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Mestre Phill, o jovem artista de nossa ilha, já ia sendo conhecido por seus trabalhos, principalmente, seus modelos perfeitos de galeões, caravelas e veleiros antigos, estes os mais famosos. Agora, já tinha sua vida toda planejada e iria se especializar em arquitetura naval, curso que faria, no futuro, na Inglaterra. Margarida, sempre que podia, ia visitar o vovô e acompanhara todo o desenrolar da transformação de Phill, se apegando muito a ele, como o vovô; era para ela um filho também. O tempo fora passando. Phill se tornara um belo homem e um famoso arquiteto naval. A oficina aumentara e, agora, construía belíssimos barcos. Vovô, já bem velhinho, acompanhava muito raramente Phill nas suas gostosas velejadas comigo na nossa praia, no nosso mesmo local, como dizia sempre, nosso quintal. Nos anos seguintes, o negócio foi crescendo e já tínhamos o início de um grande estaleiro, onde havia um local próprio para mim, com uma linda placa de bronze colocada sobre um belo tronco de cedro, que dizia: “Veleiro “Pequeno Guardian” ─ último trabalho de Mestre Estevão”. E todos olhavam para mim admirados. Eu, orgulhosamente, fazia pose para fotografias, que tinham umas cores muito amareladas e não retratavam minhas clássicas cores. A vida era ótima, tudo uma maravilha, até que um dia chegou a notícia ruim: ─ A guerra começou, Mestre Phill ─ dizia sua secretária, recém-contratada! Os japoneses haviam atacado Pearl Harbor, no Havaí, e começaram a invadir diversas ilhas do Sul do Pacífico. O mundo mudara. As coisas ficaram muito difíceis para quem morava nas ilhas. O estaleiro começara a construir lanchas torpedeiras, cujos movimentos rápidos eram fundamentais para a defesa das ilhas. E Phill fizera um projeto excelente; suas lanchas eram perfeitas, mesmo em aço, tinham um desenho formidável. E como não podia ser de outra forma, Mestre Phill, o arquiteto Phill, foi para a guerra e comandava uma destas lanchas potentes, muito conhecida e chamada “Vovô”. Missões terríveis para frear a tropa japonesa, principalmente nas ilhas, que Phill conhecia muito bem. Era um navegador experiente, treinado, conhecia bem o mar, seus avisos, marés e mudanças, o que se transformara num grande aliado. ─ Hoje, dizia o Capitão Phill, o mar vira, se torna muito forte. Os japoneses como nós, não farão nada, é descanso! E como previa, acontecia, e tínhamos então um pequeno tempo para sentirmos o gostoso afagar das mãos do Capitão Phill no nosso verniz, ou nas ferramentas. ─ Quem diria, hein Phill? Você se tornou mestre, artista, arquiteto naval e, agora, capitão de lancha torpedeira! A Vovô era conhecida e respeitada pelos japoneses que chamavam aquela lancha de “Samurai”, pois era um inimigo honesto e leal. O exército japonês, bem treinado, com um código moral e disciplina impecável sabia ser a lancha “Vovô”, comandada por um homem esperto, conhecedor das ilhas, um perigoso inimigo, mas acima de tudo, um “Samurai”. E Phill sempre dizia: ─ É “Pequeno Guardian”, tudo que tenho e sou devo a você! E ríamos muito. No meio da guerra, a pior notícia. Phill recebia carta em uma distante ilha, num ponto avançado de patrulha, onde Margarida dizia que vovô tinha ido pro céu. Todos ficamos tristes muito tempo, eu e toda a oficina, que agora tínhamos uma sala toda especial no novo estaleiro. Ninguém dizia nada. E sem Phill por perto estávamos órfãos. As únicas pessoas que falavam conosco estavam longe: Phill na guerra, no inferno e vovô no céu. Que coisa estranha, pensávamos: ─ O vovô nos deu grandes alegrias com Phill, vamos nos lembrar dele assim! Um dia disse o grande serrote: ─ Quando ensinou ao Phill como segurar o martelo, o formão, se lembram? E fomos nós lembrando daqueles tempos do Phill aprendiz, o vovô ensinando tudo, e dos momentos bons vividos, das coisas gostosas que aconteciam. E o martelo de cabo de carvalho, rindo, falava: ─ Lembram-se, quando o mogno chegou aqui todo triste, desconfiado e preocupado, e o vovô o arrumou direitinho? Agora é o “Pequeno Guardian”, conhecido e fotografado por todos, até em outros países. ─ Hurra! Hurra! Hurra ao nosso grande vovô! A bancada, dias depois, nos contara que neste momento, enquanto gritávamos, sentiu a mão do vovô no seu pinho, como alisando. Eu não dissera nada a ninguém, mas naquele dia, alguém sentou em mim do mesmo jeito que o vovô sempre fazia. A tristeza passou, ficando a lembrança em todos dos bons momentos, quando hábeis mãos nos seguravam e faziam os primeiros moldes das cavernas do “Pequeno Guardian”, minha construção, fatos inesquecíveis que, sabiamente, haviam sido transferidos para o nosso sempre pensar. Lembramo-nos de Phill. Ele está no meio da guerra, e, agora, como será que está, com esta notícia do vovô? Mais uma preocupação para nós, até que o formão disse: ─ Calma pessoal, o nosso Phill não é bobo. A estrela dele é boa, está sentindo como nós sobre o vovô, mas ele voltará para nós! Eu tenho certeza absoluta disto! dizia. Todos me olhavam esquisito. Eu não dizia nada a ninguém mas sabia tudinho que acontecia com Phill, e sempre o protegia, aliás fazia sempre isto com meus amigos, sempre protegendo quem gostava. Lembro-me de um soldado americano, que entrando na nova oficina, quis levar o formão e avisei rápido ao martelo, que caiu forte no dedo dele, e dona lamparina na sua cabeça e ele saiu tonto. ─ Phill voltará para nós, não tenham nenhuma dúvida disto ─ dizia! Todos me perguntavam como sabia disso, e respondia: ─ Um dia eu explico amigos, não se esqueçam do nome que o vovô me deu! E o martelo repetia nossa máxima: ─ Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo, não é “Pequeno Guardian”? ─ Hurra! Hurra! Hurra! Ao nosso Phill, que irá um dia voltar! Um dia chega a notícia: a guerra acabou, jogaram uma bomba grande no Japão que acabou com tudo, as madeiras viraram cinza. ─ Uau! Que negócio esquisito é esse: dizia o marcador de madeiras! E o torno falava: ─ É a tal da bomba atômica, destrói tudo, é um pesadelo! E o martelo de cabo de carvalho perguntava: ─ Bomba de água tônica, como é que pode? E todo mundo ria a valer. ─ Ué! Tão rindo de quê? Nunca ouvi falar nesta bomba de água tônica, é a primeira vez! Não é água tônica, martelo, é atômica! dizia o torno. ─ E qual a diferença, pelo menos água tônica sei o que é, esta tal de atômica, nem imagino! E o torno continuou dizendo: ─ É bom mesmo, porque seu cabo vira cinza e seu aço derrete! ─ Pôxa! Seu torno, vamos deixar esta conversa prá lá, que é melhor, né? E a lamparina dizia: ─ É porque o “impronunciável”! E todo mundo ficou com muito medo. Eu sabia exatamente, o que era aquela bomba e ficava pensando nas crianças, seus brinquedos, nos velhinhos bons marceneiros, que eram os japoneses, quando aquele pesadelo veio do céu. Nunca mais aquilo poderia acontecer. Foi quando o grande serrote, com sua experiência, dizia a todos: ─ Calma pessoal. O fato da bomba é muito triste, mas a guerra acabou. Quer dizer, que nosso Phill está voltando, vem para casa, para nós! ─ Hurra! Hurra! Hurra! A guerra acabou, o Phill vai voltar! O dia esperado chegara. Nosso Phill estava de volta, herói, com uma porção de medalhas no peito, o nosso Phill, o nosso mestre Phill, o nosso arquiteto Phill, e agora o nosso herói, o capitão Phill. Ao olhar de meu lugar, nosso amigo, com sua pequena cicatriz deixada pela guerra, abaixo do queixo, seu porte atlético, um deus louro, aquilo me deixou realmente surpreso. Nosso amigo se transformara num forte, alto e belo homem. A mamãe de Phill estava lá, toda orgulhosa, seu querido filho tivera as benções da vida e se tornara num exemplo para todos. O menino que fazia entrega no mercado acabara se tornando um grande herói, para toda ilha, e o mundo também. Todos o abraçavam, fotos, apertos de mãos, o estaleiro lotado. Margarida via seu bom amigo. Lembranças do vovô. Lágrimas de reencontro. E nós lá aguardando nossa vez, que não demorou muito, pois, como sempre, o amigo Phill nos surpreendia a todos, e levando a imprensa para o escritório do estaleiro, o museu, como chamavam a antiga oficina, dizia: ─ Vocês agora estão conhecendo meus verdadeiros amigos, aqueles que me ajudaram em tudo, minhas ferramentas e meu querido barquinho, o “Pequeno Guardian”, com ele pela primeira vez saí ao mar! E ao chegar à foto do vovô, dizia: ─ Este é mestre Estevão, o vovô, patrono de nossa lancha, cabe a ele todo o meu sucesso! Todos nós meio sem jeito, tipo como encabulados, nunca havíamos visto tanta gente nos fotografando, gente de todo tipo e nos falavam línguas que não entendíamos nada. E Phill, num impulso, adivinhando nosso pensamento, gritou: ─ Hurra! Hurra! Hurra às minhas ferramentas, ao “Pequeno Guardian” e ao vovô! E todos gritaram: ─ Hurra! Hurra! Hurra! E, então, contou a todos o porquê do meu nome, “O Pequeno Guardian”, justo porque protegia a todos que eram meus amigos. Este fora o pedido que vovô me fizera ao dar-me o nome de Guardian, que protegesse sempre os pequeninos, como fiz com Phill, meu menino, o primeiro a me velejar, como quisera o vovô. A Ilha crescera muito depois da guerra. Já não era a mesma, muita gente aparecia de todo o canto. As casas iam se modificando de desenho, tudo muito estranho, já não eram mais de madeira. Agora haviam carros, que faziam muita fumaça e deixavam um cheiro horrível no ar. A casa do vovô continuava a mesma, e no terreno do lado, Phill aumentara o estaleiro e construíra sua casinha muito parecida com a do vovô e sempre ao fim da tarde ele se sentava na varanda, e dava baforadas no velho cachimbo do vovô. As fumaças azuis, na noite, faziam lindos desenhos, que Phill não cansava de admirar, pois vinham sempre carregados com as lembranças do vovô. A mamãe do Phill fora pro céu, ela vivia sozinha. Não conhecera muito seu papai e, agora, não tinha sua mãe e levara uma foto dela, e colocou ao lado da do vovô na oficina. Margarida ficara viúva: o Mudo tinha sumido durante a guerra numa missão e foi dado como morto. E o Tostão sumira de outra forma: não quis ir pra guerra e ficou pulando de ilha em ilha. Dizia que a guerra não era dele; nunca mais ninguém ouvira falar dele. Tudo que era do vovô ficara para Margarida, que vivia na casa, agora vizinha do Phill e adorava a noite quando Phill retornava do estaleiro. Jantavam e depois iam para a varanda e ficavam conversando longamente sobre os velhos tempos e o futuro. Ela já estava muito idosa e, durante a guerra, com todas as suas emoções e desastres, ficara ainda com mais cabelos brancos. Fundara a Cruz Vermelha da nossa ilha e era sua Enfermeira Chefe, e vira os horrores de uma guerra, da qual, como Phill, nunca gostavam de falar, ou mesmo tocar no assunto. Aquilo era tabu, como diziam os polinésios. A ilha crescendo, e o tempo passando, passando, passando... O estaleiro já mudara muito, cheio de máquinas, e começaram aparecer novidades: serra circular, tico-tico, tornos, lixadeiras, desengrossas, desempenos, e máquinas esquisitas, como uma que era muito estranha, que chamavam serra de fita, que parecia mais um bicho que máquina, e todas eram muito perigosas, adoravam cortar os dedos das pessoas. Já havia muitas pessoas trabalhando no estaleiro e uma nova secretária, que chamava Phill de capitão, e não deixava nada empoeirar, era eficiente e cuidadosa. E aquilo tudo, no escritório e no museu, trazia impecável. Phill, vez por outra, ia esculpindo e trabalhando nos seus modelos, e agora recebia encomendas de todo mundo. Tudo era feito pelas ferramentas do vovô. Sua secretária achava muito estranho, pois algumas vezes o encontrava conversando conosco e dizia: ─ Coitado do capitão, a guerra o abalou, ele fica na oficina, museu, fazendo seus modelos e falando sozinho! A ilha continuava crescendo e aquilo não agradava muito ao Phill, que se aborrecia muito, querendo preservar alguns locais. Todos os sábados, como sempre fazia, só interrompendo durante a guerra, ele me descobria e me preparava, e íamos velejar na nossa praia e na baía. Até chegáramos aos corais e recifes que circundavam a ilha e, por vezes, íamos até as entradas para o grande mar, que chamavam “passes”, por onde agora entravam grandes navios, que traziam gente, muita gente, para visitar a ilha, o que aborrecia muito o Phill, que sempre dizia: ─ Meu amigo, este pessoal chega, todo perfumado, cheio de direitos, sujam tudo, vão embora e nós que ficamos é que temos que limpar tudo. E alguns resolvem ficar e fazer negócios aqui. Aí é que piora, exploram a todos e querem tudo do seu jeito, não respeitam nossa cultura, tradições, nada. Se, pelo menos, cuidassem do que encontraram! Estávamos conversando, quando começamos a notar um belo iate branco, lindo, muito branco, entrando no passe. Era muito grande, não tinha velas, era só motor e possante, pois escutava na água seu barulho. Phill até comentou: ─ Pôxa! Este é grande mesmo, e muito bem desenhado!
Perto de mim, com meus 12 pés, ele era um gigante. Seus barcos salva-vidas eram 4 vezes o meu tamanho. Fomos devagar chegando perto, e Phill disse muito surpreso ao ver a bandeira na popa: ─ Este é o “Britânia”, aquela bandeira branca com a inglesa pequena em cima no seu lado esquerdo, com os 3 leões ao centro, quer dizer, que é o iate da Rainha da Inglaterra. Sabia que estava para chegar, só não sabia que seria hoje! ─ Rainha da onde Phill, da terra? ─ Não, “Pequeno Guardian”, Rainha da Inglaterra, da nossa ilha! E cada vez que chegávamos mais perto, o Phill, admirado, via agora na popa o nome em letras azuis e douradas, com um bonito desenho: “Britânia”! Foi neste exato momento, que ele olhando para cima do convés da popa, viu uma bela moça, com cabelos vermelhos, soltos ao vento e, pela segunda vez, via aquele estranho brilho nos seus olhos azuis, igual a quando ele terminou sua primeira escultura, o “marreco”! ─ Chi! Phill! O que é que está acontecendo? Ele nem me respondeu, estava quieto, imóvel. Na cabine de comando, apareceu primeiro um oficial, nos apontando. Depois o capitão, com um uniforme igual ao do Phill, cheio de dourados; estava com o binóculo, nos deu um aceno de mão, e dando ordens rápidas. De imediato, baixaram uma lancha n’água, que veio rápida ao nosso encontro. Phill não prestava atenção, estava ainda com seus olhos fixos na moça de cabelos vermelhos ao vento e, agora, com o movimento no grande iate e a lancha vindo na nossa direção, ela olhava para nós fixamente também. ─ Phill! Phill! O pessoal tá vindo, correndo em direção, será que fizemos alguma coisa errada, chegando muito perto do iate da Rainha da terra? Foi, então, que ele começou a prestar atenção novamente em tudo. ─ Não sei o que está acontecendo, “Pequeno Guardian”, mas não é nada disso que você está pensando! O barco muito bonito, de madeira, também com possante motor, muito limpo e com os metais iguais aos meus, chegou bem perto, poderia jurar que fôra o vovô que dera aquele verniz. De imediato, o chefe dos homens, que eram 5, ficou de pé e à maneira militar, cumprimentou Phill. ─ Comandante Philson, o reconheci pelo seu barquinho “Pequeno Guardian”, pois saíram, fotos no mundo inteiro, como o pequeno veleiro do herói da guerra no Pacífico! E completou: ─ Vossa Majestade tem o prazer de convidá-lo a jantar esta noite a bordo do “Britânia”, na recepção que oferecerá às autoridades da ilha! O vice-governador da ilha, Almirante Smith, com certeza já deve ter transmitido o convite ao senhor. ─ Transmita a V.M. Rainha Elizabeth II, que muito nos honrou tal convite e nós estaremos, virei a bordo do “Pequeno Guardian”. ─ Uau! Eu iria à festa da Rainha da terra também! No caminho de volta, para casa, Phill não parava de falar: ─ Belo iate, o Britânia! ─ Você meu amigo, está conhecido no mundo inteiro! Iremos jantar com nossa rainha! Por que não falei de manhã com o Almirante Smith, como ele pediu, urgente? Daí, não agüentei e falei algo meio esquisito: ─ Comandante Philson, acho que você está mais interessado na moça de cabelo vermelho, que no jantar da rainha da terra! E para surpresa minha, como há muito não via, desde o fim da guerra, ele riu, às gargalhadas, o tempo todo, e só parou um momento para me dizer: ─ Amiguinho, o nome certo é Rainha da Inglaterra, e não rainha da terra! ─ Por mim, tudo bem. É que pelo que ouvi dizer, ela é dona de quase tudo, então liguei uma coisa à outra! Ele continuou nas suas gargalhadas até chegarmos ao estaleiro, onde uma porção de gente nos esperava: dois oficiais, sua secretária, Margarida e pensei: que negócio esquisito, todo mundo aqui. ─ Phill, capitão, comandante! todos falavam ao mesmo tempo. ─ Já sei senhores. Já encontrei com o iate real. Estaremos na recepção do Britânia! ─ Pôxa! Comandante, disse um dos oficiais, já estava preocupado, pois o senhor é o convidado de honra! Isto, ele não sabia. Rapidamente deu ordens aos marujos do estaleiro para me deixarem impecável. ─ Amigos, o “Pequeno Guardian”, hoje deve estar mais preparado que nunca, pois vamos ao jantar da rainha, que está marcado às 18 horas, e às 17:30h, virei apanhá-lo! O pessoal, todos satisfeitos, saíram conversando com Phill, enquanto os marujos começaram o trabalho comigo: sabão pra cá, polidor pra lá, minhas velas lavadas, secas, até engomadas, e na parte superior da minha mestra, 3 estrelas douradas com fundo azul.
Ué! Que negócio de estrelinha é este? Fiquei pensando. Um dos marujos é que conversando com outro, me explicou tudo, sem o saber. ─ Hoje o capitão, até patente colocou no “Pequeno Guardian”! ─ É coisa oficial! Pôxa! Agora eu era oficial também, mas como podia, se não fui à guerra, só fiquei na torcida do Phill? Eu ficaria lindo, todo arrumadinho, me lembrei, quando vovô me vestira para presente de Natal, até minha carreta estava limpa, e não entendia nada. A carreta não iria conosco, o que será que estava acontecendo? Bem, Phill me explicaria tudo depois. Às 17:30 h Phill chegou e me deu o maior susto e a todo mundo do estaleiro. Estava fardado com uniforme branco, cheio de dourados nos ombros, que caíam parecendo cachos de criança, cheio de medalhas grandes e diferentes, uma faixa azul e vermelha cruzava seu peito, de um ombro até do lado da cintura, onde um cinto lindo era forrado de azul e dourado e do lado esquerdo uma bela espada branca, azul e dourada. ─ Uai! Você está muito bonito, mas este não é o uniforme da guerra que você sempre usou! O que foi que houve, pintou de branco para ficar igual ao iate da rainha, é? ─ Este é o uniforme de gala, amigo, só para ocasiões solenes, como esta! E você também, hein? Com estrelinhas na mestra! ─ É, ouvi os rapazes dizerem que é coisa de oficial! ─ Isto mesmo, você agora é oficial também! Todo mundo do estaleiro estava admirado e, da janela do meu lugar, podia ver as ferramentas doidas, querendo saber o que estava acontecendo. ─ Phill, dá um pulo na oficina e explica às ferramentas tudo, antes que o martelo ou a lamparina acabe caindo aqui embaixo! A secretária do Phill não cabia em si de tanta alegria e falava pelos cotovelos com todos. E quando chegou ao escritório, todo vestido de gala, ela quase desmaiou, dizendo, ou melhor gaguejando: ─ Ca... ca... capi... tão, o sen... hor, esta... tá... muito elegan... te... te! e completou: bo... bo... bo... ni... to, tam... bém! ─ Obrigado, Dona Rebeca, pelos elogios! Phill entrou na oficina e foi aquela festa. Dona Rebeca não entendia nada. Lá estava novamente o capitão falando sozinho. Aí ela começou a pensar que tinha alguma coisa a ver com religião, que Phill ia lá rezar no retrato do vovô e de sua mãe, pois ficava muito tempo falando sozinho, e ela já percebera que ele não tinha ficado maluco na guerra, pelo contrário, mais experiente em tudo. Phill apanhou um modelo terminado, que há muito vinha fazendo. Era uma linda fragata, cheia de canhões, que ele havia conhecido num livro antigo sobre a guerra da Inglaterra contra a poderosa armada espanhola. As fragatas mais leves e ágeis surpreenderam os pesados galeões espanhóis, destroçando toda a frota Ibérica. Esta fragata era o modelo da mais famosa no combate naval, até hoje muito comentado por todos no mar. Vovô, algumas vezes, conversava com Phill sobre esta grande batalha. O formão não agüentou e falou: ─ Phill, me leva neste jantar também? quero ver a rainha! E o grande serrote respondeu no final: ─ Formão, você vai acabar é furando toda a bela farda do Phill! E então Phill completou: ─ Não se incomodem amigos, vou convidar a rainha para conhecer vocês todos, as ferramentas de Mestre Estêvão, o estaleiro, tudo e vocês conhecerão a rainha! ─ Hurra! Hurra! Hurra! Viva o Phill, viva a rainha! A lamparina, como sempre, não resistiu e pimba! Caiu no chão! Como agora não se usava mais o impronunciável, tinha a tal eletricidade, só quebrou o vidro, e todo mundo ria a valer. Dona Rebeca é que não entendeu nada. Olhando pela fresta da porta, ficou meio assustada quando a lamparina caiu no chão, e pensou consigo mesma: a reza do capitão é forte mesmo, até a lamparina velha caiu no chão! De imediato, voltou para a sua cadeira. Quando Phill, vinha voltando e ficou muito surpresa, pois poderia jurar ter visto o martelo de cabo de carvalho balançar, e pensou, em voz alta: acho que quem está ficando maluca sou eu, agora vejo até as coisas se mexerem! Phill, com a fragata na mão, fechou a porta da velha oficina, o “Museu”, como chamavam, e se despediu de Dona Rebeca dizendo: ─ Dona Rebeca, a senhora deve achar muito estranho, pensando até algumas coisas meio esquisitas a meu respeito, porém esta velha oficina é minha vida, tudo que mais gosto está aí dentro. E para sua surpresa lhe direi, que após tantos anos juntos, todos os objetos e ferramentas que se encontram neste lugar são meus melhores amigos! Só faltou dizer que conversava com todos. Mas, agora, não, havia necessidade, pois ela já começara a entender tudo: o capitão não era maluco, nem rezava, ele conversava com suas coisas de estimação, muito natural. O que ela ainda não sabia é que as coisas de estimação falavam também. A partir daquele dia, para surpresa de todos nós, Dona Rebeca todo dia falava conosco, quando chegava, quando ia embora, e, num dia destes, o martelo que gostava muito dela, não resistiu e respondeu: ─ Boa noite, Dona Rebeca! Ela quase desmaiou ao ver o grande serrote repreender o martelo; ─ Seu martelo, assim você irá assustar nossa amiga Dona Rebeca! A partir daí, todo mundo do estaleiro dizia: ─ Xii! Coitada da Dona Rebeca, trabalha tanto que agora já tá falando sozinha! Ao descer as escadas do escritório, com a fragata na mão, Phill dera ordens muito esquisitas: ─ Ponham a lancha do estaleiro para rebocar o “Pequeno Guardian”, pois chegaremos ao Britânia com as velas em cima, só perto! ─ Ué! Não vamos velejando Phill? ─ Não amiguinho, iremos perder muito tempo assim, tenho que chegar ao Britânia às 18:00 horas em ponto, nem 17:59, nem 18:01. Horário britânico! ─ Agora é que não entendo mais nada, o que tem a ver o jardim botânico, com o horário da nossa chegada? Phill, riu como nunca e completou: ─ Depois eu explico! Depois eu explico! Eu havia dito alguma coisa muito gozada, e não sabia o que era, só que ele havia achado a maior graça. Também ele estava como nunca o vira: todo feliz, alegre, ria de tudo. Alguma coisa tinha a ver com a moça de cabelos vermelhos, disto tinha certeza. Rebocados fomos até uns 50 metros do Britânia quando, habilmente, como sempre, caçou minha mestra, acertou minha buja, e numa orça suave, fomos chegando ao iate real. O relógio da matriz iniciou a dar suas tradicionais badaladas das 18:00 horas, quando abordamos o Britânia e, de imediato, ouvi uns apitinhos finos, curtos, longos, breves, e todo mundo se perfilava para nós, e um oficial no pé da escada, dizia quase berrando: ─ A bordo o Capitão Philson Sorensen, da armada inglesa, sediado nas ilhas do Pacífico, herói da II Grande Guerra! E ia dizendo todos os títulos do meu Phill. Todos bateram continência e o meu Phill foi subindo os degraus da escada lateral do Britânia, passo a passo, parecia que estava marchando, carregando nas mãos aquela bela fragata. Chegando ao convés, aqueles apitinhos novamente, e apareceu o Capitão do Britânia, com a roupa igual à do Phill, só que o meu Phill tinha muito mais medalhas. ─ Bem vindo a bordo do Britânia, Capitão Philson. E ambos se cumprimentaram, ao modo militar, com continências, passando, a seguir, para um forte aperto de mãos, com o comentário do capitão do Britânia: ─ Capitão Phill, é uma grande honra, para mim e todos oficiais do Britânia, tê-lo a bordo: o maior herói vivo da Guerra do Pacífico. Os próprios oficiais japoneses diziam:Nao um inimigo, mas um Samurai! ─ A honra é todo nossa, senhor, ser cumprimentado pelo capitão do iate real Britânia! O meu Phill sabia das coisas. O imediato do Britânia, o segundo no comando, deu ordens e marinheiros fortes e bem treinados, me prepararam, baixando minhas velas e fui içado à altura dos barcos salva-vidas, por boreste, ficando bem perto do salão grande do Britânia. De onde me encontrava via tudo plenamente, e no grande salão os hóspedes do Britânia se encontravam. E novamente meu Phill era anunciado, agora por um homem de cabeleira branca, cheio de cachinhos, com uma grande bengala que batia no chão: toc! Toc! Toc! ─ No salão real do Britânia, o Capitão Philson Sorensen! Phill se colocou em posição de sentido, bateu continência e depois entregou seu quepe e a fragata inglesa a um oficial ajudante do salão. Dirigiu-se a outro homem, de também longos cabelos brancos, que chamavam de “Mestre de Cerimônia, que iria apresentá-lo aos hóspedes reais. ─ Duque não sei de quê... ─ Conde de... ─ Sir ... Uns nomes complicados, até difíceis de falar. As lanchas que vinham de terra, traziam muita gente, e a toda hora os apitinhos tocavam e oficial do pé da escada gritava o nome dos convidados. Coitado, pensei, amanhã ele não fala, estará rouco. Precisava gritar tanto? No salão Phill continuava sendo apresentado, quando chegou a vez da moça de cabelos vermelhos.
─ Lady Darling de Westerfield, filha do conde de Westerfield! Na posição que me colocaram, tinha o privilégio de ver tudo melhor que todos, pelos janelões do salão. A troca de olhares brilhando, do meu Phill e da moça de cabelos vermelhos, explicava tudo. Phill pegou suave na mão da moça e a cumprimentou. Ela era linda, com olhos da cor do mar, e sorriu para Phill. ─ É um privilégio conhecer tão linda dama. O Conde e a Condessa devem ser orgulhosos de sua belíssima filha! ─ dissera Phill. ─ Não tenha dúvida alguma, capitão, somos muito orgulhosos de Lady Darling, mormente agora que conheceu pessoal e oficialmente o maior herói vivo da Guerra do Pacífico. ─ Falou um homenzarrão forte como um touro, com uma voz grossa e uma barba muito esquisita, com um estranho bigode. Todos ficaram meio sem jeito, sussurros, comentários, etc... Phill riu! E o homenzarrão, completou, como que dando alguma desculpa ao “Mestre de Cerimônia”: ─ Sempre me esqueço do protocolo! O que levou ao “Mestre de Cerimônia” esboçar um leve sorriso. ─ Daqui para frente, o Conde de Westerfield apresentará pessoalmente o Capitão Philson! Estava resolvida a questão do protocolo. Um nobre da corte tinha este privilégio de substituir o Mestre de Cerimônia. Eu não estava entendendo nada. Tudo Phill me explicaria depois. O Conde apertou com força a mão de Phill, sua mania, e Phill quando queria tinha as mãos de aço, e todos no estaleiro sabiam daquilo. E Phill deu o troco. E o Conde sentiu as mãos de aço de Phill, dizendo: ─ Capitão, isto não são mãos e sim alicates! disse isto rindo. O Conde mais conversava com Phill que o apresentava. Ele o fazia rapidamente até voltar a seu lugar com Phill, onde estava sua filha, Lady Darling. Começaram a chegar ao salão real os outros convidados e toc! Toc! Toc! ─ O Governador Geral das Colônias do Pacífico... ─ O vice-governador da Ilha, Almirante Smith... Iam sendo nomeados seus cargos, nomes, dentro dos seus títulos de importância, como determina o rígido protocolo inglês. Todos foram anunciados, quando num pequeno intervalo de tempo, novamente outro arauto anuncia. Agora, outro homem com cabeleira maior, roupas mais bonitas, e de maneira totalmente diferente: com outra bengala, também muito diferente, maior, mais detalhada, de ouro e pedras preciosas, que brilhavam muito e para todos os lados: toque! Toque! Toque! ─ Sua Majestade Imperial Rainha Elizabeth II da Inglaterra e o Príncipe de Edimburgo!
Todos de imediato se curvaram, dobrando o joelho esquerdo, os homens, e as damas uma suave descida no corpo até seus longos vestidos de noite fazerem dobras no belo piso do salão real. E a rainha entrou no seu salão, seguida pelo príncipe e seis oficiais de cada lado, e ao final o sétimo, no meio, carregando uma pequeno almofada de veludo vermelho com arremates de cordões dourados e pousada na almofada uma bela espada. Se dirigindo ao salão a rainha, com leve movimento de cabeça, cumprimentava os presentes e parando no meio do salão real, o arauto anunciava: ─ Falará S. M. rainha da Inglaterra! Todos se entreolharam, aquilo era algo diferente, só os mais idosos já eram sabedores, alguém iria se tornar Cavalheiro do Reino. A espada na almofadinha era a de Sir Francis Drake, Almirante e grande herói inglês. Com esta espada, os oficiais destacados da Real Marinha Inglesa eram nomeados Cavalheiros do Reino, “Sir”.
Os oficiais se colocaram como num corredor, formados até a rainha, desembainharam suas espadas e, em posição de sentido, a colocavam junto aos seus ombros do lado direito. Perguntas sutis, em voz baixa, se podiam notar. ─ Quem será? Darling, junto a Phill, bem calma comentou: ─ Sir Philson Sorensen, o senhor será agora nomeado por sua majestade! ─ Como é que Lady Darling tem conhecimento disto? ─ Sua Majestade me revelou, enquanto o senhor se afastava do Britânia nesta tarde, dizendo: lá está o mais nobre cavalheiro do meu reino! Ao acabar de ouvir Lady Darling, o arauto anunciava: toque! Toque! Toque! ─ É convidado à presença de Sua Majestade, o Capitão da Armada Real Inglesa o Capitão Philson Sorensen, sediado nas Colônias Inglesas do Pacífico! Phill, o meu Phill, o nosso Phill, iria ser nomeado “Sir”, fiquei pensando quando as ferramentas soubessem. Uau!!! Phill entrou naquele corredor de oficiais e suas espadas, quando o último falava bem alto: ─ Apresentar armas ao Capitão Philson Sorensen! E os oficiais traziam o cabo de suas espadas ao queixo, ficando suas lâminas na posição vertical, acima de suas cabeças. Um fotógrafo, também oficial, iniciou a tirar fotografias com umas lâmpadas fortes que deixavam todo mundo sem enxergar nada e faziam um barulho: Ploc! Ploc! Ploc! Phill se aproximou da rainha, que com um leve e simpático sorriso nos lábios, disse: ─ Ajoelhe-se Capitão Philson! Com o joelho direito dobrado, numa cadeirinha baixa, de pernas curtas, apoiado numa almofada de veludo vermelho e a perna esquerda para trás seguida por sua espada, com o braço esquerdo segurando o único braço da pequena cadeirinha, Phill baixou levemente a cabeça.
A rainha pegando a espada na almofada, já sem bainha, com a mão firme, suave a pousou no seu ombro esquerdo, depois no direito e por fim no centro de sua cabeça dizendo: ─ Pelo poder da Rainha da Inglaterra, eu, Elizabeth II, o nomeio Cavalheiro do Reino Britânico. Levante Sir Philson Sorensen! Phill que me vira, através do janelão, deu uma leve piscada para mim, que foi imediatamente respondida por Lady Darling, que se encontrando junto ao janelão pensou ser para ela, e a rainha mexendo levemente os lábios com um disfarçado sorriso, olhou para Lady Darling. Aí é que entendi tudinho, o olho piscado de Phill, não era para mim e sim para Lady Darling, no que exclamei: ─ Uau! Phill já tá até piscando pra moça de cabelo vermelho! Nem reparei no marujo, que se encontrava perto, que me ouvindo falar, ficou procurando junto de mim, se tinha alguém. Quase que dava um susto nele, dizendo: ─ Fui eu mesmo! Mas iria ser a maior confusão, com o marujo correndo e gritando: ─ O barquinho fala! Assim fiquei calado, não era hora de brincadeiras. No salão, Phill se levantara da cadeirinha e um oficial se aproximara da rainha com outra almofadinha, agora azul, com os mesmo detalhes dourados. Na almofada, um belíssimo colar de ouro e pedras e uma grande cruz, que a rainha suave e gentil colocou ao redor do pescoço de Phill. Quando terminou, todos bateram muitas palmas e Sir Philson foi convidado a ficar à direita da rainha para, junto com o casal real, receber os cumprimentos de todos, enquanto o oficial do corredor, agora o último do outro lado gritava: ─ Apresentar armas a Sir Philson Sorensen! E faziam o mesmo movimento da vez anterior, com as espadas, que depois foram embainhadas. Eles permaneceram na posição de sentido, enquanto todos, ordenadamente numa fila, iam entrando naquele corredor formado por oficiais e chegando à rainha, ao príncipe e ao Sir Phill. Todos foram nomeados protocolarmente ao homenageado. Quando chegou a vez de Lady Darling e ao cumprimentar Sir Phillson, ouviu-se um discreto comentário da rainha ao príncipe: ─ Philip, repare que belo casal se encontra junto a nós! O príncipe, discretamente, respondeu: ─ Perfeito casal, minha rainha! Eu não pensava em outra coisa, senão voltar à oficina e contar a todos a cerimônia que tinha assistido, de camarote, suspenso, bordo a bordo com o iate real. Terminadas as apresentações, todos se dirigiram ao salão de jantar, umas 50 pessoas, tudo impecavelmente arrumado e já, propositadamente, Sir Phill ficara com seu lugar à mesa junto aos Condes de Westerfield, ao lado de Lady Darling. O jantar correu maravilhosamente, Sir Phill e Lady Darling conversando alegres. O ponto alto, entretanto, foi quando Sir Philson presenteou a rainha com o belo modelo da fragata inglesa que deixou a todos maravilhados. Complementando, convidou o casal real e seu séquito a visitarem o estaleiro e conhecerem a antiga oficina de Mestre Estêvão. O que, de imediato, teve aceitação da rainha, agendando em seus compromissos na ilha. Durante o jantar, o Conde, que se chamava Andy, por diversas vezes conversara com Sir Phill, e numa destas ocasiões lançou uma semente que fôra plantada em terreno fértil, sem que ele soubesse, ou fingisse não saber, foi algo mais ou menos assim: ─ Sir Phill, uma coisa que sempre me deixou muito curioso a respeito do senhor: é que sendo um grande mestre e arquiteto naval, exímio velejador, conhecedor notável do mar, ainda não tenha construído seu próprio veleiro e feito uma viagem ao redor do mundo! Aquilo pegara Phill de surpresa. Realmente nunca havia se detido a pensar no assunto, ainda que tivesse lido alguns livros sobre este tema “Circunavegação em Veleiros”. ─ É verdade, Conde, um assunto que devo agendar para o futuro! A semente havia sido plantada e germinaria mais rápido que pensara. Terminado o jantar, enquanto era dada a vez aos licores e charutos, Phill convidou Lady Darling a conhecer-me, pretexto para ficarem algum tempo a sós. De braços dados, como dita a etiqueta inglesa, saíram pelo segundo convés do Britânia, em minha direção. Phill não cansava de admirar a bela dama que tinha a seu lado. E Lady Darling estava maravilhada por aquele deus loiro, famoso, realizado e mais forte que seu pai. Ao chegarem junto a mim, conversavam já como velhos amigos e pude notar uma infinidade de mesmas simpatias e gostos. ─ Lady Darling, este é meu grande amigo o “Pequeno Guardian”! Complementando esta afirmativa com o tradicional tapinha no meu verniz. Lady Darling iniciou sua resposta com algo bem diferente do que esperava: ─ Phill, daqui para frente, me chame de Darling, pois o chamarei sempre de Phill, e quanto ao “Pequeno Guardian”, iremos velejar muito juntos! E fez um gostoso carinho, com sua macia e perfumada mão, que jamais esqueci. Baixinho, sem que Lady Darling ouvisse, perguntei a Phill: ─ Ela falou comigo, Phill? Disse que iriam velejar muito comigo, como é que pode, se ela vai voltar para a Inglaterra? ─ Não vai não amigo, isto não acontecerá! Complementando o que dissera e tendo Darling perto, tomou-a em seus braços e a beijou doce e suavemente, como nunca fizera em sua vida e a ninguém.
Eu ali, mais uma vez junto a meu
Phill, assistia a mais um importante e glorioso momento de sua vida, uma
página dela, daquele romance que junto de mim se iniciava. |
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