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Eram 6 horas da manhã, quando o Britânia deixou sua forte âncora pousar nas areias do fundo da bela baía Cook.

Foi, então, que comecei a notar bem a beleza da ilha, suas montanhas e florestas. Via cedros, mognos e todas aquelas altas e belas árvores, sentindo um pouco de saudade do meu tempo de árvore na minha floresta. Mas, agora, era muito feliz também.

A baía era bem abrigada, bom ancoradouro para possíveis tempestades tropicais. Seria bom para nós, pois Phill já avisara ao John para me preparar bem, pois amanhã teríamos muito vento e chuva. John dobrou as minhas amarras, colocando cabos mais fortes, forrou minhas bordas, principalmente junto ao casco do Britânia, onde me encostava, guardou dentro do convés minha retranca, mastro, etc... E me cobriu com uma bela lona branca, que ele mesmo havia costurado. Estava lindo. E agora eu entendia porque ele ia e vinha com trena, papel, lápis, tirando minhas medidas.

─ Obrigado John! Agora estou com um pijama muito bonito, um pijama real!

Ele riu e picando o olho, deu uns tapinhas na minha lona, que fez um grande barulho, tipo de tambor, pois estava bem justa.

─ Pon! Pon! Pon!

Rimos muito daquele som, que me lembrava um pouco o som do tamure.

Às 8 horas da manhã, o Britânia estava cercado de pequenas canoas polinésias carregadas de flores, com dois polinésios em cada canoa, um casal, a “Vahine” e o “Tane”, todos com flores e coroas trançadas de folhas de coqueiros, com lindo pareôs vestidos.

─ Yorana! Yorana! Yorana! ─ diziam no polinésio de Moorea, que queria dizer: Salve! Salve! Salve!

Ao longe, saía da praia uma grande canoa, com 30 remadores e na popa uma grande cadeira com um grande homem, meio gordo, sentado e ao lado um gigante polinésio, muito forte, em pé.

Logo atrás, saía uma lancha com a bandeira francesa, os oficiais e o Governador da Polinésia Francesa, com aquele chapéu comprido, achatado dos lados, e todos se dirigiram ao Britânia, passando pelas canoas que nos cercavam.

Não tínhamos visto nada disto em Bora-Bora. Em Moorea era tudo diferente, muito bonito!

A lancha abordou o Britânia, e aqueles apitinhos novamente se fizeram no ar.

─ Piüüü! Piiiiüüü! Piii!

E o oficial da ponte anunciava:

─ A bordo do Iate Real Britânia, o Almirante Jacques Duvalier, Governador da Polinésia e seus ajudantes de ordem! Enquanto a bandeira francesa era hasteada a boroeste no pequeno mastaréu do Britânia.

─ Que gozado, né John! ─ dizia, ele me respondendo:

─ “Pequeno Guardian”, este é o protocolo naval e nós, ingleses, somos conhecidos no mundo inteiro por seguí-lo em detalhes! ─ dizia isto, orgulhoso.

Notei que um dos oficiais trazia um grande embrulho, um presente, mas era embrulhado diferente, com algumas tiras de bambu. Era muito bonito aquele embrulho, nunca vira nada igual.

O vice-governador francês e oficiais foram cumprimentados pelo Capitão que os apresentou a Sir Phill e Lady Darling.

─ Almirante Duvalier, gostaríamos de apresentá-lo e Sir Philson Sorensen e senhora, que estão a bordo do Britânia fazendo sua viagem de núpcias.

─ É um prazer e honra muito grande Sir Philson e senhora! Já o conhecíamos muito de nome, como grande herói da guerra do Pacífico. Seu casamento com Lady Darling foi o comentário recente, em todos os jornais do mundo, sendo o senhor muito admirado por todo o povo polinésio, e gostaria de passar às suas mãos, este pacote que recebemos ontem na Governadoria, vindo direto do Japão.

─ Muito obrigado pela atenção Almirante, e honra e prazer para nós o conhecermos e a seus oficiais. Temos conhecimento ser o senhor, acima de tudo, um excelente diplomata!

─ Obrigado por suas gentis palavras, Sir Phill, e gostaria da autorização para chefe Viritua, seu filho Nanú e comitiva subirem a bordo. Capitão, são muito amigos de Sir Philson, e quando souberam de sua vinda para Moorea ficaram muito felizes.

─ Claro Almirante, os amigos de Sir Philson são muito bem vindos ao Britânia! O Almirante fez um sinal a seu ajudante de ordem, mais próximo, que o transmitiu à grande canoa que foi se aproximando do Britânia, enquanto Sir Phill, falava ao Capitão:

─ Capitão, gostaria que o senhor tratasse meus amigos dentro do protocolo!

─ Claro, Sir Phill, já havia tomado tal providência!

Enquanto os convidados iam subindo as escadas do Britânia, o apitinho soava novamente.

─ Piuuu! Piüüüiii! Piüüii! E o oficial anunciava:

─ A bordo, o chefe Viritua, da ilha de Moorea, seu filho, Capitão da Real Armada Inglesa, herói do Pacífico, Nanú Viritua e sua comitiva! E os tambores da grande canoa tocavam muito alto.

Tum! Tum! Tum! Tum!

─ Capitão, disse Sir Phill, como o senhor sabe da patente de Nanú?

─ Sir Phill, conhecemos toda sua história na guerra do Pacífico!

Phill era admiradíssimo e muito amigo do chefe e dos polinésios de Moorea. Nanú fôra seu imediato na lancha-torpedeira “Vovô”, durante a guerra e eram como irmãos. Enquanto o chefe, o filho e a comitiva subiam ao Britânia, Lady Darling e Phill se acercavam da amurada do Britânia e acenavam para os polinésios. Eram saudados aos gritos:

─ Yorana Capitão Phill! Yorana Darling!

Das pequenas canoas, as “vahines” e os “tames” iam jogando milhares e milhares de flores na água, e os tames pularam e foram espalhando-as e, de repente para surpresa de todos, o Britânia fôra envolvido por um suave aroma e todos ficaram maravilhados.

O Britânia pousava lindo num imenso tapete de flores, flutuando sobre o mar. A tripulação toda, desde o Capitão aos marujos, estava boquiaberta. Aquela fôra a mais linda recepção que o Britânia tinha recebido, em todas as suas viagens.

O chefe foi se aproximando com Nanú, e foi a maior festa. Todos cercavam Sir Phill, Lady Darling, o capitão, os oficiais. A comitiva francesa, os marujos e iam colocando colares lindos de flores entrelaçadas em seus pescoços, e os de Phill e Darling, muito grandes e bem mais bonitos e trabalhados.

O chefe abraçou Phill, com aquele gostoso e forte abraço, com muitos tapas nas costas.

─ Meu bom e grande irmão Phill, como é bom tê-lo em Moorea, após tantos anos! Yorana, irmão Phill! Dizia com lágrimas correndo por suas bronzeadas faces.

Agora vinha Nanú, muito alto, fortíssimo, um gigante realmente. Todos ficaram impressionados, nunca tinham visto alguém tão musculoso. Aparentava a mesma idade de Phill, vestia um belo pareô vermelho, com flores amarelas estampadas, e na cintura um belíssimo cinto de fibra de coqueiro trançada que destacava ainda mais o definido desenho dos músculos de seu abdômen!

Quando o chefe acabou de cumprimentar Phill, Nanú se adiantou, perfilou-se batendo continência e dizendo alto, com uma voz que parecia um trovão:

─ Capitão Phill, Capitão Nanú, imediato da lancha torpedeira Vovô, se apresentando! Phill partiu para ele com os braços abertos, rindo e dizendo:

─ Meu bom e querido irmão Nanú, que bom vê-lo! Que bom vê-lo!

E o chefe Viritua, ao ver o abraço de seu filho e do irmão, chorava emocionado como uma criança. O que deixou os ingleses surpresos, um homem grande, forte, chefe e chorando, era uma coisa muito estranha para sua forma de ser.

Enquanto os dois grandes amigos se abraçavam longamente, o pessoal das canoas começou a entoar uma canção linda, em polinésio, “O Reencontro dos Irmãos”, suave, com linda melodia, que envolvia todo o Britânia e dizia algo assim:

 “Os guerreiros fortes e irmãos se encontram

 O mar e o sol assistem o longo abraço

 Os peixes pulam de alegria

 E as flores caem nos seus braços”.

Darling estava admiradíssima. Agora estava realmente vendo como Phill era tão querido na Polinésia, um ídolo! E Phill apresentou-a ao chefe e seu filho.

─ Meus irmãos, esta é minha Vahine Darling!

Ambos se dirigiram a Darling, passaram as mãos, suavemente, na sua testa e atrás de seu pescoço, afastando seus lindos cabelos vermelhos e colocaram quatro colares de fibra de côco, belos em seu trançado, e tendo ao meio, pendurados uns saquinhos, também trançados em fibra de casca de côco, porém com detalhes lindos, ornamentando-os.

Darling ficara surpresa e Phill prontamente disse:

─ Darling, passe as costas da sua mão direita na testa de cada um e diga “Mararú”, “Mararú”.

E Darling fez como Phill havia dito, e ambos riram muito, enquanto das canoas só as Vahines falavam muito alto.

Yorana Vahine Darling! Nehenehe! Nehenehe!

Salve mulher Darling! Bonita! Bonita!

Que Darling alto dizia:

─ Marurú! Marurú! Marurú!

─ Obrigada! Obrigada! Obrigada!

Chefe Viritua e Nanú riam muito e batiam forte com as palmas das mãos no peito, fazendo grande barulho.

Darling ria suave, meio espantada, enquanto sentia que os oito saquinhos pesavam pendurados em seu pescoço.

Phill percebera e se aproximando dela, tirou os colares com os saquinhos, só ficando o grande de flores. Abrindo um dos saquinhos depositou seu conteúdo, no fundo de seu branco chapéu de Panamá, e belíssimas pérolas negras gigantes se depositaram no chapéu. Darling exclamou:

─ Phill, aí deve ter 10 pérolas. Como são oito saquinhos são 80 pérolas!

No que Nanú falou:

─ Lady Darling 80 é um número abençoado, e este é o nosso presente de casamento!

─ Marurú Nanú! Marurú chefe Viritua! Eles riram muito. Lady Darling estava feliz com o presente.

O capitão, os oficiais, o próprio governador francês, todos estavam estáticos, boquiabertos, surpresos, nunca tinham visto pérolas tão belas e grandes. O próprio governador comentou com o capitão do Britânia:

─ Capitão, Sir Philson é queridíssimo pelo povo de Moorea. É a primeira vez, em muitos anos que estou nestas ilhas, que vejo ofertarem tal presente!

Nisto, das canoas começou-se a ouvir o som tradicional do tamure.

 Tum! Tum! Tum tum tum tum!

Todos se dirigiram para o Britânia. Phill solicitou ao capitão, a autorização para músicos e dançarinas subirem ao Britânia para apresentação de um show, no que ele concordou plenamente e todos se dirigiram para o Salão Real.

Todos foram subindo rápido as escadas do Britânia, carregando instrumentos e cestas com muitas frutas e flores.

Fez-se uma grande roda, todos sentados no chão. O capitão achava aquilo extraordinário, sentado no chão com os oficiais, e jogando flores no chão, como se montando um tapete onde os dançarinos se apresentariam. Ficaram maravilhados, enquanto lindas vahines os serviam de frutas diversas, vestindo belíssimos e curtos pareôs: vermelhos, azuis, amarelos e verdes, com flores estampadas.

─ Capitão, o que não haveria de pensar nossa rainha se nos visse nesta recepção, todos sentados no chão do Salão Real? ─ disse Phill.

─ Sir Phill, tenho certeza que Vossa Majestade ficaria como nós, muito admirada e, sobretudo, iría apreciar muito!

As vahines serviam sucos de frutas de inigualáveis sabores, quando os tambores começaram a tocar depois um tronco oco era batido com dois pauzinhos, como se fazendo uma marcação do ritmo e oito vahines entrarem no centro da grande roda, toda coberta de flores no chão, e começaram a dançar.

Tum! Tum tum tum! Tap! Tap! Tap! Tum! Tum tum tum!

Como sempre, de meu local via tudo de camarote e John a meu lado não tirava os olhos das vahines. Estava hipnotizado, e comentei:

─ Elas são feias, né John?

Ele ria muito, às gargalhadas e dizia:

─ É "Pequeno Guardian", são horríveis!

Quando terminou a dança, o chefe pediu a Phill se poderia falar aos presentes. Ele fez um leve sinal ao capitão que concordou plenamente. O chefe Viritua, batendo forte com suas mãos no peito, chamou atenção de todos, que se calaram, iniciando sua fala:

─ Para nós de Moorea é uma grande honra termos em nossa ilha, na Baía de Pao Pao, a grande canoa inglesa, o irmão Phill e a irmã Darling. Queria convidar a todos para a festa de casamento de nossos irmãos, à moda polinésia, para daqui a três dias, em nossa vila, pois nos próximos dois dias teremos muita chuva e vento, e não se incomodem, a Baía Pao Pao é a mais protegida de Moorea.

Nossas canoas virão apanhá-los por volta do meio-dia e seguiremos pelos canais entre os corais, até nossa vila em Tapiti. Não é necessário usarem suas canoas a motor, porque o local é muito raso e elas não passariam.

E batendo, novamente, aquelas palmas no peito calou-se e tambores batiam forte, como dizendo, que o grande chefe acabara de falar.

O capitão, levantando-se, pediu ao imediato que desse aqueles apitinhos.

─ Piüiiii! Piuuiiii! Piuuiii!

Todos se calaram e o capitão no centro da grande roda falou a todos.

─ Chefe Viritua, governador das ilhas Almirante Duvalier, Sir Phill e Milady, amigos é uma grande honra para nós, do Iate Real Britânia, tê-los a bordo, e com maior prazer estaremos presentes com nossos oficiais à festa de casamento oferecida ao casal Sir Philson Sorensen, ilustres hóspedes do Britânia!

Quando terminou sua fala, os tambores tocaram muito e os apitinhos também.

O capitão do Britânia, o senhor protocolo, sabia tudo, o que agradou ao chefe Viritua, que comentou com Phill:

─ Irmão Phill, o capitão da canoa inglesa é um grande chefe!

Phill prontamente transmitiu o comentário ao capitão, que com um aceno de cabeça agradeceu ao chefe suas palavras.

Eram quase 14 horas, quando todos se retiraram e o governador francês, maravilhado, nunca tinha visto uma recepção como aquela, nem quando de sua chegada às ilhas. Ele já começara a ter uma idéia do que seria a festa para Sir Philson e disse ao capitão quando se retirava:

─ Capitão, o senhor irá assistir à maior festa de sua vida!

Darling estava maravilhada, nas nuvens, não encontrava palavras para dizer toda sua alegria, ainda mais, com aquele presente, as pérolas negras, e sempre repetia para Phill.

─ Querido Phill, essas pérolas valem uma fortuna, milhares de libras esterlinas! São lindas, enormes!

Phill ria muito e dizia:

─ Darling, você não tem idéia de quantas pérolas, deste tipo, ainda ganhará, principalmente, quando em nosso “Windsong” quando chegarmos ao arquipélago de “Tuamotú”.

E as canoas iam saindo, com tambores tocando e mais flores sendo lançadas nas águas, formando um caminho de flores por onde passavam. Da canoa do chefe, ele e Nanú, de pé, acenavam alegres para Phill e Darling, até sumirem por trás da ilha.

Phill se chegara com Darling perto de mim. Nós também queríamos ver as pérolas negras, eu e John, que as conhecíamos só de nome.

E Darling, abrindo um saquinho, colocou algumas nas suas mãos e nos mostrou. As pérolas tinham uma cor acinzentada escura, do tamanho de uma bolinha de vidro com que as crianças brincam. Eram grandes para uma pérola e tinham um brilho maravilhoso. John logo disse:

─ Lady Darling, estas pérolas na Inglaterra deixariam seu dono milionário!

─ É verdade, disse exatamente isso a Phill. A nossa rainha possui um colar destas pérolas, presente das ilhas inglesas do Pacífico. Usou-o na sua coroação e o tem como uma das jóias mais admiradas de sua coleção. Usa-o raramente, e quando o faz é a maior sensação na corte. Com as pérolas que ganhei hoje, daria para fazer vários colares iguais ao da rainha!

─ Puxa Darling, então agora você é várias vezes rainha! ─ disse rindo, e todos se divertiram. Phill adorava as minhas piadas e sempre dizia:

─ As tiradas do "Pequeno Guardian" são para ele mesmo rir, solta a flecha e sai correndo atrás! No que respondi:

─ Não sou eu só não, né! Aí é que todos nós rimos muito.

Foi quando Phill se lembrou do embrulho que viera do Japão, com o almirante francês, governador da Polinésia Francesa.

─ Darling, me esqueci do embrulho japonês, acho que ele tem alguma coisa muito importante. Deixei-o na mesa do Salão Real. Vamos lá, saber o que tem dentro?

Chegando ao salão, foram logo à grande mesa onde o embrulho chamava atenção, por sua beleza de trançado em bambu, com uma grande bola vermelha em charão laqueado nos seus vértices. Um envelope muito bonito com o selo imperial japonês, uma flor de cerejeira dourada, sobre um lacre preto.

Phill, com cuidado para não quebrar o lacre, soltou o envelope que por fora estava escrito nos ideogramas japoneses, com a tradução em escrita à ocidental.

Para: Sir Philson Sorensen.

Do: Palácio Imperial, Tóquio, Japão.

Abrindo, curioso, o envelope encontrou duas belíssimas folhas de papel de arroz. A primeira folha em escrita japonesa e terminada com o selo imperial japonês e a segunda folha em linguagem ocidental, que passou a ler:

Tóquio (e vinha a data)

Prezado Sir Philson Sorensen,

 Durante o conflito no Pacífico, os oficiais do Império do Sol Nascente, sempre comentaram sua bravura, sobretudo sua lealdade como um valoroso e honrado adversário, sempre honesto e, acima de tudo, um cavalheiro, um Samurai,obediente as regras do BUSHIDO!

 Sempre foi uma honra para os heróicos militares do meu Império defrontarem-se com sua lancha torpedeira Vovô. Seus feitos eram muito comentados e serviam de lições táticas para meus oficiais, que estudavam toda sua vida, desvendada por nosso Serviço de Inteligência, que tinha em muito as técnicas do grande Samurai japonês, “Myamoto Musashy”.

 Terminado o conflito, de modo nada leal, soubemos que o senhor muito se revoltou com o fato, o que não nos surpreendeu face ao seu alto grau de honradez.

 Procuramos sempre encontrá-lo, mas esbarramos sempre nos oficiais da ocupação americana, que achavam faríamos ato de represália, contra sua pessoa, coisa que jamais nos passou em mente. Queríamos, justo ao contrário, prestar-lhe justa homenagem, principalmente, pelas vidas de meus súditos que poupou sem ódios e rancores. Sua vida foi sempre pautada em ações de estratégia e tática, que não visavam destruir pessoas.

 Meus oficiais tomaram conhecimento de seu casamento em publicações, editadas em diversos periódicos internacionais, quando pudemos localizá-lo e remeter nossa justa e sincera homenagem.

 Segue anexo, uma miniatura de um capacete Samurai, o desenho em seda, deste valoroso guerreiro nipônico, bem como o pergaminho oficial, desta comenda, que só ofertamos aos mais brilhantes oficiais, honrados e leais.

 O Império Japonês o saúda.

 Banzai! Banzai! Banzai!

 Assinava o Imperador Japonês.

Phill abriu uma pequena caixa de charão negro com belíssimos cordões de seda negea trancados, e retirou de seu interior uma belíssima e indescritível jóia, um capacete, em miniatura, do Samurai, e desenrolando um pequeno rolinho, de seda, estava a pintura de um Samurai, montado em seu cavalo e usando o capacete, e no pergaminho, o título da comenda que ora recebia.

Phill ficou alguns minutos, calado, pensativo e se voltando para Darling, comentou:

─ Darling, sempre fui admirador do povo japonês. Era uma honra para mim lutar contra eles, tê-los como adversários. Em todas as minhas lutas sempre havia um ritual: antes os oficiais japoneses nos cumprimentavam e nós respondíamos com elegância, nos perfilando, batendo continência, quando então iniciávamos a luta. E era muito difícil, se não fossem as técnicas de caça polinésia que usávamos, seríamos derrotados. Nunca tínhamos como objetivo matar ninguém, sempre nos dirigíamos aos sobreviventes lançando botes salva-vidas, que por isso já tínhamos em quantidades, do tipo inflável, em nossa lancha. Agora recebo esta comenda de um povo que, acima de tudo, é honrado, e como sempre digo: “o Japão perdeu uma batalha, a guerra ele vencerá no futuro”, não através de armas de guerra, utilizará outras armas: a disciplina, a organização, a paciência e, mais que tudo, a forte vontade de vencer!

Darling estava surpresa, era de admirar aquilo que Phill dizia, deixando-a certa de que tinha casado não com um herói, mas um homem admirado até por seus adversários e disse emocionada:

─ Querido Phill, você é o homem que sempre sonhei ter a meu lado!

E Phill, carinhosamente, a beijou!

Eu estava ficando preocupado, pois já estava vendo que não iría à festa de Phill e comentei com John que sorrindo falava:

─ "Pequeno Guardian", nem se preocupe com isto. Phill já me pediu para ir me preparando e suas forquetas, porque irei remando você!

Eu fiquei satisfeito, porém John mais ainda ficara, pois seria o único marujo a participar da festa para Phill.

John me disse que quando agradecera a Phill ele respondera:

─ Não tem nada a agradecer John, você é nosso amigo, e como tal sempre será tratado!

Ele estava vermelho como um tomate quando me dizia isto, fiquei imaginando na hora que Phill falara, devia ter ficado uma cesta de tomates!

A tarde começara a chegar e com ela um forte vento. O mar fora da baía já estava bem grosso, todo encarneirado e as ondas já arrebentavam com força nos paredões de coral. Onde estávamos tínhamos a proteção das montanhas e da barreira de corais, mesmo assim sentia-se o vento que vinha do Sul. Por volta das 18 horas, começou a cair uma chuva forte, com pingos muito grossos, que faziam muito barulho no convés do Britânia e no meu pijama tambor, que não parava de tocar.

Todos estavam vestindo umas capas brancas, impermeáveis, todavia, como o chefe Viritua dissera estávamos bem protegidos, não havia com que nos preocuparmos.

A chuva era tanta que mal se via as pequenas luzes de Moorea. E à noite tudo ficou muito escuro, chuva e vento, e todos os marujos e oficiais muito atentos. O Britânia, todo iluminado, nada soltou ou saiu fora do lugar.

O capitão e oficiais na ponte de comando, atentos às informações do rádio, que informara estarem as ilhas da Polinésia Francesa, principalmente Tahiti e Moorea, recebendo um forte temporal tropical, mas não era considerado furacão. A força do vento era de 60 nós, e permaneceria até às 12 horas do dia seguinte, quando passaria.

E assim, ficamos todos aguardando a frente ir embora. A noite toda de vigília e amanheceu um dia pálido, triste, sem cor, tudo cinza, foi quando Phill e Darling apareceram. John estava sonolento, passara a noite inteira comigo, conversando, mas sempre checando minhas amarras. Phill, notando seu cansaço, falou:

─ John, vá descansar, porque a tempestade já passou e tudo voltará ao normal.

─ Obrigado Sir Phill, estou mesmo precisando de umas horas para refazer minhas energias, mas o “Pequeno Guardian” está ótimo!

E estava mesmo. O vento não me afetara em nada, não balancei, nem mesmo me mexi, estava firme.

Phill estava ótimo e conversava muito com Darling a respeito do “Windsong”. Já havia planejado tudo. Estava com vontade de iniciar logo o projeto, relacionar madeiras e outros materiais, que sabia demorariam a chegar na ilha. Tinha feito uma previsão de 8 meses para terminar tudo. E resolveram, em conjunto, que após a festa de Moorea, voltariam direto para nossa ilha, a fim de começarem logo os trabalhos para construção do “Windsong”.

Eu estava adorando a idéia, pois estaria de novo com meus amigos, na oficina, e cheio de novidades para contar.

Dona Rebeca enviara mensagem via rádio para o Britânia, dizendo que a tempestade fôra muito forte na nossa ilha, só durando meio dia, e nada havia ocorrido de grave. O estaleiro estava ótimo e todos aguardando o retorno do capitão e Lady Darling.

Phill gostara da atenção de Dona Rebeca, que sempre o deixara a par de tudo, o que para ele era uma tranqüilidade.

O dia fôra de arrumação no Britânia, tudo voltando a seus lugares. O sol, após o meio dia, apareceu forte, secando tudo e bem rápido, nada mais estava nem úmido. Voltávamos ao clima gostoso da Polinésia: muito sol, calor e o vento brando suave.

À tarde, depois do almoço, todos foram descansar e bastante, só voltando o movimento por volta das 17 horas, para o tradicional chá inglês, que era servido na área coberta do segundo convés.

Phill passara com Darling a tarde toda numa grande mesa do salão real, com o livro secreto do vovô na sua frente, anotando muita coisa. Ora um falava e o outro anotava, e vice-versa. Por vezes, lia algo no livro do vovô e comentava.

─ Darling, vovô era notável, está tudo bem discriminado no seu livro!

E continuavam até a hora do chá.

O fim da tarde e a noite foram calmos, nada a perturbar o sono tranqüilo de todos. Notei, entretanto, luzes acesas na Suíte Real. Phill e Darling continuavam trabalhando no projeto.

John aparecera, ao cair da noite, falando comigo bem descansado, mas notei uma grande espingarda no seu ombro. Lembrei-me da casa do vovô, que na parede da sala, tinha uma espingarda também que vovô adorava caçar porco do mato com ela, e perguntei a ele:

─ Que espingarda grande, você caça também é? Ainda é muito de noite, o pessoal só sai para caçar 2 horas antes do sol nascer!

─ Não é nada disso, “Pequeno Guardian”. Nós não caçamos e esta espingarda é um fuzil. Hoje estou de guarda no convés, eu e mais sete marujos. Você está vendo, e apontava com o dedo. São três de cada lado: um na proa e outro na popa. São as regras do Britânia: em toda ancoragem fazemos isso, durante a noite para evitar surpresas, principalmente, num local onde nunca estivemos.

─ John, dizia eu, estamos na Polinésia. A guerra acabou e aqui todos são amigos e gostam muito de nós.

─ É “Pequeno Guardian”, sabemos disto, mas ordens são ordens e temos que obedecê-las direitinho.

─ Bem, se vocês pensam assim, para mim tudo bem, mas nada disso é necessário, todos gostam muito de nós, principalmente quando Phill está a bordo.

John não dissera mais nada. Ficava indo e voltando, sempre no mesmo lugar, a noite inteira, até o amanhecer, quando me deu bom-dia e foi dormir.

Não entendia o porquê daquilo tudo, só se cansando à toa, mas como ele dizia, “ordens são ordens”. Tudo bem, que fosse como eles quisessem, mas que era uma grande bobagem, lá isto era!

O dia amanhecera lindo, “sol prá todo lado”, e começaram os movimentos rápidos no Britânia, corre-corre, marujo engraxando botas, outros iam com uniformes para a lavanderia, polimento de espadas, aí é que comecei a perceber que eram todos se preparando para a festa de Phill. Um corre-corre danado até às 10 horas, quando todo mundo sumiu.

Às 11:30, já estavam todos os oficiais fardados com o uniforme de gala, muito bonitos e, na cintura, revólveres. Aí não entendi mais nada. O negócio era festa e não guerra, para que revólveres? Daí me lembrei de John.

─ Ordens são ordens!

Phill e Darling apareceram, mas ele não vestia o uniforme branco de gala e, sim, o azul com aquele monte de plaquinhas coloridas no peito, cheio de estrelinhas. Darling usava um vestido branco, todo rendado, com algumas flores azul claro e um chapéu branco com aquelas abas largas, que escondiam um pouco seus lindos cabelos vermelhos. No chapéu e na sua cintura, faixas de seda azul claro, igual às flores.

O capitão, aproximando-se de Phill, comentou:

─ Sir Phill, noto que o senhor não está usando o primeiro uniforme, não prepararam direito, algum problema?

─ Não capitão, tudo ficou ótimo, só que este é o uniforme que todos na ilha sempre me viram usar e, provavelmente, o Capitão Nanú estará usando também em igual. Ficaria muito estranho: eu com outro uniforme!

─ Agora entendi Sir Phill!

─ Capitão, gostaria de pedir um grande favor.

─ Pois não, Sir Phill!

─ Gostaria que o senhor desarmasse os oficiais quando formos para a festa, pois seria muito desagradável para mim levá-los à casa de meus irmãos, armados.

─ O senhor tem toda razão, Sir Phill, já havia pensado nisto, pois após aquela recepção de nossa chegada tenho certeza que seria uma descortesia muito grande de nossa parte. Só ficaremos com nossas espadas, que fazem parte do nosso uniforme, e para o protocolo!

─ Lógico, capitão. Eu e o Capitão Nanú estaremos usando as nossa também, nada a se estranhar!

E o capitão deu imediata ordem a seus oficiais para guardarem os cinturões com os revólveres, o que foi comentado pelos oficiais:

─ Ainda bem que nosso capitão é esperto, festa de casamento armado, além de nos cansar, ia ficar muito chato!

Às 12 horas, começaram a chegar as canoas polinésias; quatro remadores em cada canoa e estas eram maiores. O líder delas falou alguma coisa com Phill, e as canoas foram se encostando na escada do Britânia. Cada canoa levava quatro oficiais. Elas se afastavam até a última, com Sir Phill, Lady Darling e o capitão devidamente acomodados.

Foi quando John começou a me baixar sem velas e mastro, e com minhas forquetas de bronze, para encaixar os remos, que estavam tão polias que refletiam o sol, como um espelho. Quando pousei suave n’água, John desceu as escada e agora sentado no meu banquinho central, removível, em cima da caixa da minha bolina, começara a remar na direção da canoa de Phill, que aguardava.

─ Tudo bem John?

─ Perfeitamente Lorde Sorensen!

O capitão notara que algo mais havia no relacionamento de Sir Phill com o marujo escocês, e comentou:

─ Sir Phill, este marujo gosta muito do senhor e de seu barquinho, que está mais brilhoso do que o Britânia.

─ É verdade, capitão; John é um bom amigo, que fizemos no Britânia e trata nosso "Pequeno Guardian" da melhor maneira possível. É a segunda pessoa que vai remá-lo desde que foi construído, só eu o remei. Mestre Estevão só velejava.

─ John que não sabia deste fato, ficara todo orgulhoso e dentro de seu uniforme de festa estava irreconhecível, calça branca muito limpa e engomada, com boca de sino, uma camisa de listras brancas e azuis, gola redonda. Nas costas, o nome bem grande “Britânia”, que em vermelho bordado fazia um belo contraste, na frente sobre uma lista azul à altura do peito. Do lado esquerdo, as insígnias reais do grande iate bordadas em dourado. O chapéu era redondo, vermelho, com uma bolinha felpuda no meio, e na aba azul marinho o nome Britânia em dourado também bordado, e atrás caíam 2 fitas brancas, até a altura do seu pescoço.

As canoas começaram a se movimentar. Em primeiro, a de Sir Phill. Depois, eu e John e atrás de nós vinham as demais com os oficiais. As canoas eram muito rápidas e com aqueles flutuadores característicos das canoas polinésias, de um só lado, que dava uma flutuação perfeita. Eles remavam e a cada dez remadas um gritava “Elo!” e trocavam de bordos com os remos. O último polinésio remava e, por vezes, usava seu remo como leme, dando rumo à canoa.

John remava também rápido e com muita experiência e leve como estava não nos separávamos da canoa de Phill. Eu ia dizendo para ele o rumo, não necessitando virar o pescoço para ver a frente.

O capitão ficara impressionado com aquele fato e comentou com Sir Phill:

─ Sir Phill, estou surpreendido com este marujo escocês, ele rema magnificamente, e não olha para frente. A impressão que se tem é que tem olhos na nuca!

Phill e Darling que sabiam o que estava acontecendo riram e Phill respondeu:

─ Capitão, John está adotando sem saber uma velha técnica Polinésia, está remando, olhando as marolas da nossa canoa, não tendo como perder o rumo!

─ Notável Sir Phill, notável, mas para mim muito estranho!

Começamos a entrar pelos canais, entre os corais. Era lindo. Peixinhos coloridos, com cores maravilhosas, corriam junto a meu casco, como num grande aquário, águas muito claras e de uma cor linda.

Havia umas grandes estacas presas entre os corais e, na ponta, flores bem trançadas, hibiscos principalmente, a flor típica de toda a Polinésia. As estacas floridas, muito bonitas, iam agora aparecendo com mais freqüência. Todos estavam maravilhados. Verdadeiras e lindas obras com flores e iam aumentando de tamanho, como avisando que estávamos chegando.

Já começava a ver uma pequena praia cheia de gente. Era “Hapiti”, a vila do chefe Viritua!

Fomos nos aproximando da praínha e Phill foi dizendo ao capitão:

─ Capitão, por favor, avise a seus homens que não saiam das canoas, pois virão tanes de terra para carregá-los, evitando que se molhem.

─ Sir Phill, estava exatamente preocupado com isso. Íamos chegar com nossas calças e botas todas molhadas e cheias de areia!

O capitão avisou aos oficiais o que Phill dissera.

Logo vieram fortes tanes. Com umas cadeirinhas de madeira com palhas de coqueiro trançadas, com flores à sua volta e dois tanes de cada lado e iam levando os oficiais do Britânia para terra. Ninguém se molhou.

Comigo fôra diferente. Quatro grandes tanes nos elevaram, eu e John, e fomos carregados até um grande tapete de folhas de coqueiro trançadas e coberto de flores; tantas flores, que virara um gostoso, cheiroso e macio colchão. Uma caminha fantástica.

John, saindo de mim, pisava no colchão de flores rindo de alegria, nunca vira nada igual.

A maré estava alta, assim quando baixasse estaríamos mais longe ainda da água.

Todos os oficiais começaram a receber lindos colares de flores, colocados por lindas vahines, com largo sorriso, dentes muito brancos e perfeitos, que faziam um único contraste com suas faces bronzeadas pelo sol.

Foi quando apareceram o chefe Viritua e seu filho, o Capitão Nanú Viritua, fardado, impecável, com muitas plaquinhas coloridas com estrelinhas no peito, igual a Phill. Ele tinha plaquinhas iguais às de Phill e um dos oficiais comentou:

─ Capitão, o oficial Nanú, é tão herói de guerra quanto Sir Phill!

─ É verdade tenente, o imediato de Sir Phill é um grande herói também! ─ dissera o capitão do Britânia, muito surpreso.

Os bons irmãos se cumprimentaram à maneira militar, perfilando-se um em frente ao outro, batendo continência por muito tempo. A emoção ganhara seu espaço. Phill e Nanú, naquela continência um pouco mais demorada, retornaram aos tempos da guerra e aos momentos em que com aquele uniforme vivenciaram tempos terríveis e todos os males que uma guerra encerra.

O capitão percebendo o fato, deu ordens rápidas a seus oficiais que se colocaram perfilados, e em voz alta, comandou para que todos ouvissem e bem:

─ Oficiais reais do Britânia, apresentar armas em homenagem ao Capitão Nanú, imediato da lancha torpedeira Vovô, e grande herói da Guerra do Pacífico!

De imediato, espadas polidas ao extremo, com um único ruído, saíram de suas bainhas, e cortando os ares, se colocaram junto ao ombro direito de cada oficial. O capitão, apontando sua espada para o alto e para frente, gritou mais uma vez e bem alto:

─ Apresentar armas!

E todos os oficiais, num único movimento, tomaram a mesma posição de seu comandante.

Sir Phill e Capitão Nanú, olhando as espadas estendidas em sua direção, indicando como se ali estivessem mais que heróis, irmãos, sentiram rolar por suas faces, lágrimas que turvaram a visão dos grandes homens, envolvidos pela imensidão de seus bons sentimentos.

O capitão dera a contra-ordem e as espadas retornaram a seus berços, enquanto Phill e Nanú se abraçavam, com suas cabeças coladas, fazendo seus quepes de borda dourada caírem ao chão. Enquanto todos gritavam, batiam com as mãos no peito, vahines se aproximavam e iam jogando pétalas de flores em todos: nos oficiais do Britânia, em Phill e Nanú, em Lady Darling, em mim e John.

Darling com um lencinho branco colocado no nariz, me deixando preocupado; será que ela se resfriara? Achei aquilo muito estranho, e não entendia porque as ladies ficavam resfriadas nestes momentos, como Margarida e Dona Rebeca.

Colares enormes de flores eram colocados em Phill, no capitão, em Lady Darling, em John, e na minha proa, enquanto os quepes militares cediam seu espaço para belíssimas coroas trançadas de folhas verdes e belas flores, porém todos ficaram paralisados ante a beleza de Lady Darling com aquela coroa. A linda dama de cabelos vermelhos com aquela coroa, modificara sua aparência, se transformando numa bela deusa e as vahines cantavam:

 “A deusa do mar chegou,

 Veio visitar nossas casas,

 Trazendo muita alegria,

 Felicidade, paz e amor

Lady Darling ouvia as palavras, surpresa, e mais ainda, quando Phill traduzira o que diziam, o que significavam e ela alto dizia:

Marurú! Marurú! Marurú!

Phill, virara-se para o capitão dizendo:

─ Capitão, gostaria de lhe agradecer a respeitosa homenagem prestada ao Capitão Nanú. Isto jamais será esquecido nesta vila, e se tornará história nestas ilhas. O senhor e seus oficiais não têm idéia do que se tornaram para estes polinésios, com tal gesto! E complementou rindo, para quebrar um pouco aquele momento de emoção.

─ Seu novo quepe o deixou bem como a seus oficiais, muito elegantes!

O capitão, sorrindo respondeu:

Sir Phill. Não é todo dia que temos a grande honra de desembainhar nossas espadas para um brilhante oficial e, sobretudo, reconhecido oficialmente como herói da Guerra do Pacífico! Confesso que é muita honra para nós, oficiais reais do Britânia. Quanto ao novo quepe, é muito bonito e bem mais perfumado!