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A TRIPULAÇÃO

 

─ Uma bela peça capitão. Agradeço ao senhor e a toda a tripulação do Britânia essa gentileza para comigo e Lady Darling!

E deu um forte aperto de mão no capitão, que ficou muito satisfeito de ter Sir Phill admirado o presente.

Exatamente às 20:30 h, o camareiro real entrava no salão da suíte com o jantar do casal, que já o aguardava.

Sir Phill estava muito elegante. Vestia um dinner jack com uma bela faixa azul na cintura e Lady Darling, linda, com um longo vestido azul marinho, que combinava com a faixa de seu marido. Era o primeiro jantar como marido e mulher.

O camareiro real cumprimentou-os, desejando um bom jantar, retirando-se, ao qual Sir Phill apresentava seus agradecimentos pela atenção.

Às 21 horas, o Britânia, dava seus apitos característicos e começava a içar sua grande âncora. Estava se preparando para zarpar rumo à Polinésia Francesa, onde em quinze dias faria a lua de mel do belo casal. O destino era a Ilha de Bora-Bora.

Eu estava justo, olhando nossa ilha com belas montanhas, que terminavam nas praias de brancas areias, banhadas por aquelas límpidas e claras águas. Nossa ilha era muito bela, cercada por aquela coroa de corais que deixavam seu interior calmo como uma lagoa.

E lá estavam as luzes do estaleiro, a oficina, meus amigos, quando retornasse teria muitas histórias para contar.

O Britânia fazia normalmente 25 nós, sua velocidade de cruzeiro, contudo nesta noite, lua plena, a velocidade determinada pelo capitão era de 15 nós. Segundo as informações e comentários que ouvira, deveríamos estar chegando em Bora-Bora ao amanhecer, que tinha um único passe e seria ideal negociá-lo pela manhã, pois à noite não era bem sinalizado.

A noite fôra bela, não perdia nada. Os possantes motores do Britânia é que faziam algum barulho, a que não estava acostumado, pois na vela, quando passeava sobre o gostoso mar, só ouvia e muito baixinho o som do meu casco empurrando as águas para os lados, barulhinho que adorava, e pedia licença ao mar para minha passagem.  

No Britânia era diferente. Grandes bigodes brancos, ondas mesmo eram desenhadas na sua proa, contando o mar e deixando uma longa esteira quando passava.

O mar estava belíssimo, de um azul lindo, profundo, e com o casco branco do Britânia, espelhando a lua, era um lindo barco prateado flutuando naquela imensidão azul.

De repente, chegou o marujo que falara comigo à tarde, agora mais calmo.

─ Boa noite, “Pequeno Guardian”, como você está se sentindo navegando no Britânia?

─ Boa noite! Estou ótimo, pela primeira vez, vejo o mar do lado de fora, mas me diga como é o seu nome?

Ele encostado em mim, alisando meu verniz, disse:

─ Meu nome é John, sou escocês e sirvo no Britânia há mais de dez anos, sou dos mais novos a bordo.

─ Ué, mas você escocês, e não usa sainha?

─ Este é o uniforme dos “Moços do Convés”, só os mais graduados e oficiais, quando escoceses, é que podem usar o saiote.

─ Ah! Agora entendi!

Ficamos conversando longo tempo, até que chegou outro marujo e calei-me.

─ Ué! John! Falando sozinho?

─ Não, estava pensando alto, me lembrando da Escócia, minha Glasgow. Uma noite linda para nos lembrarmos de casa, daqui, do outro lado do mundo.

─ É, uma linda noite, quente, gostosa, e no Pacífico Sul, e agora indo para Bora-Bora. E o Britânia sem todos aqueles hóspedes, que nos davam um grande trabalho no convés. Agora não, só o Capitão Phill e Lady Darling. Pelo que ouvi falar, ele é do mar mesmo, conhece tudo. Disseram-me que ele, pelo tipo de vento, sabe o que irá acontecer daí a três dias, condições do mar, tudo.

Eles ainda não sabiam do que meu Phill era capaz!

─ Dizem que na guerra, ele mesmo foi quem ensinou a sua tripulação os mergulhos do comando inglês, iam por debaixo d’água, só levantando para respirar, sem deixar bolhas ou fazer barulho, e colocavam as minas nos navios japoneses ou em seus caminhos. Era o grande problema que os japoneses tinham.

Ué! Isto eu não sabia, o meu Phill debaixo d’água colocando bombas, também da guerra ele nunca dissera nada. Não gostava de falar disto, dizia que guerra era para nunca ser lembrada!

─ Dizem, continuava o marujo, que a lancha dele, era a que os japoneses mais temiam, chamavam ele de “Samurai”, era leal, um inimigo honesto, dava chance de luta e combatia de igual para igual. Contam que muitos oficiais da armada japonesa o reverenciavam antes da luta, e que ele fazia o mesmo à maneira nipônica. Ele era um inimigo admirado em honrada. Os oficiais japoneses, quando terminou a guerra, queriam conhecê-lo, mas ele nunca aparecera. Ele conhecia as ilhas como a palma da sua mão e se escondia, rapidamente, em locais sempre diferentes.

Uma vez só é que conseguiram acertar sua lancha, e de terra, com tiros leves; tinha algo a ver com alguém que ele gostava muito e que morrera, e resolveu homenagear fazendo a missão mais perigosa, que sua tripulação acompanhou a sua homenagem.

Esta história era famosa na Real Academia Naval, onde suas histórias eram muito comentadas. Várias vezes fôra convidado para fazer conferências e relatos de guerra, mas nunca aceitara, não falava de guerra com ninguém.

Quando os americanos lançaram as duas bombas atômicas no Japão, ele ficou revoltado e dizia que a guerra para ele terminara naquele dia, pois considerou um crime. Disse para todos que aquilo não era honrado.

Esta missão difícil está relacionada com a ida do vovô pro céu, e aquela cicatriz no seu queixo, sabia disto direitinho!

Os marujos foram se retirando e John não resistiu e me desejou boa noite.

─ Ué, John, dando boa noite para quem? ─ perguntou seu companheiro.

─ Para o vento, o mar, a lua e as estrelas, que bem merecem, por nos dar tão simpática e gostosa noite!

Comecei a perceber que John era muito sabido.

─ Pôxa, é mesmo, dissera o outro marujo!

─ Boa noite também!

Eu quase que respondi, mas ia ser um alvoroço, assim fiquei calado. Tudo a seu tempo, como dizia vovô, tudo a seu tempo.

Pela manhã, pude assistir ao nascer do sol. Que saudades! Lembro-me quando árvore, no alto da ilha, que via o sol nascer e ir dormir. Depois, na casa do vovô e no estaleiro, só via quando ele desaparecia no horizonte. O nascer era muito bonito também.

Foi quando ouvi aquela voz amiga, do meu Phill:

─ Belo nascer, hein amigo? Sem nuvens vermelhas, vamos ter um dia maravilhoso!

Oi, Phill! Que bom te ver, já estava angustiado de não vê-lo à noite fumando seu cachimbo, admirando as fumaças!

─ É, meu amigo, deveres de homem casado de novo!

─ Ué, homem casado de novo, também faz dever de casa, como você fazia na oficina quando estudava?

─ Não! Não é nada disso, um dia te explico melhor! ─ dissera rindo muito.

Como sempre, quando dizia alguma coisa gozada, que não sabia porque ele ria muito. E quando dizia que um dia iría me explicar, tinha certeza que esse dia jamais chegaria.

─ Ah! Phill, fiz um novo amigo, um marujo, o John, é escocês! E contei toda a história, desde quando fôra recolhido pelo oficial que o achara bêbado, dizendo que o barquinho falara. Phill riu muito. Agora, era até engraçado, ele ria de tudo, eu não sabia qual era tanta a graça, mas sabia que muito tinha a ver com Lady Darling.

Eu notara que ele estava muito feliz, com suas fortes mãos tamborilava no verniz da minha borda, enquanto admirava o nascer do sol. Aquilo era muito bonito e ficamos calados por algum tempo.

O silêncio foi interrompido com a chegada de Lady Darling, também feliz, muito feliz e com um lindo brilho nos olhos.

─ Bom dia, meu querido Phill!

─ Bom dia, barquinho querido da minha vida!

Uaú! Darling estava muito feliz! “Meu querido Phill”, “barquinho querido da minha vida”! Uaú!

Phill, dando-lhe um beijo, disse:

─ Bom dia, linda Darling!

Bem eu tinha que mostrar que estava feliz também.

─ Bom dia, à moça mais linda de cabelos vermelhos! A linda Madame Sorensen!

Eles riram, e muito abraçadinhos se apoiaram em mim.

Ficamos os três conversando, longo tempo, vendo o sol sair de dentro d’água, até que apareceu um oficial na ponte de comando com um aparelho esquisito na mão, olhando para o sol e dizia uns números para outro oficial, atrás dele que ia anotando tudo num caderninho preto.

─ Phill, perguntei, o que é aquilo que o oficial tem na mão, é coisa de guerra é?

─ Não, amigo. Ele está usando um sextante, e fazendo leituras dos ângulos para o outro oficial anotar. Chama-se a isso “preparo do céu”, se faz quando o sol está nascendo, e quando ele está se pondo, e ao meio dia também. Isto é navegar pelo sol, quando não se vê terra, para sabermos nossa posição no mar.

─ Puxa! Isto deve ser meio complicado! Mas me lembro que vovô dizia que você navegava com o sol, as estrelas e a lua, sem sexta nenhuma na mão!

─ Amiguinho, o nome não é sexta, é sextante. Eu não o uso, porque me oriento à maneira dos navegadores polinésios, pois vivi sempre nestas ilhas. Durante a guerra levava muita vantagem por isto, foi quando me aperfeiçoei ainda mais, neste tipo de navegação. Marco na carta nossa posição sem o uso do sextante.

Darling não acreditava e perguntava:

─ Querido, como é possível, se durante a noite os astros se movem e a lua tem suas fases?

─ Aí é que está o grande segredo Darling. Os polinésios têm na memória, como eu, seis horas diferentes, quando decoramos a posição das estrelas no céu. Nestes seis momentos, temos as posições das 19h, 21h, 23h, 01h, 03h e 05h, à noite, e a lua nos diz os dias do mês. À noite e no hemisfério Sul ou Norte, próximo ao Equador, a movimentação dos astros facilita mais as coisas.

─ Interessante Phill! Você irá me ensinar, não é?

─ Claro, disse eu, Phill vai deixar você conhecendo tudo, não é Phill?

─ Você, agora, está me parecendo muito com um certo martelo!

Ah! Ah! Ah! Agora quem ria era eu. O martelo adorava dar respostas pelos outros! Darling, com um sorriso de quem não está entendendo nada, perguntou:

─ O que foi que houve? Qual foi a piada?

─ Você logo entenderá, Darling! ─ dizia Phill.

Quando voltarmos você entenderá a graça, eu dizia.

─ Tudo a seu tempo, Darling, tudo a seu tempo!

Ela não gostou muito da resposta e fiquei pensando: será que as ferramentas iriam falar com ela?

Phill adivinhou meus pensamentos e comentou:

─ Acho que sim, “Pequeno Guardian”, com alguns sustos, como Dona Rebeca!

Darling externava toda sua curiosidade feminina.

─ Ó que vocês estão falando? Agora quero saber, me conta Phill!

Phill não dissera nada. Ela virando-se para mim disse:

─ O meu barquinho querido, me conta! Conta queridinho, conta!

Phill, sem ela ter visto, me piscara o olho, quando ia falar, depois de ser chamado de “queridinho”, mas comentei:

─ Tudo a seu tempo, queridinha Darling, tudo a seu tempo!

O queridinha fez ela rir, e comentou:

─ Tudo bem, se vocês não querem me contar, tenho todo o tempo do mundo para esperar! E está só começando!

Phill, suavemente a beijou, e dei umas balançadas, no exato momento em que um oficial vinha nos avisar que o café da manhã estava sendo servido, dizendo:

─ Sir Philson, My Lady, o café estará sendo servido no Salão de Refeições. O senhor não acha perigoso ficar balançando o barquinho?

─ Estava só testando as amarras, Tenente, este barquinho é muito precioso para mim. E Darling complementou, me dando um tapinha:

─ E para mim também, Tenente!

E lá foram eles para o café da manhã. E fiquei pensando: este negócio de comer deve ser muito chato. Lava as mãos, come, vai ao banheiro, lava as mãos, come mais. Café, almoço, lanche, jantar, o dia inteiro a mesma coisa, que coisa mais sem graça, ainda bem que não tenho este problema.  

O refeitório do Britânia era muito arrumado. Aliás como tudo, muito limpo, cuidado, nos seus lugares, como nossa oficina. Havia uma grande mesa redonda ao centro, que chamavam de “A Távola Redonda”; ao centro um grande timão de carvalho, que apoiava toda a mesa, feita de um grosso vidro, com 20 lugares ao seu redor. Em torno, mesas iguais à grande, com 8 lugares, completavam o refeitório. As cadeiras em carvalho e couro eram muito bonitas.

Nesta manhã, só a mesa grande estava preparada e com 17 lugares. O casal em lua de mel, o capitão e mais 14 oficiais.

Quando Phill e Darling entraram no salão, de imediato, o capitão veio ao seu encontro, indicando os locais que estavam reservados para eles, e todos os oficiais se aproximaram. De pé, o capitão invocou o nome de Deus. Em seguida Phill, puxando a cadeira de Lady Darling, a fez sentar, quando, então, todos fizeram o mesmo.

O café da manhã fôra ótimo e os oficiais fazendo perguntas a Sir Philson sobre a guerra. Ele dava evasivas e não respondia. Às outras, não, respondia alegre. Todos, então, confirmaram que de guerra ele não falava nunca!

Quando o oficial imediato perguntou:

─ Sir Philson, o senhor se orienta mesmo pelos astros sem o uso do sextante, como dizem? O senhor me desculpe, é que muitas lendas existem em torno do seu nome famoso!

Rindo, Phill, começou a falar sobre o assunto:

─ Sim, Capitão Imediato, é um velho hábito dos navegadores polinésios, guardado há muito séculos em segredo. Muito séculos antes das grandes descobertas pela Península Ibéria, e só de uns 50 anos para cá, é que poucos homens brancos tiveram conhecimento.

Contam os polinésios que os grandes navegadores transmitiam seus conhecimentos, durante seus últimos anos de vida, a um só jovem, e quando pressentiam chegar a hora de estar junto a seus ancestrais. O jovem escolhido levava seu mestre a uma ilha distante, desconhecida de todos, lá deixando-o. Com ele, um dia, também o mesmo ocorreria.

O fato é que pouquíssimos tinham conhecimento desta técnica de navegação. Com o passar dos anos modernos, alguns homens brancos foram se tornando bons amigos e irmãos desses navegadores polinésios, que quebrando a tradição, foram ensinando. Foi o meu caso com o navegador Nanú, meu imediato na lancha Vovô, que me transmitiu os maiores segredos. Quando jovem, em nossa ilha, tinha um grande amigo, o Teiki, que começou a me ensinar as primeiras e básicas informações. Infelizmente ele durante a guerra morreu.

─ E funciona mesmo Sir Philson, pelo dia e pela noite?

─ Capitão Imediato, funciona melhor que nosso sextante, com uma precisão muito superior, sem necessidade de anotações, etc. e ainda tem outras vantagens e conhecimentos. Pelo sentido e direções do mar e ventos, em comunhão com as marés, as fases da lua e as posições do sol, pode-se determinar, com muita precisão, o tempo nos próximos 2 ou 3 dias. Afora é lógico, para poucos, com ou sem nuvens no céu, obter-se a posição; já no sextante, não é bem assim.

─ Incrível, Sir Philson! Sempre considerei isto como lenda, contudo o senhor dizendo, toma outro sentido!

─ Façamos o seguinte Capitão: quando no trajeto Bora-Bora-Moorea, em alto mar e sem visual de terra, seus oficiais farão as leituras com o sextante, e eu farei à maneira Polinésia inicialmente, marcando o ponto na carta. E depois conferiremos!

─ Perfeito, Sir Philson, perfeito! ─ colocou o Capitão do Britânia.

Todos gostaram muito daquela conversa. Algo novo para os oficiais.

O assunto mudara agora para mergulho e caça-submarina. Soubemos, alguns de nós também começamos a mergulhar, como são os mergulhos nestas ilhas e qual o problema com os tubarões?

─ Senhor Tenente, nas ilhas há 2 tipos de pesca-submarina. O primeiro é o do dia a dia, que é feito dentro dos atóis, peixes pequenos, mas em muita quantidade, cada mergulhador em média pesca 60 a 70 peças, numa manhã ou tarde, é o necessário e suficiente para o sustento de 3 famílias; o segundo tipo é quando se mergulha nos passes ou por fora, nos paredões de corais, só ocorrendo quando em caso de grandes festas e nunca sempre no mesmo local para não deixar os peixes assustados. Este é a meu ver o grande mergulho nas ilhas, o que mais gosto.

Há locais em que os paredões se afundam repentinamente e outros que descem suavemente, formando cavernas ou passagens, que afora o belíssimo aspecto, é onde se encontram sempre muito boas peças e grandes.

Existem ainda os “peixes de passagem”, as barracudas e os tubarões, que ao contrário do que muitos comentam sem conhecer o assunto, não representam o maior perigo.

─ Sir Philson, nos fale um pouco sobre os tubarões da Polinésia! ─ disse outro oficial, curioso sobre o tema.

Os tubarões, não só na Polinésia, mas como em todo o mundo, basicamente estão divididos em 3 grupos: os mais calmos, os surpresas e os malucos. Assim é que se referem os polinésios.

Os mais calmos são o galha branca dos recifes, o lixa, e o galha preta dos recifes. Todos tranqüilos.

Os surpresas são o cinza do recife, o limão e o martelo, que quando não disputando peixe em seus territórios se mantêm afastados. Entretanto, deve-se sempre estar atento a seus movimentos.

Os malucos são o tigre, o mako e o grande branco. Estes como dizem os polinésios, são imprevisíveis, podem passar perto do mergulhador e nada fazer, ou também, vir direto, sem voltas e atacar.

Em sua grande maioria, os tubarões, de uma forma geral nas ilhas da Polinésia, face à grande quantidade de alimento fácil, não atacam. Agora é que estão acontecendo alguns acidentes face ao turismo. Os turistas se aventuram por locais desconhecidos e sendo péssimos nadadores, fazem mais barulho e movimentos desordenados do que nadam, e o tubarão com seu perfeito sistema de detectar movimentos diferentes, pensa tratar-se de algum ser marinho com problemas, se tornando uma fácil presa, e que nem sempre se torna um caso fatal. Em nossa ilha, em mais de 100 anos, tivemos um caso fatal, só agora recentemente. Todos nós ilhéus conhecemos bem nossos locais de mergulho, onde há muitos, e houve há pouco tubarões, onde não aparecem os malucos e onde eles não vêm. Um turista inglês foi nadar num destes locais onde os malucos aparecem e foi atacado por um tigre, muito grande, que decepou-lhe uma perna, à altura da coxa, causando forte hemorragia, e após perder muito sangue, morreu no hospital quando chegou. Sua companheira que não tinha nenhum conhecimento dos primeiros socorros e atendimentos médicos preliminares, não sabia como estancar o sangue, e quando um local chegou e fez o torniquete, já era muito tarde.

Na Polinésia, a cultura obriga toda criança na fase de aprendizagem a estudar o sistema de prevenção de acidentes. Os nossos primeiros socorros, que devia ser obrigatório o ensino nas escolas secundárias, coisas importantes ao invés de se perder tempo com uma cultura inútil, estudarmos coisas que nunca em toda vida jamais utilizaremos, um curso básico de primeiros socorros não demora, 1 hora por dia, durante uma semana, e pode ajudar de maneira incríveis a salvar muitas vidas, como foi o caso deste turista francês.

Nós na Polinésia, os pescadores submarinos temos um velho hábito, nunca mergulhamos sozinhos, sempre em dupla, um olhando o outro, e a canoa com um remador experiente os acompanha todo o tempo, nunca tivemos nenhum acidente com o pessoal local, face a ataque de tubarões.

No caso dos tubarões de oceano, alto mar, todo este conceito muda. São muito agressivos e atacam tudo, tendo na guerra do Pacífico, sido o responsável por diversas mortes de ambos os lados das tropas envolvidas no conflito e, principalmente, ao pessoal dos navios torpedeados, quando perdiam seus botes salva-vidas e se lançavam ao mar do navio em chamas, raramente e com muita sorte é que sobreviviam. Os americanos testaram toda sorte de repelentes, todavia nenhum destes apresentou resultados considerados satisfatórios.

O grande perigo, ao contrário do que muitos pensam, em toda Polinésia não está nos tubarões, e sim numa doença que dá nos peixes que vivem nos corais. A “ciguatera”, nos peixes “escorpionídios”, e em minúsculas “águas vivas”. A ciguaterra é um veneno fortíssimo, tipo acumulativo. As pessoas vão comendo alguns peixes e vai aumentando o veneno no corpo humano, até que, de repente, mata. Já dizimou milhares de pessoas. Os ilhéus desenvolveram, face a muitas observações, alguns métodos para se detectar a “ciguatera”.

1 - Peixe prateado não tem “ciguatera”.

2 - Quando a mosca verde não pousa no peixe ele está envenenado.

3 - Uma moeda de cobre, esverdeando rápido na boca do peixe ele está com a doença.

4 ─ Uma pequenina concha que temos nas ilhas, quando colocada no olho do peixe e morrendo imediatamente. É sinal da doença.

Os peixes escorpionídios, que ficam em nossas areias, com pouca água, têm espinhos muito venenosos que matam muitas crianças que brincam descalças, nessas águas. Por tal, hoje todos estão já indo às praias com calçados do tipo tênis, de sola de borracha, que protege mais. Todas as crianças deveriam ir às praias que não conhecem, calçadas, e os adultos também, pois o veneno desses peixes causam dores terríveis.

O terceiro e último animal, muito mais perigoso que todos, é essa pequena “água viva” a que me referi, do tamanho de um botão de paletó, transparente e com 4 pequenos fios, de cerca de 20 cm, que se alongam por quase 2 metros. Provocam, quando em contato com a pele das pessoas, queimaduras e dores terríveis e, quando na cabeça, mata. A sorte é que só aparece em definidos meses do ano, de dezembro a fevereiro, quando da época dos furacões e tempestades no Pacífico Sul.

E Phill terminou a narrativa, que deixou todos maravilhados com suas explanações.

─ Sir Phill, estamos muito agradecidos por esta brilhante palestra e seus ensinamentos para nós, que notamos ser o senhor grande conhecedor do assunto, colocou o Capitão do Britânia.

─ Em troca, pediria ao senhor que deixasse o “Pequeno Guardian” preparado, pois quando chegarmos a Bora-Bora, pretendo fazer um passeio com Lady Darling, entre os motus (pequenas ilhas), disse Sir Phill.

─ Será um prazer, Sir Phill! E virando-se para o 2o. tenente, responsável pelo setor do convés onde se encontrava o barquinho, o incumbiu da tarefa.

─ Será uma honra Capitão! ─ respondeu o oficial.

Todos se levantaram e saíram do salão para apreciarem a chegada do Britânia na ilha de Bora-Bora, na Polinésia Francesa.

O tenente reuniu os marujos do seu comando, e o marujo John se ofereceu, de imediato, para o serviço no barquinho:

─ Tenente, conheço bem o barquinho de Sir Philson e posso me obrigar deste serviço.

─ Pois bem marujo, que o faça e com muito cuidado!

─ Pode estar tranqüilo tenente, que assim será feito!

Quando olhei, lá vinha o John, todo satisfeito.

─ “Pequeno Guardian”, serei eu que cuidarei de você. E o prepararei para velejar com o Sir Philson e Mylady?

─ Preste muita atenção que vou te ensinar tudo, e quando for para água não caírem desabando como fazem com suas lanchas, irei posar suave n’água e você verá depois o que irá acontecer.

Bora-Bora era uma ilha muito bonita e, quando o Britânia entrou por seu único passe, todos ficaram muito impressionados com sua beleza. Uma grande montanha, no meio de uma grande lagoa, cheia de pequenos motus a sua volta e com aquela linda coroa de corais. O Britânia ancorou numa baía em frente ao passe e começaram os preparativos a bordo para irem à terra para as formalidades legais.

Eu fui dizendo a John tudo, para me baixar.

─ Solte as duas amarras, ao mesmo tempo, proa e popa, e as segure bem. Vá soltando, lenta e igualmente! Assim ele fez.

─ Agora vai me descendo devagar. Quando estiver encostando na água, dou uma pequena mexida para lhe avisar. Você avisa ao marujo da escada para pegar meu pequeno cabo na proa.

─ Assim que estiver seguro, você dá duas voltas. Desse jeito, nas minhas amarras que soltam meus nós e você as puxa para cima.

John fizera como exatamente eu dissera e pousei, suave, nas claras águas. Ele fez tudo direitinho, era um marujo experiente e muito esperto.

O Capitão do Britânia, que observava tudo, não queria que nada ocorresse com o barquinho de Sir Phill. Apreciou a manobra e ordenou ao tenente que chamasse aquele marujo ao comando. Quando o tenente transmitiu a ordem ao John, ele ficou apavorado. Nunca o Capitão se dirigia a um marujo, sempre o fazia através dos oficiais, e agora, o que acontecerá? Por que não fiquei no meu canto quieto? E fui logo dar uma de “gato mestre”! ─ pensava John.

Tremendo, ele subiu as escadas para a ponte de comando e se apresentou, nervoso, ao Capitão.

─ Marujo John, setor 3, do 2o. Convés, se apresentando senhor!

─ À vontade marujo! Queria pessoalmente cumprimentá-lo pelo excelente trabalho realizado ao baixar o barquinho de Sir Philson. Pela primeira vez, não vejo um barco se estatelar lá em baixo n’água, e sim pousar suave, vou colocar um elogio em sua folha de serviços, no Britânia!

John estava surpreso, sem sentir direito o piso do comando, quando o Capitão perguntou:

─ De onde você é marujo?

─ Dá Escócia, Senhor, Glasgow!

─ Está explicado, tinha que ser como eu!

─ É uma honra Capitão!

─ Dispensado marujo!

Enquanto John descia as escadas do comando, nas nuvens, se lembrando das minhas palavras, “você verá o que irá acontecer”, o Capitão transmitia ordens específicas ao 2o. tenente oficial imediato de John.

─ Tenente, o marujo escocês, John, será o único responsável pelo barquinho de Sir Phill. Ele, e só ele, cuidará do barquinho. Esta será sua ocupação permanente, enquanto nossos convidados especiais estiverem a bordo do Britânia.

─ Sim senhor, assim será feito! ─ disse o oficial se retirando e pensando consigo, ainda acrescentarei mais algumas determinações por minha conta, quero ver aquele barquinho brilhando muito mais que o Britânia.

John ainda se encontrava pensativo, enquanto os marujos, preocupados quando ele subiu ao comando, agora, alegres, o cumprimentavam pelo elogio que receberia em folha, caso inédito no Iate Real.

Esse barquinho é danado, protege a todos que se acercam dele, dá uma sorte incrível por isto seu nome é “Pequeno Guardian” e, agora, entendo porque Sir Philson é um homem famoso, pensou John.

Olhando para mim do 2o. Convés, me deu uma piscada de olho, daquelas que já estou muito acostumado, respondi com um leve balançar e ele riu.

Neste momento, o tenente o chamou:

─ Marujo, por ordem do Capitão, o senhor é o responsável por aquele barquinho, e ninguém tocará nele, só o senhor. E mais, seus metais deverão estar polidos, seu verniz e pintura, tudo mais perfeito que o Britânia!

─ Sim, meu tenente, assim será feito!

─ E outra coisa, nada de bebidas em serviço, dizendo besteiras, que o barquinho fala!

─ Sim, meu tenente, nada de bebidas!

─ Dispensado, e vá cuidar do barquinho!

John desceu as escadas, pegou meu cabo de proa dizendo para o marujo, que me segurava:

─ Tudo bem companheiro, agora eu cuido do barquinho!

Eu ria muito, quando me agradeceu, me contando como o Capitão o tratara, as ordens, tudo. Ele agora só cuidaria de mim enquanto estivesse no Britânia. E o Capitão da ponte do comando observava o John alisando meu verniz e me dando tapinhas e virando-se para seu imediato, comentou:

─ Fiz uma boa escolha, o barquinho de Sir Phill ficará muito bem cuidado nas mãos daquele escocês, tenho certeza! No que o imediato respondeu:

─ Capitão, os homens do mar conhecem bem as pessoas, esta é a sua grande experiência senhor, e por tal tenho honra em ser seu imediato!

─ Obrigado, meu amigo, obrigado!

Aquele era o relacionamento entre os oficiais e, justo por isto, no Britânia nunca, em toda sua história, tinha ocorrido a menor desavença. Todos eram escolhidos a dedo pelo Comando Real Inglês, para servirem no Britânia, o que era uma grande honra.

Enquanto John conversava comigo, Phill e Darling, descendo as escadas, chegaram comentando o que o Capitão acabara de informar, que ele seria o responsável por mim, no Britânia.

─ Parabéns John!

─ É Sir Philson, um prazer e honra para mim!

─ Para mim também disse Phill! John fez tudo com eu orientei, sem invenções e, lógico, por isso recebeu elogios!

Phill virando-se para John, disse:

─ John, nós os amigos do “Pequeno Guardian”, que conversamos com ele, somos iguais. Assim como você fala com ele, o fará comigo e Darling, nada de títulos, somos amigos íntimos a partir de agora! E deu uns tapinhas na costa de John.

─ Sim, Sir Phill, eu ia, esquecendo, Phill, é o hábito! Muito obrigado por fazer-me seu amigo!

O tapinha que Phill dera nas costas de John fôra notado por todos e comentado:

─ Hoje é, sem dúvida, o dia de sorte daquele marujo. Primeiro, o elogio do Capitão e, agora, o tapinha nas costas de Sir Phill, com o sorriso do casal. O que mais falta acontecer?

Eles nem imaginavam; nem imaginavam!

Phill colocara Darling no meu banquinho de bombordo, enquanto foi me montando: mastro, estais, retrancas, velas, cabos e moitões, meu leme e bolina.

─ John preste atenção como se prepara, porque daqui para frente você é que irá fazê-lo.

─ Pode deixar Phill, estou vendo tudo, e qualquer coisa esquecida o “Pequeno Guardian” me ensina!

─ Ensino, mesmo, John!

Um oficial, da ponte, que vendo nos afastarmos com Phill acenando para John, e ele fazendo o mesmo, sério perguntou-lhe:

─ Marujo será que o ouvi chamar Lorde Philson, de Phill?

─ Nunca tenente, jamais faria tal coisa, e logo com Sir Philson, um grande herói. Nem louco!

─ Ah! Bem. Deve ter sido o vento!

E John pensou, é melhor continuar chamando de Sir Philson, para não perder o hábito, e meter-me numa forte encrenca, logo agora que tudo está ficando bom para mim.

Phill e Darling me levaram para um pequeno “motu”, à direita do passe, muito bonito, eu velejava suave e, pela primeira vez, com Darling que estava adorando.

─ Que gostoso, Phill! O “Pequeno Guardian” é perfeito, como veleja macio, é o ideal para duas pessoas!

Phill passou para suas mãos a cana do leme e as escotas e, agora, Darling me capitaneava e com muita experiência. Ela sabia velejar bem, o que deixou Phill admirado e dizendo:

─ Darling, você é ótima velejadora!

Eu comentava:

─ Caça mais minha mestra, agora a bujita, entra mais no vento, baixa toda a bolina. Ela ia fazendo tudo, e se deliciando, quando começamos a navegar bem mais rápido.

─ Phill, fica de olho nos corais à frente, não conhecemos bem o local, para não arranhar minha pintura!

Do Britânia, o Capitão de binóculo nos acompanhava, falando ao imediato:

─ Quem está no leme, agora, é Lady Darling, e com uma técnica e perícia incrível. Parece que conhece o barquinho há longo tempo, nunca vi algo assim! Já no primeiro velejar dominando um veleiro tão bem!

O imediato, colocando seus binóculos, confirmava:

─ Inacreditável Capitão! O barquinho está velejando perfeito na mão de Milady. Ela o domina como se o conhecesse há muito.

Ah! Se eles soubessem!

Fomos percorrendo os “motus”, e notei construções sendo feitas na beira d’água e perguntei:

─ Phill, que negócio de pauzinhos na praia é esse?

─ Meu “Pequeno Guardian”, este é o tal do progresso. Hotéis sobre as águas estão fazendo o maior sucesso entre os turistas. No Tahiti, já existem dois, caríssimos e os milionários gastam fortunas. Um dia será impossível viver no Tahiti, será o local mais caro do Pacífico e Bora-Bora vai pelo mesmo caminho!

Senti, pelo comentário de Phill, que ele não gostava nada daquilo, e colocou um assunto que nunca tinha ouvido falar antes.

─ Ainda bem que com o “Windsong” estaremos nos afastando disso tudo!

─ Ué! “Windsong”! Que história é essa de “Canção do Vento”? Ele não canta, assobia!

─ Ah! ‘Pequeno Guardian”, você não sabe da novidade, conta para ele, Darling!

─ É "Pequeno Guardian", iremos construir um grande veleiro quando retornarmos à ilha. Depois de pronto, iremos fazer uma viagem em volta do mundo, por todos os oceanos!

─ Puxa! Que maravilha, taí gostei! Mas, me lembrei logo dos meus amigos.

─ E a oficina Phill?

─ Não se preocupe. Ela será o ponto alto do “Windsong”!

─ Agora sim, está ótimo, melhor ainda!

Darling, muito esperta, não disse nada. Mas, já desconfiada que alguma coisa havia a mais que uma simples oficina.

, ─ Já sei! Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo!

E nós todos rimos muito. Ela já sabia da nossa “senha”!

Fomos chegando junto a uma bela praínha, e sem que dissesse nada, Darling levantou minha bolina. Afrouxou minhas velas, baixou a bujita, me afilando ao vento e suave, lentamente, foi arriando minha vela mestra, enquanto Phill, pulando n’água me segurava.

─ Bela manobra, Darling! ─ disse Phill e completou:

─ Uma excelente parceira!

Quando Darling ia sair, Phill alertou.

─ Darling coloque seu tênis!

─ Não, vão molhar, Phill!

─ Não faz mal, e se lembre do que falei dos peixes escorpionídios, no café da manhã!

─ É verdade! ─ disse, calçando os tênis.

Phill, aos poucos, ia passando toda sua experiência e conhecimentos para Darling que acabaria conhecendo tudo, pois era boa e aplicada aluna, não questionava nada, ao contrário, tudo queria aprender. Sabia que tudo seria muito importante na sua vida futura de cruzeirista. 

Saímos de Bora-Bora, alguns dias depois, e rumamos direto para Moorea, pois Phill notificara ao Capitão do Britânia, que dali a 3 ou 4 dias viria mau tempo. O Capitão ficara muito surpreso, pois o rádio de bordo nada havia colocado neste sentido. A viagem para Moorea duraria 6 horas e ficou acertado que a fariam à noite, para Phill fazer a demonstração da navegação polinésia como acertara. 

John não saía de junto de mim. Deixara meus metais muito polidos, mais do que os do Britânia, e meu verniz e pintura também. Estava brilhando como nunca. Ele sabia bem do ofício de deixar barcos impecáveis, limpos, limpíssimos, e estava curioso em conhecer o estaleiro e a oficina do vovô. Disse-me que quando voltássemos à ilha, na sua folga, iría nos visitar. Phill e Darling já estavam íntimos de John, que me montava todo quando eles iam velejar. Eles estavam gostando muito dele, principalmente Phill que nunca me vira tão brilhando.  

À noite, às 23 horas, já estávamos no meio do mar. Phill, na presença do Capitão, olhou rápido as estrelas, entrou na sala de navegação e colocou na carta náutica o ponto em que nos encontrávamos. Os oficiais foram tirar a posição com o sextante, cálculos, etc... E quando foram marcar o ponto na carta, ficaram surpresos: era o mesmo ponto que Phill marcara.

─ Incrível, Sir Phill! ─ disseram todos. Levamos cerca de 10 minutos e o senhor não levou 1 só. É extraordinário!

Nunca haviam visto nada igual. O Capitão foi ao armário, apanhando uma linda caixinha de madeira, muito bem trabalhada, com as insígnias do Iate Real e ofertou a Phill dizendo:

─ Sir Phill, o senhor é merecedor do conteúdo desta caixa!

Ao abri-la, Phill encontrou sobre um fundo de veludo azul, encaixadas em baixo relevo, as insígnias do Iate e uma pequena plaquinha esmaltada em branco com os dizeres em dourado: “Navegador do Britânia”, igual que os oficiais usavam.

─ Muito obrigado Capitão, para mim é uma grande honra! ─ disse Phill.

─ Sir Phill, a honra é nossa! Nunca na minha vida e destes oficiais vimos nada igual ou parecido, diria que foi a maior demonstração de navegação astronômica que já tivemos conhecimento!

─ Obrigado, mais uma vez, pela gentileza, Capitão!

E todos bateram muitas palmas. Lady Darling estava orgulhosa, mas sobretudo, maravilhada pelos conhecimentos de Phill e dizia:

─ Phill, nós nunca nos perderemos no mar!

─ É Darling, e preciso ensinar a você também a navegar como os polinésios, num veleiro de cruzeiro. Todos devem conhecer tudo.

─ É verdade Phill. É verdade Phill.

E se dirigiram para a Suíte Real.

Chegamos a Moorea por volta das 3 horas da manhã. Circundamos toda a ilha. Vimos as luzes do Tahiti, a capital da Polinésia Francesa, distante umas 6 milhas e com altas montanhas, que notei bem ao amanhecer.

Demandamos ao passe que dá acesso à baía Cook, nome do maior explorador inglês, Capitão James Cook, que fez todo o levantamento cartográfico de toda Polinésia, do Havaí à Nova Zelândia, e ainda parte da costa leste da Austrália, com sua grande fragata, o “Endevour”.