|
. |
Caso não queira ouvir a música, desligue no botão abaixo
|
Pela manhã, Phill e Darling acordaram bem cedo e foram direto para o estaleiro. Tinham muito que fazer. Ele arrumando a papelada, agradecimentos dos convites recebidos, telegramas, cartas, enfim toda a correspondência sendo colocada em dia. Darling abrindo os presentes chegados, anotando etc... O avião que viera apanhar a rainha trouxera muitos presentes da Inglaterra e, ainda, haviam mais com o conde na Austrália. Quando Dona Rebeca chegou ao escritório já os encontrara trabalhando. ─ Bom dia capitão, bom-dia Lady Darling! ─ Bom dia Dona Rebeca. Chegamos um pouco mais cedo, pois temos muito que fazer e providenciar. Já atualizamos a correspondência, que está toda à disposição da senhora. Darling abraçou Dona Rebeca, comentando: ─ Minha amiga não sei como consegue tempo para tudo, é muito serviço! ─ Lady Darling, sempre arranjo um tempinho. Minha vida é este estaleiro! Dois grandes barcos pesqueiros tinham sido construídos e iam ser entregues. Ainda havia a encomenda de mais quatro. Phill estava excitante, pois com os lucros poderia pagar bem ao seu pessoal, aumentando seus salários e ainda construir o “Windsong”. Estava tudo andando como planejara.
Os presentes que Darling ia abrindo eram todos materiais náuticos. Os maiores e mais pesados o conde, seu pai, os traria de navio. Por carta ele avisara que em uma semana, no máximo, estaria chegando à ilha, o que deixou Darling muito animada. Era a primeira vez, depois de muitos anos, que se separava dos pais, estava ansiosa para contar-lhes os últimos acontecimentos: a lua de mel no Britânia, as visitas, a festa de Moorea, enfim tudo. Por volta das 10:00 h, John no seu dia de folga, fora visitar o estaleiro, queria conversar muito com Phill. Todos o achavam muito estranho, com aquele saiote, com uma bolsinha na frente. Chegando, procurou saber onde estava Sir Phill. Quando me viu pendurado, no meu local, sem ninguém perceber falou comigo: ─ Hei, “Pequeno Guardian” como é que você está? Esquisito local para ficar aí no alto, igual no Britânia! ─ Oi, John, você por aqui! É este é o meu local, junto à janela da oficina! ─ “Pequeno Guardian”, onde encontro Phill? ─ Está vendo esta escada a sua frente, suba e lá em cima encontrará Dona Rebeca, fale com ela! John subiu a escada, me dando uma piscada de olho, e entrou no escritório encontrando Dona Rebeca. ─ Bom dia Dona Rebeca, poderia falar com Sir Phill? ─ Bom dia senhor. Não o conheço, como sabe o meu nome? ─ Dona Rebeca, sei muita coisa do estaleiro, sou muito amigo do “Pequeno Guardian”! Meu nome é John. ─ Senhor John já entendi tudo, disse rindo, por favor fique à vontade, que vou falar com o capitão de sua presença. Dona Rebeca foi à sala de Phill e disse: ─ Capitão, o senhor John está na minha sala e deseja ter uma palavra com o senhor, é escocês, está vestindo saiote e tudo, e pelo visto nos conhece bem, me chamou até pelo nome! ─ Oh! Ótimo, John está aí, ótimo! Precisava mesmo falar com ele! E não esperou Dona Rebeca fazê-lo entrar, como era de seu hábito. Saiu apressadamente ao encontro do escocês, de mãos dadas com Darling, no que Dona Rebeca logo concluiu: devem ser amigos íntimos, pois o capitão só recebe assim grandes amigos. Phill se dirigiu logo a John de braços abertos, dando um forte abraço no escocês. ─ John que bom vê-lo aqui, precisava falar com você! E Darling complementava: ─ John, muito bom tê-lo conosco! Dona Rebeca pensava: acertei em cheio, o escocês é muito íntimo de Lady Darling e do capitão, deve ter chegado com o Britânia, pois nunca o vi antes aqui. ─ Como vai Phill, Darling! Precisamos muito conversar, vamos para nossa sala! ─ Phill se não se importa gostaria de ir à oficina primeiro, e lá também conversaremos melhor ainda! ─ Claro John, claro! Já sei quer ver o “Pequeno Guardian”, não é? ─ Mais ou menos Phill. Já falei com ele quando cheguei. Gostaria é de ver suas ferramentas! Phill estranhou muito porque sabia o “Pequeno Guardian” nada ter contado ao escocês. ─ Aí está John, nossa oficina! Pela janela via tudo. ─ Bom dia oficina, ferramentas, eu sou o John! Todos ficaram surpresos. Como é que este escocês sabia que falávamos. O “Pequeno Guardian” nos garantira que não contara nada a ninguém, nem mesmo a Lady Darling. Ninguém dissera nada. Ele virando-se para Phill comentou: ─ Phill, por que não falam comigo, será que por causa do saiote? Acho que não gostaram de mim! Aquilo para mim fora uma surpresa, como é que John descobrira que as ferramentas falavam? ─ Nada disso John! ─ disse Phill. Elas estão surpresas como nós, como é que você sabia disto? ─ Ora, Phill. Fácil de deduzir: se o “Pequeno Guardian”, que foi construído na oficina e por elas fala, por que as ferramentas, que tinham muito mais tempo com Mestre Estevão, não falariam? ─ John você deduziu, brilhantemente, é muito observador, um Sherlock Holmes! E deu uns tapinhas em suas costas, enquanto toda a oficina vendo Phill dizer aquilo, respondiam: ─ Bom dia Jhon! ─ Bom, agora sim. Já estava preocupado, pensando que não tinham gostado de mim! E pegando o medidor de distâncias, com jeito de quem conhecia bem a ferramenta, disse: ─ Como vai o senhor, medidor, gasto pelo tempo hein? Seu cedro já está até ficando cinza! E quanto tempo não pego em você! ─ Ué! Você me conhece da onde John, nunca o vi antes? ─ Você eu não conheço, mas já trabalhei anos com seus parentes! ─ É, isto já deu para notar, pois você sabe me usar! Phill se metera na conversa. ─ John, me conta esta história direito. Você já trabalhou com madeira? ─ Sim Phill, quando ainda rapaz, meu tio tinha uma bela oficina de móveis em Glasgow e sempre que podia trabalhava com ele, pois me pagava bem. ─ Isto é ótimo, John. O que você conhece e sabe fazer?
─ Bem, Phill, trabalho de madeira, conheço todos: encaixes, cavilhas, colagem, moldagem a frio, com calor, torno, verniz e, principalmente, encerar, só não faço entalhes, trabalhos de arte de formão, pois isto meu tio é que fazia, porém de construção de barcos nunca trabalhei, só com móveis! ─ Ótimo John! Ótimo! Muito bom, ─ dizia Phill. ─ Mas o que o traz aqui? Foi muita coincidência, queria mesmo muito falar com você! ─ Sir Phill, ou melhor, Phill, com as pérolas que ganhei em Moorea e sei que tem seu dedo no assunto, disse rindo, sei que estou rico, só não sei o quanto. Como não tenho muito conhecimento de pérolas, gostaria que o amigo me ajudasse em duas coisas. A primeira, era me ajudar a vender dez pérolas pois ganhei dois saquinhos de vinte. Phill ria e pensava: o Nanú, ainda fez mais do que pedi, e John dizia. As outras guardaria para o futuro. A segunda coisa, é que gostaria de ficar aqui na ilha, ou melhor no seu estaleiro cuidando do “Pequeno Guardian”. Não precisa me pagar nada. Faria isto porque gostei muito daquele barquinho, disse apontando para mim, e depois que o conheci minha vida mudou toda e para melhor. Tenho esta dívida de gratidão para com ele! ─ John, você cada vez me surpreende mais! ─ disse Phill e continuou: ─ Quanto a primeira coisa, é muito fácil. Conheço aqui na ilha o pessoal que negocia com pérolas negras, e comigo eles agem direito, sem invenções de pérolas com defeito, etc... Negociarei elas para você hoje mesmo! ─ Quanto ao segundo aspecto é que se encontra o problema! John ficou meio sem graça e Phill continuou: ─ Estava pensando em convidá-lo, não pra tomar conta do “Pequeno Guardian” e, sim, para fazer parte da tripulação do veleiro que iremos construir, o “Windsong”, com o qual faremos uma viagem ao redor do mundo. Como bom marinheiro, em dez anos de serviço no Britânia, você conhece vários locais onde iremos e isto é de grande valia. E agora vejo que trabalha com madeira. Não poderia ser melhor! ─ Puxa! Phill, isto é ótimo, e saltitava de alegria à moda dos escoceses, isto é ótimo, é muito mais do que imaginava! E todos vendo a alegria de John, não resistiram, começaram a gritar: ─ Hurra! Hurra! Hurra ao John! Acompanhados agora por Phill, Darling e Dona Rebeca que entrou na oficina neste exato momento. Dona Rebeca, disse Phill, John, o escocês, nosso íntimo amigo, é o primeiro tripulante do “Windsong”! ─ Ótimo capitão, ótimo! Parabéns Mister John! Chame-me de John, Dona Rebeca, como amigos o fazem. ─ Tudo bem John, mas você me chamará de Rebeca também! ─ Ótimo Rebeca, ótimo! ─ Dona Rebeca, disse Phill, estou precisando de um favor: chame o inglês Roberto às 14 horas, desejo fazer uns negócios com ele. ─ Pois não capitão, providenciarei isto, imediatamente, pois estou sabendo que ele irá ao Thahiti! John achou estranho, que Rebeca chamasse Phill de capitão, e Phill a chamava de Dona Rebeca. E perguntou: ─ Phill, por que Rebeca e você não se tratam com intimidade? ─ John, sempre lhe pedi que me chamasse Phill, e ela sempre me dizia que não ficava bem. Então, disse que no dia em que ela me chamar de você eu farei o mesmo! John e Darling riram muito com aquela história. ─ John, enquanto isto, gostaria que você fosse conhecendo o estaleiro. Irei chamar Larry para acompanhá-lo e almoçaremos todos juntos às 12:30 no refeitório, e depois iremos aos negócios. ─ Muito bom Phill. Não poderia ser melhor! Dona Rebeca já chamara Larry, que chegara ao escritório e cumprimentou a todos. ─ Bom dia Larry. Este é John, bom e íntimo amigo nosso. Gostaria que você mostrasse todo o estaleiro a ele, que isto é muito importante para nós, e depois o levasse ao refeitório onde almoçaremos juntos. Apresente-o aos mestres, oficiais, assistentes, a todos. Gostaria que conhecesse tudo e, por favor, apresente-o como meu grande amigo! ─ Será um prazer, capitão. Vamos, Mister John! ─ Obrigado, Phill, Darling, Rebeca, nos veremos na hora do almoço! E lá foi John, com Larry, que estava admirado e pensando: este escocês é muito amigo do capitão, o chama pelo nome. ─ Mister John, como devo chamá-lo, conde, sir, capitão? John deu fartas gargalhadas e disse: ─ Me chame de John, Larry, de John, que é muito melhor, é o trato entre amigos, e sei que o seremos com toda certeza! ─ Larry, como todo americano, muito informal, sem conhecer nada de protocolo ou etiqueta, achou aquilo formidável. O escocês era igual a ele, sem estes protocolos ingleses e europeus! ─ Ok, John! Vou primeiro apresentar-lhe minha esposa, médica, Karen, que é a responsável pela assistência médica do estaleiro! ─ Será um prazer Larry! Chegando ao ambulatório John viu que havia várias pessoas para serem atendidas e comentou com Larry se não iriam atrapalhar o serviço da Dra. Karen, no que Larry colocou que seriam rápidos. Toc! Toc! Toc! Batia Larry na porta da doutora, uma espécie de senha com batidas, que se fez ouvir uma voz feminina: ─ Entre Larry! Larry entrou com John, e foi logo dizendo. ─ Karen, este é John, grande amigo do capitão, que irá ajudá-lo aqui no estaleiro! ─ Muito prazer Mister John! ─ O prazer é meu Dra. Karen! No que Barrí comentou: ─ Vamos deixar, os mister e doutora de lado, nosso tratamento é informal! Cumprimentaram-se rindo, enquanto John pensava, se eles soubessem que sou um simples marujo. ─ John, qual será sua atividade no estaleiro? ─ Ainda não sei, Karen. Phill só me disse que precisava de meu auxílio. Deve ser coisa sem grande importância! ─ disse rindo e pensando: se Phill não dissera nada a respeito do “Windsong”, era mais prudente aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Karen percebera que o escocês era íntimo do capitão e que não seria um trabalho sem importância, e notou ser John muito esperto, com aquele rosto calmo, mas notou também que as mãos do visitante eram grossas e calejadas, muito fortes. Após as apresentações e pequena conversa se retiraram. John tivera uma boa impressão de Karen, que por sua vez ficou curiosa a respeito do trabalho que John faria. Larry foi mostrando todo estaleiro a John; oficinas, almoxarifado, linha de montagem por ele planejada, explicando tudo e seu funcionamento, apresentando ao pessoal, mestres, oficiais, etc...dizendo; ─ Este é Mister John, muito amigo do capitão! John cumprimentava a todos gentilmente, e estava surpreso com o capricho e limpeza do estaleiro. Viu os dois grandes barcos pesqueiros prontos, muito bem construídos e comentou: ─ Belíssimos pesqueiros Larry, dos melhores que já vi! ─ É verdade John, e começaram a fazer muito sucesso. Já temos a encomenda de mais quatro iguais. Nisto John viu dois marujos limpando bem os pesqueiros e comentou: ─ Larry, gostaria de conhecer aqueles dois marujos, seria possível? ─ Claro John. De imediato chamou os marujos, que vieram meio preocupados, pensando se tratar de algum problema. E Larry também estranhou o fato, pensando: tem algo estranho neste escocês, fala com o capitão e Lady Darling com a maior intimidade e agora quer conhecer dois marujos, este sujeito não é bobo, irá facilmente ser amigo de todos aqui. ─ Pronto Dr. Larry! ─ disseram os marujos. ─ Mister John, muito amigo do capitão, gostaria de conhecê-los! John adiantando estendeu sua mão aos marujos, dizendo: ─ Olá amigos, é muito prazer conhecê-los, fizeram um trabalho excelente de limpeza nos pesqueiros, nenhum resto ou pó de madeira, pingo de tinta, tudo muito limpo, meus parabéns! ─ Obrigado senhor, e perceberam que John conhecia o serviço e pegava no pesado, pois suas mãos eram fortes e duras como ferro. ─ Podem voltar ao serviço, amigos! Os marujos se retiraram felizes e impressionados. O amigo do capitão era boa pessoa, quis conhecê-los pessoalmente. Larry, por sua vez, achou aquilo extraordinário, acabara o escocês de fazer dois admiradores e facilmente. E John, também, pensava: acabei de dar meu troco. Tratei os marujos como sempre sonhei ser tratado, de igual para igual. Todos os trabalhos devem ser merecedores de elogio, quaisquer que sejam. Do meu local, fiquei vendo aquela cena e achei notável, me ria a valer. Meu amigo John iría se transformar, em pouco tempo, numa pessoa muito querida no estaleiro.
A visita do estaleiro terminou, quando a sirene tocou chamando todos para o almoço. John pedira a Larry que gostaria de lavar as mãos antes de sentar-se à mesa, o que levou logo Larry a pensar: este escocês é homem fino, educado, para mim não será surpresa se for lorde ou algo assim. ─ John, que trabalhara como moço de convés do Britânia, muitos anos, sabia tudo sobre nobreza, protocolo e etiqueta e adorava usar todo esse seu conhecimento e chegava, agora, a hora de colocar tudo na prática. Phill e Darling, com Dra. Karen e Dona Rebeca já os aguardava na mesa para o almoço. O refeitório era amplo, com mesas longas, e servido por bandejas esmaltadas de branco. Só a mesa do capitão, que era destacada e num nível um pouco mais elevado, era servida por taifeiros. Phill fez John sentar-se a seu lado e de Dona Rebeca, e à sua frente Larry e Karen. ─ Então, amigo, o que achou do nosso estaleiro? ─ Maravilhoso Phill, impecável. Aqui pode se construir com perfeição qualquer tipo de embarcação e a linha de montagem projetada por Larry é notável, merecedora dos mais altos elogios! Larry ficara feliz com aquela referência a seu trabalho e rindo, dizia: ─ Obrigado John, muito obrigado! Phill notara que John e Larry já eram íntimos e pensou: John é muito esperto, sabe fazer as coisas, foi um achado este amigo. Phill notou que todos, discretamente, olhavam a impecável etiqueta de John com mãos grandes e fortes era o senhor educação e protocolo, e todos estavam maravilhados com sua elegância à mesa. Ele, com toda certeza, era nobre, pensavam Rebeca, Larry e Karen. O almoço transcorrera no ambiente da maior simpatia. John conversava animadamente com todos. Era o próprio cavalheiro. Lady Darling e Phill nas nuvens de felicidade por ver seu amigo um perfeito relações públicas, e os funcionários do estaleiro não comentavam outra coisa nas suas mesas. O escocês era íntimo do capitão e Lady Darling e, apesar de suas fortes mãos, era pertencente da nobreza, e não sabiam porque tinha as mãos de trabalhador, pois devia ser muito rico. Ao fim do almoço, Phill se dirigiu ao pequeno púlpito e falou aos funcionários, tendo John, a seu convite, se colocado a seu lado. ─ Meus amigos. É muito bom para mim e Lady Darling estar novamente com vocês e temos algumas novidades. Nossos dois barcos pesqueiros ficaram excelentes e já temos mais quatro encomendados, o que levará a dar um bom aumento no salário de todos. Foi aquela alegria, palmas, risos, comentários, etc.... E continuou: ─ O outro fato, é que vocês conheceram meu amigo John, disse isto com a mão no ombro do escocês. Ele nos irá ajudar a construir meu grande veleiro com o qual faremos uma viagem ao redor do mundo. Será o “Windsong”, o veleiro dos sonhos de Mestre Estevão! Todos bateram muitas palmas e ficaram satisfeitos, iriam trabalhar com Mestre Phill, agora na sua especialidade, veleiros. Larry comentou com sua esposa em voz baixa. ─ Karen, já sei qual será o presente do pessoal do estaleiro para o capitão, que todos me perguntavam e não tinha a menor idéia! E virando-se para Dona Rebeca comentou: ─ Dona Rebeca, já sei o que será aquilo que a senhora tanto me perguntava! ─ Muito bom Dr. Larry! Muito bom! ─ disse sorrindo Dona Rebeca. Terminado o almoço, Phill, Darling, John e Dona Rebeca se dirigiram ao escritório, onde um senhor de roupas escuras, chapéu côco, muito formal, com aquela aparência de contador inglês tradicional os aguardava. ─ Boa tarde Mister Robert. Como tem passado? ─ disse Phill. ─ Boa tarde Sir Philson. Cá estamos para os negócios! E apontava para sua maletinha preta muito semelhante a usada pelos médicos. ─ Vamos entrando, Mister Robert, vamos entrando! E o levou para sua sala apresentando Lady Darling e seu íntimo amigo mister John que acabara de chegar à ilha, que estava interessado em conhecer avaliação de pérolas negras. ─ Muito prazer Milady, senhor! ─ disse o avaliador respeitosamente. Phill, sentando em sua mesa, tendo à frente o avaliador, tirou de um saquinho de veludo vermelho dez belíssimas e grandes pérolas negras. John percebera que Phill trocara os saquinhos a fim de evitar a mínima suspeita da origem das pérolas. O avaliador colocou um monóculo muito pequeno que ampliava cinqüenta vezes a visão normal, e começou a anotar, tudo sobre a pérola, num livrinho de capa de couro preto e media a pérola com um pequeno paquímetro. Após alguns minutos virou para Sir Phill, colocando as pérolas sobre o saquinho, e disse: ─ Sir Philson, não tenho condições de fazer esta avaliação aqui, nem no meu escritório. Estas pérolas são perfeitas, as maiores que já vi. Já as conhecia de nome, são ou devem ser iguais às famosas pérolas de “Reketia”, um atol em Tuamotús, que é tradicionalmente conhecido por suas grandes e belas pérolas negras. É propriedade de um ou pequeno grupo de locais polinésios, que não as comercializam. São utilizadas para pagamento de alimentos e outros materiais, e só o fazem com os polinésios, fato pelo qual existem muito poucas no mercado. E pela sua raridade, alcançam preços altíssimos, totalmente fora de nossas tabelas de avaliação. Somente no Tahiti, é que se pode fazer uma avaliação rigorosa. O que posso adiantar é que são valiosíssimas, peças para mais de três mil libras esterlinas cada, e com o lote todo sendo comercializado alcançaria muito maior preço, já que poderiam ser feitos, por joalheiros especializados, conjuntos com o mesmo padrão. Estimo que ficaria em torno de setenta e oitenta mil libras esterlinas, o lote! John ficara surpreso, mas não transparecia nada. ─ O que posso fazer aqui mesmo no seu escritório, continuava falando o avaliador, é emitir o certificado de qualidade e os títulos de propriedade. ─ Apreciaria muito Mister Robert que os fizesse! ─ disse Phill. E o avaliador continuou: ─ Outro fato Sir Philson é que estarei indo para o Tahiti à noite, se o senhor desejar posso negociá-las com aquele seu amigo oficial, proprietário da maior loja de pérolas em “Papeete”. O seguro é feito no meu escritório, pelo Loyd, e com quatro vezes o valor estimado, e o senhor não teria que pagar nada agora, debitaria no custo final junto com minha comissão de 3% de praxe. ─ Perfeito Mister Robert, perfeito! Dona Rebeca irá fazer com o senhor os certificados e títulos, ficando uma cópia comigo, como de praxe. ─ Exatamente Sir Philson, e o senhor já poderia ir passando um telex para seu amigo em “Papeete”, que facilita muito, pois quando chegar a sua loja sou de imediato atendido. ─ Não há problema, Mister Robert, muito obrigado por sua atenção! O avaliador saíra com Dona Rebeca para as formalidades administrativas, enquanto Phill e Darling falavam para John. ─ John você é um novo milionário da Inglaterra! E Phill complementava. Se Mister Roberto avaliou em setenta ou oitenta mil livras esterlinas, e o faz sempre por baixo como medida de segurança, no Tahiti, na loja do Tenente “Noa”, alcançaremos umas cento e vinte mil libras! John virara-se para John e Darling feliz e dizendo: ─ Meus amigos, se não fossem vocês, este inglês ia ficar rico às minhas custas, se fosse negociar direto com ele! E Lady Darling completou: ─ Eu também John! Eu também! E Phill começou a comentar: ─ Eles sempre me respeitaram muito. Quando comecei a negociar com pérolas, para a ampliação do estaleiro, não conhecia nada e sempre conversava com o vice-governador de nossa ilha, assíduo comprador de meus modelos, e negociador de pérolas, Almirante Smith me deu boas informações e excelente auxílio. Durante a guerra, um dos tripulantes da lancha Vovô, o Segundo Tenente “Noa”, que ficou muito amigo, tinha seu pai, o melhor comerciante de pérolas no Tahiti, e famoso em toda Europa. Com o término da guerra, “Noa” assumiu todo o negócio, substituindo seu pai que já estava muito cansado e idoso. Assim, abriu-se uma porta excelente e Mister Robert era sempre o carreto, que por sinal adorava, face a sua comissão, e meu irmão “Noa”, sempre aumentava os preços das minhas pérolas, o que me possibilitou comprar as melhores máquinas para o estaleiro na Europa e América do Norte. Com a guerra, e nós produzindo as lanchas torpedeiras, com modificações que introduzi, os americanos ficaram muito satisfeitos, e nos deu condições de nos estabelecermos definitivamente como grande estaleiro naval. A Inglaterra comprara várias lanchas e com meus conhecimentos das ilhas, do mar e técnica fui nomeado capitão. Construí minha própria lancha, sem custos para a Coroa, com diversas adaptações e modificações e a tripulação escolhi a dedo, só os melhores navegadores polinésios, que vieram se alistar na nossa ilha. O único de fora, era o Tenente Richards, inglês, sobrinho do Almirante Adams, que chegou aqui sendo ainda recém graduado e voltou para a Inglaterra herói. Por isto, o Almirante Smith, vice-governador de nossa ilha, faz tudo que peço e mais, arranja excelentes negócios para o estaleiro, como o caso dos pesqueiros que ele nos recomendou. John e Darling conheciam agora mais um pouco da brilhante e difícil vida de Phill no seu início, no estaleiro! Passado uns trinta minutos, como Phill pensara, a máquina de telex começou a entrar em funcionamento. Tic! Tac! Tac! Tac! Tic! Tic! Tic! Dona Rebeca, tirando a folha datilografada automaticamente e juntando os certificados e títulos das pérolas, já assinadas e carimbadas pelo avaliador, se dirigiu à sala de Phill. ─ Pronto capitão. A resposta do Tahiti, pelo próprio, Tenente Noa, e as cópias dos certificados e títulos, tudo já está pronto, com a assinatura de Mister Robert, que retornou ao seu escritório, já levando as pérolas, e providenciará o seguro do Loyd. ─ Obrigado, Dona Rebeca, disse Phill começando a ler o telex de “Noa”. ─ Yorana, irmão Phill. Estaremos esperando Mister Robert vg sucesso vg felicidades casamento pt vahine Darling impressionou todos Moorea sua beleza vg Nanú falou festa sua vila vg pérolas serão negociadas amanhã em valor depositado por mim sua conta direto vg como sempre pt. Valor pérolas agora elevado ótima ocasião venda vg confirmo amanhã mesma hora transação vg saudades e forte abraço sempre irmão admirador “Noa” pt! ─ Está aí John, você será milionário. Noa já ciente do negócio, nos ajudando como sempre e muita sorte a sua, o mercado em alta, melhor ainda. ─ Muito obrigado Phill, Darling, não sei o que faria sem ajuda de vocês! ─ Bem John, agora temos que acertar. Como você ficará esta noite, já que não irá retornar ao Britânia suponho! ─ É Phill, esta é minha intenção já que tenho dois dias de folga em terra! ─ Não há problema. Passei um rádio para o capitão do Britânia, dizendo que você ficará conosco esta noite, e como todos estaremos juntos, depois de amanhã, tratarei pessoalmente do seu caso, com ele e pedindo mais um dia de folga, e tudo se resolverá. Nossa ilha é colônia inglesa, você é cidadão inglês, tudo perfeito. O único problema será o capitão aceitar sua baixa mas isto cabe a mim e a Lady Darling conseguirmos. No que Lady Darling de pronto comentou: ─ Tenho certeza que nosso amigo capitão, que é muito hábil, não negará um pedido dos afilhados da rainha. ─ Bem, disse Phill, agora vamos providenciar suas acomodações para esta noite e você jantará conosco! Lady Darling se retirou para providenciar tudo. Conversaram sobre o “Windsong” e Phill mostrando suas idéias, os desenhos e detalhes do livro do Vovô. Por volta das 17 horas, se despediram de Dona Rebeca e Phill comentou com John: ─ John, agora sessão teatro, vamos dar uma circulada pela cidade. Tomaremos chá no Palace, onde o apresentarei a algumas pessoas, com o objetivo de todos saberem, que você é meu íntimo amigo. Irei empurrá-lo, dar tapinhas nas suas costas, bater na sua barriga e você fará o mesmo a fim de surpreender a todos com nossa intimidade, infelizmente a sociedade é assim. Vive das aparências! ─ Combinado Phill, se tem que ser assim, o faremos como pediu, mas confesso que fico muito pouco a vontade Phill. Gosto muito de ser eu mesmo e não da aparências viver! Phill, rindo-se disse ao amigo: ─ John você cada vez me surpreende mais, como é que com todos esses atributos era marujo do Britânia? Não entendo! ─ Uma longa história meu amigo. Uma longa história, que um dia você conhecerá cada detalhe! Os amigos se dirigiram à oficina para falarem com as ferramentas, e comigo que estava ansioso para saber das novidades. Phill foi logo dizendo: ─ “Pequeno Guardian”, meus amigos, John está conosco e muito rico. Vendemos algumas pérolas negras, que ele ganhou em Moorea. Tudo está resolvido. A partir de hoje seu lugar é conosco, não voltará mais para o Britânia! E John complementou ─ Agora tenho que aprender a usar os formões, com ajuda de Phill e de vocês! ─ Oba! Oba! ─ diziam as ferramentas! Eu estava feliz. Amigo como o John para sempre era raro e uma preciosidade. E disse vamos lá pessoal: ─ Hurra! Hurra! Hurra! Hurra! ao John! ─ Bem amigos, dizia Phill, até amanhã, tenham uma boa noite! E John complementou: ─ “Pequeno Guardian”, já contou para nossos amigos a história da visita inesquecível do capitão do Britânia a Moorea? Bom assunto para esta noite! ─ Pode deixar John, ainda estava em Bora-Bora! Ao se despedirem de Dona Rebeca, John agradeceu-lhe toda a atenção, dizendo: ─ Obrigado por tudo Rebeca. Muito obrigado! ─ John, foi e será sempre um grande prazer para mim, ajudar a um bom amigo como você, que em só numa manhã ganhou a simpatia de todo o estaleiro, principalmente com sua atenção aos dois marujos, que foi comentário geral. ─ Coisa sem importância Rebeca, coisa sem importância. E fora descendo as escadas enquanto Phill, curioso, perguntava: ─ John, o que foi de pouca importância, que você diz, mas tenho certeza que não foi assim! John contara o cumprimento dos dois marujo e sua satisfação pessoal e Phill comentou: ─ Excelente, John. Cada vez fico mais seu admirador. Você irá ganhar fácil a amizade de todos nesta cidade, por sua maneira tão autêntica e leal para com todos! E deu uns tapinhas nas costas de John, que rindo dizia: ─ Já começamos a sessão teatro, e empurrava Phill! que se ria a valer, além de bom amigo, John era muito engraçado. E todos começaram a olhar surpresos o tratamento dos amigos e diziam: ─ Esse escocês é muito amigo e íntimo do capitão, olha como o empurra e o capitão ri, achando a maior graça, nunca vimos nada assim antes! Foram caminhando, Phill mostrando as lojas, cumprimentando as pessoas, fazendo a sessão teatro, até chegarem ao Palace Hotel. John dissera a Phill que a última lancha para o Britânia já havia saído, e que não haveria ninguém mais da tripulação em terra, para ele um alívio, em não ser reconhecido. Phill, por sua vez, comentou que já havia feito o rádio para o Britânia e o capitão concordara com o pedido de mais um dia de folga para John e entraram no Palace se dirigindo ao salão de chá. John pode reparar que já havia uma mesa reservada para Phill, com uma plaquinha de metal colocada numa base de mogno encerrada com a inscrição, Sir Philson Sorensen. Na mesa estava o jornal da ilha, dobrado. Phill cumprimentou a todos os presentes, com leve aceno de cabeça, sendo respeitosamente respondido por todos. Sentando-se à mesa, pegou o jornal dobrado bateu nos ombros de John que ria e dizia alto, para todos ouvirem: ─ Phill, você não toma jeito! E ríamos a valer, enquanto o comentário era geral. ─ Este escocês é muito íntimo de Sir Philson, veja com um bate com o jornal no outro e se chamam pelo nome. Sir Philson está irreconhecível. Devem ser amigos de longos anos! Outros diziam: ─ Esse escocês deve ser importante, acho que veio no Iate Real! Phill, chamando o garçom, pediu que gostaria de falar com o diretor do hotel. O garçom se retirou rápido e voltou com o diretor, que foi direto à mesa de Lorde Sorensen. ─ Boa noite, Lorde Sorensen, é um prazer e honra tê-lo novamente no nosso Palace! ─ Obrigado, gostaria de apresentá-lo ao meu amigo Mister John, que acaba de chegar conosco a nossa ilha, no Iate Real! ─ É uma honra para nós tê-lo em nosso humilde hotel, Mister John! ─ John se levantando, impecável dentro do mais fino protocolo inglês, cumprimentou o diretor do Palace, agradecendo suas palavras gentis. Phill, comentou: ─ John, você e este protocolo da corte, relaxe homem, estamos na Polinésia! ─ Phill, é verdade, tenho que me esquecer deste protocolo, mas não é fácil, virou hábito, depois de tantos anos! O diretor, logo notou, que o escocês era nobre ou coisa assim. Homem fino, exceto suas mãos fortes como aço e calejadas, e eram íntimos, pois Sir Philson o tratava muito intimamente como nunca o vira fazer com ninguém. ─ Paul, dizia Sir Phill, a partir de amanhã, Mister John será hóspede do Palace. Por favor, reserve um bom apartamento para ele. Esta noite dormirá em minha casa, pois temos muitas coisas para conversar, matar as saudades dos bons tempos. ─ Perfeitamente, Sir Philson, reservaremos para Mister John excelentes aposentos!
O garçom vinha trazendo a bandeja com o chá e biscoitos, enquanto o diretor se retirava, impressionado pela etiqueta do amigo de Sir Philson: John sussurrava para Phill, servindo elegantemente o chá a seu amigo. Phill, acho que serei muito bem tratado no Palace. O único senão será encontrar algum oficial do Britânia! ─ Não tenho a mínimo dúvida que você será hóspede de honra do Palace, e quanto a encontrar oficiais do Britânia, acho impossível. Este hotel é muito caro para eles, que agora já estão ricos, é verdade, porém tenho certeza que eles irão negociar suas pérolas em Londres, por motivos óbvios! E John, rindo, comentou: ─ Melhor assim Phill, muito melhor assim! Ficaram no Palace o tempo necessário e se retiraram. No dia seguinte, Phill tinha certeza, John seria tratado como proeminente escocês em visita à ilha e amigo íntimo de Sir Philson Sorensen. Phill, voltando para casa, conversava com John, sobre a ilha, sua sociedade e os turistas, e aquele desenvolvimento desordenado de que não gostava em nada, e distraídos em suas conversas logo chegaram à casa de Phill. E Darling ouvindo suas vozes, fora alegre recebê-los. ─ Então cavalheiros, como foi o fim de tarde pela cidade? ─ Excelente Darling, como sempre na sociedade, dita civilizada, as aparências é que ditam as normas e John, a partir de hoje, será um proeminente escocês! Todos riam muito e John comentava: ─ Tudo graças a vocês, bons amigos, e ao “Pequeno Guardian”! ─ É verdade John, este é o porquê do vovô colocar nele o nome de “Pequeno Guardian”. Ele tem o poder extraordinário de facilitar em tudo as coisas para seus amigos. É realmente um “Guardian”! ─ dissera Phill. ─ Eu que o diga, amigos, até ontem era ‘moço de convés” e hoje já sou um “proeminente” amigo de Sir Phill, em breve milionário! E o casal rindo, achou interessante a colocação de John, que encerrava toda a verdade dos fatos, e sobretudo, o que o “Pequeno Guardian” os havia em muito ajudado. Após o jantar, Margarida apareceu. Simpática, alegre e amável como sempre, e foi apresentada à John, e conversavam todos como bons amigos. Phill falara do piquenique aos oficiais do Britânia no jardim da casa do vovô e na sua casa também, tornando maior o espaço para todos, no que Margarida satisfeita dizia: ─ Ótimo Phill, estamos mesmo precisando de algum movimento por aqui! Aproveitando Phill, veja se consegue dar uma ajeitada na oficina antiga, que está necessitando de muitos reparos e uma boa limpeza! ─ Ótimo Margarida, disse Phill, pois tinha pensando na idéia da velha oficina para ser a sede do “Projeto Windsong”. E antes que você me pergunte já vou explicando. Pretendo fazer um veleiro grande, como você desconfiou, e me deu o livro secreto do vovô, que lhe agradeço e muito. Nele achei tudo que desejava. Um grande veleiro como vovô sempre pensara construir, e com ele faremos um cruzeiro ao redor do mundo. Assim, como dizia, reformaria a velha oficina, transformando-a numa confortável casinha: dois quartos, um bom banheiro, uma prática cozinha, boa sala, uma gostosa varanda, e no local do grande vão do terraço faria um mezanino para ser o escritório do “Projeto Windsong”, nome que vovô daria ao veleiro se o construísse. ─ Excelente idéia, Phill. E quem viria morar nos quartos? ─ Inicialmente o John, e depois outro amigo, que você conhece bem! ─ Ótimo, Phill. Já sei que só pode ser Nanú, meu querido gigante! E John que ótimo tê-lo como vizinho. Iremos conversar muito. E Phill, quando você pensa iniciar as obras? ─ Bem, Margarida, estou pensando iniciar tão logo possa. Creio que após a partida do Britânia, e John é que dirigirá todo o serviço! ─ Perfeito, Phill. Para mim seria muito bom, pois terei companhia constante, não é John? ─ Claro Margarida, não sairei do seu lado, vamos conversar muito! Margarida retornara à casa do vovô e Phill notara que simpatizara muito com John e os amigos continuaram a conversar. John surpreso e feliz por saber ser Nanú, outro tripulante do “Windsong” e comentou: ─ Muito bom amigos, ter o gigante Nanú, conosco, ele forte como um touro, posso usar meu saiote à vontade! E ria a valer. E Phill acrescentava: ─ John, Darling, Nanú será fundamental para nós, pois além de ser um excelente professor de navegação polinésia, é uma segurança a bordo. Antes da guerra existia um japonês em Moorea que o ensinou pessoalmente defesa pessoal, uma técnica japonesa chamada Jiu-Jitsu, que o deixou, em alto nível de conhecimento. Acho que ele acabou como mestre ou algo assim. E vou contar uma passagem muito interessante sobre isto, durante os tempo ruins. Darling e John se entreolharam, surpresos, pois Phill não gostava de falar sobre aqueles tempos. Durante a guerra havia sempre, disfarçadamente, uma disputa entre os americanos e os ingleses, principalmente quanto a nós originários do Pacífico, polinésios, neozelandeses e os australianos. E os americanos mexiam muito com os novos, com piadas de mau gosto. E os amigos se retiraram para dormir, ansiosos pelo dia seguinte quando muitas coisas se resolveriam, principalmente para John. Phill acordara bem cedo e com John foram vistoriar a velha oficina do vovô. Por volta das 10 horas chegaram ao estaleiro. Conversaram comigo e todos na oficina. John contou umas anedotas, que morríamos de rir. A lamparina ria tanto que não caiu no chão porque Phill, percebendo, pegou-a no ar. John contando as anedotas foi a grande alegria do dia, ele é muito gozado. O medidor de distâncias é seu grande amigo e o torno nem se fala! Phill ria tanto que chegava a chorar! Dona Rebeca chegara e fora à oficina já com o telex na mão vindo do Tahiti, cumprimentou todo mundo, também alegre, e ficou impressionada com tanto risos. A transação das pérolas tinha sido efetivada e Mister Robert voltaria à ilha daí a dois dias e o valor da venda, já descontada a sua comissão, fora depositada na conta de seu banco no Tahiti. Podia ser sacada no banco da ilha a qualquer hora por . O valor alcançado fora de cento e trinta e duas mil libras esterlinas. Como Phill havia previsto, John tivera muito sorte. Phill pediu à Dona Rebeca que o acompanhasse ao banco para abrir sua conta, dando-lhe o cheque no valor da venda. E Dona Rebeca, que conhecia todo o processo bancário, seria uma ajuda excelente.
|
|||||