina do vovô estava quase pronta, faltando pequenos detalhes finais. Tinha ficado ótima, e John em poucos dias se mudaria do Palace e estava alegre com isto. Assim como Margarida, pois teria seu bom amigo todas as noites para amenas e gostosas conversas que tanto a distraíam.

O navio do Tahiti chegara, finalmente com todas as madeiras e muito bem selecionadas. Excelente material. O fornecedor caprichara. Com elas chegara Nanú, no mesmo navio como haviam pensado. O almirante já tinha feito o pagamento, estando a questão financeira liquidada.

─ Meu irmão Nanú, que ótimo tê-lo conosco, vamos para o escritório pois precisamos conversar muito: ─ dizia Phill. No escritório Nanú falava com todos.

E chegara a vez de John, que Nanú conhecia como o marujo do Britânia, que cuidava do barquinho de Phill.

─ Este é meu bom amigo John, escocês, negociador de pérolas negras! Nanú entendera todo o recado de Phill e cumprimentou-o, amistosamente:

─ Muito prazer John, já ouvira falar muito bem de você!

─ O prazer é todo meu Nanú, Phill já nos contou boas histórias a seu respeito.

Nanú foi apresentado a Larry, que iría mostrar todo o estaleiro e todo o material do “Windsong”, principalmente, enquanto as madeiras chegadas iam sendo colocadas no pátio.

Do meu local, junto à janela, via chegarem grandes peças de mogno, cedro, carvalho, teack e os compensados navais, estes já sendo levados diretamente para o almoxarifado e o pinho canadense, o último a ser descarregado. Todas as peças com pequenos rotos, as separando umas das outras para ficarem ventiladas, e nenhuma em contato com o piso, todas levantadas para não ficarem úmidas.

Quando todos estavam distraídos, disse a John que precisava fala com ele, que subiu até ao escritório, indo à minha janela.

─ Qual é o problema, “Pequeno Guardian”?

─ Tudo bem John, só que gostaria de estar esta noite com as madeiras para conversar muito com elas.

─ Certo, amiguinho, vou falar com Phill e já volto.

Ao chegar à sala de Phill, a conversa estava animada. Nanú já voltara da visita ao estaleiro e Phill o colocava a par de todo o “Projeto Windsong”. O gigante polinésio estava entusiasmado com tudo que via, e como as coisas estavam adiantadas, foi quando entrei falando com Phill.

─ Phill precisava de sua autorização para dar uma boa limpeza no “Pequeno Guardian”, e deixando-o secar junto às madeiras do “Windsong”!

 Phill já entendera tudo e rindo respondeu a John.

─ John, você faz o que quiser no nosso estaleiro. Ele é seu também, e o “Pequeno Guardian”, você já o conhece bem. É uma excelente idéia, limpá-lo e colocá-lo ao lado das madeiras do “Windsong” para secar! ─ disse isto rindo.

John trabalhando meus cabos e roldanas, começou a me descer e pousei suave em minha carreta que já estava com saudades.

John chamando seus dois amigos marujos do pátio, pediu que o ajudassem na lavagem e polimento de meus metais, enquanto colocava graxa nas rodas de minha carreta que estavam muito secas. E ficaram bem lubrificadas, não fazendo mais nenhum barulho.

Ele aproveitou e ensinou aos marujos a técnica de polimento de metais, que deixou-os maravilhados, e achando que realmente ficaram muito mais brilhante. Um dos marujos perguntava a John:

─ Mister John, como é que o senhor conhece tanto destas coisas?

─ Meu amigo, quem vive no mar tem que conhecer tudo sobre barcos e depois como pedir alguma coisa para alguém fazer, se não se sabe como fazer, fica difícil!

Rindo, comentou o marujo:

─ É verdade Mister John!

Tudo bem polido e seco, estava brilhando e John me colocou ao lado das madeiras recém-chegadas.