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Não é todo dia que uma agência bancária, como a da ilha, abre uma conta de tal valor. Abertura de cadastro, fichas e formulário, Dona Rebeca solicitou que tudo fosse feito com os dados do estaleiro. John recebeu um talonário e um número secreto. Jamais seria atendido no salão, somente na sala especial. John deixou na conta cento e vinte mil libras esterlinas, e levou consigo doze mil em espécie, para suas despesas iniciais. Ele fora para o Palace e Dona Rebeca para o estaleiro, onde se voltariam a encontrar às 12 horas. Os oficiais do Britânia começavam a chegar na casa de Phill, que os aguardava com Darling e Margarida. O Capitão com uma bermuda branca e uma florida camisa, típica das ilhas, estava com ótima aparência, jovial, e os oficiais todos à paisana, alegres, todos se cumprimentaram rindo e começaram a levar as coisas para casa de Margarida. Phill pediu ao Capitão: ─ Capitão, gostaríamos de ter uma palavrinha reservada com o senhor, seria possível? ─ Claro Sir Phill, com o maior prazer! E pediu a seu oficial imediato sua pasta, dirigindo-se ao interior da casa. Darling, Phill e o Capitão sentaram-se num confortável sofá e Phill foi direto ao assunto. ─ Capitão, eu e Lady Darling estamos precisando de seu auxílio para resolvermos uma delicada questão. Convidamos o marujo John, agora nosso íntimo amigo, para fazer parte da tripulação de nosso veleiro “Windsong”. É fundamental que ele acompanhe toda a sua construção e o senhor sabe bem disto. Entretanto, ele precisa dar baixa do Britânia e sei que as formalidades são complicadas. Todavia, com sua autorização, tudo seria contornado e resolveríamos aqui mesmo na vice-governadoria as pendências burocráticas. O Capitão ria muito e respondia ao casal:
─ Sir Philson, Lady Darling,
tinha certeza que isto aconteceria. Achei até que o senhor e milady
demoraram a falar comigo sobre o assunto. A minha decisão já fora tomada
ontem mesmo, pois fui informado pelo Serviço de Inteligência do Britânia,
que o ele havia ido para terra com todos os seus pertences. Prezados
amigos, como poderia negar este pequeno favor que vocês me pedem, depois
de tudo que fizeram por mim e meus oficiais e, principalmente, só se fosse
louco não atenderia um pedido dos afilhados de nossa rainha! Dizendo isto
rindo e, abrindo sua pasta, tirou um envelope que passou às mãos de Phill
que fez a leitura.
Phill assinou seu de acordo, no original e na cópia, e voltando-se para o Capitão colocou: ─ Capitão, mais uma vez fico-lhe devedor, já que foram tantos os favores que o senhor me fez! ─ Sir Phill, se alguém aqui é devedor somos nós, este humilde Capitão e os oficiais do Britânia. Hoje estamos milionários, graças a sua presença no Iate Real. Levantando-se, deu um forte abraço de gratidão em Sir Phill. ─ Capitão e a tatuagem? ─ Perfeita, Sir Phill, uma beleza, irei inaugurá-la hoje! ─ Capitão, disse Phill, só mais um favorzinho. O marujo John, hoje é conhecido como um proeminente escocês e ficaria desagradável que a oficialidade o tratasse de modo diferenciado do nosso. Assim, gostaria que o senhor pedisse a seus oficiais que o tratassem com o respeito que merece. Agora com sua licença preciso transmitir aos meus oficiais o seu pedido. E Phill comentou com Darling. ─ Querida, você conhece bem os meandros da corte. Acertou, em cheio, o procedimento do Capitão! ─ Bem, vamos ao encontro dos nossos convidados que daqui a pouco John estará chegando! Saindo, já encontraram os oficiais no gramado à vontade. O Capitão reuniu sua oficialidade e todos junto à balaustrada da varanda, informalmente, gozando das delícias da praia polinésia, ocasião que Phill achava ótima, e falou aos oficiais do Britânia: ─ Meus bons amigos, quis o destino que viéssemos a ter uma ligação muito estreita. No seu navio fui feito Lorde, conheci e casei com Lady Darling e gozei dos prazeres de ser hóspede em minhas núpcias. Na viagem ficamos amigos para sempre e vocês acabaram se tornando homens independentes. Gostaria que, a partir deste momento, como bons amigos nos tratássemos sem formalidades, títulos e protocolos pelo que somos realmente, por Phill e Darling. Aqui, na varanda da casa daquele que me fez, o que hoje sou, selemos nosso honrado compromisso de ver sempre as pessoas por seus méritos e, não por seus títulos. Todos estavam surpresos, pasmos até, nunca viram nada semelhante. Phill era um homem extraordinário, grande em tamanho e gigante em caráter e o gesto saiu espontâneo. Hurra! Hurra! Hurra! a Phill e Darling! A gritaria acabou abafando a chegada de Dona Rebeca e John. ─ John, Dona Rebeca! Que bom estarem aqui! E virando-se para o pessoal do Britânia fez as apresentações. ─ Amigos, apresento, com prazer, minha eficiente secretária Dona Rebeca e meu grande amigo, Mister John, proeminente milionário escocês, que acaba de chegar a nossa ilha, e será meu braço direito no estaleiro! A surpresa foi geral e o recado bem dado. Abraçados, desceram para o jardim, e todos os oficiais cumprimentavam-o com brincadeiras e ele não acreditava no que via, e acontecia. Phill mudara o Britânia, sem que nada retornasse mais ao que fora antes. ─ E então, escocês! ─ Olá, John! Como é a nova vida? E o capitão cumprimentando disse a John: ─ Escocês, tinha a certeza de seu sucesso quando o vi com o barquinho de Phill! ─ Obrigado, Capitão! ─ dizia ele meio nervoso. ─ Escocês, sucesso, muito sucesso desejo para você! E ofereceu a ele uma taça de champanhe. E todos devidamente com suas taças na mão, estavam alegres, quando o Capitão falou alto e o imediato dava aqueles apitinhos. ─ Piuuui! Piiiiuiiu! Piiiiii! ─ Meus amigos, hoje é dos dias mais importantes para nós do Britânia. Graças ao amigo Phill, encontramos nosso caminho nesta ilha, no sul do Pacífico. Encontramos a maior lição de caráter, de todas as nossas vidas. Phill e Darling nos mostram a verdadeira e correta postura, que doravante adotaremos e que meu amigo escocês, que se mostrou estar no mesmo nível destes bons amigos seja muito feliz e tenha todo o sucesso! E levantando sua taça, propôs:
─ Um brinde a Phill, Darling e ao nosso escocês John! Dona Rebeca e Margarida, que não eram bobas, perceberam que John tinha servido no Britânia e, pela intimidade com que os oficiais, todos o tratavam, comentaram: ─ Ele deve ter sido oficial do Britânia! Acho que o segundo imediato. ─ disse Margarida. ─ E ele nunca comentou nada! ─ falou Dona Rebeca. O Capitão, tirou sua camisa florida, comentando estar muito calor e, garboso, fazia a apresentação de sua tatuagem, o que deixou todos surpresos, e admirados. ─ Capitão, disse o imediato, bela tatuagem. Nunca soube que o senhor a tinha feito. É realmente uma beleza de trabalho, linhas perfeitas, as insígnias do Britânia estão corretíssimas! ─ Isto é o que acontece quando se come muito numa festa de casamento. Moorea para mim será sempre inesquecível, como disse o Capitão Nanú! E todos se recordaram do Capitão, meio indisposto, e ligaram os fatos e riam muito, quando o imediato complementou: ─ Para todos nós Capitão, Moorea será inesquecível, inesquecível! Dona Rebeca e John se despedindo muito de todos, retornaram ao escritório, pois ele se mudaria para o Palace. Tinha hora marcada com alfaiates e pediu a amiga que o ajudasse na escolha dos tecidos, o que a deixou muito contente. No escritório, havia um fax urgente da Austrália com a notícia que o conde e esposa chegariam na baía da nossa ilha no dia seguinte. Pedia que Phill providenciasse um bom transporte, pois tinham muita bagagem e pesados caixotes. O dia ia chegando a seu final. Na praia, em frente a casa do vovô, a oficialidade do Britânia já começava a sentir as primeiras reações do muito tempo expostos ao sol tropical. Todos agradeciam muito a Phill, Darling e Lady Margarida pelo maravilhoso dia e, com toda certeza, tentariam retribuir toda essa hospitalidade quando com o “Windsong” chegassem à Inglaterra. Abraços, despedidas, selaram a forte amizade da tripulação do Iate Real. Todos guardavam excelentes recordações dos inesquecíveis momentos vividos juntos. O dia fora muito cansativo para Phill, Darling e Margarida. Relaxavam nas espreguiçadeiras no jardim, enquanto tomavam as últimas taças de champanhe, quando Dona Rebeca chegara com a mensagem dos Westerfield: Capitão Phill, Lady Darling, acabamos de receber esta mensagem do conde. Passando às mãos de Phill, que leu para todos, exclamando: ─ Amanhã é que começaremos a ter trabalho! Darling complementou. ─ Querido, você não tem a mínima idéia de quanto trabalho. E todos se riram muito. Servindo uma taça de champanhe a Dona Rebeca, Phill perguntou: ─ E John, Dona Rebeca, como andam as coisas? ─ Ótimas capitão! Já se encontra devidamente instalado no Palace, numa excelente suíte e acredito que passou a tarde toda com os alfaiates. Ajudei-o a escolher bons tecidos para suas roupas, afora outras que imediato adquiriu, estará muito rápido com um belo enxoval. John no hotel, estava às voltas com os alfaiates que tiravam suas medidas, enquanto escolhia os modelos, já que os tecidos Dona Rebeca os escolhera com bom gosto para ternos, smokings, diner jacks, fraques, roupas casuais, esportivas, etc.. Explicava que no porto de embarque seus pertences haviam caído no mar e que precisava de tudo com a máxima urgência. No que os alfaiates rapidamente respondiam. ─ Não se preocupe Mister John. Amanhã o senhor estará com mais da metade de seu pedido aqui no Palace e com dois dias entregamos todas as suas encomendas! Não era todo dia que aqueles alfaiates tinham um serviço daqueles, é lógico, seria prioritário, e todos na alfaiataria trabalhariam somente no pedido de Mister John. À noite John resolvera fazer uma visita ao “Pequeno Guardian” e à oficina. Eram quase 21:00 horas quando tocou a campainha do grande portão do estaleiro. ─ Boa noite, Mister John! ─ Boa noite. Gostaria de ir ao escritório, onde irei trabalhar um pouco no projeto do “Windsong” e já vou adiantando as coisas para o capitão! Ao ver John subindo, logo pensei. Este John é realmente fantástico, ao invés de ficar no Palace preferiu vir conversar conosco. É um bom amigo. John acendera as luzes do escritório de Dona Rebeca e da oficina, como todos chamavam, “o Museu” e foi saudado por todos: ─ Olá John! Como vai, amigão? Ele ia respondendo e alisando a todos, e colocando um banquinho junto a janela, perto de mim, começou a conversar. E então “Pequeno Guardian” como vão as coisas? ─ Tudo bem, John! Mas eu é que pergunto como estão as coisas? E John contara tudo: a abertura da conta no banco, o piquenique na praia, os oficiais tratando-o como igual, a carta do capitão do Britânia e a chegada dos pais de Darling, isto que o deixava preocupado. ─ John não se preocupe, disse, tudo se resolve! ─ É verdade “Pequeno Guardian”, tudo a seu tempo, tudo a seu tempo! ─ Ué! Você fala igual ao vovô, e ao Phill! ─ dizia o martelo. ─ É igual ao “Pequeno Guardian”, também martelo, aprendi com ele! E o grande serrote não perdia uma do martelo. ─ Puxa, seu martelo, o senhor anda muito esquecido ultimamente! ─ Pronto, lá vem o seu serrote pegar no meu cabo! ─ Não é assim que diz, seu martelo “é pegar no meu pé!” ─ dizia o grande serrote. ─ Tá vendo, depois o esquecido sou eu! Seu serrote eu não tenho pé, só cabo! Todo mundo se ria muito. O martelo, realmente, era muito gozado. John ficara conosco até a meia-noite, e nos divertimos muito com suas histórias e anedotas. Apagando as luzes se despediu de todos nós e saiu. ─ Paul! Paul, Aqui estão as chaves do escritório. Muito obrigado por sua atenção e não se preocupe se me ouvir falando, pois quando trabalho sempre falo muito sozinho. É por isto que gosto deste horário, não atrapalho a ninguém. ─ Não se preocupe Mister John. Dona Rebeca também gosta de vir trabalhar à noite. Ela também fala muito sozinha, já estamos acostumados! ─ Ótimo, Paul, já vi que não sou o único! E se despedindo do vigia, retornou ao Palace. Ao chegar a sua suíte encontrou uma garrafa de champanhe num belo balde de prata, com gelo e o cartão com o timbre do hotel. Nele, o diretor agradecia a preferência dele de se hospedar no Palace e se colocava a sua disposição para o que necessitasse, a fim de tornar sua estada no hotel, a melhor possível. John pensara, como é interessante o ser humano, dando sempre valor ao que temos e nunca ao que somos, por isso é que Phill é um vencedor. Ele primeiro vê o que somos e nunca se preocupa com o que temos. Phill chegara cedo ao escritório, com Darling, quando mais tarde chegou Dona Rebeca. ─ Bom dia capitão, Lady Darling. Madrugaram hoje! ─ Bom dia, Dona Rebeca, respondeu o casal e Phill complementava: ─ Estava preparando tudo para recebermos os pais de Darling . Trazer toda a bagagem para o estaleiro, remetermos o que for do conde para o Palace. O navio chegará às 11:00 horas. Iremos apanhá-los em nossa lancha e Larry cuidará do despacho das bagagens. ─ Sim capitão! ─ disse Dona Rebeca. No Palace já está tudo providenciado para o conde; e deixarei recado parra Dr. Larry a respeito do despacho da bagagem. John chegando cumprimentou a todos que ficaram surpresos com sua aparência. Trajava um conjunto de linho creme claro, com um chapéu de Panamá, impecável, que o deixava muito elegante. E Phill comentou: ─ John, os alfaiates trabalharam bem e rápido! ─ Phill, acho que trabalharam toda a noite pois às 8:00 horas já haviam muitos pacotes na ante-sala da suíte. Acredito que terei tudo amanhã pronto! ─ E seus pais, Darling, quando desembarcam? ─ Às 11:00 horas. O Navio lançará âncoras na baía, quando iremos apanhá-los e não se preocupe meu amigo. Deste assunto, como já disse a Phill, cuido eu pessoalmente. ─ Bem amigos, disse John, enquanto isto vou trabalhar, ver como andam os serviços que se iniciam agora na velha oficina. Larry me avisou que já enviou o pessoal para lá. Nos encontramos mais tarde! E saiu se despedindo de todos. Larry entrava no escritório e cumprimentou a todos. ─ Bem, Larry, aqui estão os quatro contratos assinados para a construção dos pesqueiros, pode iniciar a produção. ─ Ótimo capitão, creio que em seis meses entregamos o pedido e já fiz pequenas modificações em nossa linha de montagem que nos capacitará a ter uma produção de até doze pesqueiros de uma só vez.
─ Excelente Larry. Eu já estava um pouco preocupado em não poder atender a todos os pedidos. E Darling perguntou, curiosa e preocupada, e como faremos com o “Windsong”? E antes que Phill dissesse alguma coisa, Larry respondia: ─ Não se preocupe com isto Lady Darling, preparei setores totalmente independentes e, funcionando em paralelo, para que ninguém interrompa o serviço do “Windsong”. E Phill concluiu: ─ E como faremos o “Windsong”, Darling, uma produção independente, o que me preocupava eram os materiais que viriam da Inglaterra ou dos Estados Unidos. Mas acredito que o conde tomou a dianteira, e já deve estar trazendo. Aproveitou o avião da rainha e poupou em muito o nosso tempo. Já que o avião no trecho Inglaterra ─ Austrália vinha vazio. O restante que pensarmos encontraremos com facilidade no mercado náutico da Nova Zelândia ou da Austrália. Eram 10h:30min, quando Dona Rebeca entrou na sala de Phill comentando: ─ Capitão, tudo está a sua disposição, e o navio já se encontra entrando em nossa baía. ─ Bem Darling, é hora de irmos receber seus pais! Toda alegre, Darling iría se encontrar com seus pais, pela primeira vez, depois de casada. Margarida apareceu na varanda com um alegre sorriso. ─ Bom dia a todos! John apressou-se em ir a seu encontro. ─ Pronto Lady Margarida, estamos iniciando a reforma da velha oficina do vovô. Ficará irreconhecível depois de acabada. ─ Que beleza, venha aqui na varanda, vamos conversar e você me explica tudo. Mas, tem uma coisa, por favor, me trate de Margarida. ─ Tudo bem Margarida, só com uma condição, que almocemos juntos, no Palace, hoje! ─ Combinado Sairemos juntos para almoçarmos no Palace! E ficaram conversando na varanda, enquanto John a colocava ciente do projeto para a nova oficina, ou melhor, a casa do projeto “Windsong”. Margarida oferecia uma gostosa água de côco gelada a todos; Mestre Adams e seus homens acharam muito bom trabalhar ali com Mister John, o admiravam por sua competência e simpatia. Teriam que se esforçar para retribuir tudo aquilo, com um serviço rápido e bem feito. Phill, Darling, Larry e alguns assistentes chegaram ao navio, já ancorado na grande baía, perto do Britânia, e ouviam-se apitos avisando sua chegada. Na amurada, Darling já via o conde e a condessa que acenavam, com largos sorrisos para eles. O movimento a bordo era enorme. As escadas laterais foram baixando e, logo, desciam os passageiros. A lancha do estaleiro foi a primeira a abordar o navio. Os pais de Darling entraram na lancha, enquanto Larry, já com documentação do casal, subia a bordo para preparar o despacho das bagagens. ─ Olá, papai, mamãe, vocês estão ótimos! ─ Oh. Minha Darling, que bom vê-la e Phill, como estão? ─ dizia o conde. ─ Muito bem conde, e a senhora corada do sol condessa? ─ disse Phill. ─ É, estas férias estão nos fazendo muito bem! ─ Bem, então, vamos para o estaleiro. E manobrando rápido, a potente lancha, muito bem cuidada, dirigiu-se para o seu ancoradouro. Conversas, novidades, iam alegrando o trajeto e chegaram ao nosso píer, quando todos desembarcaram e a lancha retornava ao navio, agora recebendo uma grande chata, para apanhar Larry e as bagagens do conde. ─ Enfim terra, dizia o conde, isto é ótimo Phill, o balançar do navio para nós é terrível. E a mãe perguntava à Darling. ─ E você, querida Darling, me conte, como foi a viagem no Britânia? ─ Mãe, inacreditável, inesquecível, coisas maravilhosas, você ficará surpresa com os presentes que recebemos. ─ Que bom minha filha, você depois me conta tudo! ─ E você Phill, perguntava o conde, como estão os preparativos para a construção do veleiro? ─ Estão indo bem, conde. Já temos todo o projeto, agora estamos fazendo a relação do material, até já tem nome, se chamará “Windsong”, o nome que vovô colocaria no seu veleiro se o construísse. ─ Ótimo Phill, fantástico, você é rápido como gosto! E todos se encaminharam para o escritório quando o conde, dando uma parada, apontou para mim dizendo: ─ Phill, este seu barquinho é lindo, o admiro muito! Phill rindo dizia: ─ Nós também conde, nós também! No escritório Dona Rebeca já os aguardava. ─ Bom dia Dona Rebeca. Não fora a senhora não teríamos as informações precisas de nossos filhos! E o conde comentava: ─ Phill, Dona Rebeca, diariamente, nos enviava informações sobre o Britânia e onde vocês se encontravam. Não sei o que você faria sem Dona Rebeca. ─ Nem eu, conde, nem eu! Dona Rebeca já havia providenciado suco de frutas para todos, a fim de amenizar o calor daquela hora do dia. Enquanto Darling conversava com a mãe, Phill levava o conde para o escritório e começava a mostrar os desenhos do “Windsong”. ─ Bom Phill, você está bem adiantado. Em quanto tempo estima sua construção? ─ Acredito, conde, agora que já tenho uma idéia mais precisa, que em oito meses estarei com o “Windsong” pronto! ─ Excelente Phill, excelente! Phill via pela janela de sua sala a lancha retornando, rebocando na chata muitos caixotes grandes e as malas-armário do conde e disse para ele: ─ Conde, é muita bagagem, a chata está carregadíssima! ─ Você nem imagina Phill, coisa para não acabar mais! Larry, vendo Phill na janela, avisara ao capitão que tudo estava ok. O conde e Phill desceram para o grande pátio do estaleiro para selecionar a bagagem. Todas as peças tinham um número e uma lista do que havia no seu interior. ─ Aquelas quatro são nossas, os outros dezesseis caixotes são seus, Phill! ─ Conde, o senhor trouxe a Inglaterra para nós! E o conde dava aquela grande gargalhada, sua característica maior. Tudo separado, Phill pediu a Larry: ─ Por favor, Larry, providencie para que as malas do conde sejam levadas para o Palace. Já está tudo acertado lá! O próprio Larry cuidava pessoalmente de tudo, dando ordens rápidas e precisas, como era do seu feitio: rápido, eficiente e organizado. O conde comentou: ─ Phill, Dr. Larry é extremamente eficiente! ─ Conde, ele é o imediato do estaleiro; com ele e Dona Rebeca, à frente, tudo anda sozinho, me sobrando muito tempo para tratar de outros assuntos. Este americano é o que tenho de melhor, e somos bons parceiros e amigos! Conde vamos, então, para o Palace! O conde deu um pequeno e diferente assobio, muito longo, e a condessa junto com Darling, logo atenderam e desciam as escadas do escritório e Phill comentou rindo: ─ Maneira diferente de chamar as ladys, conde! ─ Meio fora do protocolo, mas funciona como gosto, rápido! E dava aquela farta gargalhada. Foram para o Palace, conversando e comentando sobre a viagem. Quando estavam chegando, viram entrando Margarida e John, mais adiantados, no que a condessa logo comentou: ─ Oh! Lady Margarida acaba de entrar no Palace e, pelo que pude notar, muito bem acompanhada por um elegante senhor! Phill e Darling ficaram surpresos. Margarida não gostava de sair de casa e percebiam que o elegante senhor era o John; Phill comentou rápido: ─ Ótimo, assim falaremos com ela e ainda lhes apresentarei meu melhor amigo, John. Darling complementou: ─ Mamãe, você irá adorar John, amigo íntimo de Phill. Ele é escocês e riquíssimo, todos o confundem com outras pessoas, face a sua fisionomia alegre e simpática. ─ Ótimo Darling, adoro escoceses alegres e simpáticos! ─ disse a condessa. Entrando no Palace, Phill fora logo procurar os amigos e os encontrou numa bela mesa reservada, com o nome Mister John gravado numa plaquinha dourada. Ao centro da mesa, um lindo arranjo de flores. ─ Olá Margarida e John, não sabia que vocês estariam aqui! ─ Oh Phill, John convidou-me para almoçarmos juntos! E Phill, quase num sussurro, disse a John: ─ Amigo, os Westerfields estão chegando! ─ É Phill, justo por tal, tratei de conseguir aliados. Com Margarida a meu lado, você e Darling estou em maior número. ─ Phill rindo, deu um forte abraço nele, dizendo nos seus ouvidos. ─ Escocês, você é terrível, pensa em tudo! Neste exato momento, Darling e seus pais chegavam à mesa de John. A condessa foi logo, simpaticamente, cumprimentando Margarida e com os olhos, disfarçadamente, passava em revista o elegante escocês. ─ Minha querida, Lady Margarida, que bom vê-la e muito bem acompanhada! ─ Um grande prazer revê-la condessa. Gostaria de apresentar Mister John, amigo dos mais íntimos de Phill e nosso. John cumprimentou a condessa, à maneira da corte e protocolar, que a deixou muito surpresa. ─ Muito prazer, Mister John. ─ O prazer é todo meu milady. O conde, falando amavelmente com Margarida, dirigiu-se a John, dando um forte aperto de mão. ─ John, é um grande prazer conhecer um amigo de Phill. ─ O prazer é todo nosso conde. O conde percebeu que apesar do amigo de Phill ter uma terrível força na mão, era um homem fino. ─ Vamos sentando senhores, disse John, e com um movimento sutil para o maitre, foram providenciados lugares extras à mesa. Lady Westerfield não perdia nada. O corte da roupa de John, sob medida, seu belíssimo chapéu de Panamá, no aparador da mesa, a plaquinha junto com as flores com o seu nome, o belo monograma bordado no bolso de seu paletó, com as letras J.M.P., entrelaçadas, a sua sutil maneira de chamar o maitre, demonstrava ser ele, mais que um simples escocês, e virando-se para John perguntou: ─ Mister John, quando o senhor chegou à ilha, pois não me recordo de tê-lo visto na visita da rainha? ─ Chegamos há dois dias Milady, justo quando Phill e Darling chegaram no Britânia. Estávamos com negócios de pérolas negras no Tahiti. ─ Que bom, Mister John. Gostaria de saber a respeito de pérolas negras e a propósito, não me lembro de seu sobrenome. ─ Milady não poderia se lembrar, não o disse, mas é Mac Philson. A condessa estava um pouco em desvantagem e voltou à carga. ─ O senhor é parente dos Mac Philson de Glasgow? ─ Sim Milady, todavia há mais de quinze anos que estou fora da Escócia. ─ Engraçado, sua fisionomia não me é estranha. ─ Eu não disse mamãe, que todos o acham conhecido! Dissera Darling amenizando o bombardeio da condessa. O conde, rindo, comentou: ─ Minha esposa sempre achando que conhece todo mundo! ─ É possível! ─ disse John. E pegando o jornal da ilha, na primeira página, mostrava uma grande foto de Phill e John, caminhando abraçados pela cidade, com o comentário: “Sir Phill e seu amigo escocês, milionário, que chegou a nossa ilha, Mister John”. ─ Todos me vêem muito no jornal e me acham parecido com alguém. É sempre assim, já estou acostumado, condessa. ─ Phill, este é o meu maior problema! E ria muito com Phill, e agora acompanhado por todos. E a condessa, dando-se por vencida, colocou: ─ Este é o nosso grande problema também, Mister John, todos nos conhecem ou pensam conhecer. Phill se rindo, sutilmente piscara para John, como comentando que havia passado no teste. O conde agradeceu o convite para almoçarem, porém estavam muito cansados e preferiam estar mais à vontade nos seus aposentos Ao se levantarem convidou a todos para o jantar íntimo que ofereceria no dia seguinte às 21:00 horas. O conde, a esposa e Darling se retiraram, ficando na mesa só os dois amigos e Margarida, que estavam muito satisfeitos e Phill comentando: ─ John você é estupendo. Esta do jornal foi formidável, nem eu tinha visto ainda! A condessa não fará mais nenhuma pergunta a você. Margarida ainda não sabia nada sobre o seu passado, quando ele para surpresa de Phill, virando-se para a amiga, citou tudo sobre o Britânia e sua história, como conhecera Phill, etc. Margarida se levantando, beijou Phill e John, carinhosamente na testa, dizendo: vocês são maravilhosos. E John, você agora é meu íntimo amigo também! Começaram a almoçar, descontraídos e alegres, quando Phill se lembrou dos Mac Philson de Glasgow e perguntou a John: ─ Amigo, que história é a sua relacionada aos Mac Philson, que a condessa perguntou? ─ Phill, isto é uma longa história que eu um dia contarei a vocês. É como suas histórias de guerra, tudo tem seu momento. Phill riu-se para o amigo, dando uns tapinhas nas suas costas, dizendo: ─ Certo, um dia você nos conta. Durante a tarde, John, Phill, conde e Larry foram abrir os caixotes que o conde trouxera. John, agora com roupas de trabalho: uma bermuda caqui, cheia de bolsos na frente e atrás e uma camiseta branca, com um pequeno detalhe, bordado em linha azul marinho, na frente escrito “Windsong John”. Abrindo-os com rapidez, John mostrava a todos que conhecia bem aquele serviço. Com um pequeno pé de cabra, rápido, justo onde estavam os pregos, levantava-os sem entortá-los, soltava as madeiras sem feri-las e, rapidamente, os caixotes eram desmontados, sem causar nenhum dano às coisas em seu interior. O que valeu o comentário do conde: ─ John, você é conhecedor do assunto, que técnica formidável! ─ Conde, no mercado de pérolas, é o próprio dono que tem o dever de abrir os caixotes e com todo o cuidado. Phill teve que se afastar, porque não se agüentava de tanto rir, no que John contou uma rápida e gozadíssima anedota sobre pregos e uma velhinha que todos rolavam de rir. E salvou o amigo que, agora, ria em dobro. Do meu local, me divertia com aquilo. John era o que Phill precisava no “Windsong”, alguém que conhecesse as coisas do mar, fosse inteligente, rápido, prático e, sobretudo, alegre e gozadíssimo.
Todos os caixotes abertos, começaram a anotar tudo: quantidades, e sendo levados para o almoxarifado. ─ Parafusos e pregos de bronze de diversos tipos e tamanhos. ─ Material elétrico, fios especiais de diversas grossuras. ─ Lâmpadas de navegação e de cabine especiais. ─ Metais diversos, passadores de cabos, manilhas, respiradores, etc.. ─ Ferragens especiais de bronze. ─ Moitões especiais de diversos modelos e tamanhos de madeira e bronze. ─ Colas, borrachas vedadoras, etc... Tudo estava lá e Phill ficara surpreso como o conde entendia daquilo e perguntou-lhe. ─ Conde, como o senhor conhece tanto de marinharia e material náutico para construção de um veleiro? ─ Phill, conheço muito superficialmente. Assim pedi apoio a um grande amigo almirante, excelente velejador, possui um clássico veleiro de cinqüenta pés, que com seus oficiais relacionou tudo o necessário para a construção de um veleiro de setenta pés, inclusive, enviando novidades recém-lançadas na Europa e América. ─ Tecidos para cortinas, estofados, etc... ─ Arremates, plaquetas de identificação. ─ Torneiras, registros especiais, tudo em bronze. E havia ainda uma série de materiais diversos: cabos de todos os tamanhos, e os tecidos para as velas, de um produto sintético que era a grande sensação na América do Norte, e outros produtos americanos modernos, selantes à base de resina, colas especiais e todos os tipos de tintas e redutores. E o melhor verniz inglês, cuja aplicação era muito difícil, contudo ficava com a aparência de vidro depois de pronto. Phill agradecia muito ao conde, eufórico e dizia alto: ─ Bem amigos, agora só falta encomendar a madeira! E todos ficaram se abraçando, pois o “Projeto Windsong” ia ganhando forma. À tarde, Phill convidou a todos para uma rodada de conhaque ou rum e foram para a casa de Phill, que chamou John à parte, dizendo-lhe: ─ John vamos nos encontrar amanhã às 6:00 horas, bem cedo, no escritório, pois vamos relacionar toda a madeira para o “Windsong”, e quando Dona Rebeca chegar faremos o pedido via telex! No que John comentou: ─ Phill, você não acha pouco tempo só duas horas? ─ Calma amigo, vovô se adiantou a nós e naqueles tempos em que pensara construir o veleiro já havia feito o levantamento e diversos detalhes. Margarida achara um pacote grande, com papéis do vovô, com o nome “Windsong” e me passou às mãos. Você não vai acreditar. Quando abri foi a maior surpresa. Todo o “Windsong” detalhado. Até os moldes já estavam desenhados. Tudo pronto. Não sei o que levou vovô a parar o projeto. Foi o maior achado! ─ Que sorte, Phill. Agora as coisas ficarão bem mais fáceis! ─ E ainda tem mais, Larry fez um levantamento nas serrarias da nossa ilha, nas ilhas vizinhas e no Tahiti, e temos toda a madeira necessária para o “Windsong”. Só os mastros é que serão problema, pois serão de pinho do Canadá, o restante temos tudo! ─ Grande novidade, Phill. Agora vamos, realmente, andar rápido! E, se juntando ao grupo, chegaram à casa de Phill. Darling e a condessa conversavam animadamente na varanda. O conde chegava a ter lágrimas nos olhos, de tanto rir e dava suas enormes gargalhadas. Darling, virando-se para o pai, perguntava curiosa o que ocorria, enquanto o conde satisfeito respondia: ─ Minha filha, a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos foi ter conhecido John e dava tapinhas nas costas dele. Este escocês é realmente um sujeito fantástico. Phill estava feliz. John em meio dia ganhara totalmente a amizade e intimidade do conde, que agora não saía do seu lado. E Larry comentava, rindo com Phill: ─ Capitão, este seu amigo já ganhou a todos nós, desde os marujos aos mestres, todos são seus admiradores e, o que mais é surpreendente, é que ele fala com o conde e com os marujos do mesmo jeito, franco e aberto. Phill ria-se muito e comentava: ─ Larry, é justo por isto que o admiramos muito, ele é autêntico. Para ele o importante é o que somos e não o que temos. A condessa vendo seu marido tão íntimo de John, se tornou admiradora dele também, comentando com Margarida: ─ Minha amiga, meu marido conhece bem os homens e se tornou-se amigo de Mister John é porque ele é uma grande figura humana. É muito raro fazer amizades deste tipo. ─ Não tenha dúvida disto condessa, John é fantástico. ─ disse Margarida. A noite começara a avisar sua chegada, quando foram se despedindo, os pais de Darling e John voltariam para o Palace juntos. O conde, conversando animadamente com John, e a condessa rindo das suas histórias ao entrar no Palace passou o braço por cima dos ombros de John. O diretor do hotel comentou com o seu gerente: ─ Este escocês é muito simpático. Olhe o conde abraçado com ele! ─ É diretor, está se tornando o hóspede mais simpático do hotel, pois fala com todos do mesmo modo. Ao se despedirem, enquanto iam para os seus aposentos, o conde convidou John para uma partida de bilhar depois do jantar. John concordando, apenas acrescentou. ─ Conde será um prazer, só que não posso ficar até muito tarde, pois amanhã, bem cedo, tenho coisas importantes a fazer. ─ Não há problema, será o tempo para tomarmos uns licores! ─ disse o conde. Phill comentara com Darling que deveriam estar, bem cedo, na oficina, pois que iriam providenciar toda a compra da madeira do “Windsong”, e seria bom que ela fosse também, pois ficaria ciente de tudo, não sobrecarregando o serviço de Dona Rebeca e ajudando-a. Darling adorou a idéia e tudo ficara acertado. O jantar no Palace transcorrera normalmente, só que John não descera, o que deixou o conde surpreso, e pelo interfone ligou para sua suíte. ─ Alo John. O que foi que houve que você não desceu para o jantar? Não se esqueça de nossa partida de bilhar. ─ Já estou descendo conde, me perdoe, é que quando cheguei aqui na suíte, havia muitas encomendas que meu navio trouxe, de sorte que comi um sanduíche aqui mesmo, enquanto arrumava tudo, umas correspondências importantes, assuntos bancários, que tinha que colocar em ordem, mas já estou descendo e o encontro no salão de bilhar. ─ Combinado! Clic! Clic! O conde retornando à mesa, comentou com a esposa. ─ John estava ocupadíssimo, comeu lá na suíte, e ainda com aquelas papeladas bancárias. Se não fosse você querida, que cuida disto, estaria perdido. O John devia se casar ou arranjar uma secretária para fazer isto. No que a condessa falou: ─ Quanto a casar acho que não o fará, mas no que diz respeito a secretária, ele está precisando mesmo. O conde se despediu da esposa e foi para o salão de bilhar, enquanto a condessa retornava à suíte para terminar de desfazer as malas. O conde, chegando ao salão, viu seis mesas de bilhar francês, duas estavam vazias. Alguns cavalheiros conversando no bar, enquanto outros jogavam. O conde entrando deu boa-noite a todos, procurando um bom taco, e se dirigiu a uma das mesas vazias, quando foi acercado por um cavalheiro, que perguntou:
─ O conde joga bilhar?
─ Um pouco senhor, um pouco. Realmente ele
não tinha muita intimidade com o jogo, gostava era de passar o tempo,
fumando seu charuto e tomando um licor. |
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